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Cadernos de Pesquisa

versão impressa ISSN 0100-1574versão On-line ISSN 1980-5314

Cad. Pesqui. v.38 n.133 São Paulo jan./abr. 2008

https://doi.org/10.1590/S0100-15742008000100001 

EDITORIAL

 

Prezada leitora, prezado leitor,

O aumento alarmante do número de adolescentes que apresentam condutas infracionais no Brasil traz novos desafios para os educadores e para todos aqueles a quem cabe zelar pela proteção dessa parcela da juventude e descortinar a ela novos horizontes de convivência e dignidade humanas. O Tema em Destaque deste número, expressando esse tipo de preocupação, reúne alguns estudos que oferecem subsídios para uma aproximação mais informada dessa complexa problemática.

O trabalho assinado por Natália Felix de Carvalho Noguchi e Yves de La Taille apresenta elementos do universo moral de jovens internos da Febem em São Paulo, os quais apontam para a construção de uma identidade que inclui valores opostos àqueles compartilhados pelas pessoas que não pertencem ao chamado "mundo do crime". Indicam ainda a predominância das formas heteronômicas de legitimação das regras de convivência.

O artigo de Alex Eduardo Gallo e Lúcia Cavalcanti de Albuquerque Williams traça o perfil de adolescentes infratores de uma cidade do interior paulista e encontra uma associação positiva entre a freqüência à escola e a redução da severidade do ato infracional. Sugere a importância do papel da escola como fator de proteção.

O texto de Laura Davis Mattar, que deriva de estudo financiado pelo Programa Gênero, Reprodução, Ação e Liderança _ Gral _, da Fundação Carlos Chagas, investiga as condições de exercício da sexualidade por adolescentes privados de liberdade em instituições de estados do nordeste brasileiro. Examina a política de atendimento ao direito desse exercício pelos jovens e faz recomendações no sentido de aperfeiçoá-la.

Na seção Outros Temas, Sergio Ozella e Wanda Maria Junqueira de Aguiar analisam, numa perspectiva socioistórica, a concepção de adolescência encontrada entre mais de 800 adolescentes, alunos do ensino médio da Grande São Paulo.

Talita F. S. Dias e vários outros autores examinam dados do vestibular da Universidade Federal de Minas Gerais, de 2004, oferecendo contribuição para as respostas a algumas das atuais demandas referentes à expansão de vagas nos cursos superiores públicos.

Na linha de discussão de metodologias de pesquisa, Maria Clotilde Rossetti-Ferreira, Kátia de Souza Amorim, Ana Paula Soares-Silva e Zilma de Moraes Ramos de Oliveira buscam explicitar pressupostos da chamada "rede de significações", uma perspectiva teórico-metodológica, inicialmente empregada em estudos acerca do desenvolvimento humano, que tem sido incorporada em pesquisas nas áreas da educação e da saúde. Uma série de investigações levadas a cabo por membros desse grupo adota essa orientação.

Ainda nessa linha, o sugestivo estudo de Adriana Duarte, Dalila Andrade Oliveira, Maria Helena Augusto e Savana Melo focaliza a abordagem utilizada em investigação que se propõe a examinar o trabalho docente na escola básica, incorporando a participação dos próprios professores na pesquisa.

Damaris Gomes Maranhão e Cynthia Andersen Sarti, por meio de abordagem de cunho antropológico, relatam resultados de estudo de caso em que são analisadas as diferenças de pontos de vista e os conflitos entre famílias e profissionais de creche que compartilham o cuidado de crianças.

Considerando os persistentes problemas de exclusão na escola, o ensaio de Luiz Antonio Gomes Senna analisa a natureza social do conceito de fracasso escolar, tomando-o como uma forma de banimento que é reforçada pela ausência de estudos sobre o ensino em contextos que acolham sujeitos com dificuldades de inserção nos padrões das culturas contemporâneas.

Por fim, Maria de Fátima Cardoso Gomes e Eduardo Fleury Mortimer discutem os processos de inclusão/exclusão de alunos nas aulas de Química em duas escolas de Belo Horizonte, evidenciando que eles são construídos no cotidiano e estão articulados com as características socioculturais dos alunos e suas trajetórias escolares, além de passarem por uma relação pessoal com o saber. Destacam o papel fundamental das professoras nesses processos.

 

As Editoras

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