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Cadernos de Pesquisa

Print version ISSN 0100-1574On-line version ISSN 1980-5314

Cad. Pesqui. vol.39 no.136 São Paulo Jan./Apr. 2009

https://doi.org/10.1590/S0100-15742009000100018 

DESTAQUE EDITORIAL

 

A reforma educacional na américa latina nos anos 1990: uma perspectiva histórico-sociológica

 

 

Nora Rut Krawczyk e Vera Lucia Vieira São Paulo: Xamã, 2008, 144p.

As características da reforma educacional realizada nos anos 1990 em quatro países latino-americanos – Argentina, Brasil, Chile e México – são objeto de estudo comparativo realizado pelas pesquisadoras Nora Rut Krawczyk e Vera Lucia Vieira, e sistematizado nesta obra, publicada recentemente pela editora Xamã, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.

A reconfiguração educacional das últimas décadas do século XX e da primeira década do presente século já tem sido objeto de vasta atenção e debate no Brasil. Faltava, no entanto, um trabalho que ampliasse o alcance do debate, tanto no sentido histórico, distanciando-se dos enfoques demasiadamente técnicos, baseados nos dados "da conjuntura", quanto no sentido geográfico, verificando nas suas diversas concretizações nacionais a matriz comum e as especificidades das reformas educativas nos principais países latino-americanos. Isso foi possível graças à proposta teórico-metodológica de um estudo histórico-sociológico das reformas educacionais em cada país.

Este é o principal acerto do trabalho realizado por Nora Rut Krawczyk, professora da Faculdade de Educação da Unicamp e Vera Lucia Vieira, professora do Departamento de História da PUC-SP, em seu estudo acerca da reforma educacional na América Latina.

O outro mérito da pesquisa que resultou no livro é o de abordar os sistemas educacionais no contexto social mais amplo, considerando o quadro da dominação de classe e da exploração nacional pelo capital financeiro numa etapa historicamente determinada. Desvenda-se, então, um discurso em que o apelo a uma ideologia democrática, libertária e descentralizadora encobre, nas novas condições políticas, a continuidade e até o aprofundamento de ideias oriundas dos regimes autoritários que se espalharam pelo continente há bem poucas décadas.

O livro conta com prefácio de João Barroso, professor catedrático e presidente do Conselho Diretivo da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa. Ele conclui que a obra "nos permite dispor de uma eficaz e sistemática síntese sobre as políticas educativas nacionais, no quadro das reformas dos anos 1990, de quatro países 'centrais' da América Latina e do Caribe, e, ao mesmo tempo, situar as transformações ocorridas num quadro mais vasto de mudanças que transcendem a região em análise e que contribuem para compreender os processos transnacionais de regulação".

Realizado com base em rigorosa pesquisa empírica e bibliográfica em cada um dos países analisados, este livro constitui contribuição importante para a compreensão não só da dinâmica educacional, mas, sobretudo, do devir histórico-social de "Nossa América", tal como afirma Osvaldo Coggiola, professor titular de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

 


 

A criança fala: a escuta de crianças em pesquisas

 

 

Silvia Helena Vieira Cruz (org.) São Paulo: Cortez, 2008, 388p.

Este livro oferece rico panorama acerca da escuta de crianças em pesquisas científicas, ao reunir artigos de estudiosos do assunto de diversas instituições brasileiras e de vários outros países, a saber: França, Inglaterra, Canadá e Finlândia.

A criança tem sido, de longa data, objeto de estudo em pesquisas acadêmicas, no entanto, essas são pesquisas a respeito das crianças e não com a sua participação direta. E ainda que, como aponta Maria Malta Campos, autora de um dos artigos, esse procedimento não constitua exatamente algo novo na pesquisa, a novidade está no debate acerca das condições em que as crianças tomam parte na investigação científica, revelando uma tendência recente que procura dar voz e vez a um dos grupos de sujeitos tradicionalmente mais marginalizados pelos modelos clássicos de pesquisa.

A obra é produto do Projeto Ouvindo Crianças, que começou a esboçar-se durante a Consulta sobre Qualidade na Educação Infantil, uma iniciativa da Campanha Nacional pelo Direto à Educação, realizada em 2004, a qual contou com a colaboração do Movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil – Mieib – e com a assessoria da Fundação Carlos Chagas. A partir de então, tem aumentando no Mieib o interesse por experiências semelhantes, que busquem levar em conta o que as crianças têm a dizer por meio de suas múltiplas linguagens, pois o que elas expressam pode subsidiar ações em seu favor e contribuir para mudanças que as beneficiem. O projeto Ouvindo Crianças, também tem apoio da Save the Children, do Reino Unido, entidade que visa contribuir para o avanço das discussões sobre a pesquisa com crianças e para o aperfeiçoamento das estratégias utilizadas para ouvi-las.

O interesse crescente de pesquisadores de diferentes campos no sentido de apreender os pontos de vista das crianças acerca de temas os mais variados tem levado a colocá-las no centro das pesquisas por eles desenvolvidas, evidenciando a diversidade de sujeitos contemplados. As perspectivas infantis trazem à luz não somente as peculiaridades da idade, nas experiências vividas em contextos históricos específicos, as características de inserção social de seu grupo familiar, questões de gênero, pertença étnica e cultural. Daí decorrem indagações teóricas e implicações éticas na pesquisa, que orientam a construção de novas abordagens metodológicas com vistas a dar conta desse desafio, particularmente nas áreas da educação, psicologia e saúde.

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