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Revista da Escola de Enfermagem da USP

Print version ISSN 0080-6234

Rev. esc. enferm. USP vol.45 no.spe2 São Paulo Dec. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0080-62342011000800020 

ESTUDO TEÓRICO

 

Representações cotidianas: uma proposta de apreensão de valores sociais na vertente marxista de produção do conhecimento*

 

Representaciones cotidianas: una propuesta de aprendizaje de valores sociales en la vertiente marxista de producción del conocimiento

 

 

Cássia Baldini SoaresI; Vilmar Ezequiel dos SantosII; Célia Maria Sivalli CamposIII; Sheila Aparecida Ferreira LachtimIV; Fernanda Cristina CamposV

IProfessora Associada do Departamento de Enfermagem em Saúde Coletiva da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil. cassiaso@usp.br
II
Doutorando do Departamento de Enfermagem em Saúde Coletiva da Escola de Enfermagem da Univesidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil
IIIProfessora Doutora Departamento de Enfermagem em Saúde Coletiva da Escola de Enfermagem da Univeridade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil
IVMestre em Ciências pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil
VGraduanda em Enfermagem da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. Bolsista IC - Pró-Reitoria de Pesquisa. São Paulo, SP, Brasil

Correspondência

 

 


RESUMO

Propõe-se um arcabouço teórico-metodológico, na vertente marxista de construção do conhecimento, para compreensão de valores sociais pela captação de representações cotidianas. Pressupõe-se que a investigação científica congrega diferentes instâncias: epistemológica, teórica e metodológica, que coerentemente às demais instâncias propõem um conjunto de procedimentos e técnicas operacionais de apreensão e análise da realidade em estudo, expondo o objeto investigado. O estudo de valores revela a essencialidade da formação de juízos e escolhas; há valores que refletem a ideologia dominante, perpassando todas as classes sociais, mas também há valores que refletem os interesses de classe, esses não são universais, são constituídos nas relações e atividades sociais. Fundamentando-se na teoria marxista da consciência, as representações cotidianas constituem formulações discursivas, opinativas ou de convicção, emitidas por sujeitos sobre sua realidade, mostrando-se coerente forma de compreensão e exposição de valores sociais: grupos focais mostram-se apropriados para apreender opiniões enquanto entrevistas demonstram potencialidades para expor convicções.

Descritores: Comunismo; Valores sociais; Pesquisa qualitativa


RESUMEN

Se propone marco teórico-metodológico, en vertiente marxista de producción de conocimiento, para comprensión de valores sociales por captación de representaciones cotidianas. Se presupone que la investigación científica incluye instancias epistemológicas, teóricas y metodológicas que, conjuntamente con otras instancias, proponen procedimientos y técnicas operativas de aprendizaje y análisis de la realidad estudiada exponiendo el objeto investigado. El estudio revela la esencialidad de formación de juicios y elecciones; hay valores que reflejan la ideología dominante, atravesando todas las clases sociales, pero también hay valores que reflejan intereses de clase, esos no son universales, sino constituidos en las relaciones y actividades sociales. Fundamentándose en la teoría marxista de la consciencia, las representaciones cotidianas constituyen formulaciones discursivas, de opinión o de convicción, emitidas por sujetos sobre su realidad, constituyendo una forma de comprensión y exposición de valores sociales: los grupos focales son apropiados para aprender opiniones mientras las entrevistas muestran potencialidad para exponer convicciones.

Descriptores: Comunismo; Valores sociales; Investigación cualitativa


 

 

INTRODUÇÃO

Neste ensaio, parte-se do pressuposto de que a investigação científica congrega diferentes instâncias que devem ser coerentes entre si: a epistemológica, que se refere a uma dada compreensão sobre a produção do conhecimento; a dimensão teórica, que propõe uma teoria explicativa para o fenômeno em estudo, acionando categorias de análise, e a instância metodológica, que propõe um conjunto de procedimentos e técnicas para apreensão e análise da realidade em estudo, na tentativa de expor o objeto investigado, e que deve manter coerência com as demais instâncias(1).

O objetivo dessa reflexão é propor um arcabouço teórico-metodológico, na vertente marxista de construção do conhecimento, para compreensão de valores sociais através da captação de representações cotidianas. Em primeiro lugar discutir-se-ão algumas das implicações para a pesquisa de se tomar como referência a vertente marxista – o materialismo histórico e dialético; em seguida conceituar-se-ão valores sociais coerentemente com essa vertente, para na sequência discutir a pertinência de compreendê-los diante da captação e análise de representações cotidianas. Por último se discutirá a potencialidade de duas técnicas qualitativas de pesquisa para apreender valores sociais.

A vertente marxista como fundamento epistemológico da produção de conhecimento no campo da Saúde Coletiva

Reconhece-se a existência de uma realidade social que é histórica e se encontra em movimento e que o processo de investigação constitui uma prática social, realizada por sujeitos que têm valores e fazem escolhas. Portanto, conhecer a realidade não se concretiza através de uma investigação de caráter neutro. O conhecimento é construído de acordo com as possibilidades que se tem de apreender a realidade, muitas vezes acobertada na correlação de forças entre as classes que dominam e as exploradas ou subalternas. A finalidade do processo de investigação é produzir conhecimento a partir do desacobertamento da realidade e da crítica, o que inevitavelmente encaminha para a transformação da realidade encontrada(1).

O marxismo cresceu fazendo crítica ao positivismo e questionando seus pressupostos científicos de busca da verdade – a regularidade e a linearidade dos fatos sociais e a adoção sem restrições dos fundamentos das ciências naturais para fazer a leitura dos objetos das ciências sociais. Para isso foi-se apropriando da categoria da contradição para expor a crítica ao formalismo lógico, ao reducionismo e à a-historicidade na apreensão da dinâmica realidade social. A dialética marxista põe em xeque o congelamento da realidade e critica a epistemologia que busca a verdade na reprodução laboratorial com o controle de vieses(1).

A adoção de perspectiva de análise dialética em pesquisa não significa, no entanto, abandonar a apreensão racional da realidade, que é realizada a partir da compreensão das características regulares e fortuitas da parcela da realidade que está sendo captada e analisada(2). Trata-se de processo rigoroso e articulado, cujo objetivo é encontrar as determinações do fenômeno tornado objeto de estudo(1).

Ao propor discutir as conexões entre o fenômeno em estudo e a totalidade social, através de categorias de análise, a dialética marxista objetiva captar as contradições que cercam o fenômeno em estudo, expondo sua essência e não apenas sua aparência. O desafio encontra-se no desenvolvimento de ferramentas que possam melhor elucidar as relações entre o conjunto de saberes histórico-sociais constituídos e a reprodução no cotidiano da vida social dos sujeitos e grupos. Diante de uma pergunta de pesquisa cuja explicação dominante é pouco ou nada satisfatória, coloca-se um desafio metodológico,

especialmente porque existe uma série de técnicas a utilizar, que pertencem aos diferentes campos disciplinares envolvidos e que, no entanto, têm que ser rearticuladas numa nova perspectiva(3).

A Saúde Coletiva constitui um campo de saberes e práticas que busca retomar os fundamentos da abordagem marxista, apoiando-se pioneiramente nos ensinamentos de Garcia(4), seguido por tantos outros cientistas que construíram e continuam construindo esse campo interdisciplinar(5). É por isso que parte considerável das pesquisas desenvolvidas pela Saúde Coletiva toma a vertente marxista da produção de conhecimento como referência e vem aceitando o desafio de promover pesquisas que mostrem coerência nas instâncias epistemológica, teórica e metodológica(1).

Valores sociais: dimensão teórica

Valores sociais são aqui compreendidos como mediadores da consciência social, fundamento de escolhas e posicionamentos em relação à realidade em que diferentes grupos sociais se sociabilizam. São histórica e socialmente construídos e embasam a prática social a partir de escolhas feitas por sujeitos concretos no seu cotidiano(6). Eles podem ser incorporados no contínuo processo de disseminação da ideologia dominante, constituindo opiniões dominantes, que perpassam todas as classes sociais, impregnando as escolhas de todos os grupos. Mas podem também representar convicções de classe, formuladas diante de condições materiais concretas vivenciadas no trabalho e na vida. Nesse caso, as contradições da formação social seriam geradoras de formulações críticas(7).

Os valores não são construtos puramente mentais, de sujeitos individualizados, eles estão situados num certo tempo e espaço e são constituídos nas relações sociais que se estabelecem a partir de um determinado modo de produção. Assim, para Marx o valor significa o trabalho incorporado e transfigurado nas mercadorias, sendo somente possível apreendê-lo pelo processo de abstração, o que requer um esforço teórico através do método dialético. No âmbito das relações e interações sociais aquilo que é percebido imediatamente pelos sentidos e percepções é somente a aparência da mercadoria, ou seja, a sua expressão como valor de troca e como algo que satisfaz necessidades humanas de toda espécie, o seu valor de uso(8).

Nesse contexto os homens se relacionam entre si mediados pelas necessidades de consumo e de troca das diversas mercadorias produzidas. A propriedade das mercadorias se torna a razão do viver em sociedade a partir da valorização do ter, do acúmulo, do ser aparente, da aparência das coisas. As necessidades também se alienam ao processo da metamorfose do valor, determinadas pelo sistema de produção que tem por finalidade a realização da mercadoria pelo sistema de troca e consumo. Esses processos em transformação no interior do capitalismo contribuem significativamente para dar contorno a um sistema de valorização particular, marcando assim as novas subjetividades e o modo de vida(8).

A intermediação entre a consciência e a realidade social somente se dá através das representações que fazemos dos objetos e coisas. As coisas valem o que representam e o que aparentam ser, não sendo possível para a consciência abstrair o que as coisas realmente são na sua função e constituição na totalidade da vida social. Assim, o que as pessoas valorizam pode se referir a algo mais próximo da sua realidade concreta de vida, como também pode reproduzir a ideologia dominante na sociedade. Dito de outra forma, a consciência que se tem da realidade social pode se manifestar como consciência alienada ou ainda revelar as contradições presentes na vida social. Dessa forma, a produção de ideias, representações e da consciência está diretamente relacionada à vida material e condicionada a um determinado desenvolvimento das forças produtivas e do modo de relações correspondentes(9).

Os valores sociais decorrem, em grande medida, dos valores econômicos, consubstanciando as formas de viver contemporâneas, plenas de valores de competição, de individualismo e de acumulação de bens privados. No contexto contemporâneo, o conjunto de valores vivenciados pelos diferentes sujeitos e grupos sociais perfaz a cultura do capitalismo atual(10), marcando as subjetividades de forma particular(11), imprimindo assim um determinado modo de vida(12).

Os valores podem tanto se referir à reprodução de um padrão social dominante (axiologia) como a um conjunto de valores que visam à emancipação do homem das formas de opressão e de dominação social (axionomia). Há uma dialética instaurada; por um lado, as formas de regularização necessárias à manutenção das relações antagônicas, que sustentam a exploração e dominação social, e, por outro, formas de resistência que visam à transformação dessas relações. Assim, há um sistema de valorização dominante que se apresenta como ideologia dominante (falsa consciência da realidade) e sistemas de valorização ligados aos interesses dos grupos dominados e oprimidos socialmente(7).

Representações cotidianas: dimensão metodológica da apreensão de valores

Trata-se de construção teórico-metodológica que critica a leitura a-crítica e descritiva da realidade, identificada pelas representações sociais, construção comumente utilizada em pesquisas de natureza qualitativa, especialmente na área da saúde, e que invariavelmente se desconecta da percepção da totalidade social, que é lembrada apenas como pano de fundo dos fenômenos estudados. A partir dessa concepção, a abordagem das representações sociais traduz uma concepção ingênua do saber cotidiano, reproduzindo equívocos e procedimentos da perspectiva fenomenológica de produção do conhecimento(12).

Baseando-se em Marx, de acordo com as formulações de Nildo Viana, as representações cotidianas constituem expressões da consciência que os indivíduos adquirem nas relações sociais, que por sua vez estão submetidas à divisão social do trabalho, ou seja, se o indivíduo tem relações limitadas, dado o lugar que ocupa na sociedade, sua percepção sobre a realidade será também limitada, o que torna difícil ter acesso a uma percepção menos parcial ou menos falseada da realidade(12).

As representações cotidianas são o veículo que traduz as características da vida cotidiana, que, naturalizada, se reproduz sem uma reflexão profunda sobre o mundo e mesmo sobre a realidade que circunda as pessoas(12). Embora a vida cotidiana seja diferente em cada classe ou grupo social, ela apresenta alguns elementos comuns que perpassam todas as classes, ou seja, as representações cotidianas expressam as formas de consciência de classe, mas também apresentam um elemento geral, que perpassa todas as classes sociais, pois, apesar das diferentes inserções sociais, há uma sociabilidade geral comum a todas as classes sociais(12).

As representações cotidianas têm no seu interior, portanto, um caráter contraditório, e isso as diferencia da lógica formal. O autor busca constituir uma lógica que explique a coerência interna das representações cotidianas. Utiliza-se então da distinção realizada por Erich Fromm e Michael Maccoby entre convicção e opinião para referir que as representações cotidianas são constituídas por um núcleo e por elementos periféricos. A convicção seria algo profundo, fruto de reflexão e de escolhas que, introjetadas, conforma o núcleo da representação cotidiana. A opinião seria algo superficial, pouco trabalhado, e refletiria a aceitação de ideias socialmente compartilhadas. Como elementos periféricos, manifesta mais claramente as contradições pelo seu caráter fluido e instável. Assim, opiniões constituem pareceres mais descompromissados sobre a realidade do que as convicções, estas definidas como formações sólidas que se mostram incorporadas à estrutura de caráter dos indivíduos, podendo assumir a forma de valores(12-13).

A proposta para apreender valores através das representações cotidianas baseia-se na busca de discursos de convicção, e não apenas opinativos(12).

Técnicas qualitativas de apreensão de representações cotidianas: potencialidades para expor valores sociais

Neste estudo partiu-se do pressuposto de que as opiniões emitidas por sujeitos de pesquisa melhor refletiriam a ideologia dominante, enquanto as convicções teriam mais potencial para expor os valores sociais realmente tomados pelos sujeitos para nortear suas escolhas.

Advoga-se aqui que as representações cotidianas podem ser apreendidas por técnicas qualitativas de pesquisa, sendo mais provável que a técnica de grupo focal ou entrevista em grupo melhor apreenda opiniões que a técnica de entrevista aprofundada, e que situar o sujeito no seu contexto particular de vida tenha mais potencialidade para apreender convicções.

Dessa forma, a análise conjunta do conteúdo de discursos com o conhecimento da realidade dos sujeitos que os emitem é instrumento potente para identificar valores de classe, conforme demonstrou estudo empírico com jovens que reconheceu, a partir de entrevistas aprofundadas, a expressão de diferentes valores sociais, coerentemente aos diferentes grupos sociais(14). A entrevista aprofundada é uma técnica que permite que o sujeito possa refletir sobre suas colocações, refazendo-as ao longo da entrevista.

Já a técnica de grupo focal, embora seja potente ferramenta para abordar aspectos qualitativos da realidade(15), põe à tona opiniões, pois não permite o aprofundamento suficiente das representações dos sujeitos pesquisados de forma a abstrair convicções, ou seja, não permite verificar as razões e o modo de vida dos sujeitos, em suas particularidades históricas (para averiguar o porquê de o sujeito ter aquela opinião), permitindo o elo com as opiniões manifestadas mais amplamente nos grupos.

Nessa perspectiva, as opiniões refletem e reproduzem em grande medida a ideologia dominante na sociedade, contrapondo-se à realidade concreta de diferentes grupos sociais, o que possibilita avaliar as contradições presentes nos discursos.

A análise das contradições presentes nas opiniões pode contribuir para revelar as dificuldades dos participantes de pesquisa para fazer frente à ideologia dominante, naturalizando as formas de compreensão das relações e interações sociais e criando uma falsa consciência ou consciência alienada e, ao mesmo tempo pode contribuir para revelar aspectos críticos que dizem respeito às condições concretas da vida social.

Por meio da utilização da teoria das representações cotidianas busca-se superar em parte algumas dificuldades metodológicas em pesquisas qualitativas que tenham como base epistemológica a vertente marxista. Nesse caso, a pesquisa toma contorno no seu conjunto teórico-metodológico, que por sua vez oferece base para a escolha e a aplicação de técnicas e procedimentos de coleta de dados que possibilitam maior amplitude e coerência de análise.

Saliente-se que a análise integral do discurso proveniente de entrevistados, sem fragmentá-lo em categorias linguísticas ou temáticas, tornaria possível descobrir as convicções dos entrevistados, revelando seus valores e crenças sobre o fenômeno estudado.

 

CONCLUSÃO

Na vertente marxista de produção do conhecimento, que ampara em considerável medida o campo da Saúde Coletiva, o pesquisador considera que o que está na realidade não é natural, mas socialmente dependente dos estágios do processo de produção na sociedade. Portanto, os fenômenos estudados pela Enfermagem em Saúde Coletiva devem ser tomados em relação com a formação social vigente, cuidando-se para detectar os melhores mediadores entre a estrutura social mais ampla e o fenômeno tornado objeto de estudo.

Produzir conhecimento nessa vertente significa não somente apreender a realidade de maneira descritiva e factual, mas analisá-la criticamente a partir do contexto que a cerca e determina, pois os fenômenos em exame não poderão ser compreendidos, se focalizados isoladamente, sem que se mostrem as conexões que apresentam com os demais fenômenos envolvidos. O significado social do que foi apreendido na realidade deve ser sempre escrutinizado por uma teoria, que, por sua vez, oferece uma categoria de análise do fenômeno em investigação. Tal pressuposto indica que os pesquisadores de Enfermagem em Saúde Coletiva elejam categorias de análise que melhor expliquem a realidade estudada, sendo fundamentais nessa vertente as categorias: trabalho, classe social, valores, ideologia, necessidades, entre tantas que conformam os quadros teóricos marxistas e que se aplicam na particularidade da saúde.

Para captar a realidade utiliza-se uma variedade de métodos quantitativos e qualitativos de coleta de dados, que, juntamente com os demais procedimentos, compõem a instância metodológica. Representações Cotidianas apresenta-se como recurso metodológico coerente para apreensão e análise da realidade encontrada, recomendando-se sua utilização nos estudos de Enfermagem em Saúde Coletiva, especialmente os que se propõem a captar a realidade a partir da utilização de técnicas qualitativas, notadamente a entrevista aprofundada.

 

REFERÊNCIAS

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Correspondência:
Cássia Baldini Soares
Escola de Enfermagem da USP
Av. Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, 419 - Cerqueira Cesar
CEP 05403-000 – São Paulo, SP, Brasil

Recebido: 03/11/2011
Aprovado: 29/11/2011

 

 

* Extraído do Grupo de Pesquisa "Fortalecimento e Desgaste no Trabalho e na Vida: Bases para a Intervenção em Saúde Coletiva", Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, 2011.

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