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Cadernos de Pesquisa

Print version ISSN 0100-1574

Cad. Pesqui. vol.40 no.140 São Paulo May/Aug. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-15742010000200001 

Editorial

 

 

Cara leitora, caro leitor,

O Departamento de Pesquisas Educacionais da Fundação Carlos Chagas sedia o Centro Internacional de Estudos em Representação Social, Subjetividade e Educação – Ciers-Ed –, criado com o aporte da Maison de l'Homme da França, o qual desenvolve atualmente amplo programa de investigação sobre as representações sociais do trabalho docente com a participação de 31 grupos de pesquisa que pertencem a instituições de ensino superior no Brasil, na Argentina, na Grécia e em Portugal.

Em parte para subsidiar esses estudos com contribuições de ordem teórica e em parte oferecendo uma mostra das possibilidades de utilização desse referencial de análise, o Tema em Destaque, organizado por Lúcia Pintor Santiso Villas Bôas, pesquisadora da casa, apresenta as reflexões de Jean-Marie Barbier sobre as representações sociais e as culturas de ação nas quais se inscreve o mundo educativo e da formação profissional. Traz a lume as acuradas considerações da própria organizadora sobre a historicidade das representações sociais como fator fundamental para compreender os processos de generatividade e de estabilização de conteúdos que lhes são próprios. Dá lugar ainda às analises de Angela Arruda, Marilena Jamur, Thiago Melicio e Felipe Barroso que buscam entender os dispositivos criados no âmbito das representações para a solução de um problema com o qual se defrontava a sociedade do Rio de Janeiro na passada década de 90.

Na seção Outros Temas alinham-se vários estudos relacionados com a formação e o trabalho do professor, tema candente nas políticas atuais. O artigo de Elba Siqueira de Sá Barretto faz uma interlocução com um texto de Juan Carlos Tedesco e Emílio Fanfani acerca das raízes históricas das representações do trabalho e da formação docente e dos fatores contemporâneos que produzem mudanças nas representações e práticas. As proposições desses autores são discutidas à luz de dados de pesquisa realizados no país.

Gisela Lobo Tartuce, Marina Nunes e Patrícia Cristina Albieri de Almeida investigam um assunto que, além de preocupar os formuladores de políticas, tem sido objeto de destaque pela mídia: a atratividade da carreira docente. Para tanto recolhem e examinam as expectativas de alunos de ensino médio de diferentes regiões do país sobre a profissão. Aline Reali, Regina Tancredi e Maria da Graça Mizukami abordam uma questão emergente: a do apoio aos professores iniciantes no exercício da docência, realizado pela Universidade Federal de São Carlos no interior de São Paulo, em parceria com professores experientes da rede de ensino básico.

Outros dois artigos, um de autoras chilenas e outro de professor argentino, ocupam-se ainda dos próprios modelos de formação docente no ensino superior. O estudo de Donatila Ferrada Torres e Alicia Villena Spuler perscruta os modelos de ciência e de práxis subjacentes aos processos de formação dos profissionais de pedagogia. Roberto Follari, por sua vez, alerta para a distância entre as práticas universitárias e suas regras autolegitimadoras e as práticas profissionais dos alunos egressos das universidades.

O artigo de Reginaldo Carmello Corrêa de Moraes, sobre a educação a distância, alinha alguns pressupostos para entender os efeitos dessa modalidade de educação e, em seguida, detém-se na discussão do papel do poder público no fomento e configuração das políticas da área. Paulo Sérgio Marchelli, com base no exame do fluxo escolar e nos indicadores de desempenho da educação básica, considera os ganhos sociais da universalização do ensino em contraposição ao baixo rendimento apresentado pelos alunos.

Apoiada nas concepções de Gilles Deleuze, Marlucy Alves Paraíso se propõe a pensar um currículo com a diferença, buscando abalar os estratos de currículos já formados e experimentando pensá-los em movimento. Elio Carlos Ricardo contribui para elucidar as diferentes concepções de competência e suas respectivas lógicas em vista da centralidade adquirida pelo ensino por competência nas políticas públicas e no discurso educacional.

Sobre as práticas de educação não escolar, Eliana Perez Gonçalves de Moura e Dinora Tereza Zucchetti sugerem a superação das suas diversas formas de nomeação, maior acuidade no exame da sua intencionalidade e a adoção de uma concepção mais ampliada de educação, que incorpore a transdisciplinaridade na abordagem. O estudo de José Roberto Rus Perez e Eric Ferdinando Passone analisa a emergência e o desenvolvimento das políticas sociais de atendimento às crianças e aos adolescentes no Brasil, situando-as no contexto das transformações históricas e políticas que envolveram a consolidação do sistema de proteção social nacional ao longo do século XX e início do XXI.

Também neste número uma homenagem póstuma a nossa colega do Departamento de Pesquisas da Fundação Carlos Chagas, Regina Pahim Pinto, editora de Cadernos de Pesquisa de 1985 a 2002, falecida no dia 22 de abril próximo passado.

 

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