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Revista Brasileira de Ciência do Solo

On-line version ISSN 1806-9657

Rev. Bras. Ciênc. Solo vol.25 no.2 Viçosa Apr./June 2001

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-06832001000200011 

SEÇÃO V - GÊNESE, MORFOLOGIA E CLASSIFICAÇÃO DO SOLO

 

Relação solo-paisagem-material de origem e gênese de alguns solos no domínio do "Mar de Morros", Minas Gerais(1)

 

Soil-landscape-parent material relationship and pedogenesis of some "Mar de Morros" soils

 

 

W. A. G. A. NunesI; J. C. KerII; C. E. G. R. SchaeferII; E. I. Fernandes FilhoII; F. H. GomesIII

IDoutorando em Solos e Nutrição de Plantas pela Universidade Federal de Viçosa - UFV. CEP 36571-000 Viçosa (MG). E-mail: walder@solos.ufv.br
IIProfessor Adjunto do Departamento de Solos da UFV. CEP 36571-000 Viçosa (MG)
IIIEstudante do curso de Agronomia da Universidade Federal de Viçosa - colaborador de Iniciação Científica (FAPEMIG)

 

 


RESUMO

Pouco se conhece sobre os solos desenvolvidos ou influenciados por materiais máficos na Zona da Mata de Minas Gerais, embora muitos estudos tenham sido efetuados nos domínios cristalinos gnáissicos, notadamente com Latossolos e Podzólicos de terraço. Para preencher esta lacuna, foram amostrados os horizontes A e B ou A e C de solos em duas topolitosseqüências. A primeira, localizada na Serra de Guiricema, com drenagem orientada para a bacia do Rio Paraíba do Sul, compreendeu um Latossolo Vermelho-Amarelo (LVA) no topo da serra, um Chernossolo Argilúvico (MT), um Vertissolo (V) e um Nitossolo Vermelho (NV) no terço médio. Da segunda topolitosseqüência, localizada na Depressão de Ponte Nova, com drenagem para a bacia do Rio Doce, fizeram parte um Latossolo Vermelho-Amarelo, dois Nitossolos Vermelhos, um Chernossolo Argilúvico, um Argissolo Vermelho-Amarelo (PVA), um Gleissolo (GX) e um Neossolo Flúvico (RU). Adicionalmente, foi coletado, no Planalto de Viçosa, o horizonte B de um Latossolo Vermelho-Amarelo sobre intrusão de anfibolito, fora das duas topolitosseqüências já citadas, para efeito de comparação. Os solos desenvolvidos a partir dos anfibolitos/diabásio (NV, MT e V) tenderam a ser eutróficos e cauliníticos, com a participação de argilominerais 2:1 (ilita e esmectita, possivelmente como interestratificados), quando menos intemperizados. A baixa relação Feo/Fed nos Latossolos estudados indica o predomínio de formas de ferro de maior grau de cristalinidade, sendo mais elevada no caso dos Nitossolos, em consonância com o menor grau de evolução destes. O Latossolo coletado sobre dique de material máfico apresentou características químicas similares às dos Latossolos desenvolvidos de gnaisse da região, indicando tratar-se de solo proveniente desta rocha, cobrindo o dique como material retrabalhado. A biotita e o anfibólio presentes no gnaisse são os minerais que contribuem para os teores de Fe2O3 acima de 11 dag kg-1, nos Latossolos da região estudada. Os solos com argila de atividade alta (V e MT) têm a gênese e a estabilidade da esmectita e, possivelmente, do interestratificado ilita-esmectita, explicadas pela riqueza do material de origem em minerais ferromagnesianos, pelo relevo que propicia ambiente concentrador e, em certos casos, pela exposição norte do perfil, favorecendo maior evapotranspiração. No caso do Gleissolo, tanto o ambiente concentrador como a drenagem deficiente parecem ser as causas principais da ocorrência de argilominerais 2:1 expansivos. O Argissolo Vermelho-Amarelo, ainda que também ocorra em ambiente concentrador de terraço, não apresentou argilominerais 2:1, destacando-se, entretanto, os altos teores de Fe2O3 destes solos, o que confirma os resultados obtidos por outros autores para solos semelhantes na região de Viçosa.

Termos de indexação: rochas cristalinas, rochas máficas, mineralogia de argila, solos tropicais, Latossolos, caracterização química.


SUMMARY

Little is known about the effect of mafic parent materials on soil genesis in the humid "Zona da Mata", Minas Gerais, although there are many detailed studies on soils developed from felsic to mesocratic gneiss, notably Latosols and terrace Podzolic soils. To fill this gap, soils in two topolitosequences, comprising A and B or A and C horizons, were sampled and studied. In the first topolitosequence, at Serra de Guiricema, a Red-Yellow Latosol on the top, a Argilluvic Chernosol, a Vertisol and a Red Nitosol on the mid-slope, were studied. In the second topolitosequence, at Ponte Nova Depression, on the Rio Doce Valley, a Red-Yellow Latosol, two Redish Nitosols, an Argilluvic Chernosol, a Red-Yellow Argisol, a Gleisol and a Fluvic Neosol were studied. In addition, a Bw horizon of a Red-Yellow Latosol associated with amphibolite intrusion, unrelated to the two topolitosequences above, was studied as contrast. The results indicated that soils developed from mafic rocks tend to be eutrophic and kaolinitic, with some participation of 2:1 clays, such as illite, smectite and smectite/illite interstratified, when less weathered. The lower Feo/Fed ratio in the Latosols indicates the dominance of well-crystalline Fe-oxides. In the Reddish Nitosols, however, the Feo/Fed ratio was constrained by the preferential attack on illite and maghemite in the oxalate extraction, compared with DCB extraction. The Latosol sampled on mafic intrusion showed chemical characteristics similar to those developed on gneiss, suggesting a presence of overlaying reworked material. The biotite and amphiboles present in the gneiss are the main source of Fe, contributing to Fe2O3 levels higher than 11 dag kg-1 in the regional Latosols. Soils with high activity clays have their genesis and 2:1 mineral stability attributed to ferromagnesian richness in the parent material, concentrating pedoenvironment and, in some cases, to the northern slope exposure, favoring high evapotranspiration. In the Gleisol, the local relief and ill drainage seem to be the main causes of the 2:1 expansive clays occurrence. The Red-Yellow Argisol, though located in flat terraces, lack 2:1 clays, even with high Fe2O3 contents, confirming results obtained by other studies in the same region.

Index terms: crystalline rocks, mafic rocks, clay mineralogy, tropical soils, Latosols, chemical characterization.


 

 

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Recebido para publicação em outubro de 1999
Aprovado em novembro de 2000

 

 

(1) Parte da Tese de Mestrado do primeiro autor, apresentada ao Departamento de Solos da Universidade Federal de Viçosa - UFV.

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