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Revista Brasileira de Ciência do Solo

Print version ISSN 0100-0683

Rev. Bras. Ciênc. Solo vol.35 no.6 Viçosa Nov./Dec. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-06832011000600001 

DIVISÃO 1 - SOLO NO ESPAÇO E NO TEMPO
COMISSÃO 1.2 - LEVANTAMENTO E CLASSIFICAÇÃO DO SOLO

 

Avaliação da aptidão agrícola de solos do Acre por diferentes especialistas1

 

Evaluation of agricultural suitability of soils in Acre by different experts

 

 

Elaine Almeida DelarmelindaI; Paulo Guilherme Salvador WadtII; Lúcia Helena Cunha dos AnjosIII; Carmem Sueze Miranda MasuttiIV; Ênio Fraga da SilvaV; Marlen Barros e SilvaVI; Ricardo Marques CoelhoVII; Sérgio Hideiti ShimizuVIII; Wanderson Henrique do CoutoIX

IMestranda em Agronomia, Universidade Federal do Acre - UFAC. BR 364, km 04, Caixa postal 500, CEP 69915-900 Rio Branco (AC). Bolsista CNPq. E-mail: elaineadell@gmail.com
IIPesquisador, Embrapa Acre, BR 364, km 14, Caixa Postal 321, CEP 69908-970 Rio Branco (AC). Bolsista CNPq. E-mail: paulo@cpafac.embrapa.br
IIIProfessora Associada, FAPERJ, Departamento de Solos, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - UFRRJ. BR 476, km 7, CEP 28900-000 Seropédica (RJ). Bolsista CNPq. E-mail: lanjos@ufrrj.br
IVProfessora Adjunta, Universidade Federal do Vale do São Francisco - UNIVASF. Colegiado de Engenharia Agrícola e Ambiental, BA 210, km 4, CEP 48900-000 Juazeiro (BA). E-mail: carmem.masutti@univasf.edu.br
VPesquisador, Embrapa Solos. Rua Jardim Botânico 1024. CEP 22460-000 Rio de Janeiro (RJ). E-mail: enio@cnps.embrapa.br
VIDoutoranda em Agronomia - Ciência do Solo, UFRRJ. E-mail: marlenbs@bol.com.br
VIIPesquisador, Centro de Solos e Recursos Ambientais, Instituto Agronômico de Campinas - IAC. Av. Barão de Itapura 1481, CEP 13012-970 Campinas (SP). E-mail: rmcoelho@iac.sp.gov.br
VIII Engenheiro-Agrônomo, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. R. João Pinto 60, CEP 88010-420 Florianópolis (SC). E-mail: sergio.shimizu@ibge.gov.br
IXEng.-Agrônomo, MDA, SBN - Quadra 1, Ed. Palácio do Desenvolvimento, Sala 604, CEP 70057-900 Brasília (DF). E-mail: whcouto@gmail.com

 

 


RESUMO

Os sistemas de avaliação da aptidão ou do potencial agrícola das terras têm sido utilizados nas diversas regiões do Brasil, por várias equipes e com múltiplas aplicações. O objetivo deste trabalho foi avaliar, para solos no Estado do Acre, como diferentes especialistas percebem a importância relativa dos indicadores de um sistema de aptidão agrícola e como eles interpretam esses atributos para a definição das diferentes classes de aptidão. Foram utilizados 10 perfis de solos analisados para a IX Reunião Brasileira de Classificação e Correlação de Solos, localizados entre os municípios de Rio Branco e Cruzeiro do Sul, Amazônia - região caracterizada por sedimentos da Formação Solimões como material de origem dos solos. As interpretações da aptidão agrícola dos solos foram feitas por seis especialistas, os quais avaliaram os indicadores de aptidão agrícola, aplicando cinco graus dos fatores de limitação: deficiência de fertilidade, deficiência de água, deficiência de oxigênio, suscetibilidade à erosão e impedimentos à mecanização. A partir desses fatores, foram estabelecidas as classes e os grupos de aptidão para cada perfil de solo, que foram comparados usando análise discriminante e por similaridade. Os resultados indicaram que as variáveis relacionadas a estoque de nutrientes, tipo de argila, classe textural e de drenagem e relevo local foram as mais relevantes na distinção dos ambientes pelos especialistas. A interpretação da aptidão agrícola por especialistas não foi inteiramente reproduzível para todos os solos, estando sujeita a variações decorrentes da experiência dos avaliadores e de seu conhecimento sobre o ambiente e os diferentes tipos de uso da terra.

Termos de indexação: Amazônia, avaliação das terras, Formação Solimões, uso da terra.


SUMMARY

Evaluation systems of agricultural land suitability are being used in different regions of Brazil, by distinct teams and with multiple applications. The objective of this study was to evaluate, for soils in the State of Acre, how different experts evaluate the relative importance of indicators of a land suitability system, and how they interpret properties that can define land suitability classes. Ten soil profiles analyzed for the IX Brazilian Soil Classification and Correlation Workshop were used. These soil profiles are located between Rio Branco and Cruzeiro do Sul, municipalities in the Amazon region, with sediments of the Solimões Formation as soil parent material. The land suitability was interpreted by six experts, based on all land suitability indicators, applied in five degrees of limitation for the factors: fertility deficiency, water deficiency, oxygen deficiency, erosion susceptibility, and impediments to mechanization. From these assessments, the groups and classes of land suitability of each soil profile were established, and the results compared by discriminant analysis. The results indicated the variables nutrient stock, clay content, textural class, drainage class and local relief as the most important to discriminate the environments by the experts. The interpretation of land suitability by the experts was not entirely reproducible for all soils, and was subjected to the diverse experience and knowledge of the evaluators about the environment and different land use types.

Index terms: Amazon, land evaluation, Solimões Formation, land use.


 

 

INTRODUÇÃO

Sistemas de avaliação do potencial agrícola das terras, como o Sistema de Avaliação da Aptidão Agrícola das Terras - SAAAT (FAO, 1976; Ramalho Filho & Beek, 1995) ou o de Capacidade de Uso das Terras (modificado no Brasil por Lepsch, 1991), vêm sendo adaptados e inseridos em programas de computação para que se obtenham indicadores de uso da terra parametrizados (De La Rosa, 2005; Chagas et al., 2006) e se permita a criação de interfaces com ambientes de Sistemas de Informação Geográfica (SIG) (Garcia et al., 2005; Liu et al., 2006; Reshmidevi et al., 2009).

Algumas modificações consistem na adaptação desses sistemas de avaliação do potencial de uso da terra para condições ou locais específicos (Streck, 1992; Hesseln, 1997), uma vez que indicadores mais consistentes com as variações do ambiente estudado são previamente selecionados, e na inclusão de novos atributos que contribuem para avaliação mais detalhada do ambiente no qual o sistema é aplicado (Pereira, 2002).

Normalmente, o resultado desses estudos consiste ou na espacialização do potencial de uso da terra (Pereira & Lombardi Filho, 2004) ou na comparação da distribuição espacial do uso da terra atual com o uso indicado com base em sua aptidão agrícola (Barros et al., 2004), o que resulta nos mapas de adequabi-lidade (Quan et al., 2007; Chaves et al., 2010).

Quanto à abordagem dos indicadores propriamente ditos, diferentes atributos edafoclimáticos podem ter diferentes pesos nas avaliações, em função de sua importância relativa para um determinado ambiente (Reshmidevi et al., 2009) ou de sua relevância para os sistemas de cultivo (Quan et al., 2007). Outra modificação é a redução da quantidade de indicadores em razão do planejamento de uso da terra, contemplando o uso de insumos que irão sanar limitações antes identificadas pelos indicadores excluídos (Samranpong et al., 2009).

Em todos esses processos, a decisão dos especialistas, na escolha e ponderação do valor dos indicadores, é crucial para a avaliação da aptidão ou potencial de uso da terra. Ainda, é pressuposto que os especialistas, por terem domínio das informações básicas para o manejo e uso do solo, adotarão as mesmas interpretações das limitações e terão conceitos semelhantes sobre as medidas necessárias para melhoramento das limitações. Esse pressuposto, entretanto, é uma limitação dos sistemas de avaliação da aptidão agrícola. A interpretação do valor e da importância de cada indicador na definição do grau de limitação de uso da terra e de sua relevância para determinar a intensidade das limitações depende da experiência e do conhecimento do avaliador, estando, portanto, sujeita a variações não controladas, o que pode resultar em incertezas e dificultar a aplicação mais ampla desses métodos, principalmente se forem incorporados a sistemas de informações geográficas.

Na tentativa de contornar esse tipo de limitação, Liu et al. (2006) adotaram a média do valor de cada indicador - determinada por diferentes especialistas - para estimar o grau de importância dos fatores, em avaliação do potencial de uso da terra, para a readequação ambiental. No entanto, essa medida não resolve inteiramente o problema da interpretação do avaliador.

No Brasil, o SAAAT tem servido de base para zoneamentos e macrozoneamentos agrícolas; diferentes equipes técnicas adotam ou não simplificações no método, porém os resultados são sempre considerados definitivos, como no Macrozoneamento da Amazônia (Brasil, 2010).

A hipótese testada neste trabalho foi de que a interpretação da aptidão agrícola por especialistas não é completamente reproduzível e está sujeita a variações não controladas, pelo conhecimento prévio do ambiente e o entendimento do especialista quanto à vulnerabilidade do ambiente em função de diferentes tipos de uso da terra. Neste sentido, este trabalho teve como objetivo identificar, para solos desenvolvidos sobre sedimentos da Formação Solimões, no Estado do Acre, como diferentes especialistas percebem a importância relativa dos indicadores de aptidão agrícola e como eles interpretam estes indicadores na definição das diferentes classes de aptidão.

 

MATERIAL E MÉTODOS

No trabalho foram utilizados dados de dez perfis analisados para a IX Reunião Brasileira de Classificação e Correlação de Solos (IX RCC), realizada no Estado do Acre, ao longo de roteiro de viagem entre os municípios de Rio Branco (9°02'43,2'' S e 68°46'17,3'' W) e Cruzeiro do Sul ( 7°36'00,8'' S e 72°42'50,4'' W). Os solos têm como material de origem sedimentos da Formação Solimões. Foram avaliados dados das análises morfológicas (Quadro 1), físicas (Quadro 2) e químicas (Quadro 3) dos solos (Anjos et al., 2010). As análises físicas e químicas foram realizadas nos laboratórios da Embrapa Solos, de acordo com métodos de rotina para levantamento de solos (Embrapa, 1997).

Os perfis foram descritos conforme Santos et al. (2005) e classificados de acordo com o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (Embrapa, 2006) pelos pedólogos da equipe da viagem preparatória para o evento, em outubro de 2009 (Anjos et al., 2010). A classificação dos perfis foi alterada em alguns solos no final do evento, porém a classificação preliminar foi a informação recebida pelos especialistas para a avaliação da aptidão agrícola das terras.

Os perfis utilizados foram um Espodossolo Humilúvico, um Latossolo Amarelo, três Argissolos Vermelhos, um Argissolo Vermelho-Amarelo, dois Luvissolos Crômicos, um Luvissolo Háplico e um Vertissolo Háplico (Anjos et al., 2010).

Como avaliadores, foram convidados seis profissionais de ciência do solo, com experiência em pedologia, para avaliação da aptidão agrícola dos perfis, adotando o SAAAT (Ramalho Filho & Beek, 1995). Foram formuladas e distribuídas aos avaliadores fichas com os indicadores usados no SAAAT (Quadro 4), para que eles indicassem sua interpretação do valor para cada indicador na respectiva análise de solo (ausente, muito baixo, baixo, médio, alto ou muito alto); qual o grau de limitação (nulo, ligeiro, moderado, forte ou muito forte) para os fatores: deficiência de fertilidade, deficiência de água, deficiência de oxigênio, suscetibilidade à erosão e impedimentos à mecanização; e qual a classificação do potencial agrícola das terras para os três níveis tecnológicos do SAAAT. O grau de limitação extremamente forte, utilizado por Ramalho Filho & Beek (1995), foi reunido junto à classificação para o grau de limitação muito forte, com o objetivo de uniformizar a avaliação, de modo que houvesse sempre cinco graus de limitação possíveis para cada um dos fatores de limitação. Cada avaliação foi conduzida independentemente, sem troca de informações entre os avaliadores quanto aos critérios adotados, seguindo estritamente as recomendações contidas na publicação original do SAAAT (Ramalho Filho & Beek, 1995), além do conhecimento próprio sobre uso e manejo de solos.

Os formulários foram compilados, atribuindo-se peso de 0 a 5 para cada uma das interpretações dos indicadores, sendo 0 para ausência do indicador, 1 para muito baixo, 2 para baixo, 3 para médio, 4 para alto e 5 para muito alto. Na lista de indicadores, foram elencadas todas as funções ou processos edafológicos associados ao uso do solo e que estão objetiva ou indiretamente indicados no SAAAT, com o cuidado de não apresentar nenhuma parametrização ou indicação para sua interpretação, já que essas informações estariam presentes no sistema ou, quando ausentes, seriam parte do conhecimento do avaliador.

Após a avaliação de cada especialista, foi calculada a similaridade entre os resultados obtidos para os perfis de solos por meio de análise discriminante, utilizando o programa SPSS 15.0 (2009). As variáveis codificadas de cada indicador foram agrupadas em função do fator de limitação (deficiência de fertilidade, deficiência de água, deficiência de oxigênio, suscetibilidade à erosão e impedimentos à mecanização). Foram também calculadas as similaridades adotando-se todas as variáveis ou apenas aquelas das duas principais funções canônicas que apresentaram a maior correlação entre todas as nove funções testadas para cada fator de limitação.

O modelo foi testado para até nove funções discriminantes baseadas na combinação linear das variáveis preditivas que melhor discriminaram os perfis de solos. Como todos os perfis foram analisados para os mesmos indicadores e pelos mesmos especialistas, foram assumidas probabilidades iguais para cada perfil. As funções geradas para cada grupo de variáveis foram usadas para determinar a qual perfil de solo seria atribuído cada grupo de respostas fornecidas pelos especialistas, resultando em uma reclassificação em relação à original, sumarizando-se os resultados na matriz de confusão (SPSS, 2009). Essa matriz consiste na contagem do número de casos (avaliações por especialistas) correta e incorretamente agrupados em função do perfil de solo avaliado. A classificação original foi considerada aquela definida pelos avaliadores, e a reclassificação, aquela obtida pelas principais funções canônicas discriminantes.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Espodossolos Humilúvicos são solos que apresentam horizonte B espódico comumente com textura arenosa, elevada permeabilidade, ressecamento rápido, elevada taxa de decomposição de matéria orgânica superficial e baixa reserva de nutrientes, sendo usualmente a CTC restrita à matéria orgânica (Oliveira, 2008).

No Espodossolo avaliado, perfil AC-P1, foi observado que a fração areia foi dominante. No entanto, esse solo foi classificado como de imperfeitamente a mal drenado, pela presença de camada endurecida, que se apresenta a partir dos 152 cm, o que pode limitar o cultivo de espécies perenes, as quais usualmente apresentam sistema radicular mais profundo (Quadro 1). O perfil também apresentou baixa fertilidade natural (Quadro 3), resultando em forte grau de limitação para lavouras com baixo nível tecnológico. Nas classes de aptidão obtidas para esse perfil (Quadro 5), um dos avaliadores indicou aptidão boa para silvicultura, o que, devido ao grau de limitação intermediário (M/F) para deficiência de fertilidade, resultou em análise diferenciada da dos outros avaliadores, que classificaram a aptidão para pastagem plantada, diferenciando apenas quanto às classes, tendo o fator deficiência de fertilidade maior grau de limitação.

O Latossolo Amarelo, perfil AC-P2, de acordo com Oliveira (2008), apresenta avançado estádio de intemperismo, material coloidal com baixa CTC e baixa fertilidade natural - características observadas no solo estudado (Quadro 2). À parte da limitação por fertilidade, esse solo apresentou boas possibilidades de uso com o emprego de tecnologias para sanar problemas inerentes à fertilidade com a aplicação de fertilizantes e corretivos, já que ele apresentou propriedades físicas que permitem o emprego de mecanização e o perfil situa-se em área de relevo plano a suave ondulado. Todos os avaliadores indicaram aptidão para lavouras em algum nível tecnológico (A, B e, ou, C), tendo o fator deficiência de fertilidade apresentado o grau de limitação mais elevado (Quadro 5).

Para os Argissolos Vermelhos (AC-P4, AC-P5 e AC-P6) e o Argissolo Vermelho-Amarelo (AC-P9), os maiores graus de limitação foram relacionados com a suscetibilidade à erosão e impedimentos à mecanização (Quadro 4), em decorrência de esses solos estarem situados em relevo ondulado a forte ondulado, além da maior suscetibilidade aos processos erosivos pela presença do horizonte B textural. Para o AC-P4, quase todos os avaliadores indicaram aptidão para pastagem plantada, diferenciando apenas na classe de aptidão, e um avaliador identificou aptidão boa para pastagem natural. O Argissolo Vermelho no perfil AC-05, por se encontrar em uma posição de relevo menos movimentada que o anterior, foi considerado pela maioria dos avaliadores com aptidão restrita para culturas, de forma quase que independente do nível tecnológico e em função da atribuição do grau de limitação forte para suscetibilidade à erosão. Por sua vez, os demais Argissolos (AC-P6 - Argissolo Vermelho e AC-09- Argissolo Vermelho Amarelo) foram classificados por alguns avaliadores como com aptidão restrita para culturas ou regular a restrita para pastagens, sempre em função da interpretação entre grau de limitação forte ou muito forte quanto à suscetibilidade à erosão (Quadro 4).

Embora a classificação da aptidão agrícola vise indicar o uso do solo, não tendo relação direta com a vegetação natural, na aplicação do quadro-guia de limitações em função dos graus obtidos (Ramalho Filho & Beek, 1995), o uso do solo com pastagens naturais é imposto como um dos indicados. Essa situação, mesmo sendo coerente com o ambiente de cerrados, torna-se incoerente para grande fração da região amazônica, em que a vegetação natural é a da Floresta Tropical Úmida e não pastagens naturais, evidenciando-se a necessidade de revisão do método quanto aos tipos indicados para o uso da terra.

Os Luvissolos (AC-P7, AC-P8 e AC-P10) foram indicados com grau de limitação nulo a ligeiro para a deficiência de fertilidade pela maioria dos avaliadores (Quadro 4), em decorrência do grande estoque de nutrientes (Quadro 3). Esses solos também apresentaram como fatores de maior limitação a suscetibilidade à erosão e os impedimentos à mecanização, por estarem situados em relevo ondulado a forte ondulado. Para o AC-P7, foram indicados diferentes grupos de aptidão pelos avaliadores, tendo apenas dois avaliadores determinado aptidão semelhante (regular para pastagem plantada). Para esse perfil, não houve contraste acentuado entre os graus de limitação determinados, porém as avaliações foram distintas. No AC-P8, o relevo ainda foi o fator mais limitante, no entanto as avaliações resultaram em grupos de aptidão mais homogêneos, sendo a maioria das avaliações de aptidão regular ou restrita para lavouras. Para o AC-P10, os grupos também foram semelhantes, e os maiores graus de limitação ficaram distribuídos de maneira uniforme entre todos os fatores.

Para o Vertissolo (AC-P11), todos os avaliadores indicaram o mesmo grupo de aptidão, variando apenas quanto à classe. Os fatores deficiência de oxigênio e impedimentos à erosão foram os mais relevantes nas avaliações.

Na fase seguinte de análise dos resultados, foram considerados os indicadores do SAAAT que apresentavam maior grau de correlação para a análise canônica dos dados. De acordo com a análise discriminante, para os indicadores do grau de limitação de deficiência de fertilidade, a primeira e a segunda função canônica discriminante (FCD) corresponderam a 79,6 e 8,6 % da variação total, respectivamente, indicando 88,2 % da variação acumulada, sendo essas funções ajustáveis para explicar a variabilidade encontrada para os indicadores.

Dos dez perfis avaliados, apenas para o AC-P9 houve correspondência total entre a reclassificação e a classificação original de aptidão (Quadro 6) para o fator deficiência de fertilidade. Em sete perfis (AC-P1, AC-P2, AC-P4, AC-P5, AC-P6, AC-P7 e AC-P8) houve 83,3 % de correspondência entre as classificações. Para o AC-P10, apenas 16,7 % corresponderam à classificação original, e 50 % da reclassificação correspondeu ao AC-P11. Já para o perfil AC-P11, houve 83,3 % de acerto na reclassificação.

Os indicadores que mais contribuíram para reclassificação dos perfis, para o fator deficiência de fertilidade, foram os valores de soma de bases, saturação por bases e a capacidade de troca de cátions. Para avaliação desse fator, os indicadores observados neste estudo são também os mais utilizados em avaliações de aptidão, conforme os trabalhos de Cools et al. (2003), Boonyanuphap et al. (2004) e Mendonça et al. (2006).

Quanto ao fator deficiência de água, foram consideradas a FCD1 e FCD2, que representaram 51,1 e 21,3 %, respectivamente, da variação total, indicando 72,4 % da variabilidade acumulada. No entanto, apenas para os perfis AC-P1, AC-P4, AC-P10 e AC-P11, o percentual de 83,3 % correspondeu à avaliação original (Quadro 6). No AC-P1, Espodossolo Humilúvico, o percentual de areia foi maior que 80 %, verificando-se, portanto, baixa capacidade de armazenamento de água; essa característica, muito distinta da dos demais perfis, tornou a avaliação mais consistente entre os avaliadores. Os perfis AC-P5 e AC-P6 tiveram 50 % de divergência, sendo reclassificados como AC-P8. Nos perfis AC-P7, AC-P8 e AC-P9, 50 % da avaliação correspondeu à avaliação original.

Os indicadores da presença de horizonte pouco permeável e a influência da textura do solo na capacidade de armazenamento de água resultaram em melhor discriminação. Naime et al. (2006) também usaram esses indicadores para avaliar a aptidão agrícola das terras em Minas Gerais, segundo o sistema de Ramalho Filho & Beek (1995). Contudo, Pereira et al. (2007) e Wadt et al. (2008) ressaltam que, como indicador, o cálculo da água disponível no solo permite a avaliação mais efetiva da capacidade de armazenamento de água no solo.

Analisando o fator deficiência de oxigênio, a FCD1 e FCD2 representaram 52,8 e 21,3 %, respectivamente, da variação, correspondendo a 74,1 % da variação acumulada. Os indicadores do excesso de água, classe de drenagem e estrutura do solo apresentaram discriminação em relação aos demais. Nesse caso, apenas no AC-P9 a reclassificação foi totalmente correspondente à classificação original (Quadro 6); no AC-P1, 83,3 % das avaliações foram semelhantes à original.

Considerando ainda o fator deficiência de oxigênio, os perfis AC-P2, AC-P5 e AC-P7 tiveram 66,7 % da reclassificação condizente com a original. Nos perfis AC-P6, AC-P8 e AC-P11, houve 50 % de correspondência com a avaliação original, e para o AC-P10 houve apenas 16,7 % de avaliação semelhante à original. No AC-P4, o grau de acerto foi zero, e 50 % das reclassificações corresponderam ao AC-P10. A relevância do indicador classe de drenagem também foi observada no trabalho de Skider (2009), na avaliação da aptidão agroecológica integrada à SIG. No entanto, Gomes et al. (2005) não utilizaram o fator deficiência de oxigênio, em razão de ele não apresentar relevância para o ambiente de terras altas avaliado, pois o referido fator tem maior importância nas áreas planas de várzeas.

Os indicadores do fator suscetibilidade à erosão tiveram 73,9 % de variabilidade explicada pelas duas primeiras funções canônicas. A variação total explicada pela primeira e pela segunda função foi igual a 51,9 e 21,9 %, respectivamente.

Apenas para o indicador relevo local houve discriminação, e somente no AC-P2 houve reclassificação totalmente correspondente à classificação original (Quadro 6). Pode-se inferir que, como o indicador relevo local foi o mais relevante e o perfil situa-se em relevo local plano a suave-ondulado com classe geral de textura média, essas características favoreceram a interpretação semelhante pelos avaliadores. O uso do indicador relevo é frequente nos trabalhos de avaliação da aptidão das terras (Garcia et al., 2005; Dengiz et al., 2010), tendo em vista que esse aspecto da paisagem influencia diretamente as práticas agrícolas e os processos pedogenéticos (Pruski, 2006; Resende et al., 2007).

Para o fator impedimentos à mecanização, a FCD1 e FCD2 corresponderam a 82,3 % da variabilidade encontrada para os indicadores: a primeira função explicou 47,9 % e a segunda, 34,3 % da variação total. Os indicadores tipo de argila e textura do solo, que influenciaram no aumento do grau de impedimentos à mecanização, tiveram as melhores discriminações, ou seja, apenas esses indicadores foram relevantes na avaliação do referido fator. Nos perfis AC-P1 e AC-P4, houve grau de acerto de 100 % (Quadro 6). No perfil AC-P1, a classificação foi facilitada pelo fato de este possuir classes de textura areia-franca a areia nos primeiros 152 cm, muito distintas das dos demais solos, além de não apresentar o indicador "tipo de argila" como potencial para limitação no uso agrícola. Quanto ao AC-P4, nenhuma variável isoladamente explicou a melhor reclassificação deste perfil em relação aos demais Argissolos quanto aos impedimentos à mecanização.

Os perfis AC-P7, AC-P10 e AC-P11 apresentaram percentual entre 80 e 83,3 % de reclassificação correspondente à classificação original. Houve 66,7 % de acerto em relação à avaliação original nos perfis AC-P2, AC-P5 e AC-P8, e para os perfis AC-P6 e AC-P9, um total de 33,3 % de reclassificação correspondente à original.

Convém ressaltar que os indicadores pedregosidade e rochosidade não foram relevantes neste estudo, já que os solos não apresentaram esses atributos. Todavia, a influência deles é indiscutivelmente relevante para a avaliação do fator impedimento à mecanização, como mostrado por Chagas et al. (2006) e De La Rosa (2005).

Quando analisados todos os indicadores para determinação dos fatores de limitação da aptidão agrícola (deficiência de fertilidade, deficiência de água, deficiência de oxigênio, suscetibilidade à erosão e impedimentos à mecanização), a primeira e a segunda função canônica explicaram 90,3 % da variabilidade acumulada: a primeira representou 63,7 % da variação total e a segunda, 26,6 % da variação. Nessa análise, o indicador "influência do tipo de argila no aumento do grau de impedimento à mecanização" foi o mais relevante para a reclassificação dos perfis.

Na análise de discriminação canônica utilizando apenas os indicadores que apresentaram relevância para a discriminação conforme descrito, foram obtidos 84,4 % de variabilidade acumulada, tendo a FCD1 representado 62,6 % da variação total e a FCD2, 21,8 %. Considerando essas funções, os indicadores soma de bases, saturação por bases e capacidade de troca de cátions apresentaram melhor discriminação em comparação aos outros.

Os resultados indicam a validade da hipótese testada: a interpretação da aptidão agrícola não é completamente reproduzível e está sujeita a variações não controladas pela experiência do avaliador em um dado ambiente.

 

CONCLUSÕES

1. A avaliação da aptidão agrícola realizada por diferentes avaliadores resultou em classificações de grupos de uso da terra distintos para os mesmos solos e ambientes.

2. A análise discriminante canônica mostrou que alguns indicadores do sistema de avaliação da aptidão das terras, como o estoque de nutrientes e o relevo local, tiveram maior relevância na classificação da aptidão dos solos, e outros, como oferta de água e presença de erosão, não foram relevantes no ambiente estudado.

 

AGRADECIMENTOS

Ao CNPq, pela bolsa de mestrado ao primeiro autor e pelo apoio financeiro por meio dos fundos setoriais MCT/CNPq: CT-Agronegócio/CT-Hidro (Editais 027/2008 e 019/2009). À Comissão Organizadora da IX RCC, por disponibilizar os dados dos perfis de solos.

 

LITERATURA CITADA

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1 Parte da dissertação de mestrado da primeira autora (projeto financiado pelo CNPq). Recebido para publicação em 2 de fevereiro de 2011 e aprovado em 13 de setembro de 2011.