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Revista Brasileira de Entomologia

On-line version ISSN 1806-9665

Rev. Bras. entomol. vol.47 no.4 São Paulo Dec. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0085-56262003000400019 

COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA

 

Ocorrência de Binodoxys brevicornis (Haliday, 1833) (Hymenoptera, Braconidae, Aphidiinae) no Brasil

 

Occurrence of Binodoxys brevicornis (Haliday, 1833) (Hymenoptera, Braconidae, Aphidiinae) in Brazil

 

 

Marcus V. Sampaio; Vanda H.P. Bueno; Maria C.M. Soglia; Sandra M.M. Rodrigues

Universidade Federal de Lavras, Departamento de Entomologia. Caixa Postal 37, 37200-000 Lavras-MG, Brasil. Endereço eletrônico: marcsampaio@yahoo.com.br; vhpbueno@ufla.br

 

 


ABSTRACT

Specimens of the aphid parasitoid, Binodoxys brevicornis (Haliday, 1833), were reared from the mummies of Cavariella aegopodii (Scopoli, 1763) collected on Foeniculum vulgare (Apiaceae) at the Campus of the Universidade Federal de Lavras, in the city of Lavras, Minas Gerais State on September/2002. This is the first record of B. brevicornis in Brazil.

Keywords: Aphid; new record; parasitoid.


 

 

O gênero Cavariella del Guercio, 1911 (Hemiptera, Aphididae) é originário do Hemisfério Norte e inclui, aproximadamente, 30 espécies que, em sua maioria, utilizam Salix spp. (Salicaceae) e umbelíferas (Apiaceae) como plantas hospedeiras. Cavariella aegopodii (Scopoli, 1763) apresenta importância agrícola pela transmissão de viroses em cenoura (Dacus carota L.) e aipo (Apium graveolens L.), além de colonizar muitas outras espécies de apiáceas (BLACKMAN & EASTOP 1985). De acordo com SOUZA-SILVA & ILHRCO (1995), no Brasil, esse afídeo foi registrado sobre plantas de D. carota, Foeniculum vulgare Mill., Petroselinum cripum (Mill.) e Pimpinela anisum L.. TAVARES (1996a) encontrou C. aegopodii sobre Salix babilônica L.

TREMBLEY (1975) relatou como parasitóides de Cavariella spp. espécies dos gêneros Aphidius Nees, 1819, Binodoxys Mackauer, 1960, Ephedrus Haliday, 1833, Lysiphlebus Förster, 1862 e Praon Haliday, 1833. No Brasil, C. aegopodii foi encontrada parasitada por Aphidius salicis Haliday, 1834 (TAVARES 1991) e A. colemani Viereck, 1912 (TAVARES 1991; Tavares 1996b).

O gênero Binodoxys é caracterizado pelo reduzido número de veias na asa anterior, apresentando, após a veia basal, apenas a veia Rádio (Fig. 1); dois pares de tubérculos no primeiro tergito abdominal, ou seja, os tubérculos primários ou espiraculares e os tubérculos secundários; as fêmeas apresentam a bainha do ovipositor curvado para baixo e dois prolongamentos uroesternais na região distal do gaster (Fig. 2) (TREMBLEY 1975; STARÝ 1979; MASH et al. 1987; KAVALLIERATOS et al. 2001).

 

 

Foram coletados ninfas e adultos de afídeos sobre plantas de F. vulgare no Horto de Plantas Medicinais do Campus da Universidade Federal de Lavras, em setembro de 2002. Os afídeos foram mantidos em laboratório sobre ramos da planta e, após a formação de múmias, estas foram individualizadas em tubos de vidro até a emergência dos parasitóides. Foram obtidos 16 fêmeas e 10 machos do parasitóide, cujos exemplares foram depositados no Museu Regional de Entomologia, do Departamento de Entomologia, da Universidade Federal de Lavras. Os afídeos e os parasitóides foram identificados pelo primeiro autor com base em características morfológicas, sendo a identificação confirmada, posteriormente, por especialistas de cada grupo.

A espécie de afídeo encontrada foi C. aegopodii e a do parasitóide, Binodoxys brevicornis (Haliday, 1833). De acordo com MESCHELOFF & ROSEN (1993), este parasitóide apresenta: coloração geral marrom-clara e comprimento do corpo de 1,3-1,7 mm; na asa anterior o pterostigma triangular, com comprimento 2,5 vezes maior que sua largura; comprimento do metacarpo ao redor da metade do comprimento do pterostigma (Fig. 1); e propodeum com uma auréola central irregular. Segundo TREMBLEY (1975) e STARÝ (1979), as fêmeas deste parasitóide apresentam as antenas com 10-11 antenômeros e os prolongamentos urosternais curvados para cima em seu terço distal e com quatro cerdas longas em sua superfície dorsal (Fig. 3); os machos apresentam 12 antenômeros e ambos os sexos apresentam os tubérculos primários e secundários muito próximos, quase fundidos (Fig. 4).

Segundo revisão apresentada por TREMBLEY (1975), B. brevicornis pode ser encontrada parasitando Cavariella spp., Hyadaphis spp. e Semiaphis spp., espécies comumente encontradas sobre apiáceas, além de afídeos em rubiáceas. Este parasitóide tem sua origem na Europa (Paleártico Ocidental) e é provável que tenha sido introduzido acidentalmente na América do Sul pela ação do homem. Foi relatado na Venezuela sobre C. aegopodii em P. anisum (STARÝ & CERMELI 1989), sendo, entretanto, este o primeiro registro de sua ocorrência no Brasil.

Agradecimentos. Os autores agradecem ao Dr. Petr Starý, do Institute of Entomology, Czech Academy of Sciences, República Tcheca, pela confirmação da espécie do parasitóide e envio de literatura; ao Dr. Carlos R. Sousa-Silva, da Universidade Federal de São Carlos, pela identificação do afídeo; ao Dr. Paulo R. Reis e ao Dr. Maurício S. Zacarias, pelo apoio na obtenção do material fotográfico. Ao CNPq, pelas bolsas de estudos ao primeiro e segundo autores, e à FAPEMIG pelo apoio financeiro.

 

REFERÊNCIAS

BLACKMAN, R. L. & V. F. EASTOP. 1985. Aphids on the world's crops: an identification guide. New York, John Wiley & Sons, 466 p.         [ Links ]

KAVALLIERATOS, N. G.; D. P. LYKOURESSIS; G. P. SARLIS; G. J. STATHAS; A. SANCHIS SEGOVIA & C. G. ATHANASSIOU. 2001. The Aphidiinae (Hymenoptera: Ichneumonoidea: Braconidae) of Greece. Phytoparasitica 29(4): 306-340.         [ Links ]

MARSH, P. M.; S. R. SHAW & R. A. WHARTON. 1987. An identification manual for the American genera of the family Braconidae (Hymenoptera). Lawrence, Allen Press, 98 p.         [ Links ]

MERCHELOFF, E. & D. ROSEN. 1993. Biosystematic studies on the Aphidiidae of Israel (Hymenoptera: Ichneumonoidea). 5. The genera Trioxys and Binodoxys. Israel Journal of Entomology 27: 31-47.         [ Links ]

SOUSA-SILVA, C. R. & F. A. ILHARCO. 1995. Afídeos do Brasil e suas plantas hospedeiras. São Carlos, EDUFSCar, 85 p.         [ Links ]

STARÝ, P. 1979. Aphid parasites (Hymenoptera: Aphidiidae) of the Central Asian area. The Hague, Kluwer Academic Publishers, 124 p.         [ Links ]

STARÝ, P. & M. CERMELI. 1989. Parasitoides (Hymenoptera, Aphidiidae) de áfidos en plantas cultivadas de Venezuela. Boletín de Entomología Venezolana 5(10): 77-80.        [ Links ]

TAVARES, M. T. 1991. Estudos das interações "plantas/afídeo/parasitóide e hiperparasitóide" em ambientes naturais e antrópicos. Dissertação de Mestrado. São Carlos, Universidade Federal de São Carlos, 65 p.        [ Links ]

TAVARES, M. T. 1996a. Sobre alguns afídeos (Hemiptera, Aphidoidea) e suas plantas hospedeiras no Estado de São Paulo, Brasil. Anais do VII Seminário Regional de Ecologia 7: 127-135.         [ Links ]

TAVARES, M. T. 1996b. Ocorrência de Dendrocerus carpenteri (Curtis) (Hymenoptera: Megaspilidae) no Brasil. Anais da Sociedade Entomológica do Brasil 25(2): 363-364.         [ Links ]

TREMBLAY, E. 1975. Le specie del genere Trioxys Hal. (Hymenoptera Ichneumonidea) parassite di Afidi del genere Cavariella Del Guer. (Homoptera Aphidoide) Bollettino del Laboratorio di Entomologia Agraria Filippo Silvestri 32: 3-12.         [ Links ]

 

 

Recebido em 05.XI.2002; aceito em 15.X.2003

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