SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.35 issue11Chemical control of apple leafroller (Bonagota cranaodes Meyrick) in apple orchardsEffect of residual fertilizer on green corn yield in rotation with potato crop author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Pesquisa Agropecuária Brasileira

Print version ISSN 0100-204XOn-line version ISSN 1678-3921

Pesq. agropec. bras. vol.35 no.11 Brasília Nov. 2000

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-204X2000001100004 

DIFERENTES ARRANJOS PARA ESTUDO DE BORDADURA LATERAL EM PARCELAS EXPERIMENTAIS DE MILHO-VERDE1

 

SUELI MARTINS DE FREITAS ALVES2, JOSÉ CARLOS SERAPHIN3, ÁLVARO ELEUTÉRIO DA SILVA4 e FRANCISCO JOSÉ P. ZIMMERMANN5

 

 

RESUMO - Visando ao estudo do uso de bordadura lateral em experimentos de avaliação de genótipos de milho-verde, testaram-se quatro arranjos para pré-especificar a disposição das linhas na parcela experimental básica. No arranjo 1, o estudo foi feito de forma que os efeitos convergissem para o centro da parcela. No arranjo 2, têm-se informações do efeito de bordadura de cada lado da parcela. No arranjo 3, as informações são obtidas em cada linha da parcela, e no arranjo 4, têm-se informações das linhas de cada lado da parcela em relação à parte central. Os dados utilizados foram provenientes de um ensaio de avaliação de 20 genótipos de milho-verde, coletados separadamente em cada linha da parcela, permitindo-se, desta maneira, utilizar o esquema de parcelas subdivididas. Os resultados obtidos possibilitam recomendar os arranjos 1 ou 2 para o estudo de bordadura lateral. Com relação à cultura de milho-verde, verificou-se que há necessidade de duas fileiras de bordadura lateral de cada lado da parcela.

Termos para indexação: Zea mays, cultivares, genótipos, disposição de linhas, métodos, cultivo de grãos.

 

SIDE BORDER ARRANGEMENT IN EXPERIMENTAL PLOTS OF GREEN CORN

ABSTRACT - In order to study the use of side borders in green corn genotypes evaluation experiments, four arrangements were tested to pre-specify the number of rows in the basic experimental plot. In the arrange 1 the side border study was organized in a way that the results should converge to the center of the plot; in the arrange 2, information was obtained about each side border of the plot; for arrange 3, the information obtained quantifies this effect for each row of the plot; and arrange 4 has provided information about the effect of side related to the central portion of the plot. For this study, data from a 20 corn genotypes evaluation trial for in natura consumption were utilized. Data were separately annotated for each row of the plot, thus permitting utilization of the split-plot scheme. In similar condition arrange 1 or 2 may be recommended for lateral border study, and for corn in natura consumption a two-row side border is required for each side of the plot.

Index terms: Zea mays, cultivars, genotypes, band placement, evaluation, methods, grain crops.

 

 

INTRODUÇÃO

O efeito de competição entre plantas de parcelas adjacentes pode fazer com que o desempenho de determinados genótipos seja alterado, afetando a comparação entre eles. Este efeito afeta a precisão experimental, e pode variar entre espécies, cultivares, experimentos, e até mesmo de acordo com os caracteres avaliados (Gomez & Gomez, 1984; Silva et al., 1991).

Para minimizar a influência mútua entre parcelas adjacentes, pode-se utilizar fileiras externas nas parcelas, ou seja, bordadura lateral, as quais não são aproveitadas para a obtenção dos dados experimentais. Estas fileiras aumentarão o tamanho da parcela, e podem acarretar um aumento da heterogeneidade entre parcelas, e, por conseguinte, um maior erro experimental (Valentini et al.,1988). Embora essas fileiras muitas vezes sejam necessárias, seu uso sistemático e indiscriminado e sem nenhum estudo prévio deve ser evitado.

Para verificar se realmente se justifica o uso de fileiras de bordadura, um método comumente empregado é o proposto por Gomez & Gomez (1984), que consiste em impor um delineamento em parcelas subdivididas sobre o delineamento original do experimento, onde as subparcelas têm uma disposição pré-especificada.

Nas pesquisas de competição de cultivares, realizadas em diversas culturas com o objetivo de avaliar a necessidade de fileiras de bordadura lateral, verifica-se que quando há efeito de competição, o número de fileiras a serem descartadas de cada lado da parcela varia conforme a cultura. Em culturas como milho para grão, em que o espaçamento entre linhas é grande, geralmente uma linha de bordadura de cada lado pode ser suficiente (Gomez & Gomez, 1984). Para culturas como arroz, em que o espaçamento entre linhas é menor, Gomez (1972) e Zimmermann (1980) recomendam o uso de duas fileiras de bordadura lateral, como forma de aumentar a precisão experimental. Porém, quando não é detectada influência significativa das bordaduras sobre os resultados obtidos nas fileiras centrais, estas tornam-se desnecessárias, como foi verificado na cultura de feijão por Arruda (1959), Vieira (1964) e Valentini et al. (1988). Embora o tema bordadura já tenha sido abordado em várias culturas, não se tem informação sobre milho-verde, cultura esta que apresenta uma importância econômica e social bastante significativa.

O objetivo deste trabalho foi avaliar o uso de bordadura lateral em experimentos de avaliação de genótipos de milho-verde.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Os dados utilizados neste trabalho foram provenientes de um ensaio de avaliação de 20 genótipos de milho-verde: AGROMEN 2012; XL 660; XL 655; XL 604; C 742; C 505; AG 519; AG 951; AG 4591; AG 7391; PIONEER 3232; DINA 170; AG 1051; EMGOPA 501; AG 603; BR 112; BR 106; BR 126; CMS 39; CMS 50 X 28. Este ensaio foi instalado no mês de maio de 1995, na estação experimental da Embrapa-Centro Nacional de Pesquisa de Arroz e Feijão, localizada no município de Santo Antônio de Goiás, GO.

O delineamento utilizado foi o de blocos completos casualizados, com quatro repetições. As parcelas experimentais foram compostas de seis linhas de 5 m de comprimento, com espaços, entre si, de 0,90 m, com uma densidade de cinco plantas por metro linear.

Por ocasião da colheita, todas as fileiras foram avaliadas quanto à altura da planta em cm (do nível do solo à folha bandeira; média de 10 plantas competitivas) e peso de espiga com palha (kg/ha).

Para medir o efeito de bordadura lateral, utilizou-se o método proposto por Gomez & Gomez (1984). A parcela experimental básica é subdividida em pares das linhas externas, pares das linhas adjacentes às linhas externas e assim sucessivamente até as linhas centrais. Esta disposição das linhas corresponde ao primeiro arranjo proposto. Outros três arranjos foram propostos para pré-especificar a disposição das linhas na parcela experimental básica.

No arranjo 1, as parcelas foram subdivididas em três posições: P1 (linha 1 e linha 6), P2 (linha 2 e linha 5) e P3 (linha 3 e linha 4). No arranjo 2, as parcelas também foram subdivididas em três posições: P1 (linha 1 e linha 2), P2 (linha 5 e linha 6) e P(linha 3 e linha 4). No arranjo 3, as parcelas foram subdivididas em seis posições, uma para cada linha e, no arranjo 4, elas foram subdivididas em cinco posições: P1 (linha 1), P2 (linha 2), P3 (linha 3 e linha 4), P4 (linha 5) e P5 (linha 6). Após a obtenção de cada arranjo, com relação a cada caráter estudado, foram efetuadas análises de variância considerando o modelo matemático do delineamento em blocos completos casualizados, com parcelas subdivididas.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A confiabilidade dos resultados obtidos em um experimento depende do controle do erro experimental; assim, a correta interpretação desses experimentos depende da precisão com que foram planejados, instalados e conduzidos. Como indicador da precisão experimental pode-se utilizar o coeficiente de variação. Na  Tabela 1, pode-se observar que as estimativas do coeficiente de variação referente à variável altura das plantas (ALTPL) foram relativamente baixas em comparação com as encontradas na variável peso das espigas com palha (PEP), provavelmente pelo fato de a influência dos efeitos ambientais ser mais intensa sobre este último caráter. Segundo a classificação dos coeficientes de variação na cultura de milho proposta por Scapim et al. (1995), as estimativas obtidas na variável ALTPL encontram-se altas nas parcelas, e médias nas subparcelas, e na variável PEP variam de médio a alto nas parcelas e médio nas subparcelas. Verifica-se, também, que os quadrados médios residuais, e, conseqüentemente, os coeficientes de variação nos dois primeiros arranjos foram menores, conferindo, assim, aos arranjos 1 e 2, maior precisão em comparação com os arranjos 3 e 4.

Na Tabela 1, verifica-se, ainda, que, no que diz respeito à variável peso de espigas com palha, houve, em todos os arranjos, um efeito significativo de posição; também foi detectado, nos arranjos 1, 2 e 3, um efeito significativo na interação genótipo x posição. Observa-se, também, que os quadrados médios do efeito de posição são consideravelmente maiores do que os quadrados médios da interação, o que confere ao efeito de posição uma magnitude maior para a estatística F.

O estudo do desdobramento de posição dentro de cada genótipo é apresentado nas Tabelas 2, 3, 4 e 5, nas quais pode-se observar que o efeito de competição variou entre os genótipos. Na Tabela 2, arranjo 1, constata-se que na variável ALTPL, 17 dos 20 genótipos estudados não apresentaram diferenças significativas entre as posições, e apenas os genótipos AGROMEN 2012, DINA 170 e BR 112 apresentaram altura estatisticamente superior na posição mais central da parcela, ou seja, as posições mais externas poderiam ter sofrido influência das parcelas adjacentes. O efeito de bordadura, não tem sido muito freqüente em relação a esta variável, como se pode verificar em Zimmermann (1980) em arroz, Valentini et al. (1988) em feijão, e Silva et al. (1991) em milho irrigado.

 

 

 

 

 

 

 

 

No arranjo 1 (Tabela 3), arranjo 2 (Tabela 4) e arranjo 3 (Tabela 5), a variável peso de espigas com palha, apresentou diferenças significativas entre as posições em 6, 4 e 5 dos 20 genótipos estudados, respectivamente. Nesses materiais foi verificado, em relação ao arranjo 1 (Tabela 3), um decréscimo na produção da posição externa variando entre 12,18% e 25,17%, e na posição contígua à externa, entre 22,00% e 34,14%, em comparação com a posição central. Em relação ao arranjo 2 (Tabela 4), o decréscimo na produção da posição central variou de 9,75% a 23,30% na posição 1 e de 17,38% a 36,00% na posição 2. No arranjo 3 (Tabela 5), este decréscimo em relação a média de P3 e P4 variou de 18,35% a 28,44% na posição 1, de 13,00% a 28,25% na posição 2, de 22,90% a 40,00% na posição 5, e de 28,61% a 31,99% na posição 6. A interpretação desses resultados deve ser feita de forma diferenciada, uma vez que no arranjo 1 o efeito da bordadura é estudado de forma que os resultados convirjam para o centro da parcela; no arranjo 2, têm-se informações do efeito que ocorre de cada lado da parcela e no arranjo 3, as informações são obtidas individualmente em cada linha. Contudo, esses resultados mostram que as posições externas poderiam ter sofrido influência das parcelas adjacentes, caracterizando, assim, a possibilidade de esses materiais terem baixa capacidade de competição intergenotípica.

Pelas Tabelas 3 e 4, percebe-se também que a forma como foram arranjadas as linhas interferiu nos resultados obtidos nos genótipos C742 e BR 112, que, em relação ao arranjo 1 (Tabela 3), apresentaram diferenças estatísticas entre as posições, enquanto no arranjo 2 (Tabela 4) verifica-se que as diferenças entre as posições não foram significativas, sugerindo, assim, que não houve efeito de competição entre esses materiais, de cada lado da parcela. A partir dessas observações, levanta-se a hipótese de que quando se têm materiais com tipo de interferência diferenciada de cada lado da parcela, os arranjos 1 e 2 apresentam resultados semelhantes, mas quando os materiais apresentam o mesmo tipo de interferência de cada lado da parcela, os resultados obtidos por esses arranjos são diferentes.

Com relação ao arranjo 3 (Tabela 5), observa-se que 85% dos materiais estudados apresentaram informações semelhantes às dos arranjos 1 e 2. A ausência de interação genótipo x posição obtida através da utilização do arranjo 4 (Tabela 1), indica que o efeito de bordadura sobre os genótipos avaliados foram semelhantes, porém mesmo neste caso deve-se levar em consideração o efeito significativo da posição, pois a menor produção das linhas externas poderia acarretar subestimativas de rendimentos caso elas fossem consideradas na análise do experimento.

Considerando que nos arranjos 1, 2 e 3, 30%, 20% e 25% respectivamente, dos materiais estudados poderiam ter sofrido influência da parcela adjacente, uma vez que o rendimento desses materiais foi afetado e que esta influência poderia prejudicar a comparação entre os tratamentos, recomenda-se, a partir dessas informações, o uso de duas fileiras de bordadura de cada lado da parcela experimental. Contudo, recomendam-se mais pesquisas a fim de determinar se uma fileira de bordadura lateral como empregado hoje pelos pesquisadores em seus ensaios não está levando a uma subestimação do rendimento de alguns genótipos.

Com base nessas informações, analisaram-se os dados da variável PEP, considerando a área útil e a área total da parcela. Observa-se, pela Tabela 6, que a comparação entre os tratamentos foi alterada, ficando os genótipos DINA 170, BR 126 e XL 655 prejudicados quando se consideraram todas as linhas da parcela na análise do experimento, pois esses materiais apresentaram redução, no rendimento, em 19,77%, 15,44% e 9,25% respectivamente. Esses resultados mostram que o uso de fileiras de bordadura lateral muitas vezes deve ser recomendado como forma de aumentar a precisão experimental e evitar recomendações inadequadas de genótipos.

 

 

CONCLUSÕES

1. Todos os arranjos permitem verificar que há necessidade de bordadura lateral

2. O arranjo 1, no qual o efeito de bordadura é estudado de forma que os resultados convirjam para o centro da parcela, e o arranjo 2, no qual este efeito é estudado de cada lado da parcela, são os que apresentam maior precisão nos resultados.

3. Em estudos com a cultura de milho-verde é necessário o uso de duas fileiras de bordadura lateral de cada lado da parcela.

4. A competição afeta a comparação entre os tratamentos.

 

REFERÊNCIAS

ARRUDA, H.V. Sobre a necessidade de fileiras de bordadura, em experiências de campo. Bragantia, Campinas, v.18, n.1, p.101-106, 1959.         [ Links ]

GOMEZ, K.A. Border effects in rice experimental plots. II. Varietal compettion. Experimental Agriculture, Cambridge, Grã-Bretanha, v.8, p.295-298, 1972.         [ Links ]

GOMEZ, K.A.; GOMEZ, A.A . Statistical procedures for agricultural research. New York : J. Willey & Sons, 1984. 680p.         [ Links ]

SCAPIM, C.A.; CARVALHO, C.G.P. de; CRUZ, C.D. Uma proposta de classificação dos coeficientes de variação para a cultura do milho. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v.30, n.5, p.683-686, maio 1995.         [ Links ]

SILVA, P.S.L.; SOUZA, P.G.; MONTENEGRO, E.E. Efeito de bordaduras nas extremidades de parcelas de milho irrigado. Revista Ceres, Viçosa, v.38, n.216, p.101-107, 1991.         [ Links ]

VALENTINI, L.; VIEIRA, C.; CONDÉ, A.R.; CARDOSO, A.A. Fileiras de bordadura em ensaios de competição entre variedades de feijão. Ciência e Cultura, São Paulo, v.40, n.10, p.1004-1007, out. 1988.         [ Links ]

VIEIRA, C. Melhoramento do feijoeiro (Phaseolus vulgaris L.) no Estado de Minas Gerais. I. Ensaios comparativos e de variedades realizados no período de 1956 a 1961. Experientiae, v.4, p.1-68, 1964.         [ Links ]

ZIMMERMANN, F.J.P. Efeito de bordadura em parcelas experimentais de arroz de sequeiro. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v.15, n.3, p.297-300, jul. 1980.         [ Links ]

 

 

1 Aceito para publicação em 10 de janeiro de 2000.
2 Eng. Agrôn., M.Sc., Instituto de Matemática e Estatística (IME), Universidade Federal de Goiás (UFG), Caixa Postal 131, CEP 74001970 Goiânia, GO. Email: sueli@mat.ufg.br
3 Eng. Agrôn., Ph.D., IME, UFG. Email: seraphin@mat.ufg.br
4 Eng. Agrôn., Ph.D., Agência Rural, Diretoria de Pesquisa, Caixa Postal 331, CEP 74610060 Goiânia, GO.
5 Eng. Agrôn., Ph.D., Embrapa-Centro Nacional de Pesquisa de Arroz e Feijão (CNPAF), Caixa Postal 179, CEP 75375000 Santo Antônio de Goiás, GO.
Email: zimmermann@cnpaf.embrapa.br

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License