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Pesquisa Agropecuária Brasileira

Print version ISSN 0100-204XOn-line version ISSN 1678-3921

Pesq. agropec. bras. vol.37 no.9 Brasília Sept. 2002

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-204X2002000900020 

NOVAS CULTIVARES

Cultivar de soja BRS 66(1)

 

Paulo Fernando Bertagnolli(2), Emídio Rizzo Bonato(2), Aroldo Gallon Linhares(2), Leila Maria Costamilan(2), Romeu Afonso de Souza Kiihl(3) e Leones Alves de Almeida(3)

 

 

Resumo - BRS 66, oriunda do cruzamento BR 83-147 x FT-Abyara, é indicada para cultivo no Rio Grande do Sul. Na média de 21 ambientes no RS, no período de 1993/94 a 1995/96, essa cultivar apresentou rendimento médio de grãos de 2.883 kg/ha. Apresenta resistência ao cancro-da-haste, à podridão-parda-da-haste, à mancha-olho-de-rã, à raça 1 de Phytophthora sojae, à pústula-bacteriana e ao oídio. Tem flor branca, pubescência marrom, tegumento da semente amarelo-fosco, hilo marrom e tipo de crescimento determinado. É de ciclo médio e apresenta estatura da planta de média a alta, com boa resistência ao acamamento.

 

Soybean cultivar BRS 66

Abstract - Originated from the cross BR 83-147 x FT-Abyara, BRS 66 is indicated for seeding in the state of Rio Grande do Sul, Brazil. It was evaluated for grain yield and agronomic characteristics in multilocation trials from 1993/94 up to 1995/96 and showed a mean grain yield of 2,883 kg/ha. BRS 66 is resistant to soybean stem canker, brown stem rot, frog-eye leaf spot, race 1 of Phytophthora sojae, bacterial pustule and powdery mildew. This cultivar presents white flowers, brown pubescence, dull yellow seed tegument, brown hila, and determinate growth habit. Plant stature varies from medium to high, with good resistance to lodging. It shows a medium maturity cycle.

 

 

O programa de melhoramento genético de soja da Embrapa-Centro Nacional de Pesquisa de Trigo, Passo Fundo, Rio Grande do Sul, buscou, a partir do início da década de 90, cultivares com resistência a doenças, principalmente ao cancro-da-haste e à podridão-parda-da-haste. Em virtude do uso contínuo de soja, sem rotação de culturas, houve ocorrência de podridão-parda-da-haste (Phialophora gregata) no Rio Grande do Sul, ocasionando perdas de produtividade de grãos nas cultivares suscetíveis, estimadas em até 51,7% por Bonato & Costamilan (1996). Na safra agrícola de 1989/90, apareceu, repentinamente e de forma epidêmica em praticamente todo o Brasil, desde Balsas, MA, a Pelotas, RS, o cancro-da-haste (Diaporthe phaseolorum f. sp. meridionalis), ocasionando perda estimada em até 80% no rendimento de grãos (Yorinori, 1990). Na safra agrícola de 1992/93, das 33 cultivares recomendadas para semeadura no RS, sete eram resistentes à podridão-parda-da-haste, e 11, ao cancro-da-haste, e somente as cultivares FT-Abyara, Ivorá e BR-16 tinham resistência acumulada a ambas as moléstias (Reunião..., 1992). A partir da necessidade de aumentar o número de genótipos com resistência genética a essas duas moléstias, houve, em 1996, o lançamento da cultivar de soja BRS 66, a qual alia ainda características de resistência à pústula-bacteriana, causada por Xanthomonas axonopodis pv. glycines, à mancha-olho-de-rã (Cercospora sojina), à raça 1 de Phytophthora sojae e resistência ao oídio, causado por Microsphaera diffusa.

BRS 66 é oriunda do cruzamento BR 83-147 x FT-Abyara. Foi desenvolvida pelo método de descendência de uma semente (SSD) na geração F2 e pelo método de população (bulk), nas gerações F3 a F5. Selecionada a partir de uma planta individual na geração F6, foi avaliada como linhagem PF 9069, para rendimento de grãos e características agronômicas em rede de ensaios no Rio Grande do Sul, de 1993/94 até 1995/96. Os testes de resistência à podridão-parda-da-haste foram executados em campo, em área naturalmente infestada, na Embrapa-Centro Nacional de Pesquisa de Trigo. Os testes de resistência ao cancro-da-haste, à pústula-bacteriana, à raça 1 de Phytophthora sojae, e à mancha-olho-de-rã foram conduzidos com inoculações artificiais em casa de vegetação. A leitura da reação ao oídio foi realizada em campo, em condições de infestação natural.

BRS 66, inicialmente denominada EMBRAPA 66, tem flor branca, pubescência marrom, tegumento da semente amarelofosco, hilo marrom e tipo de crescimento determinado. Apresenta estatura da planta de média a alta (83 cm), com boa resistência ao acamamento. O ciclo de maturação é classificado como médio, sendo três dias mais longo que o da BR-16 e três dias mais curto que o da RS 7-Jacuí, nas condições de cultivo do Rio Grande do Sul. Na média de 21 ambientes no RS, de 1993/94 a 1995/96, apresentou rendimento médio de grãos de 2.883 kg/ha. Está protegida para fins de derivação, com certificado no Serviço Nacional de Proteção de Cultivares, sob o número CP 00059 (Listagem..., 1999).

 

Referências

BONATO, E. R.; COSTAMILAN, L. M. Desempenho de genótipos de soja em áreas com diferentes níveis de infestação de Phialophora gregata. Fitopatologia Brasileira, Brasília, v. 21, n. 2, p. 275-280, 1996.        [ Links ]

LISTAGEM NACIONAL DE CULTIVARES PROTEGIDAS E REGISTRADAS. Brasília: Ministério da Agricultura e do Abastecimento, v. 1, n. 2, maio 1999. 83 p.        [ Links ]

REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL, 20., 1992, Chapecó. Recomendações técnicas para a cultura da soja no Rio Grande do Sul e Santa Catarina ¾ safra 1992/93. Chapecó: Epagri, 1992. 81 p.        [ Links ]

YORINORI, J. T. Cancro a haste da soja. Londrina: Embrapa-CNPSo, 1990. 8 p.         [ Links ](Comunicado Técnico, 44).

 

 

(1) Aceito para publicação em 15 de janeiro de 2002.
(2) Embrapa-Centro Nacional de Pesquisa de Trigo, Caixa Postal 451, CEP 99001-970 Passo Fundo, RS. E-mail: bertag@cnpt.embrapa.br, bonato@cnpt.embrapa.br, aroldo@cnpt.embrapa.br, leila@cnpt.embrapa.br
(3) Embrapa-Centro Nacional de Pesquisa de Soja, Caixa Postal 231, CEP 86001-970 Londrina, PR. E-mail: romeu@cnpso.embrapa.br, leones@cnpso.embrapa.br

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