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Revista da Escola de Enfermagem da USP

versão impressa ISSN 0080-6234versão On-line ISSN 1980-220X

Rev. esc. enferm. USP vol.50 no.1 São Paulo fev. 2016

http://dx.doi.org/10.1590/S0080-623420160000100016 

Artigo Original

Padrões de tempo médio das intervenções de enfermagem na Estratégia de Saúde da Família: um estudo observacional *

Daiana Bonfim1 

Fernanda Maria Togeiro Fugulin1 

Ana Maria Laus2 

Marina Peduzzi1 

Raquel Rapone Gaidzinski1 

1Universidade de São Paulo, Escola de Enfermagem, Departamento de Orientação Profissional, São Paulo, SP, Brasil.

2Universidade de São Paulo, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Ribeirão Preto, SP, Brasil.

Resumo

OBJETIVO

Determinar padrões de tempo das intervenções/atividades realizadas pelos profissionais de enfermagem em Unidades de Saúde da Família (USF) no Brasil, para subsidiar o cálculo da força de trabalho.

MÉTODO

Estudo observacional, realizado em 27 USF, 10 estados, 12 municípios, no ano de 2013. Em cada Unidade os profissionais de enfermagem foram observados a cada dez minutos, durante oito horas de trabalho, em cinco dias consecutivos, por meio da técnica amostragem do trabalho.

RESULTADOS

Foram observados 47 enfermeiros e 93 técnicos/auxiliares de enfermagem, obtendo-se o total de 32.613 observações. A principal intervenção realizada pelas enfermeiras foi a consulta, com tempo médio de 25,3 minutos, seguida de documentação, que correspondeu a 9,7%. Os técnicos/auxiliares de enfermagem utilizaram, em média, 6,3% em documentação e 30,6 minutos na intervenção controle de imunização/vacinação.

CONCLUSÃO

O estudo fornece padrões de tempos das intervenções realizadas pela equipe de enfermagem em USF, subsidiando a aplicação de métodos de dimensionamento de profissionais de enfermagem e políticas públicas de recursos humanos. Além disso, apresenta o panorama das atuais intervenções desenvolvidas, possibilitando revisão e otimização do processo de trabalho.

Descritores: Atenção Primária à Saúde; Enfermagem em Saúde Comunitária; Enfermagem em Saúde Pública; Recursos Humanos em Saúde; Carga de Trabalho

Introdução

Poucos estudos têm investigado como os profissionais de enfermagem utilizam seu tempo de trabalho em unidades de Atenção Primária à Saúde (APS). Por outro lado, é notória a necessidade de informações que subsidiem a tomada de decisão dos gestores, tanto no planejamento da força de trabalho como na análise e implementação de mudanças na prática de enfermagem, frente aos avanços propostos nos modelos de atenção à saúde.

No Brasil, o fortalecimento da APS se deu por meio da Estratégia de Saúde da Família (ESF). A busca por serviços da atenção básica, pelos brasileiros, aumentou entre 1981 e 2008, cerca de 450%(1), atingindo em 2011 uma cobertura de 95% dos municípios brasileiros e 53% da população brasileira com ESF(2).

Na ESF, a equipe é multiprofissional e composta, no mínimo, por um médico generalista ou especialista em saúde da família ou médico de família e comunidade, um enfermeiro generalista ou especialista em saúde da família, um auxiliar ou técnico de enfermagem e quatro agentes comunitários de saúde, podendo acrescentar a esta composição, como parte da equipe multiprofissional, os profissionais de saúde bucal: um cirurgião-dentista generalista ou especialista em saúde da família e um auxiliar e/ou técnico em saúde bucal, com carga horária de 40 horas semanais, à exceção dos profissionais médicos, cuja jornada pode ser redistribuída entre outros serviços de saúde do município(3). Esta equipe mínima é responsável por no máximo 4.000 pessoas, sendo a média recomendada de 3.000 pessoas, respeitando critérios de equidade para essa definição, o que recentemente passou para aproximadamente 2.000 pessoas(4).

Estudos descrevem evidências positivas da implantação da ESF(5-6), contudo salientam que um dos grandes empecilhos para a sua efetiva consolidação está na falta quantitativa e qualitativa de profissionais preparados para lidar com as novas atribuições exigidas por este modelo assistencial(7).

Além disso, os parâmetros preconizados para todo o país, referentes ao quantitativo de profissionais para a ESF, nem sempre atendem às características epidemiológicas locais e às exigências do modelo de vigilância à saúde(8). Portanto, predizer o número de profissionais necessários para o atendimento das demandas em uma Unidade de Saúde da Família (USF) não é uma tarefa fácil.

O planejamento da força de trabalho em saúde é uma questão ampla e complexa, que perpassa não somente o processo técnico, mas também político e ético, dependendo de valores que refletem as escolhas políticas, econômicas e sociais que estão na base de um sistema de saúde. Ele busca o equilíbrio entre o que se tem disponível como força de trabalho e o quantitativo necessário para realizar os serviços de saúde. É considerado um processo sistemático para estimar o número de profissionais e as competências necessárias para atingir as políticas e metas de saúde. Esse planejamento requer monitoramento, avaliação contínua, e evidências para embasá-lo, com dados confiáveis e disponíveis sobre o trabalho realizado.

O tempo médio de cuidado para atender às necessidades dos usuários/família/comunidade é a variável central dos métodos de dimensionamento de profissionais de saúde. Todavia, muitas medidas de tempo são embasadas, apenas, no julgamento ou na experiência profissional. Há escassez de estudos que apontem medidas de tempo objetivas e empíricas para realização das intervenções/atividades na ESF.

Métodos atuais, como o Workload Indicators of Staffing Need (WISN)(9), proposto pela Organização Mundial da Saúde (OMS), vem sendo aplicado em organizações de saúde de diferentes países, avançando na proposta do planejamento da força de trabalho para todos os membros da equipe, o que sinaliza um grande potencial para a sua aplicabilidade na ESF. A sua principal variável é baseada em padrões de tempo, ou seja, o tempo necessário para um profissional treinado, qualificado e motivado para realizar uma intervenção/atividade com padrões profissionais satisfatórios nas condições e circunstâncias de cada localidade(9).

Diante deste cenário, o presente estudo tem como objetivo determinar padrões de tempo das intervenções/atividades realizadas pelos profissionais de enfermagem em Unidades de Saúde da Família (USF) no Brasil, para subsidiar o cálculo da força de trabalho.

Método

Estudo observacional realizado por meio da técnica de amostragem do trabalho. Em pesquisas sobre o tempo de trabalho dos profissionais de saúde, recomenda-se a realização da coleta de dados em serviços considerados de boas práticas. Assim, na escolha do local de estudo, optou-se por uma amostra intencional, fundamentada nos seguintes critérios: localização geográfica, ter equipe de saúde da família e equipe de saúde bucal completa, ter conceito ótimo na avaliação realizada pelo Programa de Melhoria da Qualidade e Acesso da Atenção Básica (PMAQ-AB) no ciclo 1.

No processo de avaliação, para maior comparabilidade de desempenho entre equipes, o PMAQ considerou a diversidade de cenários socioeconômicos, epidemiológicos e demográficos, bem como as diferenças dos municípios participantes e as especificidades de respostas demandadas aos sistemas locais de saúde, classificando cada município em diferentes estratos considerando os aspectos: sociais, econômicos e demográficos. Foi elaborado um índice de zero a dez, composto por cinco indicadores: Produto Interno Bruto (PIB) per capita (peso 2), Percentual da população com Plano de Saúde (peso 1), Percentual da população com Bolsa Família (peso 1), Percentual da população com extrema pobreza (peso 1) e Densidade demográfica (peso 1)(10) .

Os estratos socioeconômicos demográficos são: Estrato 1 (pontuação menor que 4,82 e população de até 10 mil habitantes); Estrato 2 (pontuação menor que 4,82 e população de até 20 mil habitantes); Estrato 3 (pontuação menor que 4,82 e população de até 50 mil habitantes); Estrato 4 (pontuação entre 4,82 e 5,4 e população de até 100 mil habitantes e municípios com pontuação menor que 4,82 e população entre 50 e 100 mil habitantes); Estrato 5 (pontuação entre 5,4 e 5,85 e população de até 500 mil habitantes; e municípios com pontuação menor que 5,4 e população entre 100 e 500 mil habitantes); e Estrato 6 (população acima de 500 mil habitantes ou com pontuação igual ou superior a 5,85)(10) .

Seguindo essa orientação foi possível realizar a coleta de dados nas cinco regiões geográficas, em 10 estados, 12 municípios e 27 USF do Brasil.

Os participantes deste estudo foram enfermeiros e técnicos/auxiliares de enfermagem das USF que estavam presentes no momento da coleta e consentiram em participar da pesquisa. Os enfermeiros que atuavam, exclusivamente, na função de gerentes das unidades foram excluídos da amostra.

Antes de iniciar a coleta de dados foi realizada uma visita ao campo com o objetivo de planejar a logística para a coleta de dados, apresentar a pesquisa aos profissionais das equipes das USF e esclarecer que, em nenhum momento, seria realizada avaliação da qualidade do serviço prestado, pois este já havia sido avaliado pelo PMAQ e a unidade em foco foi considerada de excelência. Durante toda a coleta esta premissa foi reforçada, minimizando assim a reatividade dos profissionais à observação direta do seu trabalho.

A escala mínima de pesquisadores para o campo, considerando a equipe mínima proposta para a USF foi: um supervisor e um observador para seis profissionais. Buscou-se priorizar escalas em que o observador acompanhava a mesma categoria profissional e os mesmos profissionais durante todo o período de coleta.

Os observadores não estabeleceram contato prévio com os profissionais. As observações foram não participativas e o profissional somente era questionado sobre a atividade quando o observador não tinha clareza de sua especificidade.

Os dados foram coletados por meio de observação estruturada, não participativa e as intervenções/atividades eram registradas a cada 10 minutos, durante todo o período de trabalho da unidade (8 horas diárias), por uma semana de trabalho (5 dias), no período de março a outubro de 2013.

O instrumento utilizado para a coleta de dados foi desenvolvido e validado para a equipe de profissionais da ESF (médico, enfermeiro, cirurgião-dentista, técnico/auxiliar de enfermagem, técnico/auxiliar de saúde bucal e agente comunitário de saúde), sendo composto por 39 intervenções de saúde, atividades associadas, atividades pessoais, tempo de espera e de ausência. Este instrumento foi codificado e informatizado, o que permitiu o uso em tablets para o registro das observações(11).

Os observadores foram enfermeiros que receberam treinamento teórico e prático de 20 horas. O teste de confiabilidade, entre os observadores, foi realizado durante a coleta de dados.

Para as intervenções externas à USF, como a visita domiciliar ou grupos na comunidade, o observador não acompanhou o profissional, apenas registrou o período em que ele permaneceu na intervenção realizada. Para melhor controle foi solicitado que o profissional comunicasse a seu observador o momento em que iria se ausentar da unidade e o momento de retorno. Conversas entre os profissionais dentro dos consultórios foram assumidas como de natureza profissional.

O material disponibilizado aos pesquisadores e de uso obrigatório foi composto por: avental com identificação "pesquisador", crachá e tablet. Todos os observadores tinham direito a uma hora de almoço e intervalos para necessidades pessoais com cobertura do supervisor de campo que atuava como facilitador, assegurando o bom andamento da coleta e realização do teste de confiabilidade.

O Comitê de Ética em Pesquisa da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (n° 170278) aprovou este estudo e obteve-se a anuência das Secretárias de Saúde dos Municípios. Todos os procedimentos seguiram as diretrizes traçadas pela Resolução n° 466, de 12 de dezembro de 2012, do Conselho Nacional de Saúde.

Os dados foram analisados, estatisticamente, por estratos agrupados de 1 a 4, 5 e 6, considerando-se o total das USF amostradas no Brasil, com o intuito de assegurar maior equidade na comparação das USF, bem como propiciar parâmetros de tempo que possam ser aplicados em diferentes realidades.

Para os cálculos do tempo médio das intervenções/atividades foram realizados os seguintes ajustes:

O tempo de espera foi distribuído proporcionalmente entre as intervenções que preveem situações de espera pelo usuário em atraso, faltante ou quando o profissional está escalado para aquele tipo de atendimento, como é comum na sala de imunização. As intervenções acrescidas deste tempo foram: assistência em exame/procedimento, atendimento à demanda espontânea, consulta, controle de imunização/vacinação, procedimentos ambulatoriais e visita domiciliar.

O tempo despendido em atividades pessoais foi distribuído entre todas as intervenções de cuidado e atividades associadas, tendo em vista que a literatura mostra a importância desse tempo para questões referentes à saúde do trabalhador e à satisfação no trabalho.

O cálculo do tempo de cada intervenção/atividade, segundo a categoria profissional, foi obtido pelas equações:

Equação 1:

Equação 2:

Para as intervenções: ações educativas dos trabalhadores de saúde; administração de medicamentos; apoio ao médico; assistência exames/procedimentos; assistência na amamentação; atendimento à demanda espontânea; consulta; controle de imunização/vacinação; cuidado de urgência/emergência; procedimentos ambulatoriais; promoção de ações educativas; punção de vaso: amostra de sangue venoso; reunião administrativa; reunião para avaliação dos cuidados multidisciplinares; vigilância em saúde e troca de informações sobre cuidados de saúde; a variável NOicorrespondeu ao número de registros considerando o mesmo usuário ou a mesma atividade, ou seja, a frequência da intervenção e não da amostra.

Para a intervenção visita domiciliar, visando uma melhor avaliação do tempo médio dessa intervenção, o NOiconsiderado referiu-se ao número de visitas realizadas e não ao número de amostras observadas.

A produtividade dos enfermeiros e técnicos/auxiliares de enfermagem foi analisada considerando o tempo efetivo de trabalho, ou seja, a soma dos percentuais de tempo de trabalho que o profissional despende em intervenções de cuidado direto e indireto em atividades associadas ao trabalho e tempo de espera.

Resultados

Cento e quarenta profissionais (enfermeiros e técnicos/auxiliares de enfermagem) foram observados no território brasileiro, produzindo um total de 32.613 observações, sendo: 10.669 (33%) em municípios estrato de 1 a 4; 4.415 (13%) em municípios estrato 5 e 17.529 (54%) em municípios de estrato 6. Em 15% do total de observações foi realizado o teste de confiabilidade, obtendo-se 79% de concordância entre os observadores de campo.

A maioria dos enfermeiros participantes da pesquisa era do gênero feminino (91%), com faixa etária entre 30 e 39 anos (47%), com especialização lato senso (92%), em saúde pública/saúde coletiva (38%), seguida de medicina de família e comunidade (13%). Em relação à experiência profissional, 32% têm entre 10 e 15 anos, 34% apresentam de 5 a 10 anos de experiência em APS e 47% de 1 a 5 anos em USF.

No que se refere à categoria profissional técnico/auxiliar de enfermagem, os participantes da pesquisa eram do sexo feminino (91%), faixa etária entre 30 e 49 anos, com ensino fundamental, médio ou técnico completo (84%), experiência profissional de 5 a 10 anos (26%), e experiência em APS e em USF, respectivamente, de 1 a 5 anos (33%) (42%).

Das 27 USF observadas 48% (13) pertenciam aos estratos 1 a 4; 11% (3) ao estrato 5 e 41% (11) ao estrato 6, com cobertura em região urbana (81%), mas também mista (7%) e rural (11%). Predominou a composição de uma única equipe (52%), com maior variedade do número de equipes nas unidades de estrato 6. A maioria das USF são campos de ensino (93%).

Após retirar o percentual de observações realizadas simultaneamente para o teste de confiabilidade, analisamos 27.846 observações distribuídas, como mostra aTabela 1.

A frequência e os tempos médios das intervenções observadas estão apresentados nas Tabelas 2 e 3.

Tabela 1 Distribuição das intervenções/atividades realizadas pelos enfermeiros e técnico/auxiliar de enfermagem, segundo estratos socioeconômicos demográficos, no período entre março e outubro de 2013 - Brasil, 2015 

Estrato 1 a 4 Estrato 5 Estrato 6 Brasil
Enfermeiro Téc./Aux. Enfermeiro Téc./Aux. Enfermeiro Téc./Aux. Enfermeiro Téc./Aux.
N % N % N % N % N % N % N % N %
Intervenções 1950 60 2559 47 775 53 797 31 2713 61 4243 40 5438 59 7599 41
Cuidado direto 961 49 1588 62 434 56 627 79 1407 52 2397 56 2802 52 4612 61
Cuidado indireto 989 51 971 38 341 44 170 21 1306 48 1846 44 2636 48 2987 39
Atividades Associadas 358 11 654 12 56 4 174 7 232 5 1700 16 646 7 2528 14
Atividades Pessoais 367 11 873 16 130 9 315 12 720 16 1765 17 1217 13 2953 16
Tempo de espera 104 3 617 11 27 2 399 16 146 3 1898 18 277 3 2914 16
Ausência 403 12 665 12 392 27 791 31 553 12 731 7 1348 15 2187 12
Sem observação 82 3 104 2 90 6 92 4 100 2 271 3 272 3 467 3
Tempo efetivo de trabalho 2412 74 3830 70 858 58 1370 53 3091 69 7841 74 6361 69 13041 70
Total 3264 100 5472 100 1470 100 2568 100 4464 100 10608 100 9198 100 18648 100

*Téc./Aux: Técnico/auxiliar de enfermagem.

**Cuidado direto: cuidado prestado diretamente ao usuário/família/comunidade; Cuidado indireto: cuidado prestado distante do usuário/família/comunidade, mas em seu benefício; Atividades associadas ao trabalho: aquelas que podem ser executadas por outros profissionais de outras categorias, mas que o profissional de saúde assume; Atividades pessoais: pausas necessárias na jornada de trabalho para o atendimento das necessidades fisiológicas e de comunicação pessoal dos profissionais; Tempo de espera: quando o profissional está em seu posto de trabalho disponível para o atendimento, aguardando o usuário e/ou profissional, que não está presente no momento da observação, seja por falta e/ou atraso do usuário, ausência de demanda ou o outro profissional está ocupado em outra atividade; e Ausência: quando o profissional durante a jornada de trabalho ausenta-se para realizar atividades não relacionadas à USF, como atrasos e saídas antecipadas.

Tabela 2 Tempo médio em minutos e probabilidade de ocorrência (%) das intervenções realizadas pelos enfermeiros em USF - Brasil, 2015 

Intervenções Estrato de 1 a 4 Estrato 5 Estrato 6 Brasil
Tempo freq. (%) Tempo freq. (%) Tempo freq. (%) Tempo freq. (%)
Ações educativas dos trabalhadores de saúde 24,0 0,6 174,0 6,3 67,0 2,0 73,0 2,1
Administração de medicamentos 12,0 0,1 - - 13,0 0,0 13,0 0,1
Apoio ao estudante 11,0 0,4 13,0 0,9 11,0 2,0 12,0 1,0
Assistência em exames/procedimentos 14,0 0,3 - - 20,0 1,0 19,0 0,6
Atendimento à demanda espontânea 30,8 8,5 32,1 5,5 16,1 7,5 23,3 7,5
Consulta 32,4 7,1 36,7 13,4 19,4 14,2 25,3 11,6
Controle de doenças transmissíveis 11,0 0,0 12,0 0,3 - - 12,0 0,1
Controle de imunização/vacinação 24,0 1,3 27,0 0,2 29,0 0,0 25,0 0,7
Controle de infecção 12,0 0,0 11,0 0,3 12,0 0,0 12,0 0,1
Controle de suprimentos 11,0 0,6 - - 12,0 1,0 12,0 0,5
Organização do processo de trabalho 11,0 2,9 11,0 1,7 12,0 5,0 12,0 3,7
Desenvolvimento de processo/rotinas administrativas 13,0 0,8 - 0,0 13,0 0,0 13,0 0,3
Documentação 11,0 11,6 12,0 5,7 13,0 16,0 12,0 12,4
Interpretação de dados laboratoriais 12,0 0,4 11,0 0,1 11,0 0,0 11,0 0,2
Mapeamento e territorialização 12,0 0,3 - 0,0 15,0 0,0 13,0 0,1
Monitorização de sinais vitais 12,0 0,6 13,0 0,2 13,0 0,0 12,0 0,3
Orientação quanto ao Sistema de Saúde 12,0 1,1 12,0 0,2 13,0 1,0 12,0 1,0
Procedimentos ambulatoriais 21,6 0,1 44,0 0,1 14,5 0,2 19,3 0,1
Promoção de ações educativas 19,4 2,5 44,6 4,8 31,4 1,9 28,0 2,6
Referência e contrarreferência 11,0 0,5 - - 13,0 0,0 11,0 0,3
Reunião administrativa 75,0 6,4 324,0 7,0 37,0 5,0 60,0 5,9
Reunião avaliação dos cuidados profissionais 63,0 1,1 58,0 1,2 29,0 3,0 35,0 1,9
Supervisão dos trabalhos da unidade 12,0 0,3 12,0 0,1 14,0 1,0 13,0 0,4
Troca de informação sobre cuidados de saúde 12,0 6,4 12,0 3,5 12,0 7,0 12,0 6,2
Vigilância em saúde 12,0 0,6 - - 13,0 2,0 12,0 1,3
Visita domicilária 25,9 8,1 66,1 5,1 54,1 3,9 35,6 5,6

Tabela 3 Tempo médio em minutos e probabilidade de ocorrência (%) das intervenções realizadas pelos técnicos/auxiliares de enfermagem em USF - Brasil, 2015 

Intervenções Estrato de 1 a 4 Estrato 5 Estrato 6 Brasil
Tempo freq. (%) Tempo freq. (%) Tempo freq. (%) Tempo freq. (%)
Ações educativas dos trabalhadores de saúde 26 0,70 135 2,30 87 2,00 66 1,40
Administração de medicamentos 12,8 1,10 13,9 2,30 13,5 1,50 13,4 1,50
Apoio ao estudante 12 0,30 - 0,00 14 0,20 13 0,30
Apoio ao médico 12 0,10 19 0,10 19 0,10 18 0,10
Assistência em exames/procedimentos 48,2 0,60 48,1 1,00 14,6 1,50 23 1,20
Atendimento à demanda espontânea 15,8 0,10 39 1,60 30,2 0,90 32,2 0,80
Controle de eletrólitos 12 0,00 13 0,50 12 0,10 12 0,10
Controle de imunização/vacinação 39,3 6,50 39 10,20 21,1 5,20 30,6 6,20
Controle de infecção 13 1,40 15 0,40 14 2,00 13 1,40
Controle de suprimentos 13 2,30 15 1,60 13 5,00 13 3,60
Organização do processo de trabalho 12 1,30 - - 13 1,00 13 1,00
Cuidados de urgência/emergência 38 0,10 - - 11 0,00 20 0,10
Desenvolvimento da saúde comunitária 12 0,10 - - 14 0,00 13 0,10
Desenvolvimento de processo/rotinas administrativas 13 0,20 - - 13 0,00 13 0,10
Documentação 13 9,50 14 3,20 13 11,00 13 9,30
Identificação de risco - 0,00 14 0,20 13 1,00 13 0,40
Monitorização de sinais vitais 13,1 5,60 12,8 3,90 13 4,00 13 4,50
Orientação quanto ao Sistema de Saúde 13 1,50 14 1,80 13 2,00 13 1,50
Procedimentos ambulatoriais 44,1 1,60 40,9 1,30 20,2 2,30 27,8 1,90
Promoção de ações educativas 25,1 1,00 24,6 0,30 28,6 1,70 27,6 1,30
Punção de vaso: amostra de sangue venoso - - - - 12,5 1,60 12,5 0,90
Referência e contrarreferência 13 0,80 - - 13 0,00 13 0,30
Reunião administrativa 60 1,70 - - 88 2,00 74 1,40
Reunião avaliação dos cuidados profissionais 62 0,20 - - 44 2,00 45 1,00
Supervisão segurança 13 0,10 - - 13 0,20 13 0,20
Transporte institucional 14 1,00 - - 13 0,00 14 0,40
Troca de informação sobre cuidados de saúde 13 3,30 15 1,60 13 3,00 13 3,00
Vigilância em saúde 12 0,20 15 0,30 12 1,00 13 0,40
Visita domiciliária 48,5 10,20 71,6 2,00 39,7 2,30 47,7 4,60

Discussão

A importância desta investigação, inédita no Brasil, está na diversidade e extensão nacional das realidades estudadas, no quantitativo de observações e na identificação das frequências das intervenções/atividades executadas pelos profissionais de enfermagem, possibilitando um cálculo mais realista e objetivo do tempo médio das intervenções e consequentemente da carga de trabalho nas USF.

Os resultados indicaram que os enfermeiros despendem mais tempo, na sua jornada de trabalho, em intervenções de cuidado direto, indireto e em períodos de ausência do que os técnicos/auxiliares de enfermagem. Contudo, o nível técnico consome mais tempo em atividades associadas, atividades pessoais e tempo de espera.

Observou-se que os técnicos/auxiliares de enfermagem, diferentemente dos enfermeiros, têm uma maior diversidade e amplitude do número de intervenções com baixa frequência, enquanto os enfermeiros têm expressiva frequência de seu tempo de trabalho em poucas intervenções.

Intervenções como: Consulta, Atendimento à Demanda Espontânea e Visita Domiciliária foram observadas entre as atividades mais frequentes, e configuram uma tríade característica da dimensão assistencial, com expressiva representação na carga de trabalho do enfermeiro em USF. Além disso, são práticas com potencialidade para ampliar o acesso dos usuários ao serviço, humanizar o atendimento e funcionar como dispositivo de reorganização do processo de trabalho(12).

Os cuidados diretos prestados pelos enfermeiros em USF dos estratos de 1 a 4 foram mais focados no Atendimento à Demanda Espontânea e Visita Domiciliar e pouco em Consulta, quando comparados com USF do estrato 6. Na maioria, são municípios menores que recepcionam a demanda espontânea, mas ainda não incorporaram a Consulta de enfermagem no cotidiano das práticas do enfermeiro em USF.

Diferentemente, nas USF do estrato 6 a intervenção Consulta, seguida de Atendimento à Demanda Espontânea destacaram-se, com maior percentual de ocorrência quando comparado com os outros estratos. Por outro lado, em intervenções como Visita Domiciliar e Promoção de Ações Educativas despendem um percentual inferior, inferindo-se que municípios mais desenvolvidos e/ou de grande porte populacional têm o tempo despendido nas intervenções de cuidado direto do enfermeiro mais direcionadas ao atendimento clínico e, menos, em atividades externas e educativas.

A categoria técnico/auxiliar de enfermagem é pouco descrita na literatura. Observa-se que um quarto do seu tempo de trabalho está sendo despendido em cuidado direto, e apesar de não se encontrar estudos que permitam comparações, acredita-se que a proporção encontrada deve ser repensada frente à dinâmica de trabalho deste profissional, que tem suas potencialidades pouco exploradas. Há a necessidade de reordenamento de suas práticas direcionadas à integralidade da atenção(13-14).

No Brasil, as intervenções Controle de Imunização/Vacinação e Administração de Medicamentos são realizadas prevalentemente pelos técnicos/auxiliares de enfermagem, pois os enfermeiros não as realizam ou quando o fazem, despendem por volta de 0,1% do seu tempo de trabalho.

Ressalta-se a necessidade de refletir sobre a atuação do técnico/auxiliar de enfermagem mais efetiva frente ao potencial desta categoria em ações de saúde coletiva, e também a importância do enfermeiro na gestão/organização/coordenação do processo de trabalho e no atendimento clínico.

As intervenções de cuidado indireto foram expressivas para a carga de trabalho. Evidenciou-se que o enfermeiro despende até cinco vezes mais tempo que o técnico/auxiliar de enfermagem em Reuniões Administrativas, mesmo quando não são exclusivamente gerentes da unidade, assim como na Organização do Processo de Trabalho.

A intervenção Documentação foi observada como uma das mais frequentes para os enfermeiros e técnicos/auxiliares. Contudo, valores encontrados em estudos realizados em outras realidades como centro cirúrgico, casa de repouso e centros comunitários americanos mostram percentuais superiores(15-17).

Destaca-se, ainda, o quão importante é o cuidado prestado de forma indireta ao usuário/família/comunidade, acrescentando força à ideia de que muito do que é realizado pela enfermagem é invisível(18).

Entre as intervenções mais frequentes de cuidado indireto está a Troca de Informação sobre Cuidados de Saúde, considerada neste estudo como um resultado positivo e importante, pois esta é uma intervenção que potencializa a comunicação, as relações de trabalho entre os profissionais da equipe e oportuniza as práticas colaborativas. Nota-se uma maior frequência desta intervenção em estratos que apresentam o maior percentual de tempo despendido em Atendimento à Demanda Espontânea.

No que se refere à intervenção Ações Educativas dos Trabalhadores de Saúde, observou-se que os enfermeiros dedicam maior percentual de tempo quando comparado ao técnicos/auxiliares de enfermagem. Todavia, unidades de estratos de 1 a 4 representam somente 0,6% para ambas as categorias. Avaliadores que participaram do PMAQ observaram que não há uma adequada formação dos profissionais ou ações de educação permanente em saúde que apoiem o bom desenvolvimento das equipes(19).

Vários estudos apontaram a necessidade de educação permanente voltada aos profissionais de enfermagem, recomendando um maior investimento, pois os auxiliares de enfermagem queixam-se da escassez de cursos e quando, esporadicamente, são oferecidos, abordam temas que muitas vezes não condizem com as reais necessidades do cotidiano do processo de trabalho, além de serem considerados um entrave para o desenvolvimento de suas atividades com qualidade(13-14,20).

A pequena participação dos técnicos/auxiliares de enfermagem em Reunião para Avaliação de Cuidados Multidisciplinares retrata a ausência deste profissional nos momentos de planejamento e discussão do cuidado, reforçando seu papel técnico institucionalizado. É necessário redimensionar o papel do técnico/auxiliar de enfermagem dentro da equipe de saúde da família.

A mobilização de recursos apropriados de cuidados de enfermagem é uma preocupação para gerentes de enfermagem em todo o mundo. Assim, variáveis como o tempo médio das atividades de enfermagem são fundamentais, visto que os autores consideram que compreender o nível de carga de trabalho do enfermeiro é crucial para determinar o planejamento dos profissionais(21).

A aplicação dos tempos médios do Brasil e/ou dos estratos socioeconômicos e demográficos em métodos que possibilitem o dimensionamento do quadro de profissionais de enfermagem possibilitará a projeção de acordo com população de sua área de abrangência, portanto, próxima às realidades dos municípios e à proposta da ESF.

Para a intervenção Consulta, o tempo médio do Brasil ficou em 25,3 minutos (DP=17,6). Os parâmetros do Ministério da Saúde propõem 3 consultas/horas, ou seja, 20 minutos por consulta(22). Segundo a Nursing Interventions Classification (NIC), o tempo médio de uma consulta é de 46 a 60 minutos(23), valor superior ao encontrado neste estudo. Entretanto, vale ressaltar que os tempos sugeridos pela taxonomia NIC(23)são baseados nas opiniões de profissionais, que tendem a ser superiores aos valores mensurados. Além da NIC, não foram encontradas outras pesquisas que ofereçam dados para comparação do tempo das demais intervenções e atividades realizadas na APS e, principalmente, na ESF.

As atividades associadas representaram 7% do tempo dos enfermeiros no Brasil, e o dobro do tempo para os técnicos/auxiliares de enfermagem. Logo, é fundamental o levantamento de questões e estudos referentes aos profissionais de apoio administrativo nas USF para que, assim, os profissionais de saúde possam dedicar o tempo de trabalho ao usuário/família/comunidade, e a unidade tenha um apoio administrativo capacitado e dedicado para tal função.

O tempo de espera é uma atividade pouco encontrada na literatura, pois, muitas vezes, não é considerada uma categoria de análise, sendo também mais característica em tipos de serviços não hospitalares, como os ambulatórios e de unidades de saúde da atenção primária. Observa-se nas USF alto percentual de tempo de espera dos técnicos/auxiliares de enfermagem, pois há uma restrição ao programado e dificuldade na otimização do tempo de trabalho da prática diária, bem como a oferta de serviços/atividades dinâmicos atrativos e acessíveis à comunidade.

Na literatura também não foram encontradas referências que descrevam os períodos de ausência durante a jornada de trabalho, observada e evidenciada somente por este estudo. Contudo, é importante enfatizar que esse período de ausências observado nas USF vai contra ao preconizado pelas diretrizes da atenção básica(3), além de interferir diretamente no tempo efetivo de trabalho.

A mensuração da carga de trabalho da enfermagem e a utilização de dados relativos ao tempo despendido em atividades não relacionadas com a assistência possibilita compreender o significado do tempo efetivo de trabalho, bem como a produtividade nos serviços de saúde, além de ser uma importante ferramenta de gestão.

Observa-se um tempo em potencial que pode ser utilizado em benefício do usuário, como o tempo em espera e o tempo que o profissional está ausente da unidade em seu horário de trabalho, de modo a elevar a produtividade de ambas as categorias para índices em torno de 80%.

Estudo mostra que o acesso, resolubilidade e cobertura universal são questões que caminham concomitantemente com a produtividade dos profissionais. Práticas precárias de saúde, prestadas pelos profissionais, contribuem para a baixa utilização dos serviços de saúde pelas populações vulneráveis, e um melhor desempenho destes pode aumentar o seu uso(24).

Os resultados deste estudo trazem possibilidades de debates e reflexões sobre o processo de trabalho, bem como o efetivo trabalho da equipe de enfermagem em USF.

Esta investigação apresenta limitações. Os números restritos dos achados na literatura sobre a proporção de tempo despendido com o usuário/família/comunidade em APS, bem como em USF dificultam o debate sobre quais proporções seriam mais adequadas e eficazes na prestação de cuidados em APS/ESF e como contribuiriam para a melhoria dos resultados e do acesso aos serviços. Contudo, os resultados provenientes deste estudo constituem referência para futuras investigações sobre o gerenciamento de recursos humanos em saúde.

Conclusão

Os tempos médios despendidos em intervenções de assistência de enfermagem encontrados neste estudo são inéditos para a realidade da atenção primária brasileira. Constituem-se nos elementos fundamentais para o dimensionamento de profissionais de enfermagem na ESF, sendo possível serem aplicados em diferentes métodos. Além disso, este estudo avança na proposição de tempos médios das intervenções, considerando a diversidade de práticas e realidades das USF no âmbito nacional.

Ressalta-se a contribuição para o conhecimento em dimensionamento de profissionais de enfermagem na APS, por meio da ESF, tópico anteriormente explorado somente no contexto da enfermagem em unidades hospitalares no Brasil. Contudo, ainda são necessárias investigações, como as correlações entre o tempo e o perfil do profissional, as características do ambiente da USF, os indicadores de área e comunidade, os serviços apoiadores como os Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF), análise dos custos, ou ainda estudos que englobem a natureza da atividade, o tipo de interação (telefone, computador, tipo de profissional), e a competência profissional.

Esta pesquisa fornece um panorama das atuais intervenções/atividades desenvolvidas pelos profissionais de enfermagem na ESF, podendo ser utilizada para otimização da força de trabalho e do processo de trabalho.

Os parâmetros de tempo identificados têm potencialidade de aplicação em métodos de planejamento de força de trabalho em contextos locais, municipais, estaduais e nacionais. Acredita-se que este é um importante instrumento de gestão para a categoria enfermagem, mas com possibilidade de expansão da técnica de investigação a todas as categorias profissionais que compõem a ESF.

A aplicação destes resultados em outros cenários nacionais possibilitará realizar comparações entre as cargas de trabalho, bem como entre o número de profissionais e, assim, identificar o real desequilíbrio da força de trabalho nas USF do país. Portanto, os achados apresentados constituem-se em um relevante referencial para subsidiar os processos decisórios e influenciar as políticas públicas de planejamento da força de trabalho no Brasil.

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*Extraído da tese "Planejamento da força de trabalho de enfermagem na Estratégia de Saúde da Família: indicadores de carga de trabalho", Universidade de São Paulo, Escola de Enfermagem, 2014. Contemplada com o Prêmio Destaque USP 2015.

Recebido: 01 de Outubro de 2015; Aceito: 14 de Dezembro de 2015

Autor correspondente: Daiana Bonfim. Escola de Enfermagem da USP. Av. Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, 419 - Cerqueira César. CEP 05403-000 - São Paulo, SP, Brasil. daiana.bonfim@gmail.com

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