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Revista Brasileira de Entomologia

Print version ISSN 0085-5626

Rev. Bras. entomol. vol.54 no.1 São Paulo Mar. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0085-56262010000100003 

SISTEMÁTICA, MORFOLOGIA E BIOGEOGRAFIA

 

Novas espécies de Prioninae e de Cerambycinae (Cerambycidae) da Região Neotropical

 

New Neotropical species of Prioninae and Cerambycinae (Cerambycidae)

 

 

Maria Helena M. GalileoI, III; Ubirajara R. MartinsII, III

IMuseu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. Caixa Postal 1188, 90001-970 Porto Alegre-RS, Brasil. galileo@fzb.rs.gov.br
IIIMuseu de Zoologia, Universidade de São Paulo. Caixa Postal 42494, 04218-970 São Paulo-SP, Brasil. urmsouza@usp.br
IIIPesquisador do CNPq

 

 


RESUMO

Novas espécies descritas: Hovorelus adiectus sp. nov. (Anacolini) da Costa Rica; Stenoeme aguilari sp. nov. do Paraguai e Placoeme wappesi sp. nov. da Bolívia (Oemini); da Bahia, Brasil: Coeloxestia spinosa sp. nov. (Cerambycini, Sphallotrichina); Stizocera debilis sp. nov., Anelaphus bravoi sp. nov. (Elaphidionini) e Chydarteres formosus sp. nov. (Trachyderini).

Palavras-chave: Anacolini; Cerambycini; Elaphidionini; novas espécies; Oemini; Trachyderini.


ABSTRACT

New Neotropical species of Prioninae and Cerambycinae (Cerambycidae). New species described: Hovorelus adiectus sp. nov. (Anacolini) from Costa Rica; Stenoeme aguilari sp. nov. from Paraguai and Placoeme wappesi sp. nov. from Bolivia (Oemini); from Bahia, Brazil: Coeloxestia spinosa sp. nov. (Cerambycini, Sphallotrichina), Stizocera debilis sp. nov., Anelaphus bravoi sp. nov. (Elaphidionini) and Chydarteres formosus sp. nov. (Trachyderini).

Keywords: Anacolini; Cerambycini; Elaphidionini; new species; Oemini; Trachyderini.


 

 

Com base em material recebido para identificação, descrevemos sete novas espécies em Prioninae e Cerambycinae. Hovorelus Galileo & Monné, 2003, gênero da tribo Anacolini, foi descrito para H. splendidus originalmente do Peru (Galileo & Monné 2003). A descoberta de uma segunda espécie para gênero, procedente da Costa Rica, amplia consideravelmente a distribuição geográfica do gênero.

Duas espécies são descritas em Oemini, Oemina (Cerambycinae). Uma em Stenoeme Gounelle, 1909, gênero que encerrava quatro espécies e que foi revisto por Martins (1997). Stenoeme aguilari sp. nov. ocorre no Paraguai. A outra espécie pertence ao gênero Placoeme Chemsak & Linsley, 1964. Placoeme vitticollis Chemsak & Linsley, 1964 ocorre no México e na Guatemala e a espécie aqui descrita, Placoeme wappesi sp. nov., distribui-se na Bolívia o que também amplia grandemente a distribuição do gênero.

Espécies sul-americanas de Coleoxestia Aurivillius, 1912 são de difícil reconhecimento e foram estudadas por Martins & Monné (2005). Coleoxestia spinosa sp. nov. é de fácil identificação pelos antenômeros III e IV providos de espinhos no lado externo.

Na tribo Elaphidionini descrevemos duas espécies. Uma delas no gênero Stizocera Audinet-Serville, 1834 que reúne 48 espécies e ocorre nas Américas do Norte, Central (inclusive nas Antilhas) e do Sul. As espécies sul-americanas foram estudadas por Martins (2005). A outra espécie descrita pertence a Anelaphus Linsley, 1936 cujas espécies ocorrem principalmente nos Estados Unidos e no México. Uma pequena parcela de espécies ocorre na América do Sul e foram estudadas por Martins (2005).

O gênero Chydarteres Huedepohl, 1985 envolve sete espécies que habitam a América do Sul. Chydarteres formosus sp. nov., é descrita da Bahia. Espécies do gênero Chydarteres foram revistas por Huedepohl (1985).

As abreviaturas correspondem às seguintes instituições: ACMS, American Coleoptera Museum, San Antonio; MCNZ, Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre; MNKM, Museu de Historia Natural Noel Kempff Mercado, Santa Cruz; UEFS, Universidade Estadual de Feira de Santana, Feira de Santana.

Cerambycinae, Oemini

Stenoeme aguilari sp. nov.

(Fig. 1)

 


 

Etimologia. O epíteto é uma homenagem a Carlos Aguilar Julio, Museo de Historia Natural del Paraguay, pelo envio de material para estudo e doação do holótipo.

Macho. Cabeça preta, microesculturada com pontos ásperos (40X) entremeados. Lobos oculares superiores (0,4 mm) com oito fileiras de omatídios, pouco mais distantes entre si (0,6 mm) do que a largura de um lobo. Antenas pretas atingem as extremidades elitrais no ápice do antenômero VIII. Escapo com grânulos. Antenômeros III e IV com grânulos e pêlos acastanhados: os do lado interno, mais longos que os do lado externo.

Protórax castanho-escuro. Pronoto com sulco longitudinal pouco profundo da base até quase a margem anterior. Superfície do pronoto microesculturada e finamente pontuada. Processo prosternal ausente. Processo mesosternal laminiforme.

Élitros castanhos, densamente pontuados, cada um com uma costa longitudinal. Extremidades acuminadas, não prolongadas em espinho.

Face ventral do corpo preto-acastanhada. Fêmures e tíbias pretos. Metatarsômero I mais longo que II+III.

Dimensões, mm, holótipo macho. Comprimento total, 12,5; comprimento do protórax, 2,4; maior largura do protórax, 2,0: comprimento do élitro 8,6; largura umeral, 2,1.

Material-tipo. Holótipo macho, PARAGUAI, Concepción: Zanja Moroti, 10.X.2004. J. Rivas col. (MCNZ).

Discussão. Pela chave para espécies de Stenoeme (Martins 1997), as espécies separam-se pelos pêlos elitrais amarelados não intercalados por pêlos pretos; pronoto com sulco central raso, S. aguilari sp. nov. é discriminada com S. bellarmini Gounelle, 1909 e S. annularis Martins, 1980.

Stenoeme aguilari distingue-se de S. annularis pelas antenas unicolores (em S. annularis flagelômeros avermelhados com extremidades pretas), pelo corpo e pelas pernas pretas (em S. annularis corpo e pernas são castanho-avermelhados). Difere de S. bellarmini pelo colorido geral preto e castanho-escuro com ápices dos élitros da mesma cor; (em S. bellarmini o colorido corporal é ocráceo-acastanhado e os élitros têm ápices escurecidos).

Placoeme wappesi sp. nov.

(Fig. 2)

Etimologia. Epíteto em homenagem à J. E. Wappes, Americam Coleoptera Museum, San Antonio, um dos coletores do holótipo.

Macho. Cabeça amarelo-alaranjada. Fronte transversal com pontos ásperos. Vértice com grânulos. Tubérculos anteníferos projetados. Lobos oculares superiores com nove fileiras de omatídios. Distância entre os lobos oculares superiores maior (1,5 mm) que o triplo da largura de um lobo (0,4mm). Antenas atingem o ápice dos élitros na base do antenômero VI. Escapo acentuadamente rugoso. Antenômeros III e IV com asperezas; V com alguns grânulos, VI a XI sem asperezas.

Protórax mais longo do que largo, bem constrito na base. Pronoto com placa basal; superfície finamente granulosa exceto na placa. Lados do pronoto, no limite lateral com o protórax, com faixa preta longitudinal; mancha amarelada na metade posterior das partes laterais. Mesonoto com a placa estridulatória finamente rugosa (40x) em sentido transversal. Prosterno acastanhado e finamente rugoso transversalmente. Processo prosternal laminiforme no nível inferior às procoxas. Processo mesosternal laminiforme. Escutelo preto.

Élitros amarelados com região circum-escutelar estreitamente preta. Cada um com faixa preta que se inicia no úmero e estende-se até quase o ápice; outra faixa, paralela à sutura de pouco antes do meio até o quinto apical. Superfície elitral microesculturada com pontos muito próximos. Extremidades de per si acuminadas.

Mesepimeros e metepisternos pretos. Centro do metasterno amarelado no centro e acastanhado nos lados.

Profêmures amarelados no dorso com mancha grande na parte ventral. Meso- e metafêmures amarelados. Tíbias e tarsos amarelados. Urosternitos castanhos.

Dimensões, mm, holótipo macho. Comprimento total, 19,3; comprimento do protórax, 5,1; maior largura do protórax, 4,3; comprimento do élitro 18,6; largura umeral, 4,5.

Material-tipo. Holótipo macho, BOLÍVIA, Santa Cruz: Potrerillos del Guenda (370m), 30.IX-3.X.2007, Wappes & Morris col. (MNKM).

Discussão. O gênero Placoeme Chemsak & Linsley, 1964 foi estabelecido para única espécie P. viticollis Chemsak & Linsley, 1964 ocorrente no México (Veracruz, Quintana Roo) e na Guatemala. Estende-se a distribuição do gênero para a América do Sul (Bolivia).

Placoeme wappesi sp. nov. é muito semelhante a P. viticollis Chemsak & Linsley, 1964 e difere pelos élitros com faixas longitudinais pretas nítidas; lados do protórax e do prosterno pretos.

Cerambycinae, Elaphidionini

Stizocera debilis sp. nov.

(Fig. 3)

Etimologia. Latim, debilis = débil, frágil; alusivo ao aspecto corporal.

Fêmea. Cabeça castanho-avermelhada, esparsamente pubescente. Lobos oculares superiores com quatro fileiras de omatídios. Antenas amareladas, atingem as extremidades dos élitros. Espinhos no lado interno dos flagelômeros III-VIII gradualmente decrescentes no comprimento.

Protórax vermelho-acastanhado, sem tubérculo nos lados. Pronoto com pilosidade amarelo-esbranquiçada, abundante e três a quatro depressões transversais na metade anterior. Partes laterais do protórax pilosas com alguns pontos profundos. Prosterno piloso na metade posterior. Esternos torácicos avermelhados. Lados do metasterno cobertos por pubescência esbranquiçada.

Élitros translúcidos, brilhantes, amarelados com os espinhos apicais pretos; pontuação presente na metade basal; pêlos longos organizados em duas fileiras longitudinais. Espinhos apicais pretos e longos.

Fêmures amarelados. Extremidades dos mesofêmures com espinho no lado interno. Ápice dos metafêmures com dois espinhos de comprimentos iguais. Tíbias e tarsos amarelados. Urosternitos avermelhados com pubescência esbranquiçada nos lados.

Dimensões, mm, holótipo fêmea. Comprimento total, 11,7; comprimento do protórax, 2,2; maior largura do protórax, 2,2; comprimento do élitro, 8,6; largura umeral, 2,6.

Material-tipo. Holótipo fêmea, BRASIL, Bahia: São Félix do Coribe (Coribe km 24, 13º331S, 44º15'W, 493 m), 7.XII.2007, T. Zacca col. (UEFS # 36054).

Discussão. Stizocera debilis sp. nov. de acordo com a chave para as espécies do gênero Stizocera (Martins 2005) é discriminada com S. armigera (White, 1853) e S. sublaevigata Zacjiw, 1962 pelo seguinte conjunto de caracteres: lados do protórax desarmados; pronoto praticamente sem rugas; élitros unicolores; espinhos apicais dos metafêmures com comprimentos subiguais; ápice dos metafêmures com espinho longo interno e pilosidade elitral restrita aos pêlos longos. Diferencia-se de S. armigera pela cabeça e pronoto acastanhados, com pilosidade; pelos espinhos dos meso- e metafêmures amarelados, concolores com os fêmures. Difere de S. sublaevigata principalmente pelo pronoto sem rugas e pelos élitros translúcidos e amarelados. Em S. armigera a cabeça e pronoto são avermelhados, sem pilosidade e os espinhos dos meso- e metafêmures são pretos. Em S. sublaevigata o pronoto tem rugas na parte anterior e não tem pilosidade e os élitros são alaranjados e não translúcidos.

Anelaphus bravoi sp. nov.

(Fig. 4)

Etimologia. Epíteto em homenagem a Freddy Bravo, UEFS, pelo envio de material para estudo.

Fêmea. Tegumento acastanhado. Fronte pontuada. Tubérculos anteníferos pontuados com pequeno tufo de pêlos brancos na parte posterior e um tufo a cada lado próximo aos lobos oculares superiores. Lobos oculares superiores com seis fileiras de omatídios, tão distantes entre si quanto o dobro da largura de um lobo. Lobos oculares inferiores atingem o lado ventral da cabeça. Escapo densamente revestido por pêlos brancos, na metade basal os pêlos são mais esparsos. Espinhos no lado interno dos antenômeros III-X com comprimentos gradualmente decrescentes. Flagelômeros revestidos por pilosidade branco-amarelada.

Protórax bem arredondado nos lados. Pronoto densamente pontuado com pequena área centro-posterior lisa; pubescência esbranquiçada mais concentrada numa faixa transversal adiante do meio. Partes laterais do protórax pontuadas com concentração de pêlos brancos no meio. Prosterno pontuado, esparsamente pubescente. Mesosterno sem quilha centro-anterior. Escutelo castanho-avermelhado com pêlos curtos nas laterais.

Élitros castanhos com manchas de pubescência branca em toda a superfície. Extremidades elitrais com espinho curto no lado externo. Pontuação elitral densa e gradualmente mais esparsa para o ápice.

Fêmures avermelhados com pêlos mais concentrados perto do ápice. Metasterno pontuado nos lados. Urosternitos com pontos finos e pilosidade branca.

Dimensões, mm, holótipo fêmea. Comprimento total, 13,7; comprimento do protórax, 3,0; maior largura do protórax, 3,8; comprimento do élitro, 9,8; largura umeral, 4,5.

Material-tipo. Holótipo fêmea, BRASIL, Bahia: São Félix do Coribe (Coribe km 24, 13º331S, 44º15'W, 493 m), 7.XII.2007, A. M. Silva Neto col. (UEFS # 36372).

Discussão, comparação entre fêmeas. Anelaphus bravoi sp. nov. assemelha-se a Anelaphus cerussatus (Newman, 1841) pela pilosidade branca do corpo. Distingue-se pelos espinhos interno e externo dos artículos antenais; pela ausência de áreas glabras na parte anterior do pronoto; pela maior concentração de manchas de pubescência branca nos élitros; pela ausência de quilha no mesosterno. Em A. cerussatus apenas os antenômeros III-VII com espinhos internos e não ocorrem espinhos no lado externo dos antenômeros VI-X; pronoto apresenta duas áreas glabras látero-anteriores, manchas de pubescência branca menos numerosas e presença de quilha longitudinal na base do mesosterno.

Cerambycinae, Cerambycini

Coleoxestia spinosa sp. nov.

(Fig. 6)

Etimologia. Latim, spinosus = espinhoso, dotado de espinho; refere-se aos espinhos dos antenômeros.

Macho. Cabeça castanho-avermelhada. Fronte com apenas alguns pontos pequenos na região central. Tubérculos anteníferos projetados separados por sulco profundo e um sulco raso a cada lado. Região interocular superior irregular junto aos olhos e lisa no meio. Occipício pontuado. Lobos oculares superiores mais próximos entre si do que a largura de um lobo. Lados da cabeça profundamente sulcados atrás dos lobos oculares inferiores. Antenas não atingem o ápice dos élitros. Escapo opaco com pontos pequenos e muito esparsos. Antenômero III projetado em espinho nítido no lado interno do ápice; metade apical da parte dorsal com área pouco deprimida, microesculturada. Antenômero III mais longo (4,4 mm); antenômeros IV a VI com comprimento subigual (3,0 mm), bem projetados no lado externo do ápice, áreas longitudinais deprimidas com pontuação sensorial no lado externo-dorsal.

Protórax vermelho-acastanhado com acentuada constrição anterior; essa constrição com dois sulcos transversais. Disco pronotal com rugas no terço anterior e apenas 4-5 pontos entremeados; metade posterior com pontos próximos entre si principalmente nos lados do pronoto. Lados do protórax profunda e irregularmente pontuados. Centro do prosterno com elevação transversal. Mesosterno, mesepimeros e metepisternos avermelhados cobertos por curta pubescência esbranquiçada. Metasterno castanho-avermelhado, brilhantes.

Élitros castanho-avermelhados, brilhantes, chagrinados, com pontos diminutos em toda extensão. Extremidades elitrais com dois espinhos longos em cada um.

Fêmures avermelhados. Meso- e metafêmures com pêlos densos no lado ventral. Metafêmures com escova de pêlos nos três quartos apicais da face dorsal; lados glabros. Metatíbias pontuadas. Urosternitos castanho-avermelhados, brilhantes.

Dimensões, mm, holótipo macho. Comprimento total, 31,4; comprimento do protórax, 5,3; maior largura do protórax (nível do quarto anterior), 5,8; largura do protórax na constrição basal, 5,0; comprimento do élitro, 22,2; largura umeral, 7,7.

Material-tipo. Holótipo macho, BRASIL, Bahia: Belmonte (Barrolândia, Fazenda Prosperidade) 4.I.1977, J. Becker col. (UEFS # 40389).

Discussão. Em Coeloxestia spinosa sp. nov. o antenômero III tem ápice anguloso no lado externo e área sensorial deprimida no lado externo e os élitros chagrinados tornam-na semelhante a C. exotica Martins & Monné, 2005, C. denticornis (Gahan, 1892) e C. setigera Melzer, 1926. Difere de C. exotica por ter o antenômero III mais longo do que o IV. Distingue-se de C. setigera pela ausência de pêlos curtos em toda a superfície dos élitros e de C. denticornis pelo vértice, escapo e tubérculos anteníferos sem pêlos curtos, pelo vértice sem pontos na parte central, pelo espículo externo do antenômero III muito projetado e aguçado, pela superfície do escapo quase sem pontos, pelos esternos torácicos com pubescência muito curta e pelos lados dos fêmures sem pêlos. Em C. denticornis o vértice, escapo e tubérculos anteníferos têm pêlos curtos, o vértice é pontuado, os antenômeros III e IV são praticamente inermes no ápice externo, o escapo é pontuado, os esternos torácicos têm pubescência evidente e os lados dos fêmures têm pêlos.

Cerambycinae, Trachyderini

Chydarteres formosus sp. nov.

(Fig. 7)

Etimologia. Latim, formosus = belo, formoso.

Fêmea. Cabeça preta. Fronte curta com depressão central profunda, restante da superfície inclusive os tubérculos anteníferos finamente pontuada. Vértice com três sulcos profundos, os laterais curvos. Antenas não chegam a alcançar o ápice dos élitros. Escapo preto, liso. Pedicelo preto. Antenômero III amarelado com estreito anel basal e terço apical pretos. Antenômeros IV e V amarelados com anel basal e metade apical pretos. Antenômero VI preto com mancha interna basal amarelada. Antenômero VII preto. Antenômeros VIII a XI branco-amarelados.

Protórax preto com dois tubérculos laterais; o anterior arredondado no topo e o posterior mais acuminado e tão desenvolvido quanto o anterior. Pronoto com três elevações transversais a mais anterior curva. Lados do pronoto com forte intumescimento longitudinal. Prosterno com sulco piloso manifesto; parte anterior bem projetada. Mesosterno com tubérculo projetado para a parte anterior. Mesepimero, mesepisterno e metepisterno com pubescência esbranquiçada esparsa. Escutelo preto.

Élitros vermelho-sanguíneos com o sexto apical preto. Extremidades elitrais transversalmente truncadas; sem costas com pontuação visível por transparência nos dois terços apicais.

Face ventral preta e brilhante. Pernas pretas; abas apicais dos meso- e metafêmures ligeiramente projetados.

Dimensões, mm, holótipo fêmea. Comprimento total, 19,2; comprimento do protórax, 4,8; maior largura do protórax no nível dos tubérculos látero-anteriores, 6,8; largura do protórax no nível dos tubérculos látero-posteriores, 7,1; comprimento do élitro, 12.2; largura umeral, 6,9.

Material-tipo. Holótipo fêmea, BRASIL, Bahia: Pilão Arcado (Barra do Brejo, UTM: 736960/88838451), 2.XII.2005, T. Oliveira-Rebouças col. (UEFS #8920).

Discussão. Chydarteres formosus sp. nov. caracteriza-se pelo colorido das antenas com os quatro últimos artículos brancos; pelo protórax com tubérculos látero-anteriores muito desenvolvidos e praticamente com a mesma projeção dos látero-posteriores; pelo colorido dos élitros vermelhos com o sexto apical preto.

Prioninae, Anacolini

Hovorelus adiectus sp. nov.

(Fig. 5)

Etimologia. Latim, adiectus = acrescentado, incluído; alusivo ao acréscimo de outra espécie ao gênero.

Macho. Cabeça verde-metálica. Fronte curta, mais larga que longa, grosseiramente pontuada, alguns pontos anastomosados. Vértice longitudinalmente sulcado até quase o limite com o protórax. Gena tão longa quanto o lobo ocular inferior. Distância entre os lobos oculares superiores igual a 3,6 vezes a largura de um lobo. Antenas flabeladas, ultrapassam o ápice elitral no meio do antenômero X. Antenômero XI engrossado para o ápice. Escapo avermelhado nos dois terços basais e azul-metálico no terço apical. Flagelômeros basais pretos com reflexo azul-metálico; tegumento longitudinalmente estriado, micro-reticulado e com pontos tuberculados, esparsos. Flabelos dos flagelômeros gradativamente mais longo em direção aos apicais. Flabelo do antenômero III atinge o terço basal do IV; flabelo do IV ultrapassa o meio do V.

Protórax verde-metálico, subquadrangular, os ângulos anteriores retos e os posteriores acuminados. Lados do protórax sem espículo. Superfície do pronoto com pontuação moderada e densa; partes laterais do protórax com o mesmo tipo de pontuação. Escutelo pontuado no centro, gradativamente liso para os lados. Processo prosternal em placa subovalada, sobreposto à região basal do processo mesosternal, superfície dessa área com pilosidade grossa e densa. Metasterno com área central aplanada; lados com pontuação muito fina. Meso- e metasterno com brilho verde-metálico. Metepisterno mais esverdeado para o lado do metasterno e avermelhado no restante da superfície.

Élitros verde-metálicos; superfície densamente pontuada; pontos irregulares e muito próximos. Cada élitro com duas costas dorsais, longitudinais. Extremidades elitrais arredondadas.

Pro- e mesofêmures avermelhados. Metafêmures azul-metálicos na metade basal e no ápice, com pontuação fina. Tíbias e tarsos avermelhados. Metatarsômeros I a III com comprimentos subiguais. Metatarsômero V subigual em comprimento a I+II+III. Urosternitos avermelhados.

Dimensões, mm, holótipo macho. Comprimento total 19,2; comprimento do protórax, 3,0; largura do protórax: na margem anterior, 4,3, na margem posterior, 4,9; comprimento do élitro 14,0; largura umeral, 6,0.

Material-tipo. Holótipo macho, COSTA RICA, San José: (El) Ceibo, 2003, E. Riley col. (ACMS).

Discussão. Hovorelus adiectus sp. nov. difere de H. splendidus Galileo & Monné, 2003 pela ausência de tubérculo no meio dos lados do protórax, pela cabeça fortemente pontuada, pelo escapo bicolor, pelo flabelo do antenômero III que atinge o terço basal do IV, pelo escutelo pontuado, pela presença de duas costas em cada élitro, pela pontuação densa e corrugada dos élitros, pelo metatarsômero V tão longo quanto I a III em conjunto, pelo antenômero XI mais curto e engrossado para o ápice, pelos urosternitos e as tíbias avermelhados.

Em H. splendidus os lados do protórax têm espículo no meio, a cabeça é quase lisa, o escapo é inteiramente azul-metálico, o flabelo do antenômero III atinge o meio do IV, o escutelo é liso, os élitros não apresentam costas e a pontuação é fina, o metatarsômero V é mais curto que a soma do comprimento dos I-III, o antenômero XI é sublinear e é mais longo que o X, as tíbias são azul-metálicas e os urosternitos são verde-metálicos.

 

REFERÊNCIAS

Galileo, M. H. M. & M. A. Monné. 2003. Novo gênero de Anacolini e descrição dos machos de Myzomorphus flavipes e Poekilosoma carinatipenne (Prioninae). Iheringia, Série Zoologia, 93: 37–44.         [ Links ]

Huedepohl, K. E. 1985. Revision der Trachyderini. Entomologischen Arbeiten aus dem Museum G. Frey, 33/34: 1–167.         [ Links ]

Martins, U. R. 1997. Cerambycidae Sul-Americanos. Subfamília Cerambycinae: Oemini, Methiini, Dodecosini, Paraholopterini. São Paulo, Sociedade Brasileira de Entomologia. v.1, 217 p.         [ Links ]

Martins, U. R. 2005. Cerambycidae Sul-Americanos. Subfamília Cerambycinae: Elaphidionini. v. 7, São Paulo, Sociedade Brasileira de Entomologia. 394 p.         [ Links ]

Martins, U. R. & M. A. Monné. 2005. Tribo Cerambycini. Subtribo Sphallotrichina. p. 1–218. In: U. R. Martins (ed.). Cerambycidae Sul-Americanos. v. 5, São Paulo, Sociedade Brasileira de Entomologia. 286 p.         [ Links ]

 

 

Recebido em 26/01/2009; aceito em 22/12/2009

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