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Revista da Escola de Enfermagem da USP

versão impressa ISSN 0080-6234versão On-line ISSN 1980-220X

Rev. esc. enferm. USP vol.50 no.2 São Paulo mar./abr. 2016

https://doi.org/10.1590/S0080-623420160000200011 

ARTIGO ORIGINAL

Cobertura vacinal contra hepatite B em pacientes com diabetes mellitus

Clarissa Cordeiro Alves Arrelias1 

Fernando Bellissimo-Rodrigues2 

Letícia Cristina Lourenço de Lima1 

Anderson Soares da Silva2 

Nereida Kilza da Costa Lima2 

Maria Lucia Zanetti1 

3Universidade de São Paulo, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Ribeirão Preto, SP, Brasil.

2Universidade de São Paulo, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Ribeirão Preto, SP, Brasil.


Resumo

OBJETIVO

Analisar os fatores associados à vacinação completa contra hepatite B (3 doses) em pacientes com diabetes mellitus.

MÉTODO

Estudo transversal, realizado em uma Unidade de Saúde, de uma cidade do interior paulista, com 255 pacientes em seguimento ambulatorial, em 2014. Os dados foram obtidos no sistema informatizado da Secretaria Municipal de Saúde e por meio de um questionário estruturado e, para análise, modelo de regressão logística.

RESULTADOS

Vacinação completa contra hepatite B foi observada em 13,7% dos pacientes e mostrou-se diretamente associada ao nível de escolaridade (OR=1,30; IC: 1,07-1,57) e ao trabalho atual ou pregresso como profissional da saúde (OR=3,21; IC: 1,16-8,89).

CONCLUSÃO

A cobertura vacinal contra hepatite B mostrou-se baixa em pacientes com diabetes mellitus, evidenciando a vulnerabilidade a essa doença grave e potencialmente fatal. Maior escolaridade e o trabalho na área da saúde foram associados a melhor cobertura vacinal.

Descritores: Hepatite B; Cobertura Vacinal; Diabetes Mellitus; Escolaridade; Pessoal de Saúde

Abstract

OBJECTIVE

Analyze the factors associated with full hepatitis B vaccination (three doses) in patients with diabetes mellitus.

METHOD

Cross-sectional study, conducted in a health unit in a city in the state of São Paulo, with 255 patients on outpatient follow-up, in 2014. Data were obtained from the computerized system of the Municipal Health Department and via a structured questionnaire. A logistic regression model was used for analysis.

RESULTS

Full hepatitis B vaccination was noted in 13.7% of the patients and shown to be directly associated with their educational level (OR=1.30; CI: 1.07-1.57) and current or previous work as a health professional (OR=3.21; CI: 1.16-8.89).

CONCLUSION

Hepatitis B vaccination coverage was found to be low in patients with diabetes mellitus, indicating their vulnerability to this serious and potentially fatal disease. Higher educational level and working in the field of health were associated with better vaccination coverage.

Descriptors: Hepatitis B; Immunization Coverage; Diabetes Mellitus; Educational Status; Health Personnel

Resumen

OBJETIVO

Analizar los factores asociados con la vacunación completa contra hepatitis B (3 dosis) en pacientes con diabetes mellitus.

MÉTODO

Estudios transversal, llevado a cabo en una Unidad de Salud de una ciudad del interior paulista, con 255 pacientes en seguimiento ambulatorio, en 2014. Los datos fueron obtenidos en el sistema informatizado de la Secretaría Municipal de Salud y mediante un cuestionario estructurado y, para el análisis, un modelo de regresión logística.

RESULTADOS

Vacunación completa contra hepatitis B fue observada en el 13,7% de los pacientes y se mostró directamente asociada con el nivel de escolaridad (OR=1,30; IC: 1,07-1,57) y con el trabajo actual o anterior como profesional sanitario (OR=3,21; IC: 1,16-8,89).

CONCLUSIÓN

La cobertura vacunal contra hepatitis B se mostró baja en pacientes con diabetes mellitus, evidenciándose la vulnerabilidad a esa enfermedad severa y potencialmente fatal. Mayor escolaridad y el trabajo en el área sanitaria estuvieron asociados con la mejor cobertura vacunal.

Descriptores: Hepatitis B; Cobertura de Vacunación; Diabetes Mellitus; Escolaridad; Personal de Salud

Introdução

Pacientes com diabetes mellitus (DM) constituem-se em um grupo reconhecido de risco para hepatite B e C em decorrência dos procedimentos invasivos necessários ao tratamento e controle da doença. Esses procedimentos podem propiciar condições para o compartilhamento de seringas, agulhas e aparelhos de monitorização da glicemia capilar1-3. Há vários surtos de hepatite B em pacientes com DM descritos na literatura3-5.

Em 2011, o Comitê Consultivo em práticas de imunização do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), nos Estados Unidos da América (EUA), com base nas evidências, recomendou a vacina contra hepatite B aos pacientes com DM entre 19 e 59 anos, no estabelecimento do diagnóstico, e para aqueles com 60 anos e mais, após avaliação do risco e probabilidade de resposta imune adequada à vacinação6.

A vacina contra hepatite B vem sendo implantada gradativamente no Brasil pelo Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde (MS), desde 1989, em algumas regiões e para grupos considerados de risco para infecção. Em 1996, começou a ser distribuída em todo o Brasil para crianças menores de um ano. A sua ampliação para a população com idade inferior a 20 anos ocorreu em 2001 e, em 2011, para a de 20 a 24 anos. A partir de janeiro de 2012, até 29 anos, e em 2013, até 49 anos7-8. A partir de 2016 a disponibilização gratuita da vacina contra hepatite B foi ampliada para toda a população independentemente da idade e ou condição de vulnerabilidade9. O esquema clássico de imunização contra o VHB é composto de três doses da vacina por via intramuscular, com intervalo mínimo de um mês entre a primeira e a segunda dose, e de seis meses entre a primeira e a terceira dose10.

A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomenda que pacientes com DM sejam imunizados com a vacina contra hepatite B11. No entanto, no Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde, os pacientes com DM ainda não são reconhecidos como grupo vulnerável para a vacinação contra hepatite B, sem recomendação específica de vacinação contra a doença. Cabe destacar que a vacina contra hepatite B é eficaz na prevenção da infecção, sendo recomendada para pacientes com DM independentemente do tipo de diabetes. A resposta imune à vacina em pacientes mais jovens é similar naqueles com e sem DM. Por outro lado, em pacientes com DM e idade superior a 40 anos a resposta imune é reduzida quando comparados àqueles sem DM2,6.

Na literatura internacional há escassez de estudos sobre a cobertura vacinal em pacientes com DM. Estudos realizados nos EUA mostram que a cobertura vacinal para hepatite B na população com DM ainda é baixa quando comparada aos indivíduos sem a doença12-14.

Na literatura nacional, temos estudos sobre a cobertura vacinal para hepatite B em outras populações, tais como lactentes, pessoas com idade inferior a 25 anos, profissionais da saúde, usuários de drogas ilícitas, profissionais do sexo e estudantes de cursos na área de saúde15-23. Contudo, a cobertura vacinal para hepatite B recomendada à população com DM constitui-se em uma lacuna no conhecimento.

Ao se considerar que os pacientes com DM, compõe-se de população de risco aumentado para hepatite B, este estudo teve como objetivo analisar os fatores associados à vacinação completa contra hepatite B (3 doses) em pacientes com DM em seguimento ambulatorial numa cidade do interior paulista.

Método

Estudo quantitativo, observacional e transversal, realizado no período de julho a dezembro de 2014, em uma Unidade Básica Distrital de Saúde, de uma cidade do interior paulista. A população-alvo foi constituída por 741 pacientes com DM, de ambos os sexos, com idade igual ou superior a 18 anos, em seguimento nos ambulatórios de atenção secundária (Ambulatório Integrado ou no Ambulatório de Endocrinologia) da referida unidade.

Foram incluídos os pacientes que apresentavam capacidade auditiva e cognitiva para responder às questões do instrumento de coleta de dados, segundo avaliação do pesquisador ou registro em prontuário, e que consentiram livremente em participar do estudo. Dos 741 pacientes potencialmente elegíveis, 419 estavam em seguimento ativo e tiveram consulta médica agendada no período de julho a dezembro de 2014. Destes, 122 faltaram às consultas, 35 recusaram-se a participar do estudo e sete foram excluídos por apresentarem algum grau de comprometimento cognitivo. A amostra de conveniência foi constituída por 255 pacientes com DM que compareceram à consulta médica no Ambulatório Integrado ou no Ambulatório de Endocrinologia, no período de julho a dezembro de 2014 e atenderam aos critérios de inclusão, representando 60,9% da população de pacientes com DM em seguimento ativo, em 2014, no referido local de estudo.

Para a coleta de dados foi utilizado um questionário contendo as variáveis demográficas (sexo, idade e escolaridade); variáveis clínicas (tempo de DM, uso de insulina, monitorização da glicemia capilar e recomendação de vacina para hepatite B), e as relacionadas à cobertura vacinal (número de doses da vacina para hepatite B registrada e referida pelo paciente). Os dados relacionados às variáveis demográficas, clínicas e cobertura vacinal referida foram coletados por meio de entrevista aos pacientes, e os relacionados ao número de doses, por meio de consulta ao registro de vacinação proveniente do Sistema informatizado de Gestão em Saúde (Hygia Web), que interliga todas as unidades da rede de atendimento assistencial, implantado no município em 1994. O sistema permite que o profissional registre cada dose aplicada. As doses realizadas antes do período de implantação do sistema podem ser registradas mediante a apresentação do cartão de vacina do paciente. Foram considerados pacientes com recomendação de vacina para hepatite B aqueles que referiram atividade laboral, tais como profissional de saúde, policial, agente penitenciário, carcereiro, trabalhador na coleta de lixo doméstico ou hospitalar, manicure, pedicuro, podólogo e/ou comportamentos de risco. Considerou-se comportamentos de risco o contato, atual ou passado, sexual ou domiciliar com pessoas com hepatite B, drogas fumadas, cheiradas ou injetáveis, história de doença sexualmente transmissível e transfusão de sangue ou hemoderivados. Considerou-se vacinação completa os pacientes com registro de pelo menos três doses da vacina contra hepatite B.

A coleta de dados foi conduzida por duas pesquisadoras previamente treinadas quanto à abordagem ao paciente e aplicação do instrumento. As pesquisadoras permaneceram em imersão por um período de 12 dias. Esse período foi necessário para o conhecimento da dinâmica de atendimento, da infraestrutura disponível e dos profissionais de saúde lotados nos ambulatórios. As atividades foram realizadas em duas etapas.

Primeira etapa: os pacientes com DM foram recrutados por meio do registro das consultas médicas. A cada semana o pesquisador buscava na agenda os nomes dos potenciais pacientes para compor a amostra do estudo. De posse da lista dos potenciais pacientes, no dia agendado para a consulta médica, o pesquisador certificava-se por meio dos prontuários de saúde aqueles com o diagnóstico de DM. Ao término de cada consulta médica, o pesquisador identificava-se ao paciente, apresentava os objetivos e a natureza da pesquisa. Para aqueles que concordaram foi solicitada a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido em duas vias, uma para o pesquisador e a outra entregue ao paciente. Os dados foram coletados pelo pesquisador, em sala reservada, de segunda a sextas-feiras, no período da tarde no Ambulatório Integrado, e terças e quintas-feiras, no período da manhã e da tarde, no Ambulatório de Endocrinologia. O tempo médio da entrevista foi de 15 minutos. As respostas foram transcritas no próprio instrumento.

Segunda etapa: consulta ao sistema Hygia Web para obtenção dos dados referentes ao número de doses da vacina contra a hepatite B recebidas pelos pacientes com DM. Os dados foram registrados no instrumento de coleta de dados. Utilizaram-se os computadores disponíveis na unidade de saúde.

Para a análise estatística dos dados utilizou-se o programa STATA 11.0 (Statacorp LP, College Station, Estados Unidos). Os dados foram descritos por meio de estatística descritiva e apresentados em números absolutos e porcentagem. A análise univariada das possíveis associações entre as variáveis demográficas, clínicas e a vacinação completa para hepatite B (três doses) foi determinada pelos testes de Qui-quadrado corrigido por Pearson, Teste exato de Fisher bicaudal e Wilcoxon-Mann-Whitney. Para a análise multivariada das possíveis associações entre selecionadas variáveis demográficas (sexo, idade, escolaridade e profissão) e clínicas (tempo de diagnóstico de DM, uso de insulina e monitorização capilar da glicemia) e o desfecho vacinação completa para hepatite B (três doses), foi construído um modelo de regressão logística. As variáveis incluídas no modelo foram aquelas que exibiram possível associação à variável desfecho na análise univariada (p≤0,20). As variáveis independentes foram incluídas no modelo de maneira ordenada de acordo com o nível de significância (valor de p) obtidos na análise univariada. Valores de 'p' inferiores a 5% foram considerados significativos para todas as análises (α=0,05).

O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Protocolo: 24638213.2.0000.5393.

Resultados

A caracterização dos pacientes investigados encontra-se na Tabela 1.

Tabela 1 Distribuição numérica e percentual dos pacientes com DM segundo as variáveis demográficas, clínicas e cobertura vacinal para hepatite B - Ribeirão Preto, SP, Brasil, 2014. 

Variáveis n %
Sexo
Masculino 85 33,3
Feminino 170 66,7
Idade
≤ 49 anos 35 13,8
> 49 anos 220 86,2
Escolaridade
Nenhuma 9 3,5
Alfabetização de adultos 2 0,8
1ª a 4ª Fundamental Incompleto 51 20,0
1ª a 4ª Fundamental Completo 69 27,1
5ª a 8ª Fundamental Incompleto 26 10,2
5ª a 8ª Fundamental Completo 31 12,2
Ensino Médio Incompleto 8 3,1
Ensino Médio Completo 39 15,3
Superior Incompleto 10 3,9
Superior Completo 10 3,9
Tempo de diabetes (anos)
<1 9 3,5
1-10 129 50,6
11-20 71 27,8
21-30 35 13,7
31-40 10 3,9
51-60 1 0,4
Insulina
Sim 150 58,8
Não 105 41,2
Monitorização da glicemia capilar
Sim 190 74,5
Não 65 25,5
Profissional de saúde
Sim 25 9,8
Não 230 90,2
Policial/agente penitenciário/carcereiro
Sim 5 1,6
Não 250 98,4
Trabalhador na coleta lixo doméstico/hospitalar
Sim 8 3,1
Não 247 96,9
Manicure/pedicuro/podólogo
Sim 12 4,7
Não 243 95,3
Comportamento de risco a
Sim 197 77,3
Não 58 22,7

aContato, atual ou passado, sexual ou domiciliar com pessoas com hepatite B, drogas fumadas, cheiradas ou injetáveis, história de doença sexualmente transmissível e transfusão de sangue ou hemoderivados.

A Tabela 2 apresenta o número de doses da vacina para hepatite B referida pelos pacientes com DM e segundo o registro no sistema informatizado da unidade. Vacinação completa contra hepatite B foi observada em 13,7%, 4,7% apresentaram registro incompleto e 81,6% não apresentaram registro de vacina.

Tabela 2 Número de doses de vacina para hepatite B registrada segundo número de doses referidas pelo paciente - Ribeirão Preto, SP, Brasil, 2014. 

Doses referidas Doses registradas
Sem registro 1 ou 2 (incompleto) ≥ 3 (completo) Total
n % n % n % n %
Nenhuma 80 96,4 1 1,2 2 2,4 83 100
1 ou 2 1 10,0 5 50,0 4 40,0 10 100
≥ 3 10 31,3 2 6,2 20 62,5 32 100
Não sabe nº de doses 20 69,0 2 6,9 7 24,1 29 100
Não sabe se foi vacinado 97 96,0 0 0,0 4 4,0 101 100
Total 208 81,6 12 4,7 35 13,7 255 100

A Tabela 3 mostra que mediana da idade foi mais baixa entre os pacientes com vacinação completa para hepatite B em relação aos demais (60 e 64 anos, respectivamente, p=0,003). A vacinação completa esteve associada ao nível de escolaridade superior completo (p<0,001) e ao trabalho atual ou pregresso como profissional de saúde (p=0,001).

Não foi encontrada associação significativa entre vacinação completa para hepatite B e sexo, tempo de DM, uso de insulina, monitorização da glicemia capilar, demais atividades laborais investigadas e comportamentos de risco (Tabela 3).

Tabela 3 Cobertura vacinal contra hepatite B segundo características demográficas e clínicas avaliadas - Ribeirão Preto, SP, Brasil, 2014. 

Variáveis Doses registradas
< 3a ≥ 3 pb OR (IC 95%)
n % n %
Sexo
Masculino 74 87,1 11 12,9 1,00
Feminino 146 85,9 24 14,1 0,797 1,10 (0,51-2,38)
Idade
Mediana (p25-p75) 64 (57-71) 60 (47-65) 0,003 -
≤ 49 anos 23 65,7 12 34,3
> 49 anos 197 89,5 23 10,5
Escolaridade
Nenhuma 9 100,0 0 0,0
Alfabetização de Adultos 1 50,0 1 50,0
1ª a 4ª Fundamental Incompleto 47 92,2 4 7,8
1ª a 4ª Fundamental Completo 64 92,8 5 7,2
5ª a 8ª Fundamental Incompleto 24 92,3 2 7,7
5ª a 8ª Fundamental Completo 28 90,3 3 9,7
Ensino Médio Incompleto 5 62,5 3 37,5
Ensino Médico Completo 28 71,8 11 28,2
Superior Incompleto 8 80,0 2 20,0
Superior Completo 6 60,0 4 40,0 <0,001 -
Tempo de diabetes
<1 7 77,8 2 22,2
1-10 113 87,6 16 12,4
11-20 59 83,1 12 16,9
21-30 30 85,7 5 14,3
31-40 10 100,0 0 0,0
51-60 1 100,0 0 0,0 0,865 -
Uso de insulina
Não 94 89,5 11 10,5 1,00
Sim 126 84,0 24 16,0 0,207 1,62 (0,75-3,48)
Monitorização da Glicemia Capilar
Não 60 92,3 5 7,7 1,00
Sim 160 84,2 30 15,8 0,102 2,25 (0,83-6,06)
Profissional de saúde
Não 204 88,7 26 11,3 1,00
Sim 16 64,0 9 36,0 0,001 4,41 (1,77-10,99)
Policial/agente penitenciário/carcereiro
Não 216 86,4 34 13,6 1,00
Sim 4 80,0 1 20,0 0,683 1,58 (0,17-14,6)
Trabalhador na coleta de lixo doméstico/hospitalar
Não 212 85,8 35 14,2
Sim 8 100,0 0 0,0 0,604 -
Manicure/pedicuro/podólogo
Não 210 86,4 33 13,6 1,00
Sim 10 83,3 2 16,7 0,762 1,27 (0,26-6,06)
Comportamento de riscoc
Não 170 86,3 27 13,7 1,00
Sim 50 86,2 8 13,8 0,986 1,00 (0,43-2,35)

aPacientes com registro de uma, duas doses, ou sem registro.

bTeste Qui-quadrado Pearson (sexo, uso de insulina, monitorização da glicemia capilar, profissional de saúde, comportamento de risco), Teste exato de Fisher (Policial/agente penitenciário/carcereiro; Trabalhador na coleta de lixo doméstico/hospitalar; manicure/pedicuro/podólogo), Teste Wilcoxon-Mann-Whitney (Idade, escolaridade, tempo de DM).

cContato, atual ou passado, sexual ou domiciliar com pessoas com hepatite B, drogas fumadas, cheiradas ou injetáveis, história de doença sexualmente transmissível e transfusão de sangue ou hemoderivados.

Na análise de regressão logística (Tabela 4), a vacinação completa para hepatite B esteve diretamente associada ao nível de escolaridade do paciente (OR=1,26; IC: 1,03-1,53) e ao trabalho atual ou pregresso como profissional da saúde (OR=3,21; IC: 1,16-8,89), mas não à idade (OR=0,97; IC: 0,93-1,01), contrariamente ao encontrado na análise univariada.

Tabela 4 Modelo de regressão logística para cobertura vacinal para hepatite B (≥ 3 doses) - Ribeirão Preto, SP, Brasil, 2014. 

Variáveis OR (IC 95%) p Erro-padrão
Sexo feminino 1,45 (0,61-3,41) 0,391 0,63
Idade 0,97 (0,93-1,01) 0,175 0,01
Escolaridade 1,26 (1,03-1,53) 0,020 0,12
Tempo de DM 0,99 (0,94-1,04) 0,809 0,02
Uso de insulina 11,1 (0,38-3,21) 0,846 0,60
Monitorização da glicemia capilar 1,56 (0,43-5,61) 0,489 1,02
Profissional de saúde 3,21 (1,16-8,89) 0,024 1,66

OR: odds ratio, cada variável foi ajustada para as outras seis.

Discussão

O desenho proposto para o desenvolvimento do estudo não permite estabelecer relações de causa e efeito entre a cobertura vacinal e as variáveis investigadas, entretanto os resultados permitem obter o diagnóstico da vacinação contra hepatite B entre os pacientes com DM.

As características demográficas e clínicas da amostra estudada estão em concordância com dois estudos transversais com pacientes com DM em atendimento ambulatorial no município investigado24-25.

A vacinação completa foi de 13,7%, inferior a estudo retrospectivo realizado na população não institucionalizada dos EUA que mostrou que as taxas de vacinação contra hepatite B foi de 22,4%, no período de 1999 a 200814. Por outro lado, outro estudo realizado em amostra da população com DM não institucionalizada do EUA, em 200912, evidenciou que a vacinação completa contra hepatite B foi de 16,6%, próxima à encontrada no nosso estudo. Em relação ao esquema vacinal incompleto, mostrou maior proporção de pacientes com DM que tinham recebido uma ou duas doses da vacina (19,5%), quando comparados ao nosso estudo (4,7%). A proporção de pacientes com DM sem registro de vacinação (81,6%) também foi maior quando comparado ao estudo realizado nos EUA, em 2009 (63,9%)12.

A vacinação completa contra hepatite B tem aumentado na população com DM. Estudo realizado com uma amostra da população não institucionalizada dos EUA, em 2015, mostrou que a vacinação completa de hepatite B foi de 17,1%13. Esses resultados mostram discreto aumento na vacinação completa quando comparado ao estudo realizado em 2009, e que a adesão à recomendação de vacina contra hepatite B em pacientes com DM ainda é baixa12-13. Nessa vertente, estudos futuros são necessários para investigar os fatores que interferem para o alcance das metas de vacinação contra hepatite B em pessoas com DM.

É importante ressaltar que, no Brasil, a importância da vacinação contra hepatite B para pessoas com DM é pouco difundida, diferentemente da vacina contra influenza, onde o DM é incluído como uma categoria de risco clínico para a influenza, sendo recomendada e disponível para pessoas com DM. Estudo de base populacional realizado com idosos da cidade de Campinas, SP, no período de 2008 a 2009, mostrou associação entre diabetes e vacinação anual contra influenza26.

Ao analisar o número de doses para hepatite B referida pelos pacientes com DM e o registrado no Sistema Hygia Web, dos pacientes que referiram não ter recebido nenhuma dose de vacina, 96,4% não tinham registro de vacinação, o que mostra alta correspondência entre a informação referida e o dado registrado. Em relação àqueles que referiram desconhecer se foram vacinados, 96% não tinham registro de vacinação e os que referiram não conhecer o número de doses recebidas, 69% não tinham registro no Sistema. Dos pacientes que referiram esquema de vacinação incompleto, metade tinha registro correspondente, entretanto 40% tinham registro de esquema completo. Os resultados podem refletir a falta de informação do paciente quanto à importância da vacina contra hepatite B aos pacientes com DM ou dificuldade de recordar se recebeu ou não a vacina contra hepatite B, bem como de referir o número de doses recebidas. Por outro lado, apenas a informação não pressupõe a modificação de atitude para a sua proteção contra hepatite B. Nessa direção, a monitorização do calendário vacinal dos pacientes com DM2 pelos profissionais de saúde pode constituir uma estratégia efetiva na educação em diabetes.

Dos pacientes que referiram esquema vacinal completo, 62,5% tinham registro correspondente, e 31,3%, não. As possíveis perdas de registro relacionadas ao período e local em que o paciente com DM foi vacinado constitui-se em um desafio aos serviços de saúde para o aprimoramento e a ampliação dos sistemas de informação em saúde, e apresenta-se entre as prioridades de pesquisa em enfermagem27.

Ao analisar as variáveis relacionadas à vacinação completa, encontrou-se associação entre idade mais jovem e vacinação. A vacinação completa foi de 34,3% entre os pacientes com 49 anos e mais, e de 10,5% naqueles com idade superior a 49 anos. Entretanto, a associação entre idade e vacinação completa contra hepatite B não foi confirmada após análise de regressão logística, em concordância com estudo semelhante realizado nos EUA, em 200912. No Brasil, no período em que os dados do estudo foram coletados, a vacinação contra hepatite B era recomendada e disponível para a população adulta até os 49 anos de idade, o que pode elucidar a maior prevalência de vacinação em pacientes com idade igual ou inferior a 49 anos.

Em contrapartida, encontrou-se que a escolaridade está diretamente associada à cobertura contra hepatite B, em concordância com estudo semelhante realizado nos EUA, em 200912. A importância da informação ao paciente com DM sobre o esquema de vacinação contra hepatite B é uma forma eficaz e acessível de prevenir a infecção. Pacientes com menor escolaridade, idade avançada e em seguimento de DM necessitam de atenção diferenciada devido à complexidade do tratamento. O esquema vacinal contra hepatite B, por ser composto de três doses, é de difícil entendimento e seguimento pelo paciente, levando-o muitas vezes a abandonar o esquema vacinal proposto. Nessa direção, o esquema de vacinação contra hepatite B precisa ser reforçado ao paciente com DM durante as consultas realizadas pelos profissionais de saúde, assim como o acompanhamento até que o esquema vacinal seja finalizado. Desse modo, recomenda-se que vacinação contra hepatite B seja incorporada ao elenco de informações ofertadas aos pacientes com DM, em especial, àqueles que fazem uso de insulina, monitorização da glicemia capilar, e outros fatores de rico.

Desenvolver atividade laboral atual ou passada como profissional de saúde também apresentou associação com vacinação completa contra hepatite B, em concordância com estudo semelhante realizado nos EUA, em 200912. A vacinação contra hepatite B para profissionais de saúde é recomendada e está disponível na rede pública de saúde para qualquer faixa etária, o que pode justificar os resultados28-29.

Os resultados obtidos apresentam um ponto de partida para futuras investigações relacionadas à importância da imunização em pacientes com DM e à qualificação da assistência de enfermagem, ao se considerar que estes constituem uma população de risco para infecção pelo vírus da hepatite B1-3,30.

Uma limitação do estudo refere-se à fonte de dados Sistema informatizado de Gestão em Saúde, uma vez que pacientes com DM vacinados antes 1994 ou em outros municípios e que não têm cartão de vacina podem subestimar a vacinação completa recomendada para hepatite B na amostra estudada. No entanto, essas situações são poucos prováveis, já que a amostra do estudo é predominantemente idosa e a disponibilização da vacina para adultos, recente.

Conclusão

A cobertura vacinal contra hepatite B mostrou-se baixa em pacientes com DM, evidenciando sua vulnerabilidade a essa doença grave e potencialmente fatal. Maior escolaridade e o trabalho na área da saúde foram associados a melhor cobertura vacinal. Esses dados indicam a necessidade urgente da inclusão dos pacientes com DM como grupo prioritário para a vacinação contra hepatite B ao Programa Nacional de Imunização. Este estudo fornece subsídios importantes para a avaliação da prática clínica dos enfermeiros na atenção primaria à saúde para a prestação de cuidados relacionados à cobertura vacinal a pessoas com diabetes mellitus

References

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Recebido: 17 de Outubro de 2015; Aceito: 04 de Março de 2016

Autor correspondente: Clarissa Cordeiro Alves Arrelias. Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo. Avenida Bandeirantes, 3900 - Campus Universitário. CEP 14040-902 - Ribeirão Preto, SP, Brasil. claarrelias@usp.br

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