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Revista da Escola de Enfermagem da USP

Print version ISSN 0080-6234

Rev. esc. enferm. USP vol.46 no.2 São Paulo Apr. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0080-62342012000200031 

ARTIGO DE REVISÃO

 

O adoecer pelo trabalho na enfermagem: uma revisão integrativa

 

Work-related illness in nursing: an integrative review

 

Padecimiento por el trabajo en la enfermería: una revisión integral

 

 

Renata Perfeito RibeiroI; Julia Trevisan MartinsII; Maria Helena Palucci MarzialeIII; Maria Lucia do Carmo Cruz RobazziIV

IMestre em Enfermagem. Doutoranda do Programa Interunidades da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Professora Assistente do Departamento de Enfermagem da Universidade Estadual de Londrina. Bolsista CNPq. Londrina, PR, Brasil. perfeito@sercomtel.com.br
IIDoutora em Enfermagem. Professora Adjunta do Departamento de Enfermagem da Universidade Estadual de Londrina. Londrina, PR, Brasil. jtmartins@uel.br
IIIProfessora Titular do Departamento de Enfermagem Geral e Especializada da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Coordenadora do Núcleo de Estudos Saúde e Trabalho. Ribeirão Preto, SP, Brasil. marziale@eerp.com
IVProfessora Titular do Departamento de Enfermagem Geral e Especializada da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Coordenadora do Núcleo de Estudos Saúde e Trabalho. Ribeirão Preto, SP, Brasil. avrmlccr@eerp.usp.br

Correspondência

 

 


RESUMO

A busca incessante pela realização de diferentes atividades provoca no homem um aumento das cargas laborais, levando ao aparecimento de doenças físicas, psíquicas e emocionais. Resolveu-se buscar evidências científicas sobre as formas de adoecimento pelo trabalho da enfermagem, bem como as formas para o enfrentamento e prevenção ao adoecimento e acidentes de trabalho. Utilizou-se a revisão Integrativa e a pesquisa foi realizada em bases de dados eletrônicas na área da saúde. Os descritores utilizados foram: doença ocupacional, prevenção ocupacional, trabalhador da enfermagem. Encontrou-se 27 artigos. Percebeu-se que os trabalhadores da enfermagem apresentam dores lombares, injúrias músculo-esqueléticas, sofrem acidentes com material pérfuro-cortante, estresse e tensão no trabalho, sofrem com poluição ambiental e dermatites.

Descritores: Enfermagem; Carga de trabalho; Saúde do trabalhador; Prevenção de doenças


ABSTRACT

Man's endless search for methods of performing different activities leads to increased workloads, which eventually result in physical, psychological and emotional conditions. The objective of this study was to seek scientific evidence regarding the types of work-related conditions or illnesses in nursing, as well as the means of coping and preventing occupational diseases and accidents. An integrative review was performed on the electronic health databases using the following descriptors: occupational disease, occupational prevention, and nursing worker. Twenty-seven articles were found. It was realized that nurses have back pain and musculoskeletal injuries, suffer accidents with sharp-edged materials and endure stress and tension at work, in addition to exposure to environmental pollution and dermatitis.

Descriptors: Nursing; Workload; Occupational health; Disease prevention


RESUMEN

La búsqueda incesante de la realización de diferentes actividades provoca en el hombre un aumento de las cargas laborales, acarreando la aparición de enfermedades físicas, psíquicas y emocionales. Se resolvió buscar evidencias científicas sobre las formas de padecimiento por el trabajo de enfermería, así como las formas para su enfrentamiento y prevención del padecimiento y accidentes de trabajo. Se utilizó la Revisión Integral y la investigación se realizó en bases de datos digitales del área de la salud. Los descriptores utilizados fueron: enfermedad laboral, prevención ocupacional, trabajador de enfermería. Se encontraron 27 artículos. Se percibió que los trabajadores de enfermería presentan dolores lumbares, daños músculo-esqueléticos, sufren accidentes con material corto-punzante, estrés y tensión en el trabajo, sufren con la polución ambiental y dermatitis

Descriptores: Enfermería; Carga de trabajo; Salud laboral; Prevención de enfermedades


 

 

INTRODUÇÃO

O relacionamento do homem com o trabalho e com ele mesmo vem passando incessantemente por alterações, que se tornam cada vez mais complexas, profundas e sofisticadas.

As intensas transformações no mundo do trabalho têm provocado inovações tecnológicas, fortalecimento de atividade econômica e mudança no processo de trabalho. Isto tem contribuído significativamente para que o homem procure cada vez mais ser polivalente e capaz de realizar uma multiplicidade de atividades(1 ).

Essa busca incessante pela realização de diferentes atividades provoca no ser humano um aumento de todos os tipos de cargas relacionadas com o labor, levando ao aparecimento de doenças, quer sejam de ordem física, psíquica e emocional.

Preocupados com o aumento do adoecimento dos trabalhadores, em setembro de 1990 cria-se a Lei Federal 8.080, que dispõe sobre as condições de saúde e funcionamento dos serviços, abordando a Saúde do Trabalhador e suas competências, destacando as atividades que se destinam, por meio de ações de vigilância epidemiológica e sanitária, à promoção da saúde dos trabalhadores, bem como às medidas de recuperação e reabilitação dos indivíduos que estão expostos as cargas e agravos provenientes das condições do labor(2).

Apesar desta lei, acredita-se que os profissionais de enfermagem que cuidam de outros indivíduos, que muitas vezes se esquecem de cuidar de si mesmos e do ambiente de labor, têm adoecido pelas condições e pelos ambientes desfavoráveis para desenvolver as suas atribuições.

Os trabalhadores de enfermagem, ao prestarem assistência ao paciente, estão expostos a diversos riscos relacionados com o labor, que podem ser causados por fatores químicos, físicos, mecânicos, biológicos, ergonômicos e psicossociais, que podem causar doenças ocupacionais e acidentes de trabalho(3).

Assim sendo, é fundamental que os profissionais da área de saúde do trabalhador incentivem e busquem soluções viáveis para a implementação de ações de promoção da saúde e da adoção de medidas preventivas de doenças(4).

Diante dessas considerações surge o interesse em desenvolver uma revisão integrativa sobre a produção científica na qual se busca identificar a forma de adoecer dos enfermeiros no mundo, e também as estratégias utilizadas pelos mesmos para minimizar o adoecimento no trabalho. Tal investigação justifica-se para conhecimento e interpretação da produção sobre o tema com a finalidade de contribuir para o desenvolvimento de futuras pesquisas.

 

OBJETIVO

Buscar evidências científicas que abordem as formas de adoecimento pelo trabalho da enfermagem, bem como, as formas utilizadas para o enfrentamento e prevenção ao adoecimento e acidentes de trabalho.

 

MÉTODO

Para alcançar os objetivos propostos neste estudo, o método eleito foi a Revisão Integrativa que inclui a análise de pesquisas relevantes que dão suporte para a tomada de decisão, permitindo a incorporação desses achados na prática clínica. Este tipo de estudo é uma estratégia para a identificação e análise das evidências existentes de práticas de saúde, quando a produção de conhecimento científico não está suficientemente fundamentada(5).

Para a elaboração de uma revisão integrativa, se faz necessária a adoção de fases que apresentem um rigor metodológico em busca de evidências sobre determinado assunto. Essas fases compreendem seis etapas: selecionar a questão para a revisão (pergunta norteadora); selecionar as pesquisas que constituirão a amostra do estudo; representar as características das pesquisas revisadas; analisar os achados de acordo com os critérios de inclusão e exclusão estabelecidos no projeto; interpretar os resultados e apresentar e divulgar os resultados(6-7).

Levando em consideração as dificuldades de trabalho apresentadas pelos trabalhadores da enfermagem como: vulnerabilidade a riscos inerentes ao trabalho realizado; cargas de trabalho; número insuficiente de trabalhadores para a grande quantidade de pacientes internados; remuneração insuficiente; turnos exaustivos, entre outros elegeram-se as seguintes questões norteadoras para guiar este estudo:

- Quais as causas de adoecimento dos trabalhadores da enfermagem na área da saúde?

- Quais as intervenções eficazes para prevenção de adoecimento pelo trabalho da enfermagem na área de saúde?

Os critérios de inclusão dos artigos selecionados nesta pesquisa foram: estudos de delineamento descritivo, quantitativo e qualitativo, quase experimental e experimental, que foram publicados entre os anos de 1986 à 2009 nos idiomas português, inglês e espanhol, com resumos disponíveis nas bases de dados eletrônicas selecionadas: ISI Web of Knowledge, MEDLINE - Medical Literature Analysis and Retrieval System Online, LILACS - Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde, SCOPUS, SciELO - Scientific Eletronic Library e PubMed arquivo digital produzido pela National Library of Medicine na área das Biociências.

Para a busca dos artigos selecionados foram utilizadas estratégias respeitando as especificidades de cada base de dados, utilizando os descritores: doença ocupacional, prevenção ocupacional, trabalhador da enfermagem, que fazem parte dos Descritores em Ciências da Saúde – DeCS e MeSH.

Para a coleta dos dados foi utilizado um instrumento construído para este fim pelos coordenadores do Núcleo de Estudos Saúde e Trabalho - NUESAT/USP, o qual passou por avaliação de juízes em outro estudo com esta mesma metodologia, seguindo as recomendações metodológicas deste tipo de pesquisa(8). O instrumento utilizado contempla os seguintes itens: identificação do artigo original, características metodológicas do estudo, avaliação do rigor metodológico e avaliação dos resultados encontrados. Neste estudo, não se utilizou o item avaliação das intervenções mensuradas, por não compor o objetivo desta pesquisa.

Excluímos desta pesquisa os artigos em forma de apostilas, cartas e editoriais, pois não contemplam os critérios necessários para uma pesquisa científica, pois o foco deste estudo era buscar evidências científicas sobre o assunto. Também foram excluídos os artigos que não estavam disponíveis na íntegra.

Os artigos que se repetiram em duas bases de dados foram agregados na base de dados que continha o maior número de artigos(9).

Os resultados são apresentados de forma descritiva, fazendo uso de tabelas, objetivando-se captar as evidências do adoecimento dos trabalhadores da área de enfermagem, bem como as formas utilizadas para o enfrentamento das doenças ocupacionais

 

RESULTADOS

Neste estudo foram incluídos 27 artigos que atenderam aos critérios de inclusão previamente estabelecidos e assim distribuídos nas bases de dados selecionadas:

* SCOPUS: 61 artigos com um artigo incluído;

* LILACS: quatro artigos com dois artigos incluídos;

* ISI: 93 artigos com três artigos incluídos;

* PUBMED: 496 artigos com seis artigos incluídos;

* MEDLINE: 260 artigos com 15 artigos incluídos e,

* SCIELO: 12 artigos e nenhum incluído.

Dos 27 artigos publicados sobre o assunto em questão, percebeu-se nesta revisão integrativa que dois (7,4%) dos artigos selecionados são do ano de 1998; dois (7,4%) do ano de 2000; dois (7,4%) do ano de 2001; três (11,1%) artigos do ano de 2002; três (11,1%) artigos do ano de 2003; três (11,1%) do ano de 2004; três (11,1%) artigos publicados em 2005; dois (7,4%) artigos em 2006; quatro (14,8%) artigos em 2007 e três (11,1%) em 2008.

Ainda no que tange ao recorte temporal de publicação pode-se considerar que os estudos brasileiros são recentes na literatura, visto que o intervalo está entre 2001 e 2008, com uma publicação em 2001, 2002 e 2007, e duas publicações em 2008.

Com relação ao tipo de metodologia aplicada nos artigos estudados neste trabalho, percebeu-se que dois (7,4%) artigos são Ensaios Clínicos Randomizados Controlados; dois (7,4%) Ensaio Clínico sem Randomização; seis (22,2%) Caso – Controles; um (3,7%) estudos com metodologia de Coorte; três (11,1%) Revisões Sistemáticas Descritivas; 11 (40,7%) estudos Descritivos e dois quase-experimental (7,4%).

Quanto aos temas abordados, tanto os artigos brasileiros como os americanos tratam de problemas relacionados ao estresse, aos acidentes e riscos ocupacionais e à dor músculo esquelética.

Os artigos canadenses incluídos, além de se preocuparem com as questões do estresse e as estratégias para o seu enfrentamento, um artigo trabalha a questão do uso de máscaras para a redução da contaminação dos trabalhadores.

Percebeu-se que os trabalhadores da enfermagem apresentam dores lombares com injúrias músculo-esqueléticas(19,23-24,26-28,30-31), sendo que três destes estudos(26-31-32), demonstram que esses problemas de saúde estão relacionados com a postura adotada pelos trabalhadores ao realizarem as suas atividades laborais,

Percebeu-se também nesta revisão integrativa que os trabalhadores da enfermagem sofrem acidentes com material pérfuro-cortante, com alto risco de contaminação por material biológico, podendo adquirir doenças como Hepatites(11-16).

Quanto aos temas abordados, observou-se nesta pesquisa, que tanto os artigos brasileiros como os americanos tratam de problemas relacionados ao estresse, aos acidentes e riscos ocupacionais e à dor.

No quadro apresentado a seguir, pode-se verificar os artigos selecionados para este estudo, apresentando a base de dados onde o artigo foi publicado, os títulos dos artigos, autores, ano de publicação, método adotado, país de origem e resultados das pesquisas.

 

Quadro 1

 

Os artigos canadenses estudados, além de se preocuparem com as questões do estresse e as estratégias para o seu enfrentamento, um artigo(20) trabalha também a questão do uso de máscaras para a redução da contaminação dos trabalhadores.

Na Europa, existe uma tendência à preocupação com a dor do trabalhador, bem como a diminuição do estresse. Também aparece uma proposta de curso para o enfrentamento desses problemas(31).

Observou-se também nesta revisão integrativa que os trabalhadores da enfermagem sofrem acidentes com material pérfuro-cortante, com alto risco de contaminação com material biológico, podendo adquirir doenças como Hepatites e Aids(11-16). Para tanto, os profissionais da área da saúde necessitam aderir às Precauções Padrão, visto que estudo(13) demonstrou que os enfermeiros têm dificuldades para prevenir acidentes ocupacionais devido à falta de adesão às Precauções Padrão.

Em outro estudo desta revisão(12), verificou-se que a equipe de atendimento móvel pré hospitalar adere às Precauções Padrão e assim tem menor risco de contaminação por fluídos corpóreos, dificultando a adquirirem infecções.

Percebeu-se que como forma de enfrentamento para o estresse nos trabalhadores da saúde são utilizados exercícios, música, relaxamento(22) e terapia de massagem(25), sendo estratégias com bom resultado para a redução do estresse.

Em contrapartida, dois estudos selecionados nesta pesquisa(29-35) colocam que programas de terapia complementar não diminuem o estresse dos trabalhadores.

Dois estudos(17-18) colocam que o trabalhador que está submetido ao estresse laboral, o tem reduzido quando tem um suporte de enfrentamento como a presença de um supervisor.

Também identificou-se que os trabalhadores de enfermagem estão submetidos à poluição ambiental(15).

Os trabalhadores também podem apresentar dermatites nas mãos por fazerem uso de luvas para a realização de procedimentos. Um estudo(21) revelou que diminuir a frequência de mãos úmidas por meio do uso de espaço de tempo curto de luvas de proteção é significante para evitar as dermatites nas mãos.

 

DISCUSSÃO

O estudo evidenciou que houve um aumento do número de publicações sobre as doenças ocupacionais a partir do ano de 2003. Provavelmente esse fato é devido ao aumento do absenteísmo do trabalhador da área da saúde, percebido pelas instituições hospitalares. No Brasil, esse aumento pode estar relacionado com a aprovação da Lei 8.080/90 que preconiza o cuidado com a saúde do trabalhador, fazendo com que os problemas se tornassem evidentes nos ambientes laborais, e por sua vez os trabalhadores e as instituições buscassem melhorias de condições de trabalho e funcionamento

Os dados analisados revelaram que os Estados Unidos aparecem como líderes na publicação em relação às causas de adoecimento dos trabalhadores da área da saúde e enfrentamentos com sete (25,9%) publicações e, a seguir, aparece o Brasil com cinco (18,5%) artigos selecionados. Os demais artigos estão distribuídos entre os países europeus, Canadá e Austrália.

Para que a prática possa ser modificada através dos resultados de pesquisas, se faz necessário que as metodologias das pesquisas publicadas tenham nível de evidência que traga suporte para que as mudanças sejam efetivadas. O Nível de Evidência utilizado nas Revisões Integrativas e Sistemáticas configura-se como uma forma de avaliar as pesquisas realizadas em determinadas áreas do conhecimento, de acordo com o delineamento metodológico escolhido e utilizado pelos autores, para evidenciar melhorias para o cuidado em assuntos ainda não fortalecidos(6-38).

Com relação ao tipo de metodologia aplicada nos artigos estudados neste trabalho, percebeu-se que dois (7,4%) artigos são Ensaios Clínicos Randomizados Controlados; dois (7,4%) Ensaio Clínico sem Randomização; seis (22,2%) Caso – Controles; um (3,7%) estudo com metodologia de Coorte; três (11,1%) Revisões Sistemáticas Descritivas; 11 (40,7%) estudos Descritivos e dois quase-experimental (7,4%).

Os estudos incluídos nesta pesquisa, em sua maioria, tiveram delineamentos metodológicos de pesquisa não experimental, sendo os estudos com abordagem descritiva os mais utilizados. Os estudos utilizaram, em sua maioria, delineamentos metodológicos de pesquisa não experimental, perfazendo um total de 16 (5,9%), sendo os estudos com abordagem descritiva os mais utilizados.

Aplicando-se, a classificação para determinar o nível de evidência dos artigos, obtiveram-se dois (7,4%) artigos com evidência nível um; dois (7,4%) com nível três; sete (25,9%) artigos com nível quatro e 16 (59,2%) artigos com nível de evidência cinco.

Um estudo sistemático sobre a dor nos enfermeiros(36) sugere que estudos randomizados controlados são necessários para se obter resultados significantes em relação à dor dos trabalhadores da saúde.

Percebeu-se que as dores lombares são causas de injúrias para ao trabalhadores da área da saúde, sendo comprovado que a maior incidência de dores nas costas nos profissionais de enfermagem acontece dos 20 aos 40 anos de idade, quando os trabalhadores estão em plena capacidade de produtividade, exercendo as suas atividades em alta demanda o que acaba por favorecer o aparecimento das dores e lesões lombares(39-40).

A postura em pé adotada pela equipe de enfermagem ao realizar as suas atividades laborais traz a esses trabalhadores uma maior incidência de dores nas costas, sendo responsável por 80% da fadiga no trabalho, dificultando a capacidade funcional desses trabalhadores(41).

Com esta pesquisa observou-se que os materiais pérfuro-cortantes utilizados na assistência prestada pelos trabalhadores da enfermagem são equipamentos de grande potencial para causar infecções, devido aos riscos que oferecem, principalmente por conterem agulhas e serem muito manipulados. Quando os trabalhadores sofrem acidentes ocasionados por esses instrumentos de trabalho, eles são injuriados de maneira física e mental, representando prejuízos à saúde do trabalhador, bem como à instituição onde estes estão inseridos(4).

O acidente que ocorre com o pérfuro-cortante contaminado pode acarretar doenças como a Hepatite B(transmitida pelo vírus HBV), Hepatite C (transmitida pelo vírus HCV) e a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida – AIDS (transmitida pelo vírus HIV). Essas doenças podem levar à mudanças nas relações interpessoais de ordem privativa e no ambiente de trabalho, podendo causar distúrbios mentais e emocionais(42).

Por meio desta revisão integrativa pode-se perceber que os trabalhadores da área da saúde têm altos níveis de estresse e tensão no trabalho, assim como, os enfermeiros da área de saúde mental, podendo até mesmo, comprometer o nível da assistência prestada aos pacientes(27).

O estresse pode ser o causador de muitas doenças nos indivíduos acometidos por este mal. Se não houver um diagnóstico e o tratamento adequado para o alívio da tensão, a pessoa pode apresentar desde uma tristeza profunda até uma crise de depressão. Além dos problemas de ordem mental, outras doenças biológicas podem acometer o trabalhador, desde úlceras, hipertensão arterial, herpes até infartes e acidentes vasculares encefálicos, estando relacionados também com a herança genética de cada indivíduo. Não é o estresse que causa essas doenças, mas ele pode reduzir a defesa imunológica, abrindo caminho para que outras doenças apareçam(43).

No Plano de Promoção à Saúde do Trabalhador, é destacado que os exercícios físicos são estratégias de contribuição para o aumento da qualidade de vida das pessoas, melhorando a saúde mental, diminuindo o estresse e a ansiedade em curto prazo, e a depressão, as alternâncias de humor e a melhora da auto-estima em longo prazo(44).

As estratégias utilizadas como defensivas no combate ao estresse causado pelo trabalho são importantes no cotidiano, entretanto, não devem ser a única forma existente, pois, se forem utilizadas como alternativa única e de modo individual podem provocar a alienação, levando a um maior sofrimento, aumentando ainda mais o estresse dos trabalhadores, desfavorecendo o ambiente de trabalho(45).

Outro estudo coloca que os trabalhadores da enfermagem têm sua vida privada prejudicada, em questão do lazer e atividades domésticas, por causa das dores nas costas que os acometem(46).

As estratégias utilizadas como defensivas no combate ao estresse causado pelo trabalho são importantes no cotidiano, entretanto, não devem ser a única forma existente, pois, se forem utilizadas como alternativa única e de modo individual podem provocar a alienação, levando a um maior sofrimento, aumentando ainda mais o estresse dos trabalhadores, desfavorecendo o ambiente de trabalho(44).

Os trabalhadores da saúde estão expostos a poluição ambiental(15), mas mesmo com orientações como não utilizar campos apenas de algodão e sim mesclados commicrofibra e não fazer uso do mercúrio nas unidades de saúde, estas interferências não são relevantes para a diminuição da poluição ambiental.

Devido ao aumento do uso de luvas de látex no ambiente hospitalar, em virtude da preocupação com a biossegurança, evidenciou-se como um dos causadores de dermatite e urticária ocupacional, o material com o qual é produzido este equipamento de proteção para o trabalhador. Essas dermatites aparentes em enfermeiros que fazem uso frequente desse material podem ser causadas pelo látex, pelo talco utilizado nas luvas e pelos produtos químicos utilizados para processamento da borracha(47).

Os trabalhadores também podem ser infectados com microorganismos que infectam os pacientes em ventilação mecânica em Unidades de Terapia Intensiva com diagnóstico de Síndrome da Angústia Respiratória Aguda. Uma estratégia importante para evitar este tipo de infecção é fazer uso da máscara N-95. No entanto, um estudo(20) relata que esta estratégia reduz o risco de contaminação em enfermeiros que atuam em unidades críticas, mas que esta redução não é significativa.

 

CONCLUSÃO

Concluindo a presente revisão integrativa em relação às formas de adoecimento do trabalhador da área da enfermagem, bem como as formas de enfrentamento, percebeu-se que a maioria dos artigos estão preocupados em apenas descrever os problemas de saúde dos trabalhadores.

As intervenções propostas em alguns artigos estudados, não trazem impacto para realmente resolver as formas de adoecimento dos trabalhadores, visto que as pesquisas em sua maioria apresentam metodologias de abordagem descritiva, o que faz com que o nível de evidencia das mesmas não contribua efetivamente para a realização de mudanças práticas.

Percebeu-se que alguns autores tentam implementar formas de prevenção e estratégias de enfrentamento para o adoecimento, mas que existe uma dificuldade muito grande de adesão aos treinamentos, cursos e intervenções propostas nos estudos, por parte dos trabalhadores da saúde.

Com este estudo, entende-se ser necessária a realização de pesquisas que colaborem para a intervenção nos problemas de saúde dos trabalhadores, com metodologias capazes de trazer evidências científicas sobre o assunto estudado.

 

Agradecimentos

Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pelo apoio financeiro

 

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Correspondência:
Renata Perfeito Ribeiro
Rua Santos, 488 - Apto. 64 – Centro
CEP 86020-040 – Londrina, PR, Brasil

Recebido: 19/10/2010
Aprovado: 18/08/2011