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Revista Brasileira de Entomologia

Print version ISSN 0085-5626On-line version ISSN 1806-9665

Rev. Bras. entomol. vol.48 no.4 São Paulo Dec. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S0085-56262004000400011 

SISTEMÁTICA, MORFOLOGIA E BIOGEOGRAFIA

 

Duas espécies novas de Anthidium Fabricius (Hymenoptera, Megachilidae) da América do Sul1

 

Two new species of Anthidium Fabricius (Hymenoptera, Megachilidae) from South America

 

 

Danúncia UrbanI, II

IDepartamento de Zoologia, Universidade Federal do Paraná. Caixa Postal 19020, 81531-980 Curitiba-PR, Brasil
IIBolsista do CNPq

 

 


RESUMO

São descritas duas espécies novas de Anthidium Fabricius da América do Sul: Anthidium isabelae sp. nov. de Santa Catarina, Brasil e Anthidium loboguerrero sp. nov. de Valle, Colômbia. É registrada pela primeira vez a ocorrência de Anthidium sertanicola Moure & Urban no Estado de Santa Catarina.

Palavras-Chave: Anthidium; espécies novas; Neotropical; taxonomia.


ABSTRACT

Anthidium isabelae sp. nov. from Brazil, Santa Catarina, and Anthidium loboguerrero sp. nov. from Colombia, Valle, are described and illustrated. Anthidium sertanicola Moure & Urban is recorded for the first time from Santa Catarina state.

Keywords: Anthidium; Neotropical; new species; taxonomy.


 

 

URBAN (2002) publicou uma chave para as espécies sul-americanas de Anthidium Fabricius, 1804, incluindo comentários e distribuição geográfica. Complementando este trabalho são dadas a conhecer mais duas espécies, uma da Colômbia e outra do sul do Brasil. Da região setentrional da América do Sul era conhecida somente A. sanguinicaudum Schwarz, 1933, descrita da Colômbia, tendo o autor citado sua ocorrência também na Venezuela e, posteriormente URBAN (1997), no norte do Brasil, Amapá e Roraima. De Santa Catarina, no sul do Brasil, era conhecida A. manicatum (Linnaeus, 1758), que também ocorre no sudeste e nordeste.

Anthidium isabelae sp. nov.
(Figs. 1-3)

 

 

Diagnose. Fêmea com desenhos amarelos nos lados do vértice, base do mesoscuto, no escutelo e axilas, segundo tergo com quatro máculas ovaladas; sexto tergo sem projeções dentiformes laterais, o bordo serreado nos lados.

Holótipo fêmea. Comprimento total 10,09 mm; comprimento da asa a partir do esclerito costal 7,02 mm; largura da cabeça 3,97 mm; comprimento do olho 2,80 mm. Tegumento predominantemente preto, com as seguintes áreas amarelas: mácula basal nas mandíbulas, estrias nos lados do vértice, máculas látero-basais curtas no mesoscuto, faixa na metade distal do escutelo, um pouco mais estreita no meio; as axilas quase por inteiro; no primeiro tergo, duas máculas ovaladas nos flancos e duas minúsculas sub-medianas; segundo tergo com quatro máculas ovaladas e, do terceiro ao quinto, apenas um par em cada tergo, ovaladas e sub-medianas; tergo distal preto. Antenas ferrugíneo-alaranjadas no escapo, pedicelo e nos quatro flagelômeros basais, os demais flagelômeros castanho-enegrecidos; tégulas ferrugíneas; asas tingidas de castanho; coxas, trocanteres e parte dos fêmures pretos, demais partes das pernas de um ferrugíneo-alaranjado: nas anteriores, o ferrugíneo a partir da ponta dos fêmures; nas medianas, a partir da metade dos fêmures; nas posteriores, o ferrugíneo no terço distal dos fêmures; na metade distal da face interna e ponta das tíbias e nos tarsos, a face externa das tíbias preta.

Pilosidade creme esbranquiçada passando a castanha no vértice; escopa branca. Clípeo com a margem procurva, irregularmente marcada por tuberosidades; tíbias posteriores com estria denso-pilosa na metade distal da face externa e carena ao longo da face interna; sexto tergo sem espinhos laterais, o bordo em arco e serreado nos lados e deprimido medianamente, a margem levemente bissinuosa no meio.

Holótipo fêmea. "Rondinha, SC. Brasil / 12 km S. Joaquim / 20.I.2002 12-13:00 / leg. I. Alves dos Santos"; " Anthidium / isabelae / Urban"; "Holotypus". Depositado na Coleção de Entomologia Pe. J. S. Moure, Curitiba, Departamento de Zoologia, Universidade Federal do Paraná (DZUP).

Comentários. Na chave proposta por URBAN (2002:501) esta espécie chega ao item 32, que deve ser corrigido. As duas espécies que aparecem neste item e no seguinte, Anthidium tarsoi Urban, 2001 e Anthidium igori Urban, 2001, do Peru, têm máculas amarelas grandes no tergo distal e as que aparecem nos itens seguintes da chave têm o último tergo inteiramente preto: A. gayi Spinola 1851, A. weyrauchi Schwarz, 1943, A. rubripes Friese, 1908 e A. anurospilum Moure, 1957. Anthidium isabelae sp. nov. entra juntamente com A. gayi Spinola, 1851, do Chile e Argentina, pelo tergo distal preto e pela escopa branca. A. gayi é caracterizada pelas faixas amarelas nos lados dos tergos. As fêmeas de Anthidium igori e Anthidium tarsoi, se distinguem pelo padrão de manchas amarelas dos tergos; A. igori tem quatro nódoas amarelas nos tergos, exceto o distal que tem duas grandes máculas quadrangulares; e A. tarsoi tem faixas laterais amarelas largas, com o contorno um pouco sinuoso nos tergos basais, o tergo distal amarelo nos lados com fina estria preta no meio.

Espécie dedicada à Dra. Isabel Alves dos Santos, Departamento de Biologia da Universidade do Extremo Sul Catarinense.

Anthidium loboguerrero sp. nov.
(Figs. 4-6)

Diagnose. Macho com desenhos amarelos no mesosoma e, do quarto ao sexto tergo com faixa amarela de contorno anterior ondulado, no terceiro, a faixa interrompida no meio; o tergo distal preto com lobos laterais largos, arredondados na ponta e lateralmente. Fêmea com máculas amarelas no clípeo e paroculares inferiores, mesosoma preto, sexto tergo com espinhos laterais finos voltados para o meio.

Holótipo macho. Comprimento aproximado 10,78 mm; largura da cabeça 4,36 mm; comprimento do olho 3,19 mm; as asas incompletas. Tegumento predominante preto com as seguintes áreas amarelas na cabeça: parte externa das mandíbulas; o clípeo, exceto a mácula basal preta bilobada e a margem finamente preta; áreas paroculares inferiores e máculas alongadas no vértice, atrás dos olhos. As antenas castanho-enegrecidas, com uma tonalidade mais pálida na face ventral e o escapo amarelo ventralmente. Mesosoma preto, menos as duas estrias pequenas látero-basais e duas estrias na metade distal dos flancos do mesoscuto, faixa apical no escutelo e mácula ovalada nas axilas, amarelas. Tégulas com mácula amarela no terço anterior; asas tingidas de castanho. Pernas pretas com nódoa amarela minúscula discal nos fêmures anteriores e medianos e estria larga, também amarela, na face externa de todas as tíbias e basitarsos, demais tarsômeros ferrugíneo-escuros. Tergos pretos com as máculas amarelas assim distribuídas: quatro manchas de contorno irregular nos dois basais, as duas sub-medianas minúsculas no primeiro tergo; o terceiro com faixas laterais separadas por pequena área mediana preta, as faixas com recorte anterior profundamente bissinuoso; quarto e quinto tergos com faixa contínua, mais estreita medialmente e bissinuosa a cada lado; quase todo o sexto tergo amarelo, porém com a margem preta um pouco alargada no meio e terminando antes dos espinhos laterais; tergo distal preto. Esternos castanho-enegrecidos, o distal castanho.

Pilosidade branca e creme, arruivada na face ventral dos basitarsos. Clípeo com a margem reta no meio e área médio-discal desprovida de pontos; sétimo tergo com o espinho mediano um pouco mais longo que os lobos laterais, estes largos e com a margem apical arredondada e contínua com a lateral, os lobos laterais separados do espinho mediano por recorte semi-circular; sexto esterno com o bordo em arco, marcado medialmente por um minúsculo espinho voltado para baixo, espinhos laterais um pouco mais longos, também voltados para baixo.

Alótipo fêmea. Comprimento aproximado 9,80 mm; largura da cabeça 3,92 mm; comprimento do olho 2,73 mm; as asas danificadas. Tegumento preto exceto: mácula irregular no terço basal das mandíbulas; manchas losangulares subapicais nos cantos do clípeo, um pouco menores que as das paroculares, em conseqüência, a parte preta do clípeo apresenta três angulosidades, as duas laterais pequenas e em ângulo reto, sobrepassando um pouco as fóveas tentoriais e a mediana larga chegando até a articulação labro-clipeal; mácula nas paroculares inferiores, afastada da sutura epistomal e das subantenais, terminando abaixo dos alvéolos; duas manchas minúsculas nos lados do vértice, amarelas. Antenas castanho-escuras com o escapo enegrecido. Mesoscuto preto, axilas e escutelo como no macho; tégulas castanho-enegrecidas com área anterior translúcida um pouco mais clara; asas tingidas de castanho; pernas castanho-enegrecidas com estria irregular amarela nos dois terços basais das tíbias anteriores, mácula basal amarela quase até o meio nas tíbias medianas e, nas posteriores ocupando cerca de um quarto da tíbia. Tergos basais como no macho, exceto o quarto que apresenta faixas laterais amarelas separadas por pequena área preta, as faixas com o contorno anterior menos acentuado do que no macho, o quinto com faixa amarela larga e a margem preta um pouco mais larga no meio, sexto tergo amarelo com a margem preta também mais larga no meio.

Pilosidade branca e creme, face externa dos basitarsos com pilosidade denso-ramificada branca ocultando o tegumento, tíbias posteriores com estria denso-plumosa na metade distal, alargando para o ápice; escopa branca. Clípeo com a margem quase reta no meio; sexto tergo projetado para trás em arco, com espinhos laterais finos voltados para o meio.

Holótipo macho. "COLÔMBIA, Valle / Lobo Guerrero / 600 m, 20.X.1977 / C. Garcia"; "Anthidium / loboguerrero / Urban"; "Holotypus". Depositado na Coleção de Entomologia Pe. J. S. Moure, Curitiba, Departamento de Zoologia, Universidade Federal do Paraná. Alótipo com os mesmos dados, na mesma coleção DZUP. Loboguerrero está localizada na face oeste da Cordilheira Ocidental dos Andes.

Comentários. Anthidium loboguerrero sp. nov. tem em comum com A. sanguinicaudum Schwarz, 1933 as máculas amarelas nos lados do vértice e faixas amarelas no metasoma a partir do terceiro tergo. O macho de A. sanguinicaudum é reconhecido pelas máculas laterais em "L" invertido no mesoscuto, pelo colorido ferrugíneo-amarelado do tergo distal e da faixa marginal do sexto tergo e o clípeo amarelo com mácula preta angulosa junto à sutura epistomal. A fêmea de A. sanguinicaudum tem o escapo amarelo ventralmente, máculas amarelas laterais em "L" invertido no mesoscuto, pernas com áreas pretas, ferrugíneas e amarelas e faixas laterais amarelas nos dois tergos basais. Tanto o macho como a fêmea de A. loboguerrero sp. nov. chegam juntamente com A. sanguinicaudum na chave de URBAN (2002). O macho de A. loboguerrero tem estrias amarelas aos lados do mesoscuto, a margem do sexto esterno e todo o sétimo pretos e o clípeo amarelo com mácula preta bilobada junto à sutura epistomal; a fêmea tem o escapo e o mesoscuto enegrecidos, tem quatro máculas amarelas nos dois tergos basais e não tem manchas ferrugíneas nas pernas.

Anthidium sertanicola Moure & Urban, 1964.

Anthidium sertanicola Moure & Urban, 1964:102

Registra-se, pela primeira vez, a ocorrência de Anthidium sertanicola Moure & Urban, 1964, em Florianópolis, no litoral catarinense. Os espécimes foram coletados por Antonio J. C. de Aguiar. Esta espécie era conhecida anteriormente de Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo e também do Paraguai, conforme MOURE & URBAN (1964) e URBAN (2002).

Agradecimentos. À Dra. Isabel Alves dos Santos do Departamento de Biologia da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC, pela doação do holótipo de Anthidium isabelae e ao Dr. Albino Morimasa Sakakibara do Departamento de Zoologia da UFPR, pelas fotografias que ilustram o trabalho.

 

REFERÊNCIAS

MOURE , J. S. & D. URBAN. 1964. Revisão das espécies brasileiras do gênero Anthidium Fabricius, 1804. (Hym. Apoidea). Anais do II Congresso Latino-Americano de Zoologia I: 93-114.         [ Links ]

URBAN, D. 1997. Anthidium larocai sp. n. do Mato Grosso e ocorrência de Anthidium sanguinicaudum Schwarz, 1933 no norte do Brasil (Hymenoptera, Megachilidae). Acta Biológica Paranaense 26 (1,2,3,4): 33-38.         [ Links ]

URBAN, D. 2002. O gênero Anthidium Fabricius na América do Sul: chave para as espécies, notas descritivas e de distribuição geográfica (Hymenoptera, Megachilidae, Anthidiini). Revista Brasileira de Entomologia 46(4): 495-513.        [ Links ]

 

 

Recebido em 30.III.2004; aceito em 30.VIII.2004

 

 

1 Contribuição nº 1447 do Departamento de Zoologia, Universidade Federal do Paraná.

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