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Revista da Escola de Enfermagem da USP

Print version ISSN 0080-6234On-line version ISSN 1980-220X

Rev. esc. enferm. USP vol.52  São Paulo  2018  Epub June 25, 2018

http://dx.doi.org/10.1590/s1980-220x2017006603341 

ARTIGO ORIGINAL

Adesão do portador de transtorno mental à terapêutica medicamentosa no tratamento em saúde mental*

Adhesión del portador de trastorno mental a la terapéutica farmacológica en el tratamiento en salud mental

Letícia de Oliveira Borba1 

Mariluci Alves Maftum2 

Stela Adami Vayego3 

Maria de Fátima Mantovani2 

Jorge Vinícius Cestari Felix2 

Luciana Puchalski Kalinke2 

1Universidade Federal do Paraná, Hospital de Clínicas, Curitiba, PR, Brasil.

2Universidade Federal do Paraná, Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, Curitiba, PR, Brasil.

3Universidade Federal do Paraná, Departamento de Estatística, Curitiba, PR, Brasil.


RESUMO

Objetivo

Verificar a adesão do portador de transtorno mental à terapêutica medicamentosa no tratamento em saúde mental e a associação entre as variáveis demográficas, socioeconômicas, clínicas e farmacoterapêuticas à adesão.

Método

Estudo transversal, realizado em dois Centros de Atenção Psicossocial em Curitiba/Paraná, em 2014, com portadores de transtorno mental. Os dados oriundos de entrevista estruturada e de consulta a prontuários foram submetidos à análise descritiva e bivariada.

Resultados

Participaram do estudo 300 portadores de transtorno mental. 51% dos participantes aderiram à terapêutica medicamentosa, sendo a adesão maior nos indivíduos do sexo masculino, sem histórico familiar de transtorno mental, com diagnóstico de esquizofrenia, com tempo de doença inferior a 1 ano, que não deixaram de tomar o medicamento nenhuma vez no último mês e que contaram com a participação da família. A adesão foi menor entre os entrevistados com renda individual inferior a um salário mínimo, percepção de saúde regular e ruim, diagnóstico de depressão associado a outro transtorno, tempo de tratamento no serviço superior a 2 anos e com histórico de tentativa de suicídio.

Conclusão

Houve baixa adesão à terapêutica medicamentosa. As variáveis associadas à adesão foram sexo, renda individual, histórico familiar de transtorno mental, percepção sobre sua saúde, diagnóstico de transtorno mental, tempo de doença e de tratamento, tentativa de suicídio, deixar de tomar o medicamento alguma vez no último mês e participação da família.

Palavras-Chave: Transtornos Mentais; Adesão à Medicação; Enfermagem Psiquiátrica; Saúde Mental

RESUMEN

Objetivo

Verificar la adhesión del portador de trastorno mental a la terapéutica farmacológica en el tratamiento en salud mental y la asociación entre las variables demográficas, socioeconómicas, clínicas y farmacoterapéuticas a la adhesión.

Método

Estudio transversal, realizado en dos Centros de Atención Psicosocial en Curitiba/Paraná, en 2014, con portadores de trastorno mental. Los datos provenientes de entrevista estructurada y de consulta a fichas médicas fueron sometidos al análisis descriptivo y bivariado.

Resultados

Participaron en el estudio 300 portadores de trastorno mental. El 51% de los participantes adhirieron a la terapéutica farmacológica, siendo la adhesión mayor en los individuos del sexo masculino, sin antecedentes familiares de trastorno mental, con diagnóstico de esquizofrenia, con tiempo de enfermedad inferior a un año, que no dejaron de tomar el fármaco ninguna vez el último mes y que contaron con la participación de la familia. La adhesión fue menor entre los entrevistados con ingresos individuales inferiores a un sueldo mínimo, percepción sanitaria regular y mala, diagnóstico de depresión asociado con otro trastorno, tiempo de tratamiento en el servicio superior a dos años y con antecedentes de intento de suicidio.

Conclusión

Hubo baja adhesión a la terapéutica farmacológica. Las variables asociadas con la adhesión fueron sexo, ingresos individuales, antecedentes familiares de trastorno mental, percepción sobre su salud, diagnóstico de trastorno mental, tiempo de enfermedad y de tratamiento, intento de suicidio, dejar de tomar el medicamento alguna vez el último mes y participación de la familia.

Palabras-clave: Trastornos Mentales; Cumplimiento de la Medicación; Enfermería Psiquiátrica; Salud Mental

ABSTRACT

Objective

To assess the adherence of mental disorder patients to drug therapy for mental health treatment and the association between demographic, socioeconomic, clinical and pharmacotherapeutic variables to treatment adherence.

Method

A cross-sectional study conducted with mental disorder patients in two Psychosocial Care Centers in Curitiba/Paraná in 2014. Data from structured interviews and medical records were submitted to descriptive and bivariate analysis.

Results

300 patients with mental disorders participated in the study. 51% of participants adhered to the drug therapy, the highest adherence was among males with no family history of mental disorder, diagnosed with schizophrenia, with disease duration of less than 1 year, who did not forget to take the medicine not even once in the previous month and who relied on family participation. Adherence was lower among the interviewees with individual income lower than one minimum wage, perception of regular and poor health, diagnosis of depression associated with another disorder, treatment time in the service over 2 years and with a history of attempted suicide.

Conclusion

Low adherence to the drug therapy was observed. The variables associated with adherence were gender, individual income, family history of mental disorder, perception about their health, diagnosis of mental disorder, duration of illness and treatment, suicide attempt, failing to take the medication at least once in the previous month and family participation.

Key words: Mental Disorders; Medication Adherence; Psychiatric Nursing; Mental Health

INTRODUÇÃO

Os transtornos mentais se caracterizam por sinais e sintomas específicos como as alterações de consciência, emoção, comportamento, pensamento, percepção e memória, que podem incorrer em prejuízos funcionais expressivos, dificuldades de autocuidado e de relacionamento interpessoal, baixa qualidade de vida e comprometimento social e ocupacional das pessoas por eles acometidas(1-2). Nesse sentido, o tratamento ao portador de transtorno mental requer múltiplas intervenções, entre as quais a terapêutica medicamentosa.

O uso racional de medicamentos associado a outras modalidades terapêuticas busca a recuperação do melhor estado de saúde, o alívio dos sintomas e a redução de incapacidades e recaídas(1,3). Entretanto, um dos problemas encontrados na prática clínica é o uso irregular ou o abandono da terapêutica medicamentosa por portadores de transtorno mental(4-5).

A dificuldade de acesso ao medicamento, a complexidade do regime terapêutico, a falta de suporte familiar, os efeitos colaterais, a crença de que a medicação é ineficaz, a falta de insight sobre o transtorno, a percepção de cura frente à remissão da sintomatologia e a dificuldade em lembrar de tomar o medicamento são preditores de má adesão(2-3,6-7).

O fenômeno da adesão constitui desafio importante para os profissionais de saúde mental, pois a não adesão pode impactar o aumento da frequência e da intensidade das crises, o número de hospitalizações/reinternações e onerar o sistema de saúde. Além disso, a não adesão está relacionada ao aumento da procura por atendimento nos serviços de emergência, ao aumento das taxas de suicídio, à piora do prognóstico e ao comprometimento da qualidade de vida dos portadores de transtorno mental(1,4).

Desse modo, considerando-se que a melhor compreensão do fenômeno da adesão pode possibilitar mudanças na prática dos profissionais de saúde, no sentido de planejar ações de cuidado e implementar estratégias de promoção da adesão, o objetivo deste estudo foi verificar a adesão do portador de transtorno mental à terapêutica medicamentosa no tratamento em saúde mental e as associações entre as variáveis demográficas, socioeconômicas, clínicas e farmacoterapêuticas à adesão.

MÉTODO

Estudo transversal(8), realizado em dois Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) em Curitiba/Paraná, de abril a junho de 2014, com 300 portadores de transtorno mental. Foram incluídos no estudo as pessoas maiores de 18 anos que frequentaram o CAPS para realização de suas atividades durante o período da coleta de dados e que tinham prescrição medicamentosa para o tratamento em saúde mental. Foram excluídos aqueles que se encontravam em situação de crise, atendimento eventual e que não apresentavam condições para responder às perguntas, segundo avaliação da equipe de saúde do serviço.

Os portadores de transtorno mental foram convidados a participar do estudo por meio de convite verbal. Do total de 510 cadastrados nos dois CAPS, foram abordados 370, dos quais 300 aceitaram participar, pois 14 recusaram e 56 não se enquadravam nos critérios de inclusão. Os 140 indivíduos que não foram abordados não frequentaram o CAPS durante o período de coleta dos dados.

Os dados foram coletados por entrevista estruturada e consulta aos prontuários, a coleta aconteceu, simultaneamente, nos dois serviços e foi realizada por 10 entrevistadores capacitados. Os entrevistadores permaneceram no local durante todo o horário de funcionamento do serviço, permitindo que todos os sujeitos que se enquadravam nos critérios de inclusão fossem abordados.

Utilizou-se de dois instrumentos, um com 65 questões relacionadas às características demográficas, socioeconômicas, clínicas e farmacoterapêuticas dos portadores de transtorno mental, desenvolvido para esta pesquisa, e o Medida de Adesão ao Tratamento (MAT)(9), composto por sete itens que avaliam o comportamento do indivíduo em relação à adesão ao tratamento medicamentoso, ele apresenta consistência interna de 0,74, especificidade de 0,73 e sensibilidade de 0,77.

A variável dependente foi a adesão ao uso de medicamentos no tratamento em saúde mental. A adesão pode ser entendida como o grau em que a pessoa segue as recomendações do profissional de saúde, retorna ao serviço e mantém o tratamento indicado, seja ele comportamental ou medicamentoso. Trata-se de fenômeno multidimensional, o qual não depende unicamente do paciente, pois é produto da interação entre as dimensões relacionadas ao paciente, ao serviço de saúde, aos fatores socioeconômicos e à terapêutica proposta(10).

As variáveis independentes foram: sexo, faixa etária, situação conjugal, religião, escolaridade, situação em relação ao trabalho, renda individual no último mês, uso de álcool e outras drogas, histórico familiar de transtorno mental, percepção sobre sua saúde, comorbidade clínica, uso de medicação clínica, diagnóstico de transtorno mental, tempo de doença e de tratamento no serviço, informação fornecida por profissionais de saúde sobre o transtorno mental e os medicamentos, tentativa de suicídio, medicamentos prescritos, dúvida sobre os medicamentos, aquisição dos medicamentos, motivação para uso dos medicamentos, sentir mudança agradável ou desagradável, deixar de tomar o medicamento alguma vez no último mês, participação da família e participação em outras atividades.

Em relação à variável participação da família, foi considerada participação qualquer atividade desenvolvida por ela junto ao portador de transtorno mental, tais como participar das atividades do serviço de saúde, prestar cuidado integral ao portador de transtorno mental, administrar ou supervisionar o uso dos medicamentos prescritos.

Para as análises estatísticas, houve dupla checagem da tabulação e codificação das questões. Os dados foram inseridos em um banco de dados do programa Excel® e, após a verificação e correção dos erros de digitação, transportados para o Programa BioEstat®. As variáveis independentes foram comparadas ao desfecho a partir de tabelas de contingência mediante os testes Qui-quadrado e G de Williams, com nível de significância de 5%. O cálculo da razão de prevalência foi aplicado quando p-valor foi ≤ 0,05.

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Paraná, sob o número 406.158/2013, e conduzido de acordo com a Resolução n.º 466/2012. Para salvaguardar os direitos da pessoa com transtorno mental, todos os participantes foram esclarecidos sobre os objetivos do estudo, e o sigilo, o anonimato e a possibilidade de declinar a participação na pesquisa a qualquer tempo foram assegurados.

RESULTADOS

Dos 300 indivíduos entrevistados, 63% eram do sexo feminino, 34,7% encontravam-se na faixa etária dos 40 aos 49 anos, 44,7% eram solteiros, 42% eram praticantes da religião católica, 59,4% tinham mais de 8 anos de escolaridade, 38,4% estavam desempregados, 45% indicaram a renda familiar como principal fonte de renda (dependiam financeiramente da família), 85,3% residiam com familiares e 51% aderiram à terapêutica medicamentosa.

Os participantes do sexo masculino aderiram 1,47 vezes mais ao uso do medicamento no tratamento em saúde mental em relação aos do sexo feminino, e aqueles com renda individual inferior a um salário mínimo aderiram 0,51 vezes menos comparados aos que receberam mais de 2,5 salários mínimos, conforme Tabela 1.

Tabela 1 – Distribuição das variáveis demográficas e socioeconômicas dos portadores de transtorno mental associadas à adesão – Curitiba, PR, Brasil, 2014. 

Variáveis Adesão p-valor RP§ IC [95%]¥

Sim n (%) Não n (%)
Sexo 0,0006*
Masculino 71 (64) 40 (36) 1,47 [1,19; 1,83]
Feminino 82 (43,4) 107 (56,6) [1]

Faixa etária 0,2671*
18 a 29 anos 26 (57,8) 19 (42,2)
30 a 39 anos 31 (45) 38 (55)
40 a 49 anos 49 (47) 55 (53)
≥ 50 anos 47 (57,3) 35 (42,7)

Situação conjugal 0,5153*
Solteiro 71 (53) 63 (47)
Casado 51 (52,6) 46 (47,4)
Outro 31 (45) 38 (55)

Religião 0,7687*
Católica 62 (49,2) 64 (50,8)
Evangélica 59 (53,2) 52 (46,8)
Sem religião 21 (55,3) 17 (44,7)
Outra 11 (44) 14 (56)

Escolaridade 0,5592
Sem escolaridade 3 (75) 1 (25)
Até 8 anos 58 (49,2) 60 (50,8)
> 8 anos 92 (51,7) 86 (48,3)

Situação em relação ao trabalho 0,1607*
Desempregado 66 (57,4) 49 (42,6)
Afastado do trabalho 36 (41,4) 51 (58,6)
Aposentado 32 (52,5) 29 (47,5)
Trabalhando 19 (51,4) 18 (48,6)

Renda individual no último mês 0,0227
Sem renda 62 (59,6) 42 (40,4) 0,89 [0,60; 1,32]
< 1 salário mínimo 12 (34,3) 23 (65,7) 0,51 [0,29; 0,92]
1 a 2,5 salários mínimos 62 (45,6) 74 (54,4) 0,68 [0,46; 1,02]
> 2,5 salários mínimos 10 (66,7) 5 (33,3) [1]
Não soube informar 7 (70) 3 (30)

Notas: *Teste Qui-Quadrado; Teste G de Williams; Salário mínimo na época: R$ 724,00; §Razão de Prevalência; ¥Intervalo com 95% de confiança; Categoria de referência. Nota: (N=300).

Na Tabela 2, verifica-se que os participantes sem histórico familiar de transtorno mental aderiram 1,34 vezes mais à terapêutica medicamentosa do que aqueles com histórico. Os indivíduos com percepção de saúde regular e ruim aderiram respectivamente 0,67 e 0,69 vezes menos comparados aos que consideravam sua saúde muito boa. Os participantes com depressão associada a outro transtorno mental aderiram 0,42 vezes menos em relação aos que tinham outro diagnóstico. Já os indivíduos com esquizofrenia aderiram 1,52 vezes mais comparados aos que tinham outro transtorno.

Tabela 2 – Distribuição das variáveis clínicas dos portadores de transtorno mental associadas à adesão – Curitiba, PR, Brasil, 2014. 

Variáveis Adesão p-valor RP** IC [95%]††

Sim n (%) Não n (%)
Uso de tabaco 0,7177*
Sim 47 (49) 49 (51)
Não 106 (52) 98 (48)

Uso de álcool 0,9500*
Sim 17 (51,5) 16 (48,5)
Não 136 (51) 131 (49)

Uso de drogas ilícitas no último ano 0,6167*
Sim 14 (46,6) 16 (53,4)
Não 139 (51,5) 131 (48,5)

Histórico familiar de TM 0,0100*
Sim‡‡ 84 (45) 103 (55) [1]
Não 67 (60,4) 44 (39,6) 1,34 [1,08; 1,67]
Não soube informar 2 (100) -

Percepção sobre sua saúde 0,0143*
Muito Boa‡‡ 22 (64,7) 12 (35,3) [1]
Boa 46 (63) 27 (37) 0,97 [0,48; 0,93]
Regular 45 (43,3) 59 (56,7) 0,67 [0,48; 0,93]
Ruim 40 (45) 49 (55) 0,69 [0,50; 0,97]

Comorbidade clínica 0,7529*
Sim 92 (50,3) 91 (49,7)
Não 61 (52,1) 56 (47,9)

Uso de medicação clínica 0,7183*
Sim 75 (49,3) 77 (50,7)
Não 17 (54,8) 14 (45,2)

Sabe informar diagnóstico de TM 0,2957*
Sim 114 (49,4) 117 (50,6)
Não 39 (56,5) 30 (43,5)

Diagnóstico de depressão 0,0415*
Depressão 26 (52) 24 (48) 0,98 [0,73; 1,31]
Depressão + outro TM 4 (22,2) 14 (77,8) 0,42 [0,18; 1,00]
Outro TM‡‡ 123 (53) 109 (47) [1]

Diagnóstico de esquizofrenia 0,0049*
Esquizofrenia 40 (70,2) 17 (29,8) 1,52 [1,22; 1,90]
Esquizofrenia + outro TM 7 (53,8) 6 (46,2) 1,17 [0,69; 1,97]
Outro TM‡‡ 106 (46) 124 (54) [1]

Diagnóstico de TAB§ 0,2497*
TAB 45 (47,9) 49 (52,1)
TAB + outro TM 11 (39,3) 17 (60,7)
Outro TM 97 (54,5) 81 (45,5)

Tempo de doença 0,0292
< 1 ano 12 (80) 3 (20) 1,74 [1,27; 2,38]
1 – 10 anos 78 (53) 69 (47) 1,16 [0,91; 1,47]
> 10 anos‡‡ 62 (46) 73 (54) [1]
Não soube informar 1 (33,3) 2 (66,7)

Tempo de tratamento no CAPS¥ 0,0103*
< 1 ano‡‡ 110 (55) 90 (45) [1]
1 a 2 anos 38 (50,7) 37 (49,3) 0,92 [0,71; 1,19]
> 2 anos 5 (21,7) 18 (78,3) 0,40 [0,18; 0,87]
Não soube informar - 2 (100)

Informação sobre o TM 0,4870*
Sim 94 (49,5) 96 (50,5)
Não 59 (53,6) 51 (46,4)
Tentativa de suicídio 0,0008*
Sim 90 (44,3) 113 (55,7) 0,68 [0,55; 0,84]
Não‡‡ 63 (65) 34 (35) [1]

Notas: *Teste Qui-Quadrado; Teste G de Williams; Transtorno Mental; §Transtorno Afetivo Bipolar; ¥Centro de Atenção Psicossocial; N=183; **Razão de Prevalência; ††Intervalo com 95% de confiança; ‡‡Categoria de referência. Nota: (N=300)

Participantes com tempo de doença inferior a 1 ano aderiram 1,74 vezes mais comparados aos que tinham mais de 10 anos de transtorno, e os com tempo de tratamento no CAPS superior a 2 anos aderiram 0,40 vezes menos em relação aos que estavam em tratamento no serviço há menos de 1 ano. Ainda, indivíduos que tentaram suicídio aderiram 0,68 vezes menos à terapêutica medicamentosa do que aqueles que não tentaram.

Os participantes que não deixaram de tomar o medicamento nenhuma vez no último mês aderiram 1,74 vezes mais à terapêutica medicamentosa do que aqueles que deixaram de tomá-lo, pois deixar de tomar o medicamento, mesmo que de forma esporádica, compromete a adesão. Por fim, aqueles que tiveram a participação da família aderiram 1,54 vezes mais ao uso dos medicamentos em relação aos que não tiveram, conforme Tabela 3.

Tabela 3 – Distribuição das variáveis farmacoterapêuticas dos portadores de transtorno mental associadas à adesão – Curitiba, PR, Brasil, 2014. 

Variáveis Adesão p-valor RP IC [95%]§

Sim n (%) Não n (%)
Informa os medicamentos para o TM¥ 0,0655*
Sim 121 (48,6) 128 (51,4)
Não 32 (62,7) 19 (37,3)

Comprimidos ingerido/dia 0,8950*
1 comprimido 9 (56,3) 7 (43,7)
2 a 5 comprimidos 63 (50) 63 (50)
> 5 comprimidos 78 (50,6) 76 (49,4)

Informação sobre medicamentos 0,0659*
Sim 84 (46,6) 96 (53,4)
Não 69 (57,5) 51 (42,5)

Dúvidas sobre os medicamentos 0,7388*
Sim 37 (49,3) 38 (50,7)
Não 116 (51,6) 109 (48,4)

Aquisição dos medicamentos 0,1885*
Recurso próprio 22 (61,2) 14 (38,8)
Saúde pública 58 (45,3) 70 (54,7)
Saúde pública + recurso próprio 67 (55,4) 54 (44,6)
Outro 6 (40) 9 (60)

Dificuldade na aquisição dos medicamentos 0,3133*
Sim 64 (47,8) 70 (52,2)
Não 89 (53,6) 77 (46,4)

Motivação para usar o medicamento 0,1358*
Sim 114 (53,8) 98 (46,2)
Não 39 (44,3) 49 (55,7)

Sentir mudança agradável 0,4970*
Sim 107 (49,8) 108 (50,2)
Não 46 (54,1) 39 (45,9)

Sentir mudança desagradável 0,0672*
Sim 94 (47,2) 105 (52,8)
Não 59 (58,4) 42 (41,6)

Participação em outras atividades 0,0710*
Sim 122 (54) 104 (46)
Não 31 (41,9) 43 (58,1)

Deixar de tomar o medicamento <0,0001*
Sim 23 (27,4) 61 (72,6) [1]
Não 130 (60,2) 86 (39,8) 1,74 [1,20;2,53]

Participação da família 0,0029*
Sim 125 (56) 98 (44) 1,54 [1,12;2,12]
Não 28 (36,4) 49 (63,6) [1]

Notas: *Teste Qui-Quadrado; N=296, quatro entrevistados utilizavam apenas medicação injetável; Razão de Prevalência; §Intervalo com 95% de confiança; ¥Transtorno Mental; Categoria de referência. Nota: (N=300).

DISCUSSÃO

É preocupante concluir que 49% dos entrevistados não aderiram ao uso do medicamento, se considerarmos todas as implicações da não adesão ao portador de transtorno mental, como piora do prognóstico, crises mais frequentes e intensas, aumento do risco de tentativa de suicídio e comprometimento da qualidade de vida(1,3-4).

Outros estudos(11-16) corroboram os achados, contudo, a literatura não apresenta consenso em relação a isso, pois há relatos de prevalência de adesão superior a 71%(6,17-18). O método empregado para verificar a adesão, o delineamento do estudo, o tipo de medicação usada e o local de realização da pesquisa devem ser considerados na análise dos resultados, pois estas variáveis podem interferir na prevalência de adesão encontrada(4).

A falta de adesão à terapêutica medicamentosa, quando não identificada adequadamente pelos profissionais de saúde, repercute em ajustes desnecessários, tais como inclusão ou substituição de medicamentos e aumento da dose frente à possível não efetividade do medicamento anteriormente prescrito(4,7).

A adesão em determinado momento não garante a adesão posterior, pois o significado atribuído pelo indivíduo ao uso do medicamento e a motivação para fazê-lo não são permanentes, sofrem influência de sua vivência e de experiências anteriores. Assim, mesmo os pacientes aderentes necessitam de atenção e monitoramento quanto ao uso dos medicamentos(3,7,15).

Observou-se que os participantes do sexo masculino aderiram mais à terapêutica medicamentosa em relação aos do sexo feminino. Estudos têm evidenciado que os homens apresentam menor risco de interromper o uso dos medicamentos e que o sexo feminino está associado à não adesão(5,19).

Sobre esse achado, o aumento de peso, e a consequente alteração na imagem corporal, tem sido relatado pelas mulheres como um incômodo vivenciado durante a terapêutica medicamentosa. Tal fator pode causar insatisfação com a aparência física e implicar a interrupção ou o uso irregular do medicamento prescrito(20-21).

A menor adesão entre aqueles que recebiam menos de um salário mínimo justifica-se, visto que, antes mesmo de decidir seguir ou não as recomendações dos profissionais de saúde sobre a terapêutica medicamentosa, o indivíduo precisa ter acesso ao medicamento, e a falta de recurso financeiro para a sua aquisição restringe ou impossibilita esse acesso e compromete sobremaneira o uso contínuo dos medicamentos prescritos.

No Brasil, apesar de existirem programas de distribuição gratuita de medicamentos para tratamento de enfermidades crônicas, os portadores de transtorno mental experimentam falhas no fornecimento do medicamento por parte dos serviços públicos de saúde(6,22). Os medicamentos que não são fornecidos gratuitamente e que apresentam interrupção ou falhas na sua dispensação podem levar os usuários à não adesão à terapêutica medicamentosa devido a sua incapacidade de custear a compra dos medicamentos, pois, com renda inferior a um salário mínimo, a pessoa muitas vezes não consegue sequer arcar com suas necessidades básicas como alimentação, vestuário e moradia(23).

Quanto ao histórico familiar, um estudo(24) desenvolvido na República Checa mencionou que a adesão não diferiu entre participantes com ou sem histórico familiar de transtorno mental. Dada a escassez de estudos que tenham investigado essa variável, sugere-se a realização de outras pesquisas para verificar se o padrão de associação se repete e permitir a discussão mais consistente sobre o achado.

Em relação aos que consideravam sua saúde ruim ou regular aderirem menos comparados aos que a consideravam muito boa, estudo com 11.842 portadores de doença crônica observou que a autopercepção de saúde mostrou-se fortemente associada à não adesão, sendo a probabilidade de não adesão três vezes maior nos indivíduos que apresentavam autopercepção de saúde ruim ou muito ruim(23).

A vontade de interromper o uso do medicamento parece ser mais intensa quando a pessoa não observa melhora em seu estado de saúde, fato que a leva a crer na ineficácia do medicamento. Já a percepção de melhora na qualidade de vida, do bem-estar subjetivo, da diminuição dos sintomas e, consequentemente, das limitações e do sofrimento, são benefícios atribuídos por portadores de transtorno mental ao uso dos medicamentos(2,7). Essa percepção pode reforçar a adesão à terapêutica medicamentosa, pois a pessoa deseja manter-se bem, o que corrobora o resultado encontrado.

Porém, a literatura também descreve a correlação entre sentir-se bem e a interrupção do uso do medicamento, uma vez que o indivíduo não percebe a necessidade de seguir a terapêutica na ausência dos sintomas do transtorno, pois acredita estar recuperado e prioriza como se sente no seu dia a dia, não pautando sua decisão em seguir a terapêutica medicamentosa nas possíveis complicações que possam ocorrer devido ao abandono ou ao uso irregular do medicamento(6,14).

Os participantes com diagnóstico de depressão associada a outro transtorno mental aderiram menos à terapêutica medicamentosa. A presença de comorbidade psiquiátrica requer o uso de mais de um medicamento, e os regimes complexos de tratamento tendem a ser associados à baixa adesão(6,12). Além disso, os sintomas da depressão, tais como falta de energia e iniciativa, dificuldades para tomar decisões, desesperança e ideias de menos valia, podem por si só comprometer a adesão à terapêutica medicamentosa, pois o portador de transtorno mental, sentindo-se desmotivado para viver, estará mais propenso à não adesão(25).

Os indivíduos com diagnóstico de esquizofrenia aderiram mais quando comparados aos indivíduos com outro transtorno mental. Os portadores de transtorno mental, na maior parte das vezes, consideram a esquizofrenia um transtorno grave, que impõe sérias limitações às suas vidas; eles também verbalizam receio em vivenciar novas crises. Nesse contexto, entendem a terapêutica medicamentosa como recurso capaz de atenuar a susceptibilidade e a severidade do transtorno, o que favorece o uso correto dos medicamentos prescritos(6).

Entretanto, estudo de coorte, com 11.797 pacientes com esquizofrenia, transtorno afetivo bipolar e depressão, não evidenciou diferenças quanto à adesão, ao considerar que o percentual de descontinuação do uso do medicamento foi semelhante nos três transtornos(5). O transtorno mental, por ter curso crônico, pode apresentar limitações permanentes em função do tempo de acometimento, contribuindo para que a pessoa não apresente motivação para o uso contínuo e regular da medicação.

Nesse sentido, o longo período de tratamento e o uso contínuo das medicações são identificados como fatores que dificultam a adesão ao uso dos medicamentos(25-26). Contudo, há relatos de associação inversa à encontrada, visto que portadores de transtorno mental com maior tempo de tratamento aderiram mais ao uso do medicamento, pois tomaram consciência do benefício da medicação somente após períodos de não adesão constantes, no qual convivem com a carga imposta pela piora dos sinais e sintomas do transtorno(12,19).

Quanto à associação entre tentativa de suicídio e adesão, tem-se que a não adesão favorece a agudização dos sinais e sintomas do transtorno, e o portador de transtorno mental, nessa condição, fica mais exposto a ideais de autoextermínio(20). Ademais, uma revisão sistemática sobre adesão ao tratamento medicamentoso evidenciou que entre as consequências da não adesão estão maior risco de recaída, hospitalização e suicídio. O risco de suicídio foi estimado de cinco a sete vezes maior entre os não aderentes(27).

Aqueles que deixaram de tomar o medicamento alguma vez no último mês e os que não tinham participação da família na terapêutica medicamentosa aderiram menos. Esquecer-se de tomar o medicamento algumas vezes é um preditor de má adesão(3,6-7). Não contar com auxílio para a supervisão e a administração dos medicamentos prescritos são fatores que dificultam a adesão, principalmente em situações de esquema medicamentoso complexo ou diante da presença de dificuldades funcionais expressivas(6).

Os familiares exercem papel significativo e decisivo no processo de adesão, pois auxiliam e supervisionam a autoadministração dos medicamentos, acompanham as consultas, adquirem os medicamentos, reforçam a motivação para o seu uso, bem como avaliam constantemente as aptidões e limitações dos portadores de transtorno mental para executarem sozinhos a administração da medicação(3,7).

Em recente publicação, o apoio familiar, manifestado pelo incentivo ou pela participação direta dos familiares, tanto nos cuidados integrais ao portador de transtorno mental quanto na aquisição dos medicamentos, foi um facilitador na dinâmica complexa do uso de medicamentos prescritos para o tratamento do transtorno mental(20).

No mesmo sentido, estudo desenvolvido nos EUA, com 761 pessoas com diagnóstico de depressão, observou que os participantes que relataram maior satisfação com o envolvimento da família em seu tratamento apresentaram menores chances, ao longo do tempo, de deixar de tomar o medicamento por falta da dose e de tomar a medicação de forma diferente da prescrição médica(28).

CONCLUSÃO

O presente estudo mostrou adesão de 51% dos portadores de transtorno mental à terapêutica medicamentosa na saúde mental. O fator adesão associou-se com as variáveis sexo, renda individual, histórico familiar de transtorno mental, percepção sobre sua saúde, diagnóstico de transtorno mental, tempo de doença e de tratamento no CAPS, tentativa de suicídio, deixar de tomar o medicamento alguma vez no último mês e participação da família.

Diante da complexidade e da dinamicidade do fenômeno da adesão ao uso do medicamento por portadores de transtorno mental, o presente estudo pode contribuir para a prática interdisciplinar dos profissionais de saúde que atuam na saúde mental ao evidenciar que eles devem manter-se atentos aos fatores que predispõem à má adesão. Além disso, devem dispor de ações estratégicas como grupos de medicação, de orientação/informação e inclusão da família no tratamento, a fim de minimizar as dificuldades apresentadas e de promover a adesão e a segurança do paciente na terapêutica medicamentosa. Enfatiza-se, também, a necessidade de políticas que garantam o acesso à medicação.

O estudo apresenta como limitações o delineamento transversal e a verificação da adesão por meio do autorrelato dos participantes.

Errata

No artigo “Adesão do portador de transtorno mental à terapêutica medicamentosa no tratamento em saúde mental”, DOI: http://dx.doi.org/10.1590/s1980-220x2017006603341, publicado no periódico “Revista da Escola de Enfermagem da USP”, Volume 52 de 2018, elocation e03341, na página 1:

Onde se lia:

Adesão do portador de transtorno mental à terapêutica medicamentosa no tratamento em saúde menta

Leia-se:

Adesão do portador de transtorno mental à terapêutica medicamentosa no tratamento em saúde mental

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Recebido: 27 de Fevereiro de 2017; Aceito: 31 de Janeiro de 2018

Autor correspondente: Letícia de Oliveira Borba. Rua General Carneiro 181, Alto da Glória. CEP 80060-900 – Curitiba, PR, Brasil. leticia_ufpr@yahoo.com.br

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Extraído da tese: “Adesão do portador de transtorno mental ao uso de medicamentos no tratamento em saúde mental”, Universidade Federal do Paraná, 2016.

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