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Pesquisa Agropecuária Brasileira

Print version ISSN 0100-204XOn-line version ISSN 1678-3921

Pesq. agropec. bras. vol.39 no.7 Brasília July 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-204X2004000700011 

SOLOS

 

Estimativa da erodibilidade pela desagregação por ultra-som e atributos de solos com horizonte B textural

 

Estimating soil erodibility from sonication indexes and other attributes of textural B horizon soils

 

 

Marcos Aurélio Carolino de SáI; José Maria de LimaII; Nilton CuriII; João Aguilar MassarotoII; João José Granate de Sá e Mello MarquesII

IEmbrapa Cerrados, Caixa Postal 08223, CEP 73301-970 Planaltina, DF. E-mail: carolino@cpac.embrapa.br
IIUniversidade Federal de Lavras, Dep. de Ciência do Solo, Caixa Postal 37, CEP 37200-000 Lavras, MG. E-mail: jmlima@ufla.br, niltcuri@ufla.br, jamassaroto@yahoo.com.br, jmarques@ufla.com.br

 

 


RESUMO

A erodibilidade de solos é um fator importante na estimativa das perdas por erosão. Este fator é uma expressão da combinação de atributos do solo, os quais possibilitam sua estimativa por meio de equações. O objetivo deste trabalho foi medir atributos químicos e mineralógicos que, combinados com índices de estabilidade de agregados determinados por ultra-som, pudessem ser utilizados como variáveis em modelos na estimativa da erodibilidade de solos com horizonte B textural do Brasil. Estes atributos foram determinados em 22 solos de erodibilidade conhecida, medida diretamente em parcelas no campo. Atributos de 21 dos solos foram utilizados no ajuste dos modelos. Um dos solos (Argissolo Vermelho-Amarelo) foi escolhido ao acaso para teste. De 96 variáveis, 15 foram incluídas nos modelos de estimativa da erodibilidade. A maioria delas é representada por índices de desagregação por sonificação de amostras do horizonte A. Foram obtidos quatro modelos para estimar a erodibilidade, com R2 variando entre 0,83** e 0,91**. A erodibilidade pode ser estimada com base na estabilidade de agregados por ultra-som.

Termos para indexação: USLE, estabilidade de agregados, química, mineralogia.


ABSTRACT

Soil erodibility is an important factor for estimating soil erosion losses. This factor is an expression of combined soil attributes, which make possible its estimation by equations. The objective of this study was to measure some chemical and mineralogical attributes, and to combine them with aggregate stability indexes from sonication analysis, in equations in order to estimate soil erodibility of textural B horizon soils from Brazil. These attributes were measured for 22 soils that had their erodibility measured from field plots. Attributes of 21 soils were used to adjust the equations. One of the soils (Red-Yellow Argisol) was used to test the equations. From 96 variables, 15 were significantly correlated to soil erodibility. Most of them are represented by the disruption indexes from sonication analysis of A horizon samples. This study resulted in four equations to estimate soil erodibility, whose R2 ranged from 0.83** to 0.91**. The erodibility can be estimated by aggregate stability indices based on sonication analysis.

Index terms: USLE, aggregate stability, chemistry, mineralogy.


 

 

Introdução

A erodibilidade (fator K) é uma das variáveis da Equação Universal de Perdas de Solo (USLE) que expressa, quantitativamente, a suscetibilidade do solo à erosão hídrica. Este fator depende de atributos como capacidade de infiltração de água e resistência à desagregação e ao transporte de partículas e pequenos agregados.

O fator K pode ser determinado diretamente no campo, sob chuva natural ou simulada, o que demanda tempo e altos custos, principalmente no primeiro caso. Também pode ser estimado por meio de modelos matemáticos que utilizam, como variáveis, atributos relacionados direta ou indiretamente com a resistência do solo à erosão (Denardin, 1990; Marques et al., 1997b; Silva et al., 1999).

A erodibilidade é um fator complexo e dependente da interação de múltiplos atributos (Silva et al., 1999) e por isso, torna-se difícil, estabelecer uma relação de causa e efeito entre as variáveis utilizadas nos modelos e a erodibilidade (Denardin, 1990; Marques et al., 1997b; Silva et al., 1999). Segundo Angulo (1983), a estabilidade de agregados possui boa correlação com a erodibilidade.

Nos últimos anos, pesquisas têm sido feitas visando à determinação da estabilidade de agregados mediante a aplicação de energia ultra-sônica (Fuller & Goh, 1992; Raine & So, 1993, 1994; Tippkötter, 1994; Sá et al., 1999, 2000b, 2002), cuja vantagem é a mensuração da quantidade de energia aplicada à amostra (Raine & So, 1993).

Por meio dessa técnica, é possível conhecer a resistência que um solo oferece à desagregação, quando submetido a diferentes níveis de energia, até atingir a dispersão total. Índices de desagregação podem ser avaliados isoladamente ou em curvas de desagregação, cujo comportamento é um reflexo da estabilidade de agregados (Sá et al., 1999, 2002). Dessa forma, o conhecimento da energia associada à desagregação do solo torna a estabilidade de agregados determinada por ultra-som potencialmente promissora na determinação da erodibilidade.

O objetivo deste trabalho foi medir atributos químicos e mineralógicos que, combinados com índices de estabilidade de agregados por ultra-som, pudessem ser utilizados como variáveis em modelos para estimativa da erodibilidade de solos com horizonte B textural do Brasil.

 

Material e Métodos

Foram utilizadas amostras dos horizontes A e B de 23 solos de diversas regiões brasileiras cujos atributos estão mostrados na Tabela 1. A atualmente o solo 8 é enquadrado como tendo horizonte B plânico e o 20 como tendo horizonte B nítico (Embrapa, 1999), variações do abrangente horizonte B textural presente em todos os demais solos estudados. Os solos de 1 a 22 possuem a erodibilidade (fator K da USLE) determinada diretamente no campo (Tabela 2).

Na terra fina secada ao ar (TFSA), foi determinado o ponto de efeito salino nulo (PESN), conforme Zelasny et al. (1996), com modificações descritas em Sá (2002), em triplicata. O potencial de superfície foi calculado pela equação   = 59,1 × (PESN - pHágua), conforme Raij (1973). O pH foi determinado segundo Embrapa (1997) e o PCZ (ponto de carga zero) foi estimado pela equação PCZ = (2 × pHKCl) - pHágua (Uehara, 1988).

Os teores de Fe2O3 extraído pelo oxalato ácido de amônio e pelo ditionito-citrato-bicarbonato de sódio (DCB) foram determinados na fração argila, conforme Embrapa (1997) e corrigidos para TFSA. Caulinita e gibbsita foram quantificadas na fração argila por análise térmica diferencial (ATD), e a atividade da fração argila (Targ) foi calculada conforme Embrapa (1999), sem a correção para C orgânico.

A estabilidade de agregados foi determinada por sonificação, nas classes de agregados entre 4,76 e 7,93 mm e menores que 2 mm (TFSA), com um aparelho Misonix, modelo XL2020TM, operando a 20 kHz e fornecendo uma potência nominal de 154 W, que correspondia a uma potência real de 120,91±3,27 W, calculada conforme Sá et al. (2000a, 2001). As sonificações foram feitas em béquer com 200 mL de água destilada, na relação solo:água de 1:40. Os níveis de energia específica aplicados às amostras foram calculados pela equação EA = [Pcts]/v, em que, EA é a energia ultra-sônica aplicada à amostra (J mL-1); Pc é a potência (W) emitida pelo aparelho e calculada mediante calibração; ts é o tempo de sonificação (s); v é o volume da suspensão (mL), conforme Sá et al. (2000a, 2001).

A ponta da haste do aparelho, com comprimento de 175 mm e diâmetro de 19 mm, foi inserida na água a uma profundidade de 47 mm. Conforme testes preliminares, a temperatura da suspensão aumenta linearmente com o tempo de sonificação, sendo necessário colocar o béquer em banho de gelo para tempos acima de 180 segundos, mantendo-se a temperatura da suspensão abaixo de 35ºC, durante a sonificação, de acordo com Raine & So (1994). Após cada sonificação, as amostras foram passadas em peneira de malha de 0,053 mm. O material retido nesta peneira (MRP) foi secado em estufa por 24 horas a 105ºC e pesado. Os teores de silte + argila (sólidos que passaram pela peneira) foram obtidos por diferença: silte + argila = amostra original (5 g) - MRP. Este procedimento possibilitou, em cada nível de energia específica aplicado, o cálculo do índice de desagregação (ID), obtido pela relação (silte + argila dispersa em g)/amostra original (g), e também o índice de desagregação normalizado (IDN) pela relação ID/IDmáximo (Sá et al., 1999). O primeiro representa o efeito da estabilidade de agregados e granulometria, e o segundo, apenas da estabilidade de agregados, conforme Sá (2002). O tempo zero de sonificação, consistiu em colocar a amostra no béquer, completar o volume até 200 mL com água destilada e passar imediatamente pela peneira, a fim de quantificar a desagregação causada pelo manuseio da amostra.

Em virtude da quantidade limitada de agregados da classe 7,93 a 4,76 mm, foi possível fazer apenas uma replicata em relação às amostras de horizonte A dos solos 8, 10 e 22 e duas replicatas do horizonte A do solo 1 e horizonte B dos solos 10 e 23. Foram feitas três replicatas para as demais amostras. Em cada replicata, cujo peso foi equivalente a 5 g de agregados secados em estufa a 105ºC, foi feito um pré-umedecimento por capilaridade (Sá et al., 1999). Elas foram, então, submetidas aos tempos de sonificação de 0, 5, 15, 30, 60, 300, 900, 1.800 e 2.700 s, o que corresponde, respectivamente, às energias específicas aplicadas de 0,0, 3,0, 9,1, 18,1, 36,3, 181,4, 544,1, 1.088,2 e 1.682,3 J mL-1. Uma vez que alguns solos estudados apresentam considerável teor de cascalho, no cálculo dos índices de desagregação foi descontada a contribuição desta fração. Isso foi feito separando-se do MRP, após a sonificação, as partículas maiores que 2 mm e descontando-se o seu peso do peso total da amostra inicial.

Foram então construídas curvas de desagregação, plotando-se no eixo das abscissas (X) a energia aplicada, em J mL-1, e no eixo das ordenadas (Y), os índices de desagregação, normalizados ou não, ajustando-se modelos do tipo Y = X/(a + bX), sendo a e b coeficientes específicos para cada solo. Foi calculado um índice, que expressa a relação entre os coeficientes b/a, e a estabilidade de agregados, com base no comportamento das curvas de desagregação, conforme demonstrado por Sá et al. (1999).

Na classe de agregados menores que 2 mm, todas as análises foram realizadas em triplicatas. Em cada amostra, foram utilizados o equivalente a 5 g de agregados secados em estufa a 105ºC. Foi feito um pré-umedecimento conforme Fuller & Goh (1992), que consistiu em colocar os agregados secados em béquer de 250 mL, o qual foi colocado em um suporte, em posição inclinada (45º) abaixo de uma bureta, sendo gotejada água destilada, lentamente (aproximadamente 2 mL por minuto), sobre a parede do béquer, promovendo umedecimento gradativo dos agregados. Quando estes já estavam cobertos por água destilada, o volume do béquer foi completado até 200 mL. As amostras foram então submetidas aos seguintes tempos de sonificação: 0, 5, 15, 30, 60, 120, 180, 240 e 300 s. Cada tempo de sonificação corresponde, respectivamente, às energias específicas aplicadas de 0,0, 3,0, 9,1, 18,1, 36,3, 72,5, 108,8, 145,1 e 181,4 J mL-1.

Testes preliminares mostraram que os índices de desagregação se estabilizavam a partir de 181,5 J mL-1, dispensando, portanto, o uso de níveis mais elevados de energia. Os demais procedimentos de sonificação e cálculo dos índices ID e IDN e o ajuste das curvas de desagregação seguiram os mesmos passos utilizados em relação aos agregados da classe 7,93 a 4,76 mm.

No ajuste dos modelos, foram utilizadas variáveis baseadas em atributos dos solos (PESN, ,PCZ estimado, DpH, Targ, Fe2O3-DCB, Fe2O3-oxalato e Ct, nos horizontes A e B) e índices de desagregação por ultra-som (ID e IDN, nos horizontes A e B e nas duas classes de agregados e b/a, para ambos os casos), num total de 96 variáveis, as quais foram utilizadas no ajuste de modelos para predição da erodibilidade, por regressão linear múltipla passo a passo (backward-stepwise), adotando-se 5% como nível de significância máximo para inclusão de uma variável no modelo. A aceitação dos modelos foi feita mediante interpretação de R2, R2 ajustado e erro-padrão da estimativa (EPE). O solo 5, cuja erodibilidade determinada em campo também é conhecida, não foi incluído no ajuste dos modelos, sendo escolhido ao acaso para teste. Assim, sua erodibilidade estimada foi comparada com a erodibilidade conhecida. Também foi estimada a erodibilidade do solo 23 e comparada com a erodibilidade estimada por Marques (1996).

 

Resultados e Discussão

Conforme constatado por Denardin (1990), Marques et al. (1997b) e Silva et al. (1999), nenhuma das variáveis, isoladamente, foi capaz de predizer razoavelmente a erodibilidade. Assim, das 96 variáveis obtidas, 15 apresentaram nível de significância adequado e foram, portanto, incluídas nos modelos. As variáveis excluídas não serão discutidas neste trabalho, mas podem ser consultadas em Sá (2002). Os respectivos valores mínimo, médio e máximo observados em cada variável no conjunto de solos estudados, em que o fator K determinado diretamente no campo varia entre 0,004 e 0,045 t h (MJ mm)-1, podem ser observados na Tabela 3. Desta maneira, em estimativas futuras do fator K utilizando os modelos propostos, valores obtidos fora desta faixa devem ser interpretados com cautela. A mesma observação é válida para solos que apresentem valores de X1 a X15 fora do intervalo observado.

O número de variáveis oriundas do horizonte A (12) é superior ao do B (3). As variáveis X1 a X10 são índices de estabilidade de agregados por ultra-som e todas são da classe <2 mm do horizonte A. O fato de apenas agregados desta classe apresentarem nível de significância adequado para fazer parte dos modelos se deve, provavelmente, à proximidade de tamanho com a classe 0,06—2,00 mm, que, conforme Tippkötter (1994), é a que melhor expressa o comportamento do solo perante a erosão hídrica. Também são do horizonte A as variáveis X11 e X14, respectivamente, Targ e Ct. As variáveis X12, X13 e X15 são oriundas do horizonte B, respectivamente, Targ, Fe2O3-DCB e Ct.

A presença de variáveis do horizonte B nos modelos mostra a importância do horizonte subsuperficial no processo erosivo deste grupamento de solos, semelhante ao observado por Marques et al. (1997b). Isso pode ser uma das causas da inadequação de modelos propostos no passado, que utilizavam apenas variáveis do horizonte A na estimativa do fator K deste grupamento de solos, conforme demonstrado por Marques et al. (1997a).

O fato de a maioria das variáveis selecionadas ser obtida em níveis de energia ultra-sônica mais baixos confirma as observações de Raine & So (1993) de que altos níveis de energia, nos quais ocorre a desagregação total do solo, fornecem poucas informações sobre o comportamento do solo no campo, no que diz respeito às relações entre estabilidade de agregados e resistência à erosão. Entretanto, fica difícil estabelecer as relações de causa e efeito entre cada uma delas e os valores de erodibilidade, o que também foi observado por Denardin (1990) e Silva et al. (1999). Segundo esses autores, a erodibilidade depende tanto da capacidade de infiltração de água do solo quanto da sua capacidade de resistir à desagregação e também ao transporte causado pela energia das gotas de chuva e do escorrimento superficial.

As variáveis selecionadas têm participação, pelo menos indireta, no processo erosivo, pois, conforme Fuller & Goh (1992), a argila dispersa pelo ultra-som é um atributo adequado na avaliação da quebra de agregados. Além disso, segundo Gregorich et al. (1988), essa argila, quando dispersa em baixos níveis de energia, provém de material que liga microagregados entre si, formando macroagregados. Assim, as frações silte + argila dos índices de desagregação (variáveis X1 a X9), quando obtidas em níveis de energia mais baixos, seriam oriundas da quebra de macroagregados, pois, quanto maior o tamanho dos agregados, mais fracas as forças que unem as partículas (Oades, 1993). Pode-se então inferir que, durante chuva erosiva, este material pode estar sendo salpicado, se alojando entre unidades maiores, causando um selamento superficial, o que diminui a permeabilidade e aumenta a erosão (Roth & Eggert, 1994). A variável X10 (índice b/a) representa a estabilidade de agregados como um todo, com base no comportamento da curva de desagregação (Sá et al., 1999).

Conforme Sá et al. (2002), índices de desagregação obtidos a 36,3 e 72,5 J mL-1 apresentam melhor sensibilidade em detectar as diferenças na estabilidade de agregados promovidas pelo uso do solo. Entretanto, neste trabalho, índices obtidos a 72,5 J mL-1 não apresentaram nível de significância adequado a fim de serem incluídos nos modelos. Provavelmente, isso se deve ao fato de os autores terem avaliado um Latossolo sob diferentes usos, enquanto neste trabalho, são estudados apenas solos com horizonte B textural. Outras variáveis (X11 a X15), que são atributos como atividade da fração argila, Fe2O3-DCB e Ct, em ambos os horizontes, estão associadas à estabilidade de agregados e tipo de estrutura, o que, de certa forma, influencia a permeabilidade (Ferreira et al., 1999).

Foram escolhidos os modelos de utilização mais prática, os quais apresentaram altos valores de R2, significativos a menos de 1%, em geral (Tabela 4), de mesma magnitude dos valores encontrados por Denardin (1990), Marques et al. (1997b) e Silva et al. (1999). A maioria das variáveis incluídas nos modelos apresentou nível de significância menor que 1%, exceto as variáveis X3 e X11 no modelo 1, X3 X4 e X5 no modelo 2 e X12 no modelo 3, que apresentaram níveis de significância menores do que 5%.

 

 

Os modelos 1 e 2 utilizam apenas variáveis oriundas do horizonte A. No modelo 1, com exceção da variável X11 (atividade da fração argila), todas são índices de estabilidade de agregados por ultra-som. No modelo 2, a retirada da variável X11 fez com que o R2 diminuísse de 0,91** para 0,85**, sendo, neste caso, a erodibilidade estimada apenas a partir da estabilidade de agregados por ultra-som. Já os modelos 3 e 4 possuem menos variáveis, porém, algumas não são determinadas rotineiramente, como as variáveis X14 e X15, respectivamente, Ct nos horizontes A e B, obtidas por análise térmica diferencial (ATD).

Os valores do fator K estimados pelos modelos estão próximos dos valores determinados no campo, em que os valores estimados estão distribuídos junto da linha 1:1 (Figura 1a). A precisão dos modelos pode ser melhor observada na Figura 1b. Em todos os casos, os resíduos padronizados ficaram entre 2 e -2, o que é considerado um bom resultado, conforme Neter & Wasserman (1974), sendo que, na maioria dos solos, os valores ficaram entre 1 e -1.

No teste dos modelos, foi estimada a erodibilidade do solo 5, cujo valor determinado no campo é 0,032 t h (MJ mm)-1 (Tabela 5). Com relação a este solo, os valores estimados variaram entre 0,022 e 0,041 t h (MJ mm)-1, estando a diferença entre o valor real e estimado, para todos os modelos, dentro da faixa de ±2 EPE para cada modelo, o que é considerado um bom resultado (Neter & Wasserman, 1974). No solo 23, os valores estimados variaram entre 0,028 e 0,043 t h (MJ mm)-1, abaixo do valor estimado por Marques (1996), que foi de 0,047 t h (MJ mm)-1. Porém, a erodibilidade deste solo, determinada de maneira direta, ainda não é conhecida.

 

 

Embora ainda não seja comum a determinação da estabilidade de agregados por ultra-som, a determinação dos índices de desagregação utilizados na predição do fator K não é trabalhosa, pois as sonificações variam de 30 a 300 segundos, considerando-se as especificações do aparelho utilizado. Do mesmo modo, o cálculo dos índices é também bastante prático, sendo, porém, necessária uma rigorosa padronização da energia aplicada. Na validação dos modelos, é importante a realização de trabalhos futuros visando estimar o fator K para solos com horizonte B textural que possuam a erodibilidade determinada de maneira direta, seja com chuva natural ou simulada, mas que não tomaram parte no presente trabalho. Importante também é a estimativa do fator K dos solos com horizonte B textural de diversas regiões do Brasil com atributos contrastantes, ou seja, teores extremos de argila, areia, silte, óxidos de ferro, alumínio, C orgânico, por exemplo, o que fornecerá informações sobre a real adequação dos modelos propostos.

 

Conclusão

A erodibilidade do solo pode ser estimada com base na estabilidade de agregados por ultra-som.

 

Agradecimento

Ao CNPq, pelo financiamento da pesquisa e pela concessão de bolsa aos autores Marcos Aurélio Carolino de Sá, José Maria de Lima, Nilton Curi, João Aguilar Massaroto e João José Granate de Sá e Mello Marques.

 

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Recebido em 18 de dezembro de 2003 e aprovado em 13 de abril de 2004

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