SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.49 número3Descrição de novas espécies e chave de identificação do gênero Neodexiopsis Malloch (Diptera, Muscidae) no BrasilRevisão, análise cladística e biogeografia de Coccoderus Buquet (Coleoptera, Cerambycidae) índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Artigo

Indicadores

Links relacionados

Bookmark


Revista Brasileira de Entomologia

versão impressa ISSN 0085-5626

Rev. Bras. entomol. v.49 n.3 São Paulo jul./set. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0085-56262005000300006 

SISTEMÁTICA, MORFOLOGIA E BIOGEOGRAFIA

 

Espécie nova de Riatia Walker (Blattaria, Blattellidae) do Estado do Pará, Brasil

 

New species of Riatia Walker (Blattaria, Blattellidae) from Pará State, Brazil

 

 

Sonia Maria Lopes; Edivar Heeren de Oliveira

Departamento de Entomologia, Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Quinta da Boa Vista, São Cristóvão, 20940-040 Rio de Janeiro-RJ, Brasil. sonialf@acd.ufrj.br

 

 


RESUMO

Riatia tucuruiense sp. nov. é descrita do Estado do Pará (Brasil) com base na genitália do macho. Ilustrações das peças genitais são apresentadas.

Palavras-chave: Blattaria; Pará; Riatia tucuruiense sp. nov; Taxonomia.


ABSTRACT

Riatia tucuruiense sp. nov. is described from the Pará State (Brazil) based on the male genitalia. Illustrations of the pieces of genitalia are presented.

Keywords: Blattaria; Pará; Riatia tucuruiense sp. nov; Taxonomy.


 

 

O gênero Riatia foi descrito por Walker (1868) com base na espécie-tipo Riatia pallicornis. Foi sinonimizado por Hebard (1920) a Lissoblatta e por Brunner & Retenbacher (1892) a Anaptycta. Kirby (1904), Hebard (1933), Princis (1946,1951, 1959) e Bruijning (1959) publicaram trabalhos acrescentando espécies ao mesmo.

Rocha e Silva-Albuquerque & Aguiar (1976) consideraram-no próximo de Anaplecta Burmeister, 1838 e Plectoptera Saussure, 1864 e apresentaram uma chave para separação desses gêneros.

O gênero caracteriza-se pelo tamanho pequeno e afilado do corpo, superfície brilhante, fronte projetada, tégminas amplas, alongadas, afinando para o ápice com setores discoidais oblíquos, apresentando vênulas transversais que formam uma espécie de retículo; triângulo apical desenvolvido, medindo quase a metade do comprimento da asa, unhas assimétricas. Genitália do macho com placa supra-anal projetada entre os cercos com o bordo apical arredondado, paraproctos retangulóides, intensamente ciliados na face dorsal e placa subgenital assimétrica, larga, com o bordo apical pouco projetado.

Atualmente o gênero conta com 18 espécies distribuídas da América do Norte até América do Sul com amostras significativas no México, Guatemala, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Venezuela, Colômbia, Guianas, Argentina e Brasil nas regiões norte, nordeste, sudeste e centro-oeste.

Para análise do material foram utilizadas técnicas descritas em Lopes & Oliveira (2000). O holótipo e o parátipo foram depositados no Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro (MNRJ). A observação e desenho das placas e peças genitais foram feitas com base em material montado em lâmina com bálsamo. A designação das peças genitais foi feita com respaldo nos conceitos propostos por Mckittrick (1964).

Neste trabalho descreve-se uma espécie nova de Riatia proveniente do Estado do Pará, cujo registro também é novo para o gênero.

Riatia tucuruiense sp. nov.

(Figs.1-8)

 

 

Holótipo macho. Coloração geral castanho-claro brilhante. Cabeça com vértice amarelado; fronte com área compreendida entre o espaço interocular e a base do clípeo castanho mais escuro; olhos dourados com nuances escuras e antenas castanhas. Pronoto hialino, com disco central amarelado e fosco, com detalhes castanho mais escuro. Pernas na região dorsal da tíbia com realces castanho-escuro próximo à base de inserção dos espinhos.

Cabeça (Fig. 1) triangular com vértice exposto sob o pronoto; fronte levemente projetada; espaço interocular amplo, semelhante à área que separa as bases das antenas, as quais são longas, ultrapassando em comprimento o ápice dos cercos. Olhos relativamente pequenos, posicionados lateralmente na cabeça; palpos maxilares com o quarto artículo maior que os demais, e quinto artículo dilatado e tomentoso.

Tórax. Pronoto liso, convexo, trapezoidal com as abas laterais de entorno arredondado (Fig. 2). Tégminas longas ultrapassando em comprimento o ápice dos cercos; campo marginal bem marcado e abaulado, campos escapular e discoidal oblíquos, campo anal amplo com quatro nervuras axilares espaçadas. Asas desenvolvidas, ápices dos ramos radiais dilatados e triângulo apical muito desenvolvido. Pernas alongadas, fêmur anterior na face antero-ventral com três espinhos desenvolvidos e espaçados até a região mediana, seguidos por uma série cerrada de pequeninos espinhos, até o ápice onde encontram-se dois espinhos apicais desenvolvidos; face póstero-ventral com espinhos ciliformes e espaçados, e um espinho apical pouco desenvolvido; fêmur médio nas faces antero-ventral e póstero-ventral com dois ou três espinhos desenvolvidos e espaçados, intercalados por poucos espinhos ciliformes e um espinho apical; fêmur posterior em ambas as faces antero-ventral e póstero-ventral com espinhos ciliformes e um apical desenvolvido; pulvilos presentes, porém de tamanho reduzido, nos artículos das pernas anterior e média, e na perna posterior apenas no quarto artículo; unhas simples e assimétricas; arólios presentes e desenvolvidos.

Abdome. Placa supra anal estreitada, com leve reentrância mediana apicalmente (Fig. 3); placa subgenital e estilos assimétricos, sendo o esquerdo muito desenvolvido em forma de garra e bífido e o direito menor e afilado apicalmente (Fig. 6).

Genitália. Esclerito mediano (L2vm) simples afilado sendo a base aguliforme; com a extremidade (L2d) em forme de foice (Fig. 7); falômero direito (R2) em forma de gancho pequeno e afilado apicalmente (Fig. 5); esclerito do falômero direito reduzido com extremidade pentiforme (Fig. 8); falômero esquerdo (L1) em forma de U invertido com os braços assimétricos de tamanho diferenciado (Fig. 4).

Dimensões (mm). Comprimento total 7,5; comprimento do pronoto: 1,5; largura do pronoto: 2,5; largura da tégmina: 2,0.

Holótipo e um parátipo, ambos machos: BRASIL, Pará, Tucuruí, I/1979, Alvarenga col. (MNRJ).

Comentário: A placa supra-anal (fig. 3) foi desenhada sem os cercos e o falômero direito (R2) (fig. 5) de perfil. A espécie apresenta similaridade com R. venezuelana Rocha e Silva-Albuquerque, 1964 e R. stylata (Hebard, 1926) porém diferencia-se das duas espécies pela configuração da placa subgenital e dos estilos (Rocha e Silva-Albuquerque, 1964 e Hebard, 1926).

Agradecimentos. À Dra. Janira Martins Costa (MNRJ) pelo apoio técnico.

 

REFERÊNCIAS

Bruijning, C. F. A. 1959. The Blattidae of Surinam. Studies on the Fauna of Suriname and other Guyanas, 2: 1–103.        [ Links ]

Brunner W., C & J. Redtenbacher. 1892. On the Orthoptera of the Island of St. Vincent, West Indies. Proceedings of the Zoological Society of London 1892, London: 196–220.        [ Links ]

Hebard, M. 1920. The Blattidae of Panama. Memoirs of the American Entomological Society, Philadelphia, 4: 1–148.        [ Links ]

Hebard, M. 1926. The Blattidae of French Guiana. Proceedings of Academy of Natural Sciences of Philadelphia, 78: 135–244.        [ Links ]

Hebard, M. 1933. Notes on Panamanian Dermaptera and Orthoptera. Transactions of the American Entomological Society, Philadelphia, 59: 103–144.        [ Links ]

Kirby, W. F. 1904. A synonymic catalogue of Orthoptera Euplexoptera, Cursoria et Goessinia (Forficulidae, Hemimeridae, Blattidae, Mantidae, Phasmidae) British Museum, London, 1: 501pp.        [ Links ]

Lopes, S. M. & E. H. Oliveira 2000. Espécie nova de Eublaberus Hebard, 1919 do Estado de Goiás, Brasil e notas sobre E. marajoara Rocha e Silva-Albuquerque, 1972 (Blaberidae, Blaberinae). Boletim do Museu Nacional, N. S., Zoologia 433: 1–5.        [ Links ]

Mckittrick, F. A. 1964. Evolutionary Studies of Cockroaches. Cornell University Agricultural New York State College of Agriculture Memoir 389: 1–197.        [ Links ]

Princis, K. 1946. Colombianische Blattodeen, gesammelt von Herrn G. Dahl und Frau M. Althin-Dahl in den Jahren 1936–1939. Kungl. Fysiografiska Sallskapets I Lund Förhandlingar, 16: 1–15, 7 figs.        [ Links ]

Princis, K. 1951. Neue und wenig bekannte Blattarien aus dem Zoologischen Museum Kopenhagen. Spolia Zoologica Musei Hauniensis, 12: 5–72, 6 pls.        [ Links ]

Princis, K. 1959. Revision der Walkerschen und Kyrbyschen Blattarientypen in British Museum of Natural History. III. Opuscula Entomologica, Lund, 24: 125–150.        [ Links ]

Rocha e Silva-Albuquerque, 1964. On a Collection of Cockroaches from Venezuela (Orthoptera, Blattoidea). Boletim Museu Paraense Emilio Goeldi (n.s.) Zoologia, Belém, 45: 1–22.        [ Links ]

Rocha e Silva-Albuquerque, I. & G. M Aguiar, 1976. Sobre o gênero Riatia Walker, 1868 com descrição de 9 espécies novas (Dictyoptera, Blattaria). Revista Brasileira de Biologia, 36: 847–860.        [ Links ]

Walker, F. 1868. Catalogue of Specimens of Blattariae in the Collection of the British Museum, printed for the Trusters of the British Museum, London. 239pp.        [ Links ]

 

 

Recebido em 05.XI.2004; aceito em 23.III.2005