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Cadernos de Pesquisa

Print version ISSN 0100-1574

Cad. Pesqui. vol.40 no.141 São Paulo Dec. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-15742010000300001 

EDITORIAL

 

Editorial

 

 

Cara leitora, caro leitor,

Os Estudos Sociais sobre a infância estão profundamente atrelados à discussão do lugar da criança nas sociedades contemporâneas e ao reconhecimento e à ampliação de seus direitos. Sobre a questão, a seção Tema em Destaque deste número, organizada por Fúlvia Rosemberg, torna acessíveis, sobretudo aos leitores brasileiros e da América Latina, os estudos e as reflexões teóricas de autores provenientes de países nórdicos e do Reino Unido, que certamente têm muito a contribuir para enriquecer as pesquisas que se multiplicam entre nós sob essa ótica. Acompanha-os uma análise do contexto político que ensejou a promulgação da Convenção Internacional dos Diretos da Criança bem como das repercussões desta no Brasil; assina-a a própria organizadora em parceria com Carmem Lúcia Sussel Mariano.

Abre a seção Outros Temas o oportuno artigo de Sandra Zákia Sousa e Romualdo Portela de Oliveira que, em face da pletora de dados sobre o rendimento escolar na escola básica resultante das avaliações de sistema no Brasil, busca verificar em que medida é feito uso dos resultados produzidos pelos respectivos sistemas em cinco estados e ainda identificar seus eventuais impactos nas redes de ensino.

Também preocupadas com a melhoria do ensino, Vanda Mendes Ribeiro e Joana Borges Buarque de Gusmão apresentam dados de pesquisa que procurou validar a utilização de instrumento referente a Indicadores da Qualidade na Educação, o qual envolve a participação dos diferentes segmentos da comunidade escolar na autoavaliação das instituições educativas.

O ensaio de Zaia Brandão admite a dificuldade de traçar fronteiras entre o domínio da produção do conhecimento científico no âmbito das Ciências Humanas e Sociais e o da ação política, mas defende a procedência de preservar o distanciamento entre eles.

Nicholas Davis, ao analisar as disposições sobre a educação nas Leis Orgânicas dos municípios fluminenses, constata a sua fragilidade do ponto de vista da capacidade de exercer a autonomia municipal na formulação desses dispositivos, o que leva o autor a questionar o pressuposto de que o exercício da cidadania no âmbito local é mais fácil do que nas demais instâncias.

Claudia de Oliveira Fernandes e Márcia Aparecida Jacomini são autoras de dois artigos que recolocam a tensão séries/ciclos a propósito da implementação dos ciclos no ensino fundamental. Fernandes defende a necessidade de superar a dicotomia entre as formas de organização da escola em favor de uma educação mais democrática para o conjunto da população escolar. Jacomini focaliza as concepções dos pais de alunos acerca da repetência/não repetência nas escolas com ciclos.

Com o objetivo de distinguir o envolvimento colaborativo de outras formas de participação em grupo, grupos de alunos de ensino médio são desafiados a realizar uma atividade de pesquisa em Física, cuja dinâmica é analisada por Josimeire M. Júlio e Arnaldo Vaz.

Pesquisadores chilenos, Arturo Vallejos Romero, Daniela Monteiro Toledo e Susan Ávila Ñirril, relatam experiência de planejamento participativo em quatro municípios, cujos condicionantes foram: o envolvimento de outros atores além das autoridades locais, a corresponsabilidade na tarefa e o monitoramento e a avaliação compartilhados.

Mariangela Momo e Marisa Vorraber Costa põem em evidência e problematizam as implicações da mídia e do consumo nos modos de ser de crianças pobres que frequentam uma escola de periferia de uma capital brasileira.

Manuel Barbosa, da Universidade do Minho em Portugal, argumenta em favor do papel educativo da sociedade civil na organização da vida em comum em contextos multiculturais, propondo linhas mestras de uma pedagogia que redefina a agenda educativa dessa sociedade.

No Espaço Plural, leia-se ainda a entrevista concedida por Guita Lvovna Vigodskaia, filha de Vigotski, a Zoia Prestes, do Centro Universitário de Brasília.

Ao fechar este fascículo, queremos registrar nossa homenagem à combativa Heleieth Saffiotti, pioneira dos estudos de gênero e ícone do feminismo no Brasil, falecida aos 76 anos de idade no início de dezembro.

 

As Editoras

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