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Cadernos de Pesquisa

Print version ISSN 0100-1574

Cad. Pesqui. vol.40 no.139 São Paulo Jan./Apr. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-15742010000100019 

DESTAQUE EDITORIAL

 

 

O ESTADO DA ARTE SOBRE JUVENTUDE NA PÓS-GRADUAÇÃO BRASILEIRA: EDUCAÇÃO, CIÊNCIAS SOCIAIS E SERVIÇO SOCIAL - 19892006 (COL. EDUCERE, 2 V.). Marília Pontes Sposito (coord.) Belo Horizonte: Argumentum, 2009, 274 p.

Este livro representa o segundo balanço das dissertações de mestrado e teses de doutorado defendidas no Brasil sobre o tema Juventude. O primeiro balanço1 cobriu o período de 1980 a 1998 e focalizou a produção discente dos programas de pós-graduação apenas na área da Educação.

O trabalho atual estende a pesquisa incorporando também as áreas de Ciências Sociais (Antropologia, Ciência Política e Sociologia) e Serviço Social, e procura estabelecer parâmetros comparativos com a produção anterior.

O texto inicial elucida os procedimentos adotados e faz considerações acerca das características e tendências mais marcantes nos estudos realizados. Três artigos abordam aspectos referentes aos jovens e escolarização: "Juventude e escolar", "Jovens universitários" e "Jovens na intersecção da escola com o mundo do trabalho". As relações de gênero e a sexualidade e suas interfaces com a juventude são analisadas no estudo "Jovens, sexualidade e gênero". Pesquisa sobe os segmentos juvenis em situação de pobreza extrema e dos adolescentes em conflito com a lei é apresentada no artigo "Adolescentes em processo de exclusão social". Outros ângulos da condição juvenil são examinados nos textos: "Jovens e trabalho", "Juventude, mídias e TIC", os estudos sobre grupos juvenis, juventude e política, além do trabalho que aborda estudos históricos sobre juventude.

A publicação dos dois volumes deste livro resulta de uma das ações do Projeto Diálogos com o Ensino Médio, uma parceria entre o Observatório da Juventude da Universidade Federal de Minas Gerais, o Observatório Jovem da Universidade Federal Fluminense e a Secretaria da Educação Básica do Ministério da Educação.

Os objetivos dessa parceria consistem na busca de diálogo entre as temáticas do ensino médio e da juventude, com vistas a subsidiar a elaboração, a implantação e o monitoramento de políticas públicas que atendam com qualidade a população jovem no espaço da escola pública. Ao mesmo tempo, fomentam o intercâmbio da academia com outros atores envolvidos no processo de educação e de produção de conhecimentos relativos aos jovens alunos do ensino médio.

A base de dados utilizada no estudo, assim como este livro estão disponibilizados no portal E M Diálogo (www.wmdialogo.com.br).

Sob a experiente coordenação da professora Marília Pontes Sposito, esta obra reúne uma diversificada equipe de pesquisadores, composta por professores, alunos da pósgraduação e bolsistas de iniciação científica das universidades federais de Minas Gerais e Fluminense e da Universidade de São Paulo.

A divulgação dos resultados deste trabalho de fôlego aporta relevante contribuição para que se estruture e se consolide o campo de estudos sobre a juventude no país.

 

 

1. SPOSITO, M. P. (Coord.). Juventude e escolarização: 1980-1998. São Paulo: Inep, 2002.

 


 

NOS RASTOS DA SOLIDÃO: DEAMBULAÇÕES SOCIOLÓGICAS (COL. ENCICLOPÉDIA MODERNA, n. 10). José Machado Pais Lisboa: Ambar, 2006, 373 p.

Neste livro o autor faz um exercício de pensar a solidão buscando apreendê-la através dos distintos rostos de quem a vive, no contexto dos enlaces e desenlaces que a produzem, para chegar à lógica complexa de que é permeada.

Convencido de que pode haver uma leitura social dos sentimentos individuais, o autor segue o rastro da solidão nos estudos de caso que retratam as vivências de mendigos de rua; esquizofrênicos e consumidores compulsivos; bêbados e alcoólatras; viúvos, idosos e moribundos; amantes virtuais; solitários que se projetam em mundos espirituais; pessoas que se afeiçoam a animais de estimação; imigrantes clandestinos.

Ao explorar as mediações entre o social e o individual como realidades interdependentes, seu desafio é ver a sociedade no plano dos indivíduos, tentando, ao mesmo tempo entender como ela se traduz na vida deles.

Menos preocupado com a explicação em abstrato do fenômeno da solidão do que com sua implicação relacional com determinadas características ou modos de viver, o autor interessa-se, mesmo em forma de silêncios, pelas correlações das ações em termos da presença ou ausência de vínculos sociais. O obscuro mais do que o claro lhe chama a atenção; o implicado, ou complicado, mais do que o explicado; o não dito, ou o interdito, mais do que o dito. Chega assim ao oculto do manifesto, por meio do transversal, do oblíquo, do interpessoal, tomando os registros de observação como uma possibilidade aberta a múltiplos sentidos, em vez de restringi-los a um sentido unido, preferindo a interpretação dos dados à sua definição.

Um excelente exemplo de como trabalhar com a questão das subjetividades no plano social!

José Machado Pais é sociólogo e pesquisador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, professor convidado do Instituto Superior de Ciências e Trabalho da Empresa - ISCTE - e professor visitante em várias universidades européias e sul-americanas. É também diretor da Revista Análise Social.