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Pesquisa Agropecuária Brasileira

Print version ISSN 0100-204XOn-line version ISSN 1678-3921

Pesq. agropec. bras. vol.39 no.12 Brasília Dec. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-204X2004001200015 

NOTAS CIENTÍFICAS

 

Hyadaphis foeniculi na cultura de erva-doce no Estado de Pernambuco

 

Hyadaphis foeniculi on anise crop in Pernambuco State

 

 

Rachel Gonçalves FerreiraI; Carlos Roberto Sousa-SilvaII

IEmpresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária, Dep. de Entomologia, Caixa Postal 1022, CEP 50761-000 Recife, PE. E-mail: rachelgferreira@ig.com.br
IIUniversidade Federal de São Carlos, Caixa Postal 676, CEP 13565-905 São Carlos, SP. E-mail: dcrs@power.ufscar.br

 

 


RESUMO

Hyadaphis foeniculi (Passerini, 1860) (Hemiptera: Aphididae) tem sido observado causando danos à cultura de erva-doce, Pimpinella anisum L., na região do agreste meridional de Pernambuco. Este é o primeiro registro da espécie no Estado.

Termos para indexação: Pimpinella anisum, insecta, afídeo, planta medicinal, praga.


ABSTRACT

Hyadaphis foeniculi (Passerini, 1860) (Hemiptera: Aphididae) was observed causing damage on anise crop, Pimpinella anisum L., in the Meridional "Agreste" region of Pernambuco State, Brazil. This is the first report of this species in the region.

Index terms: Pimpinella anisum, insecta, aphid, medicinal plants, pest.


 

 

A erva-doce, Pimpinella anisum L., 1753 (Umbelliferae), tem largo uso tanto na fitoterapia quanto como condimento. No Estado de Pernambuco é cultivada no agreste meridional por pequenos produtores, em consórcio com feijão, Phaseolus vulgaris L., 1753 (Leguminosae) ou milho, Zea mays L., 1753 (Poaceae), sendo a colheita realizada no período de outubro a fevereiro. Após a colheita, as plantas são cortadas a poucos centímetros do solo, visando ao rebrotamento no início das chuvas. A cultivar plantada na região é de origem desconhecida, o espaçamento utilizado é irregular e a adubação das plantas, geralmente, é orgânica e em quantidade variável.

Em 1988/1989, o governo do Estado incentivou o aumento da produção dessa cultura na região do agreste atingindo, na época, uma área plantada em torno de 1.000 ha. Em decorrência dos danos causados por afídeos à plantação, houve grande redução na produtividade e, conseqüentemente, nos anos seguintes, desistência de alguns produtores no cultivo desta apiácea.

Atualmente, a área cultivada está em torno de 300 ha. Em função desses prejuízos, realizou-se uma visita às áreas de plantio de erva-doce nos municípios de Garanhuns e Caetés, PE. Os afídeos coletados diretamente sobre os hospedeiros foram identificados como Hyadaphis foeniculi (Passerini, 1860) (Hemiptera: Aphididae). Este é o primeiro registro da espécie no Estado de Pernambuco. No Brasil, a ocorrência desta espécie foi mencionada anteriormente no Estado de São Paulo, sobre P. anisum, por Bergamin (1957) e em Daucus carota L., 1753 (Umbelliferae), por Costa et al. (1972). No Estado do Paraná, foram coletados com armadilha amarela, instalada em área da Serra do Mar, por Lazzarotto & Lázzari (1998). Também foram observados em plantas de endro, Foeniculum vulgare Miller, 1768 (Umbelliferae), em Recife, PE.

Esta espécie de afídeo ataca, principalmente, flores e frutos de plantas e, por meio de sucção contínua da seiva, causa murcha e secagem das flores e frutos, reduzindo a produção, além de produzir uma mela que favorece o crescimento da fumagina. De acordo com Blackman & Eastop (2000), esse afídeo é vetor de pelo menos doze tipos de vírus, inclusive do mosaic potyvirus, yellow spot luteovirus, e honeysuckle latent carlavirus. De acordo com Sousa-Silva & Ilharco (1995), seu hospedeiro primário é Lonicera spp. (Caprifoliaceae), e os secundários, umbelíferas.

Destacam-se as seguintes características morfológicas da espécie: os ápteros possuem cabeça e corpo de coloração amarelo-clara, antenas e pernas claras, com o ápice das tíbias e tarsos escurecidos. Os sifúnculos são claros, clavados, com a parte apical levemente escurecida e, às vezes, toda clara. A cauda também é clara. As formas aladas possuem o abdome amarelo-claro e o tórax, a cabeça e as antenas, castanho-escuros. A parte apical dos fêmures e das tíbias é escura. A região apical dos sifúnculos, semelhante aos ápteros, mostra-se ligeiramente escurecida. É de origem Paleártica e cosmopolita.

Os especimens encontram-se depositados no Laboratório de Fitossanidade da Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária e na Coleção de Afídeos do Dep. de Ecologia e Biologia Evolutiva da Universidade Federal de São Carlos (Coleafis/DEBE/ UFSCar) em São Carlos, São Paulo (amostra número 916).

 

Agradecimentos

Ao Setor de Fitossanidade da Universidade Federal Rural de Pernambuco, pelas facilidades concedidas para a realização deste trabalho; ao Professor Dr. José Vargas de Oliveira, pela permissão de uso do laboratório.

 

Referências

BERGAMIN, J. Relação de alguns pulgões do Estado de São Paulo e plantas hospedeiras. Revista de Agricultura, v.32, p.179-182, 1957.        [ Links ]

BLACKMAN, R.L.; EASTOP, V.F. Aphids on the World's Crops: An identification and information guide. New York: John Wiley & Sons, 2000.        [ Links ]

COSTA, C.L.; EASTOP, V.F.; COSTA, A.S. A list of the aphid species (Homoptera: Aphidoidea) collected in São Paulo, Brazil. Revista Peruana de Entomologia, v.15, p.131-134, 1972.        [ Links ]

LAZZAROTTO, C.M.; LÁZZARI, S.M.N. Richness and diversity of aphids (Homoptera, Aphididae) along an altitudinal gradient in the Serra do Mar, Paraná, Brazil. Revista Brasileira de Zoologia, v.15, p.977-983, 1998.        [ Links ]

SOUSA-SILVA, C.R.; ILHARCO, F.A. Afídeos do Brasil e suas plantas hospedeiras: lista preliminar. São Carlos: EDUFSCar, 1995. 85p.        [ Links ]

 

 

Recebido em 24 de março de 2004 e aprovado em 30 de agosto de 2004

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