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Pesquisa Agropecuária Brasileira

Print version ISSN 0100-204X

Pesq. agropec. bras. vol.38 no.5 Brasília May 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-204X2003000500014 

NOTAS CIENTÍFICAS

 

Cadastramento fitossociológico de plantas daninhas na cultura de girassol

 

Phytosociological census of weeds in the sunflower crop

 

 

Alexandre Magno BrighentiI; Cesar de CastroI; Dionísio Luiz Pisa GazzieroI; Fernando Storniolo AdegasII; Elemar VollI

IEmbrapa-Centro Nacional de Pesquisa de Soja, Caixa Postal 231, CEP 86001-970 Londrina, PR. E-mail: brighent@cnpso.embrapa.br, ccastro@cnpso.embrapa.br, gazziero@cnpso.embrapa.br, voll@cnpso.embrapa.br
IIEmpresa de Assistência Técnica e Extensão Rural, Caixa Postal 763, CEP 86001-970 Londrina, PR. E-mail: adegas@cnpso.embrapa.br

 

 


RESUMO

O objetivo deste trabalho foi realizar um levantamento das plantas daninhas infestantes na précolheita da cultura de girassol em lavouras dos municípios do sudoeste goiano (Chapadão do Céu, Jataí e Montividiu) e em Chapadão do Sul, MS. Foram amostradas, no período de maio a junho de 2002, 51 propriedades dos quatro municípios, totalizando uma área de 583 m2. As espécies daninhas foram identificadas e contadas mediante a aplicação de um quadrado de 1,0x1,0 m, colocado ao acaso dentro da área ocupada pelas lavouras. Foram obtidos os valores de freqüência, densidade, abundância e índice de importância relativa. Plantas voluntárias de soja e de milho fazem parte da flora daninha infestante de lavouras de girassol dessa região. As famílias Poaceae, Asteraceae e Euphorbiaceae são as que apresentam maior número de espécies. As principais plantas daninhas infestantes na região são, em ordem decrescente, Ageratum conyzoides, Chamaesyce hirta, Cenchrus echinatus, Bidens sp., Euphorbia heterophylla e Commelina benghalensis.

Termos para indexação: Helianthus annuus, plantas voluntárias, Glycine max, Zea mays, germinação na pré-colheita.


ABSTRACT 

The objective of this work was to survey the weeds in the preharvest of the sunflower crop in growers field of the southwest regions of Goiás State (Chapadão do Céu, Jataí and Montividiu) and Chapadão do Sul, Mato Grosso do Sul State, Brazil. Fifty one farms were evaluated, during the period of May to June, 2002, in a total of 583 m2 of area. The weeds were identified and counted inside a square (1.0x1.0 m), applied in each area, in order to determine the frequency, density, abundance and relative importance. Volunteer soybean (Glycine max) and corn (Zea mays) are part of the weed species in sunflower crop in the area. The botanical families Poaceae, Asteraceae and Euphorbiaceae present larger number of species. The main weeds found in the area are, in decreasing order, Ageratum conyzoides, Chamaesyce hirta, Cenchrus echinatus, Bidens sp., Euphorbia heterophylla and Commelina benghalensis.

Index terms: Helianthus annuus, volunteer plants, Glycine max, Zea mays, preharvest germination.


 

 

A planta de girassol (Helianthus annuus) é originária da América do Norte e cultivada em grandes áreas na Rússia, Argentina, Índia, Ucrânia, China e Estados Unidos. Seu cultivo tem como objetivo principal a extração de óleo, cuja alta concentração de ácidos graxos insaturados o torna apropriado ao consumo humano. É utilizado na alimentação animal, como farelo ou silagem, e apresenta teor de proteína mais elevado que o do milho.

No Brasil, a cultura vem se expandindo principalmente na região dos Cerrados, como uma opção para o cultivo na época de safrinha.

Com a expansão da cultura, os problemas com plantas daninhas têm aumentado significativamente e perdas de 23% a 70% podem ocorrer no rendimento de grãos, em razão da presença de espécies do tipo monocotiledôneas e dicotiledôneas (Vidal & Merotto Júnior, 2001).

Geralmente, as pesquisas relacionadas ao controle químico de plantas daninhas mencionam as principais espécies e se foram ou não controladas pelo herbicida. Entretanto, são raros os trabalhos que apresentam a análise quantitativa de plantas daninhas ocorrentes nas principais culturas. Trabalhos dessa natureza foram realizados com café (Laca-Buendia & Brandão, 1994) e soja (Saturnino & Rocha, 1993; Laca-Buendia et al., 1995).

Para se estabelecerem métodos adequados de controle, é importante que sejam feitos levantamentos das plantas daninhas presentes, pois um mesmo herbicida não apresenta espectro de ação suficiente para controlar todas as espécies existentes na área a ser cultivada.

O objetivo deste trabalho foi realizar um levantamento das plantas daninhas infestantes na précolheita da cultura de girassol em lavouras dos municípios do sudoeste goiano (Chapadão do Céu, Jataí e Montividiu) e Chapadão do Sul, MS.

Os levantamentos foram realizados de maio a junho de 2002. Foi aplicado o método do quadrado inventário ou censo da população vegetal (Braun-Blanquet, 1950), que se baseia na utilização de um quadrado de 1,0x1,0 m, colocado ao acaso no interior das lavouras. O número de propriedades e a área amostrada por município foram, respectivamente: 17 e 208 m2 em Chapadão do Céu; 11 e 115 m² em Jataí; 15 e 150 m² em Montividiu; e 8 e 110 m² em Chapadão do Sul. As plantas daninhas presentes foram identificadas por espécie e contadas. Posteriormente, foram calculados a freqüência, a freqüência relativa, a densidade, a densidade relativa, a abundância, a abundância relativa e o índice de importância relativa.

Freqüência = no de quadrados que contém a espécie ¸ no total de quadrados obtidos (área total);

Freqüência relativa = 100 x freqüência da espécie ¸ freqüência total de todas as espécies;

Densidade = no total de indivíduos por espécie ¸ no total de quadrados obtidos (área total);

Densidade relativa = 100 x densidade da espécie ¸ densidade total de todas as espécies;

Abundância = no total de indivíduos por espécie ¸ no total de quadrados que contém a espécie;

Abundância relativa = 100 x abundância da espécie ¸ abundância total de todas as espécies;

Índice de importância relativa = freqüência relativa + densidade relativa + abundância relativa.

Foram identificadas 14 famílias e 42 espécies e as famílias que apresentaram maior número de espécies foram Poaceae, com 11 espécies, seguida de Asteraceae, com oito espécies e Euphorbiaceae, com seis espécies (Tabela 1).

 

 

As principais plantas daninhas ocorrentes na área total abrangida pelos quatro municípios encontram-se na Tabela 2. As principais espécies encontradas na região foram Ageratum conyzoides, com 6,62 plantas/m², 0,43 de freqüência, 15,08 de abundância e 38,84% de índice de importância; Chamaesyce hirta, com 5,84 plantas/m², 0,69 de freqüência, 8,37 de abundância e 38,46% de índice de importância; Cenchrus echinatus, com 5,82 plantas/m², 0,29 de freqüência, 19,52 de abundância e 35,80% de índice de importância; Bidens sp., com 3,50 plantas/m², 0,51 de freqüência, 6,85 de abundância e 26,21% de índice de importância; Euphorbia heterophylla, com 2,32 plantas/m², 0,29 de freqüência, 7,87 de abundância e 18,32% de índice de importância e Commelina benghalensis, com 1,50 plantas/m², 0,30 de freqüência, 4,88 de abundância e 14,36% de índice de importância.

Houve predominância de espécies dicotiledôneas em relação às monocotiledôneas em todos os municípios avaliados. Esse fato dificulta o controle químico das plantas daninhas em girassol, pois no Brasil existem atualmente apenas três herbicidas registrados para essa cultura (trifluralin, sethoxydim e alachlor) (Castro et al., 1997). Dos três herbicidas mencionados, o sethoxydim controla plantas daninhas gramíneas, o alachlor tem controle mediano às folhas largas e o trifluralin controla poucas espécies dicotiledôneas, com maior eficiência em espécies gramíneas. Dessa forma, é importante que as espécies dicotiledôneas sejam manejadas em culturas que antecedem o girassol, no intuito de reduzir a produção de sementes e, conseqüentemente, possibilitar menor emergência de espécies daninhas, durante o ciclo dessa cultura. A correta aplicação da dessecação de manejo e o uso de herbicidas préemergentes também são práticas aconselháveis.

A eficácia e a seletividade de alguns herbicidas como o linuron, o prometrine, o metolachlor, o sulfentrazone, o acetochlor e o oxyfluorfen foram avaliadas em girassol por Brighenti et al. (2000a, 2000b), sendo seletivos para a cultura, dependendo da dose aplicada. Dos produtos mencionados, o acetochlor, o alachlor e o sulfentrazone são eficientes no controle de Cenchrus echinatus e Ageratum conyzoides, e o linuron, o prometrine e o oxyfluorfen controlam Chamaesyce hirta (Rodrigues & Almeida, 1998). O acetochlor e o sulfentrazone controlam Bidens sp. e Euphorbia heterophylla, respectivamente (Brighenti et al., 2000b). O metolachlor, o acetochlor, o alachlor, o linuron, o prometrine e o sulfentrazone controlam Commelina benghalensis (Rodrigues & Almeida, 1998).

As colhedoras de soja (Glycine max) e de milho (Zea mays) permitem perdas de grãos durante a colheita, resultando na emergência de plantas voluntárias dessas culturas no girassol semeado a seguir. Esse fato foi verificado pela presença da soja em todos os municípios e do milho em Jataí. No caso da soja, como não existem produtos registrados e eficazes no controle de dicotiledôneas, em pósemergência do girassol, essas plantas podem competir, dependendo do nível de infestação, com a cultura do girassol.

As famílias Poaceae, Asteraceae e Euphorbiaceae são as que apresentam maior número de espécies infestantes, e as principais plantas ocorrentes na região são, em ordem decrescente de importância, A. conyzoides, C. hirta, C. echinatus, Bidens sp., E. heterophylla e C. benghalensis.

 

Referências

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Aceito para publicação em 4 de fevereiro de 2003