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Revista Brasileira de Entomologia

On-line version ISSN 1806-9665

Rev. Bras. entomol. vol.47 no.1 São Paulo  2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0085-56262003000100005 

Novas espécies e revalidação em Hippopsis Lepeletier & Audinet-Serville, 1825 (Cerambycidae, Lamiinae, Agapanthini)

 

 

Ubirajara R. MartinsI, III; Maria Helena M. GalileoII, III

IMuseu de Zoologia, Universidade de São Paulo. Caixa Postal 42594, 04299-970 São Paulo-SP, Brasil
IIMuseu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. Caixa Postal 1188, 90001-970 Porto Alegre-RS, Brasil
IIIPesquisador CNPq

 

 


ABSTRACT

New species and revalidation in Hippopsis Lepeletier & Audinet-Serville, 1825 (Cerambycidae, Lamiinae, Agapanthini). New species described: H. arriagadai from Paraguay; H. bivittata from Peru; H. nigroapicalis from Ecuador; H. brevicollis from Brazil (Minas Gerais) and H. tibialis from Brazil (São Paulo). H. freyi Breuning, 1955 is revalidated.

Keywords: Agapanthini; Cerambycidae; Hippopsis; Lamiinae; taxonomy.


 

 

INTRODUÇÃO

O gênero Hippopsis Lepeletier & Audinet-Serville, 1825, foi revisto por BREUNING (1962) que o considerou composto por 20 espécies, uma "morpha" e três subspécies. MONNÉ & HOVORE (2001) consideraram 32 espécies em Hippopsis.

Os machos de algumas espécies de Hippopsis apresentam modificações no primeiro urosternito (orifícios ou pêlos diferenciados), mas este caráter foi negligenciado por Breuning o que impossibilita o reconhecimento de várias das suas espécies.

Baseados nas suas próprias observações e nas notas de D. S. Napp, que examinou tipos das espécies de Hippopsis no MNHN e no BMNH, GALILEO & MARTINS (1988a, b, c, d, e) revisaram novamente o gênero e dividiram-no em sete grupos de espécies (GALILEO & MARTINS 1988d), além de incluírem chaves para identificação de espécies dos diferentes grupos.

Três outras espécies foram incorporadas ao gênero após os trabalhos de 1988: H. mourai Martins & Galileo, 1994; H. ocularis Galileo & Martins, 1995 e H. campaneri Martins & Galileo, 1998 (MARTINS & GALILEO 1994; GALILEO & MARTINS 1995, 1998).

H. tremata Galileo & Martins, 1998, foi considerada sinônima de H. meinerti Aurivillius, 1900, por TAVAKILIAN (1997).

Neste trabalho acrescentamos mais cinco novas espécies ao gênero Hippopsis procedentes do Equador, do Peru, do Paraguai e do Brasil.

As siglas mencionadas ao longo do texto correspondem às instituições: BMNH, The Natural History Museum, Londres; MCNZ, Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre; MNHN, Muséum National d´Histoire Naturelle, Paris; MZSP, Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo, São Paulo.

Hippopsis bivittata sp. nov.
(Fig. 3)

Fêmea. Tegumento castanho-escuro. Fronte com faixa de pubescência branco-amarelada no lado interno dos olhos estendendo-se até a gena; com alguns pontos nítidos principalmente na metade superior. Parte dorsal da cabeça com duas faixas de pubescência amarelada, levemente divergentes desde os lobos superiores dos olhos até o occipício; com pontos finos e evidentes. Partes laterais da cabeça com duas manchas de pubescência branco-amarelada atrás dos lobos oculares (pode ser uma faixa interrompida); pontuação mais grosseira. Lobos oculares superiores com seis fileiras de omatídios; mais próximos entre si do que a largura de um lobo. Lobos oculares inferiores tão longos quanto a área malar.

Escapo com franja de pêlos tão longos quanto sua maior largura; tão longo quanto o antenômero III. Protórax com faixas longitudinais de pubescência branco-amarelada: duas dorsais e duas no limite com o prosterno; entre essas duas faixas, vestígio de faixa, pouco visível, com pubescência rala e restrita aos 2/3 anteriores. Disco do pronoto com pontos grandes encobertos pela pubescência esbranquiçada. Cada élitro com duas faixas longitudinais branco-amareladas: uma desde o lado do escutelo até a extremidade e outra, perto da margem, do úmero ao ápice; uma terceira faixa, muito estreita, pouco evidente, da metade ao quinto apical onde se funde com a sutural. Extremidades elitrais longamente acuminadas.

Faixa de pubescência amarelo-esbranquiçada (continuação da faixa do lado do protórax) recobre os mesepimeros, mesepisternos, metepisternos e lados dos urosternitos. Lados do metasterno e urosternito I com pontos pequenos. Metafêmures e metatíbias não intumescidos (fêmea). Ápices dos metafêmures apenas ultrapassam a borda posterior do urosternito I. Metatarsômero I tão longo quanto II+III.

Dimensões, em mm, fêmea. Comprimento total, 15,2; comprimento do protórax, 2,5; maior largura do protórax, 1,7; comprimento do élitro, 11,1; largura umeral, 2,4.

Material-tipo. Holótipo fêmea procedente do PERU, Callanga, sem data, sem nome do coletor (MZSP).

Discussão. Esta espécie está baseada numa fêmea, o que inviabiliza, no momento, sua colocação nos grupos lemniscata, pubiventris ou solangeae propostos por GALILEO & MARTINS (1988a, b, c). H. bivittata não pode ser enquadrada nos outros grupos de Hippopsis: albicans (extremidades elitrais arredondadas), monachica (pêlos das antenas longos e sinuosos), pradieri (pronoto transversalmente rugoso) e truncatella (ápice elitral emarginado com projeções ou espinhos nos ângulos externo e sutural).

Dentre as espécies dos grupos lemniscata, pubiventris e solangeae, H. bivittata distingue-se pelo padrão de colorido com apenas quatro faixas de pubescência branco-amarelada no protórax e duas faixas longitudinais por élitro (a terceira faixa elitral é estreita e pouco evidente).

Em H. campaneri Martins & Galileo, 1998, do grupo solangeae, a pubescência corporal não constitui faixas longitudinais e, em H. fratercula, do grupo lemniscata, as faixas longitudinais de pubescência esbranquiçada do protórax e dos élitros são pouco adensadas e, portanto, não podem ser confundidas com H. bivittata. Todas as outras espécies têm três faixas longitudinais, contínuas ou não, de pubescência amarelada em cada élitro.

Grupo pradieri
Hippopsis
nigroapicalis sp. nov.
(Fig. 1)

Macho. Tegumento castanho. Fronte inteiramente recoberta por pubescência amarelada. Vértice com duas faixas longitudinais de pubescência amarelada que se iniciam entre os tubérculos anteníferos e vão até o occipício. Uma outra faixa de pubescência amarelada atrás dos olhos. Genas inteiramente recobertas por pubescência amarelada. Lobos oculares superiores com seis fileiras de omatídios, mais próximos entre si do que a largura de um lobo. Lobos oculares inferiores com, pelo menos, o dobro do comprimento da gena. Escapo com franja densa de pêlos, tão longos quanto a sua maior largura; comprimento subigual ao do antenômero III.

Protórax com seis faixas longitudinais de pubescência amarelada de largura subigual. Pronoto com algumas rugas mais ou menos transversais e irregulares. Cada élitro com três faixas de pubescência amarelada e extremidades ocupadas por faixa transversal preta; ápices cortados em curva com espinho externo e espículo sutural. Mesepimeros, mesepisternos, metepimeros e metepisternos recobertos por pubescência amarelada. Lados do metasterno com faixa amarelada não-justaposta à sutura metasterno-metepisternal; lados do metasterno sem pontos.

Urosternitos com faixa longitudinal, irregular, nos lados e faixa central, larga, de pubescência amarelada. Metafêmures fusiformes, sem modificações na base. Ápice dos metafêmures ultrapassa a borda apical do urosternito I. Metatíbias ligeiramente intumescidas. Metatarsômero I subigual em comprimento a II+III.

Dimensões, em mm, macho. Comprimento total, 15,6; comprimento do protórax, 2,5; maior largura do protórax, 2,3; comprimento do élitro, 11,0; largura umeral, 3,2.

Material-tipo. Holótipo macho procedente do EQUADOR, Napo: Yasuni (Bloque 16, Fumigación Lote 6611), VII.1996, F. Bersosa col. (MZSP).

Discussão. Distingue-se das espécies do grupo pradieri, pelos ápices dos élitros com faixa transversal preta; nas outras espécies, as pontas dos élitros não são enegrecidas. Embora o ápice elitral seja emarginado e com espinho externo, não se enquadra no grupo truncatella, por apresentar pronoto rugoso.

Grupo truncatella
Hippopsis brevicollis
sp. nov.
(Fig. 4)

Fêmea. Tegumento castanho-avermelhado. Fronte revestida por pubescência amarelo-esbranquiçada. Vértice, atrás dos olhos, com duas faixas divergentes de pubescência amarelada. Lobos oculares superiores com seis fileiras de omatídios, pouco mais distantes entre si do que a largura de um lobo. Lobos oculares inferiores com comprimento subigual ao da gena. Escapo com pêlos curtos, esparsos, no lado inferior da metade apical; comprimento do escapo apenas maior que o do antenômero III.

Protórax tão longo quanto largo, com seis faixas longitudinais de pubescência amarelada. Sobre as duas faixas pronotais uma gibosidade pequena, situada à frente do meio. Disco pronotal com pontos finos e esparsos. Mesepisterno com alguns pontos (25x). Lados do metasterno finamente pontuados e com faixa de pubescência amarelada junto aos metepisternos.

Cada élitro, ao nível do meio, com três faixas longitudinais, contínuas, de pubescência amarelo-esbranquiçada. A faixa interna (sutural) subdividida em duas junto à base de cada élitro; a faixa interna e a faixa dorsal fundidas antes do ápice. Pontuação dos élitros fina e densa em quase toda a superfície, menos no sexto apical. Extremidades elitrais cortadas em curva, ligeiramente projetadas no ângulo interno e com espinho preto e largo, no ângulo externo. Procoxas com tubérculo no lado interno. Metafêmures e metatíbias normais. Metatarsômero I tão longo quanto II+III. Lados dos urosternitos com pubescência amarelada; centro dos urosternitos I-IV com faixa irregular, longitudinal, de pubescência branca.

Dimensões em mm, fêmea. Comprimento total, 17,0; comprimento do protórax, 2,4; maior largura do protórax, 2,3; comprimento do élitro, 14,0; largura umeral, 3,1.

Material-tipo. Holótipo fêmea procedente do BRASIL, Minas Gerais: Santa Bárbara (Peti, Companhia Energética de Minas Gerais - CEMIG), 19.IX.1987, [A. B. Machado col.] (MZSP).

Discussão. Pela chave para espécies do grupo truncatella (GALILEO & MARTINS 1988e: 201), H. brevicollis compartilha o ítem 5 com H. quinquelineata e H. truncatella pelos élitros com faixas de pubescência branco-amarelada contínuas da base até o ápice.

Difere de H. truncatella pelas maiores dimensões, pelo protórax apenas mais longo do que largo; pelo pronoto com elevações; pelo metepisterno sem pubescência amarelada; pela presença de faixa de pubescência amarelada nos lados do metasterno; pela presença de faixa irregular de pubescência branca no centro dos urosternitos e pelas procoxas com tubérculo. Em H. truncatella o comprimento é menor (cerca de 11 mm); o protórax é mais longo que largo; o pronoto não tem elevações; o metepisterno é revestido por pubescência amarelada, densa; os lados do metasterno têm faixa de pubescência amarelada afastada da borda externa; os urosternitos têm faixas de pubescência esbranquiçada apenas nos lados e as procoxas não têm tubérculo.

Distingue-se de H. quinquelineata pela ausência de faixa longitudinal de pubescência amarelada no centro do pronoto; pelo padrão de colorido dos élitros; pela presença de faixa nos lados do metasterno; pela presença de faixa de pubescência no meio dos urosternitos e pela presença de tubérculo nas procoxas. Em H. quinquelineata existe uma faixa longitudinal de pubescência amarelada no centro do pronoto; a região sutural da base dos élitros é percorrida, em pequena extensão, por faixa de pubescência amarelada e a faixa umeral é oblíqua em sentido descendente da margem para a sutura; o meio dos urosternitos não tem faixa de pubescência e as procoxas não têm tubérculo.

Hippopsis arriagadai sp. nov.
(Figs. 2, 8)

Macho. Tegumento castanho-avermelhado. Pubescência esbranquiçada bem esparsa. Fronte relativamente larga com lados divergentes para a parte inferior. Fronte (50x) pontuada com pubescência branca moderadamente concentrada. Faixa de pubescência esbranquiçada ao redor dos olhos. Vértice sem faixas de pubescência; densamente pontuado. Lobos oculares superiores com seis fileiras de omatídios; pouco mais distantes entre si do que a largura de um lobo. Lobos oculares inferiores mais longos que a gena.

Escapo com apenas dois (?) pêlos no lado inferior. Protórax sem faixas longitudinais de pubescência; densamente pontuado. Élitros pontuados, com as faixas claras apenas indicadas; extremidades obliquamente truncadas. Face ventral do corpo com pubescência esbranquiçada mais concentrada no metepisterno. Lados dos urosternitos sem faixa longitudinal de pubescência branca. Metafêmures bem achatados dorso-ventralmente, sem pêlos diferenciados junto à base; atingem o meio do urosternito II. Metatíbias intumescidas.

Dimensões, em mm, macho. Comprimento total, 7,4; comprimento do protórax, 1,0; maior largura do protórax, 0,8; comprimento do élitro, 5,1; largura umeral, 1,2.

Material-tipo. Holótipo macho procedente do PARAGUAI, Central, Assunción (Arroyo Mburicau), 30.X.1990, G. Arriagada col. (MCNZ 150085).

Discussão. Machos de H. arriagadai caracterizam-se pelos metafêmures acentuadamente achatados, sem pubescência diferenciada na face inferior da base. Nas outras espécies do grupo truncatella, os metafêmures dos machos são cilíndricos. Assemelha-se, pelas pequenas dimensões, à H. truncatella que apresenta faixas conspícuas de pubescência branco-amarelada em todo corpo e extremidades elitrais projetadas no ângulo sutural.

Grupo solangeae
Hippopsis freyi
Breuning, 1955, revalidada
(Fig. 5)

Hippopsis freyi Breuning, 1955: 661; Galileo & Martins, 1988a: 185 (in syn.); Monné, 1994: 38 (cat., in syn.).

Hippopsis freyi foi considerada sinônima de H. meinerti Aurivillius, 1900, por GALILEO & MARTINS (1988a: 185).

TAVAKILIAN (1997: 134) estabeleceu a sinonímia de Hippopsis tremata Galileo & Martins, 1998 com H. meinerti. Conseqüentemente, também passaram à sinonímia de H. meinerti as formas que já estavam sinonimizadas: H. freyi e H. lemniscata tobagoensis.

BREUNING (1940, 1955, 1962) nunca descreveu o urosternito I dos machos que tem caracteres diagnósticos importantes. Considerando, aleatoriamente, que H. freyi pertence ao grupo solangeae (com depressões no urosternito I dos machos) podemos supor duas hipóteses: (1) Hippopsis freyi é sinônima de H. meinerti, neste caso, continua na sua sinonímia. BREUNING (1955, 1962) não discriminou sexos da série-tipo de H. freyi que foi originalmente descrita de Trinidad. "Type von Trinidad, XII.1953, leg. G. und Helga Frey.- 2 Paratypen dtto."; (2) Hippopsis freyi é uma espécie distinta e deve ser revalidada. Acreditamos que esta hipótese é a mais provável. O primeiro urosternito dos machos de H. freyi foi figurado por GALILEO & MARTINS (1988a:184, fig. 17, sob a denominação de H. meinerti). A descrição original de H. freyi (BREUNING, 1955) serve para qualquer espécie de Hippopsis, mas examinamos espécimens com as mesmas dimensões de H. freyi (9-10 mm), também do norte da América do Sul (Venezuela e Colômbia), que podem corresponder à H. freyi e passamos a tratar, provisoriamente, H. freyi como espécie válida.

Grupo lemniscata
Hippopsis tibialis
sp. nov.
(Figs. 6, 7)

Macho. Colorido geral castanho-avermelhado. Fronte com os lados subparalelos, revestida de pubescência esbranquiçada. Vértice com duas faixas subparalelas de pubescência esbranquiçada. Região atrás dos olhos com faixa larga de pubescência branco-amarelada. Dorso da cabeça densa e finamente pontuado. Lobos oculares superiores com seis fileiras de omatídios; tão distantes entre si quanto a largura de um lobo. Lobos oculares inferiores com o triplo do comprimento da gena.

Escapo com franja de pêlos tão longos quanto sua maior largura; tão longo quanto o antenômero III. Protórax com seis faixas longitudinais de pubescência branco-amarelada: duas dorsais, duas laterais e duas no limite com o prosterno; meio do disco com uma faixa indistinta de pubescência.

Disco do pronoto com pontos grandes, próximos, encobertos pela pubescência esbranquiçada. Cada élitro com três faixas longitudinais de pubescência esbranquiçada; as duas faixas internas fundem-se antes do ápice. Extremidades elitrais de per si acuminadas com espinho não exageradamente longo.

Face ventral com faixa de pubescência, em continuação àquela do lado do protórax que recobre os mesepimeros, metepimeros, metepisternos e lados dos urosternitos. Faixa estreita de pubescência amarelada nas partes laterais do metasterno distante da sutura metasterno-metepisternal. Toda a face ventral pontuada. Metafêmures não ultrapassam o ápice do urosternito I. Metatíbias intumescidas, levemente curvas. Metatarsômero I mais longo do que II+III.

Dimensões, em mm, macho. Comprimento total, 14,0; comprimento do protórax, 2,0; maior largura do protórax, 1,6; comprimento do élitro, 10,5; largura umeral, 2,1.

Material-tipo. Holótipo macho procedente do BRASIL, São Paulo: Parelheiros, 20.XII.1975, L. R. Fontes col. (MZSP).

Discussão. Machos de algumas espécies do grupo lemniscata [H. leminiscata (Fabricius, 1801) e H. gilmouri Breuning, 1962] não apresentam metatíbias intumescidas, caráter muito conspícuo em H. tibialis.

H. tibialis difere de H. griseola Bates, 1866 pelos lados da fronte subparalelos; pelos lobos oculares superiores mais afastados entre si do que a largura de um lobo; pelas extremidades elitrais menos alongadas e pelos metafêmures sem pilosidade diferenciada na face ventral. Em H. griseola os lados da fronte são divergentes para o lado inferior; os lobos oculares superiores (GALILEO & MARTINS 1988c: 194, fig. 1) são aproximados; as extremidades elitrais são prolongadas em espinho longo e a face ventral dos metafêmures tem pilosidade longa e bem nítida.

Segundo a descrição (BREUNING 1962: 10), H. lemniscata boliviana Breuning, 1962 difere de H. l. leminscata por apresentar: "front seulement légèrement trapéziforme; chaque élytre étiré en un lobe apical sensiblement plus long. Pronotum avec une étroite bande longitudinale jaune." Alguns desses caracteres podem ser observados em H. tibialis como a fronte com lados subparalelos pode ser interpretada como "seulement légèrement trapéziforme"; os ápices elitrais são iguais ao da figura apresentada por BREUNING (1962: fig. 1) e a linha centro-longitudinal de pubescência mais clara do pronoto está indicada; entretanto, BREUNING (1962) considerou para H. l. lemniscata: "Lobes inférieurs des yeux transverses d'un quart à de moitié plus longs que les joues"; em H. tibialis os olhos têm o triplo do comprimento da gena.

GALILEO & MARTINS (1988c) consideraram ainda, com dúvidas, as seguintes espécies como, provavelmente, pertencentes ao grupo lemniscata: H. lineolata Lepeletier & A.-Serville, 1825, H. septemvittata Breuning, 1940, H. prona Bates,1866 e H. gilmouri Breuning, 1962.

H. lineolata pode pertencer a qualquer dos três grupos de espécies de Hippopsis (grupo solangeae, pubiventris e lemniscata), mas não se enquadra nos grupos monachica, truncatella, pradieri e albicans. Só o exame do holótipo permitirá decidir sobre esta espécie e sua colocação em grupos.

H. septemvittata é espécie de difícil interpretação (GALILEO & MARTINS 1988: 194).

Machos de H. gilmouri, se nossa identificação estiver correta, apresentam uma depressão muito rasa no primeiro urosternito (não pode ser considerada como pertencente ao grupo solangeae), junto ao processo intercoxal e não tem metatíbias intumescidas. Estes dois caracteres distinguem H. tibialis e H. gilmouri.

O holótipo de H. prona foi reexaminado por G. Tavakilian (MNHN). Pode ser uma fêmea e sua colocação num dos grupos é difícil. Em H. prona as extremidades elitrais são bem acuminadas; a cabeça é levemente abaulada atrás dos olhos e os lobos oculares inferiores são tão longos quanto as genas. Em H. tibialis os lobos oculares inferiores têm o dobro do comprimento das genas e as extremidades elitrais são menos projetadas.

Agradecimentos. A Gérard L. Tavakilian (MNHN) pelo envio de fotos do holótipo de H. prona; a Jorge Soledar (MCNZ) pela execução das ilustrações.

 

REFERÊNCIAS

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Recebido em 01.II.2002
Aceito em 10.X.2002

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