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Cadernos de Pesquisa

Print version ISSN 0100-1574

Cad. Pesqui. vol.40 no.139 São Paulo Jan./Apr. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-15742010000100001 

EDITORIAL

 

 

Cara leitora, caro leitor,

Apenas recentemente um número significativo de estudos realizados no Brasil sobre a educação de pessoas com deficiência começa a circular mais amplamente. Eles vêm ao encontro da necessidade de cobrir as enormes lacunas sobre a abordagem do tema, que adquire visibilidade crescente no contexto em que essas pessoas emergem como novos sujeitos de direito. A seção Tema em Destaque deste número da revista contribui para alentar esse impulso, trazendo conclusões de pesquisas, análises de políticas públicas e de linhas de abordagem, bem como reflexões de fundo sobre os princípios subjacentes aos enfoques teóricos e práticos da questão.

Para a realização desse dossiê contamos com a preciosa colaboração das professoras Gilberta Januzzi e Maria Cecília Rafael de Góes que, com sua grande experiência na área, generosamente nos auxiliaram nas decisões sobre os textos aprovados para publicação. Valeu-nos também, e grandemente, a inestimável contribuição de Maria Eugênia Nabuco e de Eric Plaisance. Psicóloga clínica que trabalha no atendimento de crianças e adolescentes na França, Maria Eugênia Nabuco tem-se dedicado às questões de inclusão nesse país e se mantém atenta ao que ocorre a respeito no Brasil. Eric Plaisance, professor emérito da Universidade Paris 5, é fundador do Centro de Pesquisas sobre Laços Sociais - Cerlis - e um nome sempre lembrado nos estudos sobre inclusão social. A todos eles, nosso particular agradecimento.

Abre a seção, o artigo de Eric Plaisance, que busca elucidar os sentidos atribuídos aos termos ética e inclusão para entender as relações entre ética e deficiência. Examina a noção de inclusão escolar tomando como exemplo o caso francês e estende a reflexão ao debate atual sobre a escolaridade, terminando por advogar uma ética de responsabilidade no lugar de uma ética de convicção.

Rita de Cássia Barbosa Paiva Guimarães e Ana Paula Lima Barbosa Cardoso discutem a crise das identidades no contexto da pós-modernidade e suas repercussões nas identidades socialmente estigmatizadas, em particular, as das pessoas com deficiência, às quais são negadas importantes oportunidades de transformação.

Maria Eugênia Nabuco evidencia contradições das políticas educacionais e seus processos de institucionalização ao fazer uma análise crítica de documento oficial sobre a educação especial no Brasil. A concepção hegemônica sobre o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade é questionada por Nadia Mara Eidt e Silvana Calvo Tuleski, que se contrapõem a ela advogando o seu redimensionamento pela abordagem da psicologia histórico-cultural.

A pesquisa de Fabiana Cristina Frigieri de Vitta, aborda as concepções de educadoras de berçário sobre a inserção da criança com necessidades especiais na rotina das creches.

Os estudos de Fernando Jorge Costa Figueiredo sobre crianças cegas no ensino básico em Portugal e de Cláudia Alquati Bisol, Carla Beatris Valentini e suas alunas Janaína Lazzarotto Simioni e Jaqueline Zanchin, focalizando a inserção de estudantes surdos no ensino superior no Brasil, são bons exemplos de pesquisa empírica com essa população.

Na seção Outros Temas, dando continuidade a uma série de artigos que vimos publicando sobre a política científica no país, Luciana Massi e Salete Linhares Queiroz apresentam uma revisão dos estudos acadêmicos sobre iniciação científica no Brasil entre 1983 e 2007, descrevem as suas principais abordagens e apontam as questões pertinentes.

A proposta de avaliação de alunos do ensino médio por intermédio de vestibulares seriados é analisada por Maíra Elias Manzano e Sonia Bueno Carvalho Lopes, que examinam detidamente os objetivos e estilos de avaliação relativos aos conteúdos de Biologia. Em face do atual debate sobre o financiamento da educação, nada mais oportuno do que revisitar as tensões suscitadas pela questão no artigo de cunho histórico de Wellington Ferreira de Jesus. O texto busca compreender as posições da União Democrática Nacional - UDN - sobre a vinculação constitucional de recursos para a educação e esmiúça a razões pelas quais os liberais udenistas apoiaram a sua proteção, embora defendessem a liberdade de mercado.

Estudo de caso de uma escola bem-sucedida na rede municipal de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, conduzido por Josefa A. G. Grigoli, Cláudia M. Lima, Leny R. M. Teixeira e Mônica Vasconcellos permite às autoras identificar fatores que teriam favorecido o seu êxito, entre os quais são destacados a gestão e o clima escolar.

Maria do Carmo Luiz Caldas Leite analisa o modelo concebido para a educação secundária básica em Cuba, o qual visaria compensar um enfraquecimento de valores sociais tradicionais por meio de uma formação socialista consistente dos professores generalistas.

O estudo de Guillermo Williamson e Violeta Cantero, sobre mudanças intergeneracionais relativas a nível educacional e posição social em três comunidades da região de Araucanía no Chile, evidencia que, embora persistam desigualdades educacionais relacionadas a origem étnica, o acesso à educação superior favoreceu a ascensão social para a maioria dos ingressantes.

Ao fechar este número fomos tristemente surpreendidas pela notícia do falecimento de nossa colega Regina Pahim Pinto, no dia 22 de abril. Pesquisadora da Fundação Carlos Chagas por mais de 30 anos e uma referência na área dos estudos étnico-raciais e educação no Brasil, Regina deixa um vazio que dificilmente será preenchido. A ela nosso tributo e nossa saudade.

 

As Editoras