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Cadernos de Pesquisa

versión impresa ISSN 0100-1574

Cad. Pesqui. vol.42 no.145 São Paulo enero/abr. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-15742012000100016 

Cristina Bruschini (1945-2012)

 

 

Trabalhadora infatigável, Cristina veio para a Fundação Carlos Chagas em meados da década de 1970, passou a integrar o incipiente coletivo de pesquisa sobre mulher, cedo decidiu concentrar aqui suas atividades. Tornou-se uma das mais conhecidas faces públicas da instituição, que ganhou renome de excelência na área de estudos de gênero, em grande parte graças às suas pesquisas sobre trabalho feminino.

Foi das primeiras a afirmar que a entrada das mulheres brasileiras na força de trabalho era um fenômeno irreversível. Firme defensora de suas convicções, sempre argumentou, contrariando visões pessimistas, que a posição das mulheres na sociedade brasileira vinha melhorando gradualmente.

Figura decisiva no processo de consolidação e institucionalização de um novo campo de estudos, formou diversas gerações de jovens pesquisadores.

Modelo de sobriedade, comedimento e civilidade, sua postura moderada e desapaixonada contribuiu com frequência para desarmar conflitos e amenizar tensões.

Foi editora executiva dos Cadernos de Pesquisa entre maio de 1993 e novembro de 1999.

Em sua homenagem, divulgamos breves depoimentos que, como instantâneos, iluminam alguns ângulos de seu talento e maestria.

Os Editores

 

 

Cristina e eu éramos o exemplo vivo de que os opostos se atraem. Tínhamos estilos radicalmente diferentes. Ela me achava "cuca fresca", o que eu interpretava como um misto de crítica e elogio (dizia o mesmo do Sérgio, seu marido). Apesar disso, estabelecemos uma sólida parceria que durou muitos anos. Eu a conheci em meados dos anos de 1970, quando ela estava preparando sua tese na USP, com a Aparecida Gouveia, que nos apresentou. Aparecida era muito rigorosa e só aceitava orientandos que demonstrassem seriedade e competência. Uma apresentação dela era um certificado de garantia. Imediatamente convidei Cristina a fazer parte de um grupo que estava começando a reunir-se informalmente na garagem da Carlos Chagas, na Praça Rezende Puech.

Éramos um grupo bem variado, que se reunia para discutir pesquisas sobre a mulher, em andamento ou já publicadas. Num ambiente acadêmico de panelinhas fechadas e acirrada competição, esse grupo era um oásis para as jovens pesquisadoras que começavam a enfrentar a resistência aos estudos de mulher, como eram então chamados. Foi também um espaço de crítica construtiva e colaboração, e de criação de uma mentalidade extraordinariamente aberta à diversidade de enfoques teóricos, metodologias e interesses temáticos, que veio a caracterizar a área de estudos de mulher da Carlos Chagas e seus concursos. Nós nos levávamos muito a sério - talvez até demasiadamente -, mas conseguíamos manter uma atmosfera de atividade lúdica.

Além das pesquisadoras da Carlos Chagas, e da Aparecida, de quem sempre fomos muito próximas, desde a criação do Departamento de Pesquisas Educacionais, tínhamos a Marly Cardone, professora da São Francisco, primeira a se interessar pelos direitos das mulheres; Betty Mindlin, que estava deixando a economia e virando antropóloga; Eva Blay, socióloga da USP, que estava fazendo uma pesquisa sobre as prefeitas; Felicia Madeira, do Cebrap, que estudava o trabalho feminino; Walnice Galvão, professora de Teoria Literária e Literatura Comparada da USP que investigava as donzelas guerreiras; Glaura Miranda, que vinha da Faculdade de Educação de Belo Horizonte; Neuma Aguiar, do Iuperj do Rio, e Heleith Saffiotti, da Unesp de Araraquara. Eu talvez esteja esquecendo algumas, mas estas eram as mais assíduas. Mas quem não faltava nunca era a Cristina, sempre muito pontual e interessada em tudo que se apresentava ali.

Logo a contratei como minha assistente, e nós duas - grávidas ambas - passamos a compartir entusiasmos, ideias e sonhos. Na colaboração intensa que tivemos ao longo de tantos anos, agíamos tão afinadamente que não me lembro de nenhuma tensão. Muito responsável, competente e rigorosa, seu trabalho era de altíssima qualidade. Extremamente organizada, sempre cumpria prazos e equilibrava muito bem sua vida pessoal e profissional. Cuidadosa no uso do idioma, escrevia com perfeição. Era muito elegante, tanto no vestir como no trato com as pessoas. Seu estilo era o clássico, o que a destacava nos meios feministas, mais adeptos das alternativas da contracultura. Ela tinha consciência do contraste, mas fazia questão de contribuir para uma visão diversa do ser feminista. Esta era apenas uma das manifestações de seu espírito independente e de sua capacidade de resistir a pressões de grupos.

Tanto por suas pesquisas como pela liderança que veio a exercer na direção da área de mulheres e dos concursos da Fundação Carlos Chagas, Cristina deu uma contribuição inestimável aos estudos feministas no Brasil. Deixa muitas saudades.

CARMEN BARROSO
Diretora da International Planned Parenthood Federation - IPPF, Nova Iorque

 

 

Como é difícil escrever sobre amigas que se vão! há dias que tento e não encontro palavras. Cristina entrou na minha vida num momento muito especial. Estava lutando para terminar meu doutorado, no começo dos anos de 1970, com todas as dificuldades que atualmente ninguém consegue imaginar. Não é que não tivéssemos computador, não tínhamos nada! Até papel, máquina de escrever, espaço físico para análise dos questionários, tudo tinha de ser feito a mão. E não estávamos dispensadas de dar aula, de dia e à noite. De repente aparece uma jovem, disposta a ajudar -, ela dizia que queria aprender como se fazia pesquisa (como se não soubesse!) -, uma enorme disposição para trabalhar de dia e à noite, na Cidade Universitária para a qual mal tínhamos nos mudado. E veio, voluntariamente, se integrou, se empenhou. Se aprendeu, não sei; ensinou muito. Superorganizada perante uma pesquisadora que não primava pela organização, deu seu toque. Superamos, ela, eu e o grupo, muitos problemas. Nem mesmo quando ficou grávida do primeiro filho deixou de trabalhar voluntariamente. Trocamos muitas ideias, apoiou-me nas novas etapas de minha vida. Acompanhei a dela de longe, mas muito perto. A trilha iniciada naqueles anos continuou para sempre...

EVA BLAY
Titular do Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e ciências Humanas - FFLCH/USP

 

 

Fomos colegas no curso de pós-graduação de Ciências Sociais da USP, nos anos de 1970, Elba, Regina Pahim, eu e Cristina. Tivemos a mesma orientadora, a professora Aparecida Joly Gouveia, pesquisadora da USP que teve um papel importante na implantação do Departamento de Pesquisas

Educacionais da Fundação Carlos Chagas. Cristina veio trabalhar na Fundação, inicialmente com Carmen Barroso, participando de projetos financiados pela Fundação Ford em nosso departamento. Cristina faz parte de nossa história e contribuiu muito para construir a imagem externa de seriedade e competência de que nossa instituição se beneficia até hoje. Nós, e muitos outros grupos de pesquisa Brasil afora, sentiremos muito sua falta.

MARIA MALTA CAMPOS
Professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC/SP

 

 

A sociologia das relações de gênero está irrevogavelmente associada ao nome da Cristina Bruschini. Pesquisadora incansável das desigualdades de gênero no mercado de trabalho, sua obra é uma referência fundamental para os estudiosos da evolução das relações de gênero no país nos últimos trinta anos.

As pesquisas desenvolvidas pela Cristina são um esforço muito bem-sucedido de mostrar as interações entre as dinâmicas do mercado de trabalho e da família. Sempre atenta à articulação entre a atribuição do trabalho doméstico às mulheres e os efeitos que isso produz sobre as oportunidades de trabalho remunerado, seus estudos se baseiam em análises aprofundadas e em rigorosa metodologia.

Foi também uma firme defensora do uso de métodos quantitativos e da defesa do potencial cognitivo que oferecem à Sociologia, particularmente, ao estudo das relações de gênero. Como Cristina insistia em lembrar, os métodos quantitativos na nossa disciplina sofreram de permanente descrédito, visto que foram associados à Sociologia norte-americana e ao imperialismo acadêmico desse país. Contra a corrente, e para nossa sorte, Cristina persistiu na sua escolha e hoje temos como legado um rico e instigante conjunto de pesquisas e análises sobre trabalho, carreiras, profissões e família no país, nas últimas décadas.

Longe de uma apropriação ingênua de dados estatísticos, Cristina estava consciente das limitações decorrentes da forma como as perguntas são formuladas nos levantamentos censitários e pela frequente utilização de categorias pouco sensíveis à situação das mulheres. Seus trabalhos são um exemplo de reflexão crítica sobre os alcances e limites daquilo que se pode inferir a partir das fontes de dados oficiais disponíveis. Mais do que isso, teve influência marcante na reformulação dos levantamentos censitários ocorrida nos anos de 1990, que tornaram mais visível a contribuição econômica das mulheres, especialmente, no trabalho doméstico.

Seus estudos sempre combinam, de maneira equilibrada, dois recortes de análise sobre as desigualdades de gênero, um retrato das desigualdades como elas se mostram hoje e um panorama da sua evolução ao longo do tempo. Assim, seus leitores, dependendo do ângulo pelo qual olham e da maneira pela qual analisam, poderiam concluir que o copo está meio cheio ou meio vazio.

A Cristina foi uma pioneira na abertura de possibilidades para a realização de pesquisa sobre as relações de gênero no país. Como coordenadora, ao longo de mais de uma década, dos Concursos de Pesquisa sobre Mulher e Relações de Gênero da Fundação Carlos Chagas e com o apoio da Fundação Ford, formou uma geração de pesquisadores e semeou o interesse por essa área temática em âmbito nacional. Mais do que a concessão de auxílio financeiro nos moldes convencionais, o que mais entusiasmava a Cristina era o papel educacional contido no programa, que abrangia o acompanhamento dos bolsistas nas diferentes etapas de pesquisa, a realização de seminários e publicações.

O ambiente de discussão e troca de ideias, proporcionado pelo formato que Cristina imprimiu ao programa, contagiava toda a comissão organizadora dos concursos, composta por professoras de várias universidades e de disciplinas distintas, e da qual fiz parte. Recorrentemente reconhecíamos que esse era um dos espaços mais estimulantes e gratificantes que havíamos encontrado para debater nossas ideias e, até mesmo, melhor entender as nossas diferenças.

A postura firme e elegante diante dos desafios, o entusiasmo e a competência com que abraçava novos projetos e a generosidade com que compartilhava os seus conhecimentos são qualidades admiráveis e me fazem sentir privilegiada por ter tido a Cristina como amiga e colega.

BILA SORJ
Titular do Departamento de Sociologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ

 

 

Com Cristina Dividi a curiosidade pelo que os números podiam nos contar, a propósito da posição das mulheres no mercado de trabalho. As bases de dados das agências oficiais de estatística eram as "minas de ouro" sobre as quais nos debruçávamos. Ela trabalhava essas informações há, já, algumas décadas, quando sua divulgação não era regular, não eram de fácil acesso, nem havia a possibilidade de o pesquisador realizar cruzamentos segundo seus interesses específicos, no seu próprio computador pessoal. Nas décadas de 1970, 1980 e mesmo no começo dos anos de 1990, ainda eram poucos os pesquisadores que estudavam as estatísticas com a perspectiva de desvendar a segregação e a desigualdade das mulheres no mundo do trabalho. Se, hoje, as análises de estatísticas do trabalho que incorporam a perspectiva de gênero estão disseminadas na academia, na imprensa, nas agências oficiais de estatística, devemos esse avanço ao esforço inicial desse pequeno grupo de pesquisadores pioneiros, do qual Cristina fazia parte. Como ela dizia jocosamente, "antes eu corria atrás dos dados, agora são eles que correm atrás de mim".

Nossa colaboração profissional se iniciou em 1996 e fomos apresentadas pelo amigo comum Hélio Zylberstajn, economista e professor da FEA/USP, integrante da diretoria da nascente Associação Brasileira de Estudos do Trabalho - Abet -, da qual Cristina também participava.

Ela procurava "alguém que soubesse mexer com as bases de dados" e eu, que na ocasião trabalhava como consultora autônoma, vinha de uma tradição de análise de informações quantitativas sobre o trabalho e o mercado de trabalho, forjada na atividade profissional, em minhas passagens pela Divisão de Planejamento, Pesquisa e Avaliação do Senai/SP e pelo Sistema Estadual de Mão de Obra, projeto desenvolvido na Secretaria de Planejamento do Estado de São Paulo. Mas devo à Cristina, a incorporação da perspectiva de gênero nas análises que passei a fazer, desde então. Com ela aprendi os instrumentos teóricos e metodológicos necessários para captar e analisar as especificidades do trabalho feminino, sempre de forma relacional, comparativamente ao masculino. Com sua orientação e direção, pude vislumbrar a amplitude do conhecimento acadêmico "feminista" existente, sua complexidade e diversidade, instigando-me a voltar a estudar. Foi também Cristina quem apresentou minha futura orientadora no mestrado e no doutorado na Universidade Estadual de Campinas -Unicamp -, Liliana Segnini, e a ela me recomendou. Depois do encontro com Cristina e a convivência com ela, ficou definitivamente incorporada a perspectiva das relações de gênero nos estudos que realizei e realizo sobre o mercado de trabalho e as profissões.

Daí resultou uma parceria fecunda e intensa - particularmente entre 1996 e 2003 -, resultando em diversos escritos acadêmicos, participações em congressos, seminários e palestras, na montagem do Banco de dados sobre o trabalho das mulheres - iniciativa pioneira de disponibilização de estatísticas e análises on-line sobre o trabalho das mulheres -, que foi ao ar em 1998, e, na organização do seminário internacional Trabalho e gênero: comparações internacionais, em colaboração com a equipe de pesquisadores franceses da rede Marché du Travail et Genre - Mage -, em 2007.

Entre nós se estabeleceu uma dessas raras parcerias autorais, baseada em respeito mútuo, interesse temático comum e modo de funcionar sintonizado, que nos permitia trabalhar muito bem juntas. Apesar de, individualmente, cada uma ter seu jeito próprio de escrever um artigo, por exemplo, quando "juntávamos" nossas partes, divididas a priori, pouca ou nenhuma alteração era necessária, tal a sintonia existente.

Nos últimos anos, Cristina passou a privilegiar em suas pesquisas as relações entre o trabalho na esfera doméstica e na pública, o cuidado da família e dos filhos, alterando seu núcleo principal de interesse. Tive a oportunidade de lhe dizer a falta que sentia da nossa antiga parceria e dos debates e trocas de informações que tivemos, por muitos anos. Sua ausência deixa para mim e para todos(as) os(as) pesquisadores(as) da temática "relações de trabalho e gênero", uma lacuna que não pode ser preenchida.

MARIA ROSA LOMBARDI
Pesquisadora da Fundação Carlos Chagas

 

 

Além da distinção de uma elegância marcante e destacada entre feministas, Cristina Bruschini era também referência pelo êxito de suas muitas empreitadas científicas e por estar no topo dos autores mais citados no campo dos estudos de gênero. Retomar a bibliografia das tantas milhares de teses que foram produzidas a partir dos anos de 1980 ou dos outros tantos artigos que sedimentaram um novo campo de conhecimento a partir da divisão sexual e social do trabalho, é retraçar a trajetória política, acadêmica e feminista da demiurga Bruschini. Ela e a história do feminismo no Brasil entrelaçam-se no que forjaram de melhor para as mulheres brasileiras e para a construção de um saber genuíno, despido de estigmas e discriminação. O tal saber conjugado no feminino, diziamos à época...

Tal como Heleieth Saffioti, cuja veia teórica inovadora e engajada foi seminal para os estudos de gênero no Brasil, Bruschini trabalhou com rigor e solidez para erguer, estruturar e consolidar a problemática de gênero na sociologia, inicialmente, e posteriormente, como campo de saber específico nas Ciências Sociais. Tinha inquestionavelmente um approach institucional de como garantir não apenas espaço senão centralidade e autonomia ao pensamento feminista. Sua prática de pesquisa, seu trabalho no âmbito da Fundação Carlos Chagas - nas várias iniciativas que coordenou -, na Anpocs ou no CNPq, expressam um saldo extraordinariamente fecundo que hoje constitui o lastro de uma ação coletiva que alçou grandes conquistas. Ação coletiva que demandava liderança e capacidade de realização, duas características inconfundíveis de La Bruschini.

O La vai pelo seu lado diva. E ela o era. Dura nos compromissos, admirável na sua personalidade e excelência, performática no que realizava, altaneira na forma de colocar as questões que lhe pareciam essenciais ao projeto da equidade entre os sexos. E singular entre nós. La Bruschini encarnou e sintetizou muitas qualidades dispersas entre muitas mulheres. A mais exemplar, sua determinação incansável em desbravar, ampliar, enraizar e preservar o conhecimento feminista.

Sem dúvida, as novas gerações que se seguiram e as que ainda estão por vir hão de alimentar-se permanentemente do seu legado. Legado importante, cujo diferencial reside no foco. O foco nas desigualdades entre os sexos no mercado de trabalho e na articulação entre público e privado. Ela percorreu décadas apontando as mudanças, as rupturas e as permanências impostas às mulheres que romperam o cerco do doméstico. Suas análises, além de conjugarem dados consistentes e tendências em séries temporais, desvendavam dinâmicas desconhecidas e novas. Caso, por exemplo, da feminização das carreiras de prestígio, em que, embora numa inserção muito semelhante à dos homens, "as mulheres continuam sujeitas a padrões diferenciados por gênero, dos quais a discriminação salarial é apenas a mais evidente"1. Ou ainda o trabalho domiciliar masculino, no qual, através de entrevistas em profundidade, revela que, mesmo ocupados em casa, os homens eram portadores de projetos profissionais e pessoais, fazendo escolhas - ao contrário das mulheres - "não influenciadas por razões de ordem familiar". Uma "opção não casual" para os homens, "fruto de uma decisão objetiva em favor do trabalho por conta própria"2. Enquanto o domicílio significava para os homens "autonomia", representava o inverso do que é a casa, o lar, para as mulheres.

Foram muitas as descobertas, revelações, com dados quantitativos ou pesquisas qualitativas. Na sua maioria, reunidos nas páginas da Revista Estudos Feministas - que apoiou, ajudou a criar e fortaleceu com sua presença constante - e nos Cadernos de Pesquisa, da Carlos Chagas, que transformou, com sua extraordinária parceira de 40 anos, Albertina Costa, em mais um veículo científico absolutamente referencial de divulgação do pensamento feminista.

Cristina se foi. Mas La Bruschini permanece. Na nossa trajetória de aprendizado coletivo e na memória saudável de tantos bons momentos, vigorosos e criativos. Revolucionários por sua prática desmistificadora. Definitivos em nossas vidas.

LENA LAVINAS
Professora Associada do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ

 

 

As lembranças que tenho de/com Cristina Bruschini misturam várias identificações que pedem tributo, ainda que engendrado por flashes que se embaralham em memória borrada pela idade e por razões sem fronteiras nítidas, como a sensível e a intelectual.

A razão sensível permite que muito me emocione com o que significou Cristina Bruschini na minha vida profissional e os ecos do que chamo "a geração do Comitê", isto é, uma perspectiva feminista à qual tento me alinhar até hoje: alérgica a competições e pompas alimentadas por burocracia acadêmica ou institucional, mas voltada a disputas de ideias, preocupada com o rigorismo científico pautado em pesquisas e em colaborar para processos, ou seja, a formação de outras gerações. Perspectivas comprometidas com o feminismo como episteme transformadora, ou seja, do próprio conhecimento, e não um achismo alimentado por "vaginocracias", coisa de mulher.

De Cristina Bruschini me veio o primeiro convite quando eu voltava para o Brasil, no final dos anos de 1980, depois de cerca de dez anos no exterior, para integrar uma comunidade de pares, no campo de estudos de gênero, muito especial, o singular Comitê do Concurso de Dotações para Pesquisa sobre Mulher e Gênero, que ela coordenava na Fundação Carlos Chagas. Singular por sua composição, singular por sua proposta.

O comitê me possibilitou convivência gratificante com referências-pessoas que há muito vêm enriquecendo o fazer gênero e legaram um gênero de feminismo, pautado pela amizade, solidariedade, o riso e o siso, e preocupação com a qualidade do campo. Todas nos gratificávamos com o estar juntas e Cristina dava a liga. Como dizia Helô (Heloísa Buarque de Hollanda), tínhamos que, nas avaliações das propostas, preocupar-nos com a criatividade e a possibilidade de crescimento e multiplicação do projeto, da autora ou autor. Tem que ter "angústia a proposta, não basta denuncismos", a que Cristina acrescentava: "e rigor metodológico, pois só vitimização não faz o feminismo. Como se analisa no projeto o imaginário e o lugar do masculino e as organizações?". E as propostas, insistia Cristina, não podem ser "encaixilhadas em formatos rígidos", venham da academia, de movimentos sociais, de ONGs, mas "têm que ter rigor, vamos premiar pessoas que venham a multiplicar, com potencialidade para enriquecer o campo de estudos sobre mulher e gênero"3. E essa preocupação com o/a indivíduo, o/a candidata, e seu lugar institucional, de que região, com que propósitos, sempre me entusiasmaram. Insisto no seu interesse em reconhecer contribuições, estimular diálogos, trabalhar em equipe, repito, dar liga.

Conviver na década de 1990, com Cristina Bruschini, Albertina de Oliveira Costa, Heloísa Buarque de Hollanda, Celi Regina Pinto, Bila Sorj, Maria Odila Leite da Silva Dias e depois Lourdes Bandeira, nas reuniões para análises das propostas para o concurso, nos encontros e seminários com os/as bolsistas foi um privilégio. Privilégio impulsionado por Cristina, pessoa que, insisto, sabia somar, ouvir, reconhecer, ponderar diversidades e insistir em um propósito: a modelação do campo de estudos de relações sociais sobre mulher e gênero e práticas de intervenção no campo.

E a epifania dos seminários ampliados, os debates, alguns ácidos, mas inteligentes, como os do Seminário de São Roque - sobre Estudos sobre Mulher no Brasil, em 1991 -, que resultou no livro, hoje um clássico dos estudos de gênero no Brasil, Uma questão de gênero (organizado por Albertina de Oliveira Costa e Cristina Bruschini)? Sempre a preocupação com uma comunidade de destino, os debates, a divulgação de obras pioneiras. Outro tipo de liga, a de ideias em confronto:

Num clima de louváveis debates teóricos, o encontro de São Roque constatou a existência de um movimento de construção do conhecimento sobre as relações entre os sexos, dentro de um amplo e diversificado leque de temáticas. Seus resultados reforçam a importância de seminários como esse que, mobilizando especialistas de todo o país estimulam uma avaliação rigorosa de sua produção.4

O tributo que pede a razão intelectual, adensada pela sensível, resgata a mentora de um processo básico para uma geração de jovens que foram agraciados com bolsas quando do período do Concurso de Dotações, em tempos em que recém se iniciava a conquista de espaço na academia por estudos de gênero e imperavam os preconceitos contra os trabalhos voltados para a ação, o chamado saber militante.

Ressalto também a fertilidade de Bruschini, decolando suas publicações de pesquisas sobre família, mulher e trabalho, e modo único de insistir na importância das análises quantitativas, comparativas sobre homens e mulheres no público e no privado, de alguma forma inaugurando discussões sobre cuidados e divisões sexuais de trabalho, decoladas do empírico, sem escorregar em empiricismos.

Em tempos em que a materialidade do trabalho - no mercado e na casa -, os registros de extensões e posições estavam eclipsadas pelo fascínio com o simbólico, dimensões subjetivas, relacionais captadas em estudos de caso, ou alinhados ao interacionismo simbólico e caminhos reflexivo-qualitativos, Cristina recorria a surveys, chamava atenção "da organização social das relações entre os sexos", a importância de usar criticamente as estatísticas oficiais, em particular para análise sobre o trabalho da mulher5.

Registro também a admiração por ser Cristina Bruschini a nossa feminista lady like, sem ser perua! Ah, como eu admirava sua elegância, o 'it' da correntinha de ouro, a preocupação para que os encontros do comitê e os seminários se realizassem em ambientes agradáveis, requintados, em que distribuía gentilezas, afastando-se do estereótipo de que conhecimento por identidades transgressoras, como o feminismo, codifica-se por ascetismo.

Obrigada, Cristina Bruschini, por sua contribuição a um modo de ser e fazer estudos sobre mulher e gênero, por sua acolhida e por ser peça significativa, para a nossa (his) (her) story, que por pessoas como você é história composta de estórias delas e por elas, em diversos campos.

MARY GARCIA CASTRO
Professora da Pós-Graduação da Universidade Católica de Salvador e Pesquisadora do CNPq

 

 

Tive o prazer e o privilégio de conviver estreitamente com Cristina Bruschini nos últimos oito anos. Formada na boa escola acadêmica anterior ao "produtivismo científico" vigente, ela jamais procurou privilegiar esse aspecto em seus trabalhos. Entendia que o fazer acadêmico tinha seu tempo, para que fosse bem feito e original.

Isso não significou, no entanto, produzir pouco. Publicou regularmente nos últimos anos, sem falar nas diversas atividades em que se envolveu. Antes de trabalhar com ela, eu já conhecia vários de seus trabalhos, que eram sempre muito bem recebidos pela comunidade acadêmica, em especial entre as/os estudiosas/os de gênero. Só nos últimos dez anos, organizou duas coletâneas6, elaborou vários artigos e capítulos de livro e uma grande pesquisa sobre trabalho doméstico em famílias de baixa renda, realizada em duas etapas: Articulação Trabalho e Família, cuja primeira fase reuniu legislação nacional e internacional sobre a questão, além de investigar mulheres de baixa renda7, e Revendo Estereótipos, sobre o trabalho doméstico masculino8.

Cristina sempre foi uma pesquisadora colaborativa, trabalhava bem em equipe, ouvia todo o tipo de sugestão sem deixar de dar ao trabalho a sua orientação. Apesar de não lecionar, não se esquivava a formar as pesquisadoras mais jovens que com ela trabalharam, sempre incentivando o aperfeiçoamento intelectual, a ida a congressos e o trabalho acadêmico. Nos últimos vinte anos, pelo menos três pesquisadoras tiveram o privilégio de usufruir de sua experiência e generosidade, trabalhando estreitamente com ela: Maria Rosa Lombardi, Sandra Unbehaum e eu. Cristiano Mercado foi outro colaborador próximo de Cristina, principalmente na lida com microdados de estatísticas nacionais. Isso sem falar no sem número de parcerias com outras pesquisadoras e estudiosas.

Foi feminista de primeira hora na segunda onda do feminismo brasileiro, investigando o trabalho das mulheres, constituindo o seleto grupo de acadêmicas feministas que começa a produzir regularmente trabalhos sobre a condição feminina. Colaborou com os movimentos feministas na década de 1980, em especial no processo de elaboração da Constituição de 1988. Desde então, nunca deixou de dialogar com esses movimentos, discutindo e fornecendo subsídios para a discussão de políticas públicas para as mulheres.

Durante a carreira, sua preocupação sempre foi com o trabalho produtivo das mulheres e o encargo do trabalho doméstico que quase sempre recaía sobre elas. Tendo assistido ao ingresso contínuo das mulheres no mercado de trabalho desde meados da década de 1970, até os altos índices atuais de participação das mulheres na População Economicamente Ativa (hoje mais de 50% das mulheres trabalham ou procuram emprego, isto é, são economicamente ativas, segundo estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE), suas preocupações se voltaram, na última década, ao difícil malabarismo entre trabalho e família que a maioria das mulheres trabalhadoras tinha que enfrentar.

Ela mesma, como mãe amorosa e esposa dedicada, tinha que conciliar as atividades profissionais com a atenção à família. Para isso, sempre assinalava que podia contar com o cuidado e companheirismo do marido Sérgio, parceiro de tudo na sua vida. Também nessa última década, pôde assistir ao casamento da filha, Cristiana, e ao nascimento de seus dois netos; torcia para o filho, Fábio, se "acertar" com a namorada, de quem gostava muito.

Nos últimos meses, em razão do seu tratamento, trabalhava em casa. Fui várias vezes até lá para os últimos retoques em um artigo que havia sido aprovado para publicação (mas ainda não publicado) na Revista Estudos Feministas. Sentia prazer em trabalhar e esquecia os problemas de saúde. O trabalho sempre foi sua maior terapia. Trabalhou até quando pôde.

Não seria possível traduzir neste texto a energia e a determinação de Cristina. Um pilar dos estudos de gênero no Brasil, um exemplo para mim e para todos os que conviveram com ela.

O primeiro trabalho importante de Cristina foi o seu doutorado, publicado em livro: Mulher, casa e família: cotidiano nas camadas populares (São Paulo: Vértice, 1990); um dos seus trabalhos preferidos (considerado por ela seu melhor artigo) foi: "Fazendo as perguntas certas: como tornar visível a contribuição econômica das mulheres para a sociedade", no livro Gênero e trabalho na sociologia latino-americana (São Paulo, Rio de Janeiro: Alast, 1998). Entre as numerosas coletâneas que organizou, Uma questão de gênero (em conjunto com Albertina de Oliveira Costa. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1992) é até hoje considerado um clássico.

Dentre os trabalhos mais recentes, há "Trabalho doméstico: inatividade econômica ou trabalho não remunerado?", capítulo do livro Novas conciliações e antigas tensões? Gênero, família e trabalho em perspectiva comparada (Bauru, SP: Edusc, 2007); os artigos "Trabalho e gênero no Brasil até 2005: uma comparação regional" (com Arlene Ricoldi e Cristiano Mercado), que faz parte do livro Mercado de trabalho e gênero: comparações internacionais, organizado com Albertina Costa, Bila Sorj e Helena Hirata (Rio de Janeiro: FGV, 2008); e "Família e trabalho: difícil conciliação para mães trabalhadoras de baixa renda" (em conjunto com Arlene Ricoldi), que foi publicado em Cadernos de Pesquisa, da Fundação Carlos Chagas, n. 136, 20099.

Seu último trabalho publicado foi "Trabalho, renda e políticas sociais: avanços e desafios" (com Arlene Ricoldi, Cristiano Mercado e Maria Rosa Lombardi), no livro O progresso das mulheres no Brasil (Rio de Janeiro: Cepia; Brasília: ONU Mulheres, 2011)10.

ARLENE MARTINEZ RICOLDI
Pesquisadora da Fundação Carlos Chagas

 

 

Outro dia li um verso que dizia "a vida é feita de várias vidas"; nossa história pessoal carrega a marca da vida de muitas pessoas. A minha ao lado de Cristina Bruschini durou 20 anos! Tempo suficiente para imprimir marcas indeléveis. Sob a mão de Cristina um mundo de possibilidades se abriu, quando em 1991 contratou-me como bolsista para auxiliá-la na pesquisa Família e trabalho domiciliar em São Paulo. Recém-graduada em Sociologia pela Universidade Estadual de Londrina, recém-chegada a São Paulo, sem nenhuma experiência em pesquisa, menos ainda nas questões de gênero, Cristina tornar-se-ia minha mestra, no sentido mais genuíno da palavra. Em pouco tempo estabeleceu-se entre nós uma relação profissional marcada por afeto e lealdade. Essa relação definitivamente decidiu minha trajetória profissional. Cristina ensinou-me absolutamente tudo sobre pesquisa e desenvolvimento de projetos. Generosa, exigente, envolvia sua equipe em todas as tarefas de qualquer atividade, gerando oportunidade de enorme aprendizado. Aprender fazendo, junto. Os resultados das pesquisas geravam artigos escritos a quatro mãos, sem condescendência.

Na pesquisa Família e trabalho domiciliar, entrevistamos mulheres e homens que exerciam atividade remunerada no espaço doméstico, o que despertou meu interesse em estudar a relação dos homens com a paternidade, tema do meu mestrado. Coincidentemente, no mesmo período, meados dos anos de 1990, o tema da masculinidade estimula a criação de grupos de estudos, levando-me a participar de um deles. Em seu livro Mulher, casa e família11, Cristina já chamava a atenção para a importância de considerar nos estudos de gênero o sujeito masculino:

...embora as relações entre homens e mulheres - percebidas neste momento de reflexão, como relações de "gênero", histórica e socialmente construídas e não apenas como sexos biologicamente distintos - passassem a ser o objetivo de novos estudos que adotavam uma perspectiva relacional, poucas foram as tentativas de trazer a presença e o discurso dos homens, eles também inseridos no espaço familiar, para os estudos sobre a mulher.

Ela própria não enveredou naquele momento pelos estudos da masculinidade, porque seu foco sempre foi a mulher trabalhadora e a articulação trabalho/família. Só mais recentemente voltaria, na companhia de sua mais recente assistente de pesquisa, Arlene Ricoldi, a esse tema.

Outro importante momento em minha formação profissional, sob a mão de Cristina, foi a participação no Programa de Dotações para Pesquisa sobre Mulheres e Relações de Gênero, primeiro como assistente e, por fim, integrando o comitê organizador. Tive o privilégio de conviver com um grupo ímpar de pesquisadoras do campo dos estudos de gênero. Acompanhar os processos de seleção dos projetos de pesquisa, a leitura dos relatórios, a discussão com as/os bolsistas selecionadas/os sobre os resultados de seus estudos, contribuíram para minha formação não somente como pesquisadora, mas como coordenadora de projetos. Cristina era impecável na condução desse programa, criando um modelo que foi posteriormente inspirador para outros semelhantes.

Sabemos que as questões que movem nossos estudos são também aquelas que, de algum modo, movem nossos interesses ou conflitos pessoais. Cristina era uma mulher profissional, valorizava e investiu em sua carreira como pesquisadora, dedicou-se exclusivamente ao Departamento de Pesquisas Educacionais. Lidava com o mesmo conflito vivido por inúmeras mulheres de distintos segmentos sociais, o de conciliar a carreira e a vida familiar e doméstica. Mesmo dispondo de condições materiais que a permitiam usufruir de uma boa infraestrutura, Cristina atribuía para si inúmeras tarefas familiares, sem deixar de cumprir uma jornada de 40 horas semanais de trabalho no DPE. Penso que talvez ela mesma não se tenha dado conta de que a sua própria experiência pessoal tenha estimulado anos e anos de estudos para compreender justamente os diferentes processos de articulação trabalho/família. Sabemos que ainda na atualidade o ponto sensível das desigualdades de gênero está justamente no peso que as tarefas domésticas e o cuidado com os filhos exercem sobre as mulheres que desejam investir na vida profissional.

Sinto-me privilegiada por ter tido Cristina como mestra. Sei que ela tinha orgulho da equipe que constituiu: Maria Rosa, Arlene e eu. Ciosa de "suas crias", cuidou para que fôssemos incorporadas ao corpo de pesquisadores da Fundação Carlos Chagas. Em relação a mim, sei que guardava uma única decepção: o fato de eu não ter-me familiarizado com os dados estatísticos, com o esmiuçar base de dados e produzir tabelas que ajudassem a ilustrar e fundamentar novos estudos qualitativos sobre as mulheres no mercado de trabalho. Segui vários outros rumos, instigada pelo mundo de descobertas que ela própria colocou à minha disposição.

De Cristina trago comigo o rigor e o cuidado em tudo o que fizer, seja uma pesquisa, seja um seminário. Capricho nos detalhes, esmero na escrita. Cristina sabia reunir pessoas competentes, interessantes, como foi o caso da Comissão Organizadora do Programa de Dotações. Estimulava o trabalho coletivo. Era justa. Essas e outras qualidades são a marca que carrego comigo e norteiam minha atuação como chefe do Departamento de Pesquisas Educacionais, a forma encontrada para mantê-la presente e de homenageá-la para sempre.

SANDRA UNBEHAUM
Pesquisadora da Fundação Carlos Chagas

 

 

1 BRUSCHINI, Cristina LOMBARDI, Maria Rosa Médicas, arquitetas, advogadas e engenheiras mulheres em carreiras profissionais de prestígio Revista Estudos Feministas, v. 7, n. 1-2, p. 9-24, 1999.
2 BRUSCHINI, Cristina RIDENTI, Sandra. Trabalho domiciliar masculino. Revista Estudos- Feministas-, v. 3, n. 2, p. 363-392, 1995.
3 Se estou inventando, é direito meu, memória de velha se fixa em figuras imagéticas, não em termos, o verbo não precisa ser carne. Se não disseram isso, assim eu li, e lembro.
4 COSTA, Albertina de O.; BRUSCHINI, Cristina (Org.). Uma questão de gênero Rio de Janeiro. Rosa dos Tempos, 1992, p. 8
5 Ver BRUSCHINI, Cristina O Uso de abordagens quantitativas em pesquisas sobre relações de gênero In: COSTA, Albertina de O. BRUSCHINI, Cristina. Uma questão de gênero. Rio de Janeiro, Rosa dos Ventos, 1992. p. 289-319.
6 BRUSCHINI, Cristina JNBEHAUM, Sandra G (Org.) Gênero, democracia e .sociedade brasileira. São Paulo: FCC, Ed. 34, 2002; e COSTA, Albertina de O. et al (Org.) Mercado de trabalho e gênero: comparações internacionais. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2008
7 Disponível em: <http://www.fcc.org.br/pesquisa/publicacoes/textos_fcc/arquivos/1436/ arquivoAnexado.pdf>
8 Disponível em: <http://pesquisa/publicacoes/textos_fcc/arquivos/1601/arquivoAnexado.pdf>
9 Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo php?script=sci_ arttext&pid=S0100-15742009000100006&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt>
10 Disponível em: <http://www cepia.org.br/progresso html>
11 BRUSCHINI, Maria Cristina Aranha. Mulher, casa e família: cotidiano nas camadas médias paulistanas. São Paulo Fundação Carlos Chagas; Vértice, Editora Revista dos Tribunais, 1990. p. 203

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