SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.48 número3Portanus Ball: descrição de uma espécie nova (Hemiptera, Cicadellidae, Xestocephalinae)Espécies novas e notas sobre Dianthidiini (Hymenoptera, Megachilidae) do Peru índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Artigo

Indicadores

Links relacionados

Compartilhar


Revista Brasileira de Entomologia

versão impressa ISSN 0085-5626

Rev. Bras. entomol. v.48 n.3 São Paulo  2004

http://dx.doi.org/10.1590/S0085-56262004000300010 

SISTEMÁTICA, MORFOLOGIA E BIOGEOGRAFIA

 

Uma nova espécie de Lophoblatta Hebard (Blattaria, Blattellidae) coletada em ninho de Sphecidae (Hymenoptera) no Acre, Brasil

 

 

Sonia Maria Lopes

Departamento de Entomologia, Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Quinta da Boa Vista, São Cristóvão, 20940-040 Rio de Janeiro-RJ, Brasil. Endereço eletrônico: sonialf@acd.ufrj.br

 

 


RESUMO

Lophoblatta lurida sp. nov. é descrita do Estado do Acre (Brasil) com base em único espécimen coletado em ninho de vespa. Ilustrações da genitália do macho e a distribuição das espécies conhecidas de Lophoblatta Hebard, 1929 são fornecidas.

Palavras-Chave: Acre; Blattaria; Lophoblatta lurida sp. nov.; ninho de vespa.


ABSTRACT

A new species of Lophoblatta Hebard (Blattaria, Blattellidae) collected in Sphecidae nest (Hymenoptera) in Acre, Brazil. Lophoblatta lurida sp. nov. is described from the State of Acre (Brazil) based on a single specimen collected in a wasp nest. Illustrations of the male genitalia and the distribution of the known species of Lophoblatta Hebard, 1929 are provided.

Keywords: Acre; Blattaria; Lophoblatta lurida sp. nov.; wasp nest.


 

 

As baratas do gênero Lophoblatta Hebard, 1929 são encontradas na região Neotropical, com representantes desde a América Central até o sudeste do Brasil, sem registros para o Chile, Bolívia e Argentina (Fig. 14). São preferencialmente bromelícolas, podendo ser encontradas também em folhiço no interior de matas. Dez espécies são conhecidas para o gênero.

Para análise do material foram utilizadas técnicas descritas em LOPES & OLIVEIRA (2000); A designação das peças genitais foi baseada nos conceitos propostos por MCKITTRICK (1964). O holótipo foi depositado no Departamento de Entomologia do Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro (MNRJ).

A distribuição geográfica das espécies é apresentada em mapa extraído do site da UNIVERSITY OF TEXAS (AUSTIN). A escala do mapa é de 1:35.000.000 (Azimuthal Equal-Area Projection).

O exemplar da nova espécie foi encontrado servindo de alimento às larvas da vespa em seu ninho. Essa vespa do gênero Podium Fabricius, 1804, faz seu ninho em areia, em solo seco e sombrio, em lama, em troncos secos ou apodrecidos, em ninhos de outras vespas ou em colunas nas casas. A fim de manter sua prole, capturam baratas e as ferroam no tórax ou abdome, imobilizando-as. Em seguida, em geral, cortam as antenas das mesmas para que seja liberada secreção e, posteriormente, venham a servir de alimento aos imaturos (ROHART & MENKE 1976).

Lophoblatta lurida sp. nov.

(Figs. 1-13)

Holótipo macho. Coloração geral castanho-claro brilhante. Olhos, fronte e pronoto com manchas negras. Vértice da cabeça e o pronoto com disco central castanho, pouco mais escuro. Espaço interocular, artículo apical dos palpos maxilares, tronco inicial de todas as veias das tégminas, castanho-escuro. Pernas com área dorsal dos fêmures, faces ântero-ventral, póstero-ventral e base dos espinhos das tíbias, negras. Campo marginal da tégmina castanho-amarelado.

Cabeça (Fig. 1) com vértice exposto; espaço interocular amplo, com cerca de 2/3 da área que separa as bases das antenas, que são longas, filiformes e ciliadas, ultrapassando o ápice do abdome e ciliadas. Palpos maxilares longos e ciliados, com o terceiro e quarto artículos iguais em tamanho e o quinto artículo dilatado.

Tórax. Pronoto amplo, convexo, subtrapezoidal, com ápice e base retos, abas laterais alargadas.

Pernas longas, ciliadas e espinhosas. Fêmur I com uma série de espinhos que decrescem gradativamente em tamanho (tipo A3). Fêmures II e III com espinhos médios, espaçados e semelhantes em ambas as faces. Pulvilos desenvolvidos e presentes em todos os segmentos tarsais; arólios presentes, menores que as unhas, essas simétricas e serrilhadas ventralmente. Tégminas e asas ultrapassando em comprimento o ápice dos cercos. Tégmina com campo marginal bem marcado e levemente convexo; campo escapular convexo e curvo até a base do campo discoidal, este curvo no ápice da tégmina, seguindo reto até a base do campo anal. Asas com ramos da veia radial oblíquos, apresentando dilatações apicais; veia mediana simples, bifurcando-se próximo ao ápice; cubital com dois ramos medianos sub-ramificados e longitudinais; campo anal dobrado em leque com nove ou mais veias axilares.

Abdome. No macho a modificação do oitavo tergito situa-se medianamente com um tufo de cílios simétricos (Fig. 2). Placa supra-anal projetada entre os cercos com reentrância mediana e ápice ciliado. Cercos alargados, desenvolvidos e ciliados (Fig. 3). Placa subgenital larga apresentando, no ápice, uma reentrância mediana, com estilos simples, ciliados e assimétricos (Fig. 4).

Genitália. Esclerito mediano (L2vm) bífido (Fig. 11). Ápice do esclerito mediano (L2d) espatulado, expansão lateral afilada e apicalmente em forma de gancho (Figs. 11-13). Falômero esquerdo (L1) com os braços assimétricos, um deles bastante desenvolvido; estrutura mediana alargada e linguiforme (Fig. 6). Falômero direito (R2) em forma de gancho com a extremidade espiniforme (Fig. 9). Esclerito do falômero direito (R3) muito afilado apicalmente virguliforme (Fig. 5). Demais escleritos do falômero direito (R2) de formas variadas (Figs. 7, 8, 10).

Dimensões (mm). Comprimento total 18,0; comprimento do pronoto 4,5; largura do pronoto 6,5; comprimento da tégmina 14,5; largura da tégmina 4,5.

Holótipo macho: BRASIL, Acre, Senador Guiomard, Reserva Catuaba (10º4'S e 67º36'W) 17.VIII.2001, Elder F. Morato col. (em ninhos de vespas - Podium sp., ninho 229) (MNRJ).

Comentário. Espécie pertencente ao grupo I de Lophoblatta (LOPES & OLIVEIRA 2003) aproximando-se de L. pellucida em relação ao esclerito mediano (L2vm).

Etimologia. O nome da espécie deve-se à coloração intensa amarelo-avermelhada, característica atípica dentre as espécies do gênero Lophoblatta.

Agradecimentos. Ao Biólogo Edivar Heeren de Oliveira pela colaboração na elaboração deste trabalho. À Dra. Janira Martins Costa (MNRJ) pelo apoio técnico. Ao Prof. Elder Morato (UFMG) pela coleta do material.

 

REFERÊNCIAS

LOPES, S. M. & E. H. OLIVEIRA. 2000. Espécie nova de Eublaberus Hebard, 1919 do Estado de Goiás, Brasil e notas sobre E. marajoara Rocha e Silva-Albuquerque, 1972 (Blaberidae, Blaberinae). Boletim do Museu Nacional, N. S., Zoologia 433: 1-5.        [ Links ]

LOPES, S. M. & E. H. OLIVEIRA. 2003. Duas espécies novas de Lophoblatta (Blattaria, Blattellidae) do Brasil e descrição das genitálias de cinco espécies conhecidas. Iheringia, Série Zoologia, 93(4): 341-354.        [ Links ]

MCKITTRICK, F. A. 1964. Evolutionary Studies of Cockroaches. Cornell University Agricultural New York State College of Agriculture Memoir 389: 1-197.        [ Links ]

ROHART, R. M. & A. S. MENKE 1976. Sphecidae wasps of the world: a generic revision. Berkeley, University of Chicago Press, 695 p.        [ Links ]

UNIVERSITY OF TEXAS AT AUSTIN. Perry-Castañeda Library. Map Collection. http://www.lib.utexas.edu/maps/américas/southamerica ref.02jpg. Acesso em junho/2002        [ Links ]

 

 

Recebido em 11.XI.2003; aceito em 30.V.2004