SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.54 issue3Diptera hosts of Stylogaster Macquart (Diptera, Conopidae) from Madagascar and South AfricaCopitarsia uncilata Burgos & Leiva sp. nov. of Cuculliinae from Colombia and Mexico (Lepidoptera, Noctuidae) author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Article

Indicators

Related links

Share


Revista Brasileira de Entomologia

Print version ISSN 0085-5626

Rev. Bras. entomol. vol.54 no.3 São Paulo  2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0085-56262010000300004 

SISTEMÁTICA, MORFOLOGIA E BIOGEOGRAFIA

 

Novos táxons em Elaphidionini e Eburiini (Cerambycidae, Cerambycinae)

 

New taxa in Elaphidionini and Eburiini (Cerambycidae, Cerambycinae)

 

 

Maria Helena M. GalileoI, III; Ubirajara R. MartinsII, III

IMuseu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. Caixa Postal 1188, 90001-970 Porto Alegre-RS, Brasil. galileo@fzb.rs.gov.br
IIMuseu de Zoologia, Universidade de São Paulo. Caixa Postal 42494, 04218-970 São Paulo-SP, Brasil. urmsouza@usp.br
IIIPesquisador do CNPq

 

 


RESUMO

São descritos novos táxons em Cerambycinae, Elaphidionini: Parapantonyssus gen. nov., espécie-tipo, P. ipiri sp. nov. da Guatemala (San Marcos); Aposphaerion nigritum sp. nov. da Bolívia. Em Eburiini: Beraba tate sp. nov., da Bolívia; Eburodacrys translucida do Brasil (Paraíba); E. errata sp. nov. e E. fraterna sp. nov. da Bolívia.

Palavras-chave: Aposphaerion; Beraba; Eburodacrys; novos táxons; Parapantonyssus.


ABSTRACT

Described in Elaphidionini: Parapantonyssus gen. nov., type species, P. ipiri sp. nov. from Guatemala; Aposphaerion nigritum sp. nov. from Bolivia. In Eburiini: Beraba tate sp. nov. from Bolivia; Eburodacrys translucidum sp. nov. from Brazil (Paraíba); E. errata sp. nov. and E. fraterna sp. nov. from Bolivia.

Keywords: Aposphaerion; Beraba; Eburodacrys; new taxa; Parapantonyssus.


 

 

As espécies sul-americanas das tribos Eburiini e Elaphidionini foram revistas por Martins (1999, 2005) e os gêneros de Elaphidionini ocorrentes nas Américas por Lingafelter (1998). Nesta contribuição acrescentamos em Eburiini espécies novas de Beraba Martins, 1997 e de Eburodacrys White, 1853 do Brasil e da Bolívia. Em Elaphidionini descrevemos um gênero novo da Guatemala e uma espécie nova em Aposphaerion da Bolívia.

Estudamos material do American Coleoptera Museum, San Antonio (ACMS) e exemplares do nordeste do Brasil que foram doados ao Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo (MZSP) e material coligido recentemente na Bolívia por Sérgio A. Vanin (MZSP) e pelos autores; holótipos destas espécies bolivianas serão depositados no Museo Noel Kempff Mercado, Santa Cruz, Bolívia (MNKM).

Elaphidionini

Parapantonyssus gen. nov.

Etimologia, Latim, para = ao lado de, Pantonyssus nome genérico proposto por Bates, 1870.

Espécie-tipo, Parapantonyssus ipiri sp. nov.

Fronte transversal. Genas tão longas quanto os lobos inferiores dos olhos e fortemente acuminadas. Lobos oculares superiores com cinco fileiras de omatídios; tão distantes entre si quanto mais que o quíntuplo da largura de um lobo. Na parte inferior da cabeça, os lobos oculares inferiores são mais distantes entre si do que o ápice da gena. Palpos maxilares com o dobro do comprimento dos palpos labiais que são muito curtos. Antenas das fêmeas com onze artículos, atingem o oitavo apical dos élitros. Escapo subcilíndrico sem sulco no lado dorsal da base; comprimento igual a dois terços do antenômero III. Antenômero III com carena fina no lado interno; III-VI com espinhos no ângulo interno, gradualmente decrescentes em comprimento.

Protórax apenas mais largo do que longo. Lados do protórax arredondados e com gibosidade no centro. Pronoto com elevação transversal anterior e duas gibosidades discretas de cada lado da base. Processo prosternal, no meio, com menos de um terço da largura da procoxa. Mesosterno deprimido no centro; processo mesosternal inciso no ápice, tão largo quanto um terço da mesocoxa. Metepisternos estreitos.

Élitros pubescentes. Extremidades elitrais cortadas em curva com espinho externo e espículo no ângulo sutural. Mesofêmures lineares com dois espinhos curtos, de comprimento subigual, na extremidade. Metafêmures lineares, não atingem o ápice dos élitros; ápices com dois espinhos curtos de comprimento subigual. Metatíbias sulcadas. Metatarsômeros I tão longos quanto II+III.

Discussão. Parapantonyssus gen. nov., pelas extremidades dos meso- e metafêmures com espinho, assemelha-se a Pantonyssus Bates, 1870 e Stizocera Audinet-Serville, 1834. De Pantonyssus, separa-se pela ausência de tubérculo no mesosterno e pelos dois espinhos nos meso- e metafêmures. Em Pantonyssus, o mesosterno tem tubérculo e os meso- e metafêmures tem um espinho longo no lado externo. De Stizocera, especialmente das espécies com tubérculo lateral no protórax, difere pela pubescência nos élitros e pelas genas fortemente acuminadas. Em Stizocera, os élitros são glabros e as genas não são acuminadas.

Separa-se de Atylostagma White, 1853 pela presença de pubescência nos élitros e de único espinho nas extremidades dos antenômeros III e IV. Em Atylostagma, os élitros são glabros e as extremidades dos antenômeros III e IV têm dois espinhos.

Parapantonyssus ipiri sp. nov.

(Fig. 1)

Etimologia. Tupi, ypyri = junto de, alusivo à semelhança com Pantonyssus.

Cabeça avermelhada. Vértice com pontos rasos. Escapo avermelhado com o extremo apical preto; esparsamente pontuado. Pedicelo e flagelômeros, pretos. Protórax avermelhado. Pronoto com pontuação esparsa e aspecto brilhante. Esternos torácicos avermelhados. Élitros avermelhados com extremidade preta; com pontuação densa, pontos maiores na metade basal e gradualmente mais finos em direção ao ápice. Pubescência elitral pouco evidente na base e manifesta para o ápice. Fêmures vermelho-alaranjados com as extremidades pretas. Tíbias e tarsos pretos. Urosternitos acastanhados.

Dimensões em mm, holótipo fêmea. Comprimento total, 20,1; comprimento do protórax, 3,0; maior largura do protórax, 3,2; comprimento do élitro, 16,1; largura umeral, 4,5.

Material tipo. Holótipo fêmea, GUATEMALA, San Marcos: La Fraternidad (1600 m), VI.2000; J. Monzon col. (ACMS).

Aposphaerion nigritum sp. nov.

(Fig. 2)

Tegumento preto, brilhante, menos urosternitos, avermelhados. Fronte pontuada. Lobos oculares superiores com seis fileiras de omatídios; tão distantes entre si quanto a largura de um lobo. Escapo com sulco no lado dorsal da base; esparsamente pontuado. Antenômero III bicarenado, sulcado, com espinho apical externo curto. Espinhos nos ápices dos antenômeros III a VIII nas fêmeas e III-V nos machos, com comprimentos gradualmente decrescentes. Antenas atingem a extremidades dos élitros, do macho, no terço apical do antenômero VIII nos machos e no ápice do antenômero IX nas fêmeas.

Protórax com pontos esparsos, menos na constrição basal, densamente pontuada. Mesepimeros e metepisternos cobertos por pubescência esbranquiçada.

Élitros pontuados em toda a superfície. Extremidades elitrais cortadas em curva com espinho externo e espículo sutural. Fêmures com sulco no pedúnculo. Metatíbias bicarenadas. Urosternitos lisos.

Dimensões em mm, respectivamente holótipo macho/parátipo fêmea. Comprimento total, 6,8/7,1; comprimento do protórax, 1,5/1,6; maior largura do protórax, 1,1/1,2; comprimento do élitro, 4,5/4,9; largura umeral, 1,4/1,6.

Material-tipo. Holótipo macho, BOLÍVIA, Santa Cruz: Buena Vista (Hotel Fauna & Flora, 5 km SSE, 17°29'96"S 63°39'13"W, 440 m), 20.XI.2004, R. Clarke col (na luz ultravioleta) (MNKM). Parátipo fêmea, mesma localidade, 14-20.XI.2008, Galileo, Martins & Vanin col. (MZSP).

Discussão. Aposphaerion nigritum sp. nov. difere de todas as espécies do gênero pelo colorido geral preto com urosternitos avermelhados.

Eburiini

Beraba tate sp. nov.

(Fig. 3)

Beraba limpida; Galileo, Martins & Moysés, 2008: 44 non B. limpida Martins 1997.

Etimologia. Tupi, taté = erro, alusivo à identificação equivocada de Galileo, Martins & Moysés (2008).

Cabeça alaranjada, pontuada no vértice. Lobos oculares superiores com quatro fileiras de omatídios; tão afastados entre si quanto o dobro da largura de um lobo. Antenas amareladas; atingem o ápice dos élitros aproximadamente no ápice do antenômero VIII. Escapo subcilíndrico, sem sulco no lado dorsal da base.

Protórax alaranjado; tão longo quanto largo. Espinho lateral do protórax concolor e acuminado. Partes laterais do protórax pontuadas. Tubérculos dorsais do pronoto pretos e bem acuminados; superfície pronotal esparsamente pontuada, dos tubérculos para adiante e, mais densamente, dos tubérculos para a base; área centro-longitudinal com poucos pontos.

Élitros amarelo-alaranjados. Cada élitro com três manchas ebúrneas, elípticas; uma basal, convexa, alongada, quase tão longa quanto a central interna; duas centrais, contíguas e fundidas em alguns locais, iniciadas no mesmo nível, a externa mais longa que a interna. Duas costas atrás das manchas centrais. Friso epipleural ebúrneo. Uma linha ebúrnea entre as manchas ebúrneas centrais e o friso marginal. Pontuação elitral densa nos dois terços anteriores. Espinhos elitrais concolores.

Fêmures alaranjados com bases amareladas. Ápice dos meso- e metafêmures com espinho interno, concolor. Tíbias e tarsos amarelados.

Processo prosternal, mesosterno, mesepimeros, mesepisternos, metepisternos e lados do metasterno esparsamente pubescentes. Urosternitos brilhantes.

Dimensões em mm, holótipo fêmea. Comprimento total, 13,0; comprimento do protórax, 2,6; maior largura do protórax, 2,6; comprimento do élitro, 9,5; largura umeral, 3,0.

Material-tipo. Holótipo fêmea, BOLÍVIA, Santa Cruz: Buena Vista (Hotel Fauna & Flora), 14-20.XI.2008, Galileo, Martins & Vanin col. (MNKM).

Discussão. Pela chave de Martins (1999) para as espécies de Beraba Martins, 1997, Beraba tate sp. nov. tem élitros com manchas elípticas ebúrneas, as centro-dorsais contíguas; tubérculos pronotais pretos e extremidades elitrais com espinhos concolores. Esses caracteres discriminam duas espécies: B. limpida Martins, 1967 da Venezuela e B. marica Galileo & Martins, 1999 da Colômbia.

Difere de B. limpida pela mancha central-externa no meio dos élitros mais longa do que a central interna; pela mancha ebúrnea da base dos élitros mais estreita e elíptico-alongada e presença de costas atrás das manchas centrais. Em B. limpida a mancha central-externa no meio dos élitros é quase tão longa que a central interna, a mancha ebúrnea da base dos élitros é curta e subarredondada e sem constas atrás das manchas centrais.

Separa-se de B. marica pelas manchas ebúrneas dos élitros mais alongadas, pelo espinho nos lados do protórax mais desenvolvido, pelos tubérculos pronotais evidentes e pela ausência de rugas transversais no pronoto. Em B. marica, as manchas ebúrneas são curtas, o espinho a cada lado do protórax é curto, os tubérculos pronotais são discretos e o pronoto tem rugas transversais irregulares.

Eburodacrys errata sp. nov.

(Fig. 4)

Eburocarys lepida Galileo, Martins & Moysés, 2008: 72 non E. lepida Martins, 1973.

Etimologia. Latim, erratus = erro, alusivo à identificação equivocada de Galileo, Martins & Moysés (2008).

Macho. Cabeça avermelhada. Tubérculos anteníferos e uma mancha a cada lado do occipício, pretas. Antenas atingem o ápice dos élitros no meio do antenômero VII. Escapo ligeiramente engrossado para o ápice com sulco pouco profundo no lado dorsal da base; pontuação grossa, mais concentrada na metade basal. Antenômero III profundamente sulcado e bicarenado.

Protórax avermelhado ou alaranjado; espinhos laterais curtos e pretos, com faixa nos lados do pronoto do espinho à borda anterior. Pronoto com tubérculos pretos envolvidos por duas faixas pretas longitudinais que se estendem de próximo da margem anterior até o adelgaçamento basal; gibosidade centro-posterior pouco demarcada e lisa; restante da superfície pronotal com rugas irregulares, sem pontos entremeados. Prosterno com rugas no centro, pouco aparentes; às vezes, com mancha preta à frente do processo prosternal. Esternos torácicos finamente pubescentes exceto o centro do metasterno.

Cada élitro com quatro manchas ebúrneas, muito alongadas: duas na base, a externa atinge o limite do terço anterior dos élitros; duas centrais, mais próximas entre si na porção anterior do que na posterior, a central interna inicia-se pouco a frente da externa e posteriormente atinge o meio da externa, a central externa ligeiramente curva termina posteriormente pouco à frente do espinho apical dos élitros. Espinhos apicais dos élitros pretos, com ápices divergentes, precedidos por curta região triangular preta. Pontuação elitral abundante até as manchas ebúrneas centrais.

Fêmures laranja-amarelados; meso- e metafêmures com espinhos apicais pretos.

Fêmea. Antenas atingem a extremidade dos élitros na ponta do antenômero VIII.

Dimensões em mm, macho/fêmea respectivamente. Comprimento total, 19,0/17,5-19,5; comprimento do protórax, 4,0/3,3-3,8; maior largura do protórax, 4,4/3,7/4,3; comprimento do élitro, 13,2/12,7-14,0; largura umeral, 4,7/4,4-4,9.

Material-tipo. Holótipo macho, BOLÍVIA, Santa Cruz: Buena Vista (Hotel Fauna & Flora), 15-28.II.2003, R. Clarke col. (MNKM).

Parátipos: BOLÍVIA, Guanay (quatro topônimos com essa dominação), fêmea, X.1995, G. Castillo col. (MZSP); Santa Cruz: Buena Vista (Hotel Fauna & Flora, 5 km SSE, 17°29'96"S 63°39'13"W, 440 m), fêmea, 7.I.2003, R. Clarke/Zamaloa col. (na luz branca) (MCNZ); Buena Vista (Hotel Fauna & Flora), fêmea, 14-20.XI.2008, Galileo, Martins & Vanin col. (MZSP).

Discussão. Eburodacrys errata sp. nov. é muito semelhante a E. lepida Martins, 1973 que ocorre à Amazônia. Difere pelas manchas ebúrneas basais mais compridas, atingem o terço basal dos élitros, a externa mais longa que a interna; pelas manchas ebúrneas centrais mais longas e pela central-interna que termina próxima ao ápice elitral; pelas manchas ebúrneas não seguidas por áreas pretas.

Em E. lepida as manchas ebúrneas basais atingem o quinto basal dos élitros e são subiguais em comprimento; as manchas centrais são mais curtas e a central-interna termina no quarto apical dos élitros; as manchas ebúrneas têm áreas pretas posterior e anteriormente.

Eburodacrys translucida sp. nov.

(Fig. 5)

Etimologia. Latim, translucidus = transparente, alusivo à textura dos élitros.

Fêmea. Cabeça laranja-avermelhada. Vértice pontuado. Antenas aproximam-se, mas não atingem as pontas dos élitros. Escapo levemente engrossado para o ápice, sulcado no lado dorsal da base e densamente pontuado na metade basal. Antenômero III sulcado e bicarenado.

Protórax mais largo que longo. Lados com tubérculo preto, agudo. Pronoto com dois tubérculos projetados, pretos; superfície pronotal com rugas irregulares e pontos entremeados. Prosterno rugoso na metade posterior.

Élitros amarelados com tegumento translúcido; cada um com três faixas ebúrneas: uma no centro da base e duas centrais um pouco mais largas, afastadas entre si por distância subigual a largura da central externa que se inicia atrás do meio da central interna; a mancha basal subigual em comprimento as duas centrais. Ápice elitral com espinho externo enegrecido no ápice e mais curto que os espinhos dos ápices dos fêmures.

Fêmures amarelados com espinhos apicais pretos. Região central do metasterno e urosternitos com pêlos amarelados esparsos.

Dimensões em mm, holótipo fêmea. Comprimento total, 15,8; comprimento do protórax, 2,9; maior largura do protórax, 4,0; comprimento do élitro, 11,8; largura umeral, 4,0.

Material-tipo. Holótipo fêmea, BRASIL, Paraíba: São João do Cariri, 15.IV.2006, M. A. B. de Gusmão col. (MZSP).

Discussão. Eburocarys translucida sp. nov. assemelha-se a E. lancinata Napp & Martins, 1980. Difere pelo protórax com espinho lateral desenvolvido e preto; pelas manchas ebúrneas dos élitros mais estreitas e curtas, a central inicia-se no meio da interna; pelos espinhos apicais dos élitros mais curtos que os espinhos femorais. Em E. lancinata os espinhos laterais do protórax são concolores, as manchas ebúrneas dos élitros são alongadas, estreitas e a central externa inicia-se no mesmo nível da interna e tem quase o dobro do comprimento da central interna, os espinhos apicais dos élitros tão longos quanto os espinhos femorais.

Eburocarys fraterna sp. nov.

(Fig. 6)

Etimologia. Latim, fraternus = irmão, alusivo à semelhança com Eburodacrys sulfurifera Gounelle, 1909.

Fêmea. Cabeça alaranjada. Lobos oculares superiores com seis fileiras de omatídios; tão distantes entre si quanto a largura de um lobo. Sutura frontal profunda, larga entre os tubérculos anteníferos e os lobos oculares superiores. Antenas mais longas que os élitros. Escapo com sulco largo, profundo na base e projetado na margem interna. Antenômero III sulcado e bicarenado.

Protórax com espinho lateral preto, comprimento subigual ao do pedicelo; faixa preta do espinho até quase a orla anterior. Pronoto com dois tubérculos látero-anteriores pretos, brilhantes, arredondados no topo; mancha preta a cada um dos lados da base. Superfície pronotal com rugas irregulares, sem pontos entremeados.

Cada élitro com três manchas ebúrneas: uma elíptica alongada na base; duas centrais contíguas, iniciadas no mesmo nível, a central-externa mais longa que a externa; todas as manchas precedidas e seguidas por mancha castanha; no terço apical, duas costas das manchas centrais até quase a extremidade elitral. Extremidades elitrais com espinho externo, preto.

Meso- e metafêmures com ápice e espinho apical pretos. Metatíbias amareladas e sulcadas. Face ventral do corpo alaranjada. Meio do metasterno e urosternitos com tegumento brilhante.

Dimensões em mm, holótipo fêmea. Comprimento total, 16,2; comprimento do protórax, 3,1; maior largura do protórax, 3,7; comprimento do élitro, 11,7; largura umeral, 3,8.

Material-tipo. Holótipo fêmea, Bolívia, Santa Cruz: Buena Vista (Hotel Flora & Fauna), 14-20.XI.2008, Galileo, Vanin & Martins col. (MNKM).

Discussão. Eburocarys fraterna sp. nov. assemelha-se a E. sulfurifera Gounelle, 1909 pela forma do escapo. Difere pelo espinho dos lados do protórax curto; pelos tubérculos pronotais arredondados no topo; pelas manchas pretas na base do pronoto. Em E. sulfurifera, o espinho nos lados do protórax é muito longo; os tubérculos pronotais são acuminados no topo e a base do pronoto não tem manchas pretas.

Agradecimentos. A James Wappes, American Coleoptera Museum (ACMS) e Robin Clarke pelo empréstimo de material; a Maria Avanir B. de Gusmão pela doação de espécimes para o Museu de Zoologia; a Eleandro Moysés (bolsista IC/CNPq/MCNZ) pela execução das fotografias e preparação da estampa.

 

REFERÊNCIAS

Bates, H. W. 1870. Contributions to an insect fauna of the Amazon Valley. The Transactions of the Entomological Society of London, 1870: 243-335; 391-444.         [ Links ]

Galileo, M. H. M.; U. R. Martins & E. Moysés.2008. Cerambycidae Sul-Americanos. Suplemento 2. São Paulo, Museu de Zoologia & Museu de Ciências Naturais, 128 p.         [ Links ]

Lingafelter, S. 1998. The Genera of Elaphidiini Thomson 1864. Memoirs of the Entomological Society of Washington, 20: 1-118.         [ Links ]

Martins, U. R. (Org.) 1999. Cerambycidae Sul-Americanos. v. 3, São Paulo, Sociedade Brasileira de Entomologia, 418 p.         [ Links ]

Martins, U. R. (Org.) 2005. Cerambycidae Sul-Americanos. v. 7, São Paulo, Sociedade Brasileira de Entomologia, 394 p.         [ Links ]

 

 

Recebido 10/06/2009; aceito 08/07/2010

 

 

Editor: Marcela Laura Monné