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Revista Brasileira de Entomologia

Print version ISSN 0085-5626On-line version ISSN 1806-9665

Rev. Bras. entomol. vol.48 no.4 São Paulo Dec. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S0085-56262004000400001 

SISTEMÁTICA, MORFOLOGIA E BIOGEOGRAFIA

 

Notas sinonímicas em Lepturini sul-americanos (Coleoptera, Cerambycidae, Lepturinae)

 

Synonymical notes on South American Lepturini (Coleoptera, Cerambycidae, Lepturinae)

 

 

Miguel A. MonnéI, III, IV; Marcela L. MonnéII; Ubirajara R. MartinsII, III

IMuseu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Quinta da Boa Vista, São Cristóvão, 20940-040 Rio de Janeiro-RJ, Brasil
IIMuseu de Zoologia, Universidade de São Paulo. Caixa Postal 42494, 04218-970 São Paulo-SP, Brasil
IIIPesquisador CNPq
IVBolsista FAPESP

 

 


RESUMO

Novas sinonímias propostas: Strangalia flavocincta (Thomson, 1860) = Ophistomis tristis Melzer, 1922 syn. nov. = O. latifasciata Melzer, 1926 syn. nov.; Strangalia succincta (Redtenbacher, 1867) = O. auriflua Redtenbacher, 1867 syn. nov.; Strangalia melanura (Redtenbacher, 1867) = Euryptera dimidiata Redtenbacher, 1867 syn. nov.; Strangalia lyrata (Redtenbacher, 1867) = Ophistomis discophora Redtenbacher, 1867 syn. nov.; Strangalia fulvicornis (Bates, 1872) = Ophistomis variabilis Melzer, 1926 syn. nov. = O. flavovittata Melzer, 1926 syn. nov.; Strangalia melanophthisis (Berg, 1889) reval. = Euryptera melanura var. nigripennis Melzer, 1930 syn. nov.; Anastrangalia sanguinolenta (Linnaeus, 1761) (espécie introduzida na Argentina) = Leptura bonaeriensis Burmeister, 1865 syn. nov.

Palavras-Chave: Cerambycidae; Coleoptera; Lepturinae; novas sinonímias.


ABSTRACT

New synonyms proposed: Strangalia flavocincta (Thomson, 1860) = Ophistomis tristis Melzer, 1922 syn. nov. = O. latifasciata Melzer, 1926 syn. nov.; Strangalia succincta (Redtenbacher, 1867) = O. auriflua Redtenbacher, 1867 syn. nov.; Strangalia melanura (Redtenbacher, 1867) = Euryptera dimidiata Redtenbacher, 1867 syn. nov.; Strangalia lyrata (Redtenbacher, 1867) = Ophistomis discophora Redtenbacher, 1867 syn. nov.; Strangalia fulvicornis (Bates, 1872) = Ophistomis variabilis Melzer, 1926 syn. nov. = O. flavovittata Melzer, 1926 syn. nov.; Strangalia melanophthisis (Berg, 1889) reval. = Euryptera melanura var. nigripennis Melzer, 1930 syn. nov.; Anastrangalia sanguinolenta (Linnaeus, 1761) (species introduced in Argentina) = Leptura bonaeriensis Burmeister, 1865 syn. nov.

Keywords: Cerambycidae; Coleoptera; Lepturinae; new synonymies.


 

 

A tribo Lepturini compreende seis gêneros e 35 espécies na América do Sul, dos quais três gêneros e 31 espécies ocorrem no Brasil (MONNÉ 1995). Com a finalidade de iniciar a revisão dos Lepturini sul-americanos, examinamos abundante material das espécies distribuídas na Floresta Atlântica, o que possibilitou propor diversas sinonímias. De seis espécies de Strangalia Audinet-Serville, 1835, examinamos 650 exemplares, o que permitiu detectar as variações cromáticas dentro de cada táxon, que ocorrem independentemente em diversas localidades. Ambos os sexos das espécies de Strangalia distribuídas no leste e sudeste do Brasil variam consideravelmente na coloração e, ao mesmo tempo, esta variabilidade cromática é diferente nos dois sexos de cada espécie.

O material mencionado pertence às instituições: MACN, Museo Argentino de Ciencias Naturales "Bernardino Rivadavia", Buenos Aires; MNHN, Muséum National d'Histoire Naturelle, Paris; MNRJ, Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro; MZSP, Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo, São Paulo.

O material-tipo das espécies descritas por REDTENBACHER (1867) não foi examinado, segundo HORN & KAHLE (1936: 220) os espécimens estão depositados no Naturhistorisches Museum, Viena, Austria. Contudo, as descricões originais e figuras permitiram a identificação das espécies.

Strangalia flavocincta (Thomson, 1860)
(Figs. 1-6)

 



 

Ophistomis flavocinctus Thomson, 1860: 155; 1864: 140; Lacordaire, 1869: 451; Zajciw, 1970: 229, figs 1, 2.
Euryptera flavocincta; Thomson, 1878: 5 (tipo).
Strangalia flavocincta; Linsley & Chemsak, 1971: 24; Zajciw, 1974: 42 (distr.); Monné, 1995: 63 (cat.).
Ophistomis tristis Melzer, 1922: 5; 1927: 160; Zikán & Wygodzinsky, 1948: 41 (tipo); Bachmann & Di Iorio, 2002: 83 (tipos). Syn. nov.
Ophiostomis [sic] tristis; Zikán & Zikán, 1944: 12 (distr.).
Strangalia tristis; Linsley & Chemsak, 1971: 24; Zajciw, 1974: 42 (distr.); Monné, 1995: 69 (cat.).
Ophistomis latifasciata Melzer, 1926: 9; Zikán & Wygodzinsky, 1948: 40 (tipo); Zajciw & Seabra, 1968: 70 (distr.); Zajciw, 1972: 47 (distr.). Syn. nov.
Ophiostomis [sic] latifasciata; Zikán & Zikán, 1944: 13 (distr.).
Strangalia latifasciata; Linsley & Chemsak, 1971: 24; Monné, 1995: 65 (cat.).

Examinamos o holótipo de Ophistomis flavocinctus, proveniente do Brasil (MNHN) e os holótipos de Ophistomis tristis e de O. latifasciata (MZSP), procedentes, respectivamente, de Passa Quatro, Minas Gerais e Itatiaia, Rio de Janeiro.

Espécie muito variável na coloração; nos machos, prevalece nos élitros ou a cor preta ou castanho-alaranjada, com ou sem manchas castanho-escuras e pernas pretas ou vermelhas (Figs. 1-3). Nas fêmeas, os élitros são amarelo-alaranjados com uma a três manchas transversais pretas ou totalmente pretos e os fêmures pretos ou vermelhos (Figs. 4-6).

Material examinado. BRASIL, fêmea (holótipo de O. flavocinctus) (MNHN). Bahia: Encruzilhada (Motel da Divisa, Estrada Rio-Bahia km 965), 3 machos, 4 fêmeas (MNRJ). Espírito Santo: Barra de São Francisco (Córrego do Itá), macho, 2 fêmeas; Colatina, fêmea; Linhares, 4 machos, 4 fêmeas; (Parque Sooretama), 5 machos, 7 fêmeas (MNRJ). Minas Gerais: Passa Quatro, macho (holótipo de O. tristis) (MZSP); Pedra Azul, 5 machos, 5 fêmeas; Santana do Riacho (Parque Nacional Serra do Cipó), 2 machos (MNRJ). Rio de Janeiro: Barra de São João, 7 machos, 2 fêmeas; Itatiaia (700 m), fêmea (holótipo de O. latifasciata) (MZSP). Rio de Janeiro (Corcovado), macho; (Floresta da Tijuca), 3 machos, 3 fêmeas (MNRJ). São Paulo: Peruibe, fêmea; São Paulo (Jabaquara), 6 machos, 8 fêmeas (MNRJ).

Strangalia melanura (Redtenbacher, 1867)
(Figs. 7-9)

Euryptera melanura Redtenbacher, 1867: 189; Belon, 1897: 341; Melzer, 1930: 190; Zikán & Zikán, 1944: 13 (distr.); Baucke, 1957: 23; Buck, 1959: 587 (distr.); Zajciw & Seabra, 1968: 70 (distr.); Zajciw, 1972: 48 (distr.); Monné, 1995: 56 (cat.).
Strangalia melanura; Di Iorio, 1998: 143, fig. 14.
Euryptera dimidiata Redtenbacher, 1867: 189; Belon, 1897: 341; Gounelle, 1911: 5 (distr.); Bruch, 1912: 193 (cat.); Zikán & Zikán, 1944: 13 (distr.); Baucke, 1957: 22; Buck, 1959: 587 (distr.); Zajciw & Ruffinelli, 1962: 18 (distr.); Zajciw & Seabra, 1968: 70 (distr.); Monné & Zajciw, 1970: 31 (distr.); Zajciw, 1972: 48 (distr.); Monné, 1995: 55 (cat.).; Mecke et al., 2000: 169 (hosp.); Monné, 2002: 40 (hosp.). Syn. nov.
Strangalia dimidiata; Di Iorio, 1998: 141, fig. 2; Mecke, 2002: 30, fig. 39 (hosp.).

 



 

Strangalia melanura e S. dimidiata foram descritas por REDTENBACHER (1867) do Rio de Janeiro. A coloração elitral varia em ambos o sexos, desde a metade basal com o tegumento amarelo a totalmente preto.

Material examinado. BRASIL. Minas Gerais: Maria da Fé, fêmea; Poços de Caldas, 6 machos, 3 fêmeas; Santana do Riacho (Parque Nacional Serra do Cipó), 11 machos, 3 fêmeas; Virginia, macho, 2 fêmeas. Rio de Janeiro: Itatiaia, 4 fêmeas; Petrópolis, macho; Rio de Janeiro (Corcovado), macho; (Floresta da Tijuca), 2 machos, 3 fêmeas; (Represa Rio Grande), macho, fêmea. São Paulo: Amparo, macho; São Bernardo do Campo, macho; São José Barreiro (Serra da Bocaina), 101 machos, 37 fêmeas; São Paulo (Jabaquara), 2 machos, 3 fêmeas. (MNRJ).

Strangalia succincta (Redtenbacher, 1867)
(Figs. 10-13)

Ophistomis succincta Redtenbacher, 1867: 190, pr. 5, fig. 8.
Strangalia succincta; Monné, 1995: 68 (cat.).
Ophistomis auriflua Redtenbacher, 1867: 190, pr. 5, fig. 9. Syn. nov.
Strangalia auriflua; Zajciw, 1974: 42 (distr.); Monné, 1995: 60 (cat.).

Ophistomis succinta e O. auriflua foram descritas do Rio de Janeiro. Pelas descrições e figuras, ambos os nomes correspondem a exemplares fêmeas que variam consideravelmente na coloração: pronoto totalmente amarelo ou com mácula centro-mediana preta ou castanho-escura. A coloração elitral oscila entre predominantemente preta com máculas umerais e medianas amarelas a predominantemente amarela com orla basal e ápices pretos (Figs. 10-12). Nos machos, de coloração mais constante, o pronoto é amarelo com mancha centro-mediana e os élitros são pretos, exceto úmeros alaranjados (Fig. 13).

Material examinado. BRASIL. Bahia: Barrolandia, fêmea; Una, fêmea. Espírito Santo: Linhares, macho; (Parque Sooretama), macho, fêmea; Mun. São Francisco (Córrego do Itá), fêmea. Rio de Janeiro: Barra de São João, 13 machos; Rio de Janeiro (Floresta da Tijuca), 2 machos. São Paulo: Indiana, fêmea; Marília, macho; Teodoro Sampaio, 3 fêmeas; Vale do Rio Pardo, fêmea. Paraná: Rolandia, macho, fêmea. (MNRJ).

Strangalia lyrata (Redtenbacher, 1867)
(Figs. 14-15)

Ophistomis lyrata Redtenbacher, 1867: 190; Buck, 1959: 587 (distr.); Zajciw, 1972: 48 (distr.).
Ophiostomis [sic] lyrata; Zikán & Zikán, 1944: 13 (distr.).
Strangalia lyrata; Monné, 1995: 66 (cat.).
Ophistomis discophora Redtenbacher, 1867: 191; Zajciw, 1958: 10 (distr.); 1972: 47 (distr.). Syn. nov.
Ophiostomis [sic] discophora; Zikán & Zikán, 1944: 12 (distr.).
Strangalia discophora; Zajciw, 1974: 42 (distr.); Monné, 1995: 62 (cat.).

Pelas descricões originais observou-se que Redtenbacher (1867) descreveu, do Rio de Janeiro, o macho (O. lyrata) e a fêmea (O. discophora) da mesma espécie. A coloração apresenta ligeiras variações nos machos, com élitros enegrecidos, restando a orla basal e pequena mácula ante-apical amarelas (Fig. 14). Nas fêmeas, os élitros são alaranjados com três faixas transversais pretas (Fig. 15).

Material examinado. BRASIL. Rio de Janeiro: Nova Friburgo, fêmea; Petrópolis, 2 machos, 4 fêmeas; Rio de Janeiro (Corcovado), 12 machos, 8 fêmeas; (Floresta da Tijuca), 4 machos, 2 fêmeas. São Paulo: Peruibe, macho; São Paulo (Cantareira), macho. (MNRJ).

Strangalia fulvicornis (Bates, 1872)
(Figs. 16-17 )

Ophistomis fulvicornis Bates, 1872: 183; Buck, 1959: 587 (distr.); Monné & Zajciw, 1970: 29 (distr.).
Ophiostomis [sic] fulvicornis; Gounelle, 1911: 105.
Strangalia fulvicornis; Linsley & Chemsak, 1971: 24; Zajciw, 1974: 42 (distr.); Monné, 1995: 64 (cat.); Di Iorio, 1998: 143, 144 (chave).
Ophistomis variabilis Melzer, 1926: 8; Zikán & Wygodzinsky, 1948: 41 (tipo); Zajciw, 1972: 48 (distr.). Syn. nov.
Ophiostomis [sic] variabilis; Zikán & Zikán, 1944: 13 (distr.).
Strangalia variabilis; Linsley & Chemsak, 1971: 24; Monné, 1995: 69 (cat.).
Ophistomis flavovittata Melzer, 1926: 10; Zikán & Wygodzinsky, 1948: 40 (tipo); Zajciw & Seabra, 1968: 70 (distr.). Syn. nov.
Strangalia flavovittata; Linsley & Chemsak, 1971: 24 (sin.); Monné, 1995: 64 (cat.).
Ophistomis rustica Melzer, 1926: 10; 1930: 190; Zikán & Wygodzinsky, 1948: 41 (tipo); Zajciw & Seabra, 1968: 70 (distr.).
Ophiostomis [sic] rustica; Zikán & Zikán, 1944: 13 (distr.).

LINSLEY & CHEMSAK (1971) sinonimizaram Ophistomis rustica com O. flavovittata. Examinamos os holótipos de O. flavovittata, O. variabilis e O. rustica (MZSP) e de O. fulvicornis (MNHN). Em ambos os sexos, variam a extensão das áreas ocupadas nos élitros por manchas pretas e amarelas (Figs 16, 17). As pernas podem ser pretas, amarelas ou bicolores e as antenas pretas ou parcialmente avermelhadas.

Material examinado. BRASIL. Minas Gerais: Virginia, fêmea (holótipo de O. rustica Melzer, 1926) (MZSP). Espírito Santo: macho (síntipo de O. fulvicornis Bates, 1872) (MNHN). Rio de Janeiro: Parque Nacional Itatiaia, macho. São Paulo: Peruibe, macho, fêmea (MNRJ); Santos, macho (holótipo de Ophistomis variabilis Melzer, 1926) (MZSP). São José Barreiro (Serra da Bocaina), 18 machos, fêmea; São Paulo (Cantareira), 4 fêmeas; (Jabaquara), 4 fêmeas; (Santo Amaro), fêmea; Teodoro Sampaio, 7 machos, 6 fêmeas (MNRJ). Paraná: Curitiba, 2 machos; Rio Negro, fêmea (holótipo de O. flavovittata Melzer, 1926) (MZSP). Santa Catarina: Corupá, 2 machos, 10 fêmeas; (Rio Vermelho), 8 machos, 7 fêmeas; Joinville, 2 fêmeas; Mafra, 46 machos, 28 fêmeas; Nova Teutonia, 68 machos, 11 fêmeas; Pinhal, 5 machos; Rio Natal, macho; São Bento do Sul, macho, fêmea (MNRJ). Rio Grande do Sul: Porto Alegre, macho; Santo Augusto, macho, 3 fêmeas; São Francisco de Paula, macho, fêmea (MNRJ). PARAGUAI. Itapuá: Itapuá, macho. Hohenau, fêmea (MNRJ). ARGENTINA. Misiones: Alto Paraná, macho, fêmea; Iguazú, macho. Leandro Alén, fêmea; Loreto, 5 machos, 2 fêmeas; San Pedro, macho (MNRJ). URUGUAI. Artigas: Sepulturas (Picada del Negro Muerto), 3 machos, 3 fêmeas (MNRJ).

Strangalia melanophthisis (Berg, 1889) reval.
(Fig. 18 )

Euryptera melanophthisis Berg, 1889: 107; Bruch, 1912: 193 (cat.); Bosq & Ruffinelli, 1951: 11 (distr.); Buck, 1959: 587 (distr.); Zajciw & Ruffinelli, 1962: 18 (distr.); Zajciw & Monné, 1968: 56 (distr.); Monné, 1995: 56 (cat.); Di Iorio, 1998: 143 (lect.); Cabrera & Fernández, 2000: 37 (sintipos).
Strangalia melanophthisis; Di Iorio, 1998: 143 (in syn.). (= Euryptera dimidiata Redtenbacher, 1867).
Euryptera melanura var. nigripennis Melzer, 1930: 191; Zikán & Wygodzinsky, 1948: 35 (tipo); Buck, 1959: 587 (distr.); Monné, 1995: 56 (cat.). Syn. nov.

DI IORIO (1998: 143) considerou erroneamente Strangalia melanophthisis sinônimo de S. dimidiata (Redtenbacher, 1867), levando em consideração apenas a variação do colorido dos lados do protórax e da região anterior dos élitros (como observado anteriormente por BOSQ & RUFFINELLI 1951: 11), designou lectótipo para Euryptera melanophthisis (MACN) e transferiu-a para Strangalia.

MELZER (1930: 190) ao descrever Euryptera melanura var. nigripennis, proveniente do Rio Grande do Sul, anotou que recebeu um macho, que descreveu como variedade, junto com outros recebidos de Porto Alegre e que "correspondem regularmente á descripção de E. melanophthisis Berg da Argentina e dahi vem a duvida bem fundamentada sobre a classificação definitiva, que podia ser resolvida com material da Republica visinha."

DI IORIO (1998) equivocou-se ao considerá-la como Strangalia melanura. O exame de material expressivo comprova a variabilidade do colorido.

Material examinado. BRASIL. Mato Grosso do Sul: Campo Grande, macho. São Paulo: Teodoro Sampaio, 2 machos. Paraná: Arapongas, 2 machos; Caviuna, 2 machos; Guarapuava, macho; Ponta Grossa, macho; Rolandia, 3 machos. Santa Catarina: Nova Teutonia, 19 machos, fêmea. Rio Grande do Sul: Esteio, 2 machos, 2 fêmeas; Parecy Novo, macho; Pelotas, 3 machos, 2 fêmeas. PARAGUAI, Guairá: Villarrica, fêmea. Itapuá: Itapuá, 2 machos. ARGENTINA. Misiones: Alto Paraná, fêmea; Loreto, 7 machos. Entre Ríos: Liebig, macho. URUGUAI. Tacuarembó: Puntas del Arroyo Laureles, 2 machos. Rocha: Parque San Miguel, macho. San José: Paso Pache (Rio Santa Lucía), 2 fêmeas. (MNRJ).

Anastrangalia sanguinolenta (Linnaeus, 1761)

Leptura sanguinolenta Linnaeus, 1761: 196; Reitter, 1912: 18; Aurivillius, 1912: 217 (cat.).
Anoplodera sanguinolenta; Gressitt, 1951: 85.
Anastrangalia sanguinolenta; Villiers, 1978: 216.
Leptura variabilis DeGeer, 1775: 137.
Leptura bonaeriensis Burmeister, 1865: 177; Bachmann & Di Iorio, 2002: 61 (tipo). Syn. nov.
Ophiostomis [sic] bonariensis; Bruch, 1912: 193 (cat.).
? Leptura bonaerensis; Monné & Giesbert, 1995: 170.
"Leptura" bonariensis; Di Iorio, 1998: 140.

Espécie amplamente distribuída na região Paleártica. Introduzida na Argentina, um exemplar coletado em Buenos Aires e identificado por J. M. Bosq como Leptura bonaeriensis (MNRJ) possibilitou a presente sinonímia. No início da descrição original Burmeister (1865) comparou, pelo aspecto e dimensões, L. bonaeriensis com L. sanguinolenta.

Material examinado. ARGENTINA. Buenos Aires: Ciudad, fêmea, 1.XI.1913, J. M. Bosq col. (identificada por J. M.Bosq como L. bonaeriensis). ALEMANHA. Bayern: Eggenthal, 7 machos, 3 fêmeas. Mittenwald, fêmea. ITALIA. Veneto: Belluno, macho, 2 fêmeas. Friuli Veneza Giulia: Trieste, fêmea. (MNRJ).

 

REFERÊNCIAS

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Recebido em 26.XI.2003; aceito em 30.III.2004

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