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Cadernos de Pesquisa

Print version ISSN 0100-1574

Cad. Pesqui. vol.40 no.140 São Paulo May/Aug. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-15742010000200003 

TEMA EM DESTAQUE - REPRESENTAÇÃO SOCIAL E PENSAMENTO SOCIAL

 

Representação social e pensamento social

 

 

O Tema em Destaque desta edição reúne três contribuições, uma francesa e duas brasileiras, que exploram, sob perspectivas diversas, as possibilidades heurísticas da teoria das representações sociais salientando sua pertinência interdisciplinar na medida em que discorrem sobre objetos oriundos do campo da educação, da história e da cultura.

Essa pertinência resulta da característica transversal da teoria que, situada na interface do psicológico e do social, permite uma reflexão acerca das formas e dos conteúdos da construção do pensamento social.

No que tange à educação, Jean-Marie Barbier analisa a relação entre a organização e a produção das representações sociais e as culturas de ação, no artigo "Representações sociais e culturas de ação". Tomando como princípio que o espaço educativo, juntamente com outros campos de atividades sociais e profissionais, é formado por meio de culturas de ação distintas (culturas do ensino, da formação, do acompanhamento), marcadas por léxicos e semânticas diferentes, que, por vezes, mantêm entre si relações de incompreensão, o autor propõe uma discussão acerca da formação e da construção das identidades profissionais e sociais.

A articulação entre história e representação social é tratada no artigo de minha autoria, "Uma abordagem da historicidade das representações sociais". Ao pontuar que as representações sociais são resultantes tanto da reapropriação de conteúdos oriundos de períodos cronológicos distintos como daqueles gerados pelos novos contextos, discute os processos de objetivação e de ancoragem como privilegiados para a investigação de sua historicidade.

No âmbito cultural, o texto de Angela Arruda, Marilena Jamur, Thiago Melicio e Felipe Barroso, intitulado "De pivete a funqueiro: genealogia de uma alteridade", analisa como as significações historicamente construídas do jovem pobre, negro e favelado na sociedade carioca são materializadas na imagem do funqueiro por meio da atualização de antigos temores das elites cariocas relacionados aos setores populares da cidade.

Espera-se que a reunião de  artigos com objetos de análise tão distintos, embora alinhavados pelo olhar psicossocial, contribua para enriquecer o interesse do estudo das representações sociais para as ciências humanas de modo geral.

 

Lúcia Pintor Santiso Villas Bôas
lboas@fcc.org.br