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Pesquisa Agropecuária Brasileira

Print version ISSN 0100-204X

Pesq. agropec. bras. vol.42 no.12 Brasília Dec. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-204X2007001200020 

NOVAS CULTIVARES

 

Maria Bonita: cultivar de manjericão tipo linalol

 

Maria Bonita: a linalool type basil cultivar

 

 

Arie Fitzgerald BlankI; Evanildes Menezes de SouzaI; Maria de Fátima Arrigoni-BlankII; José Welton Azevedo de PaulaI; Péricles Barreto AlvesIII

IUniversidade Federal de Sergipe (UFS), Dep. de Engenharia Agronômica, Av. Marechal Rondon, s/nº, CEP 49100-000 São Cristóvão, SE. E-mail: afblank@ufs.br, evanildes@gmail.com, weltonze@hotmail.com
IIUFS, Dep. de Biologia, Av. Vereador Olímpio Grande, s/nº, CEP 49500-000 Itabaiana, SE. E-mail: arrigoni@ufs.br
IIIUFS, Dep. de Química. E-mail: pericles@ufs.br

 

 


RESUMO

'Maria Bonita' é proveniente do acesso PI 197442, do Banco de Germoplasma North Central Regional PI Station, EUA. É uma cultivar de manjericão de copa arredondada, pétalas róseas e sépalas roxas, indicada para o Nordeste brasileiro. Apresenta hábito de crescimento ereto, o que favorece a colheita manual e mecanizada. A produtividade média de matéria seca de folhas e inflorescências foi de 20,97 g por planta, 26,34% superior à testemunha 'Genovese'. Possui teor de 4,96% de óleo essencial, e rendimento de 1,18 mL por planta. Seu componente principal é o linalol (78,12%). Seu óleo essencial possui atividades antinociceptiva e antigiardial.


ABSTRACT

'Maria Bonita' is derived from the accession PI 197442, from the Germplasm Bank North Central Regional PI Station, USA. It is a basil cultivar with a rounded canopy, rose petals and purple sepals, and it is indicated for Brazilian Northeast region. 'Maria Bonita' presents erect growth habit, which is an advantage for both manual and mechanized harvest. The average yield of leaves dry weight and inflorescences was 20.97 g per plant, 26.34% higher than the control 'Genovese'. It presents 4.96% essential oil content, and yield of 1.18 mL per plant. The major chemical constituent is linalool (78.12%). Its essential oil presents antinociceptive and antigiardial activities.


 

 

Introdução

O melhoramento de plantas é a mais valiosa estratégia para o aumento da produtividade de forma sustentável e ecologicamente equilibrada e para padronizar princípios ativos, no caso de plantas medicinais e aromáticas. Estima-se que metade do incremento da produtividade das principais espécies agronômicas, nos últimos 50 anos, seja atribuída ao melhoramento genético (Bueno et al., 2001).

O objetivo, ao melhorar espécies medicinais e aromáticas, é obter maior produtividade expressada pelos caracteres quantitativos, que inclui o teor de princípios ativos, e pelos caracteres qualitativos, que inclui os tipos de princípios ativos e seus principais constituintes químicos (Kamada et al., 1999).

Blank et al. (2004) constataram a variabilidade genética de Ocimum sp., ao realizar a caracterização morfológica e agronômica de 55 acessos. Esses autores observaram variações genotípicas, em relação ao teor e rendimento do óleo essencial, e notaram genótipos promissores para o desenvolvimento de cultivares com alto teor e rendimento de óleo essencial, rico em linalol e outros princípios ativos.

O manjericão, pertencente à família Lamiaceae, faz parte de um grupo de plantas medicinais e aromáticas de grande valor econômico, muito utilizado para diversos fins: ornamental, condimentar, medicinal, aromático, na indústria de perfumaria e de cosméticos. Trata-se de espécie herbácea, fortemente aromática, que pode ser anual ou perene conforme o local de plantio. A qualidade da planta de manjericão é definida pela composição de seu óleo essencial (Carvalho Filho et al., 2006).

O programa de melhoramento genético da Universidade Federal de Sergipe vem, desde o ano 2000, realizando ensaios de avaliação de comportamento de acessos de manjericão, a fim de identificar materiais de alta produção de óleo essencial rico em linalol.

Este trabalho apresenta a cultivar de manjericão Maria Bonita, com alto teor e rendimento de óleo essencial, além do alto teor de linalol na sua constituição química, para cultivo no Nordeste brasileiro.

 

Características da cultivar

A cultivar Maria Bonita é proveniente do acesso PI 197442, oriundo do Banco de Germoplasma North Central Regional PI Station, Iowa State University, EUA. Apresenta forma de copa arredondada, com pétala rósea e sépala roxa.

Na Fazenda Experimental Campus Rural da UFS, no Município de São Cristóvão, SE, de 2000 a 2005, foram avançadas as gerações S0 a S3, pela seleção de plantas individuais a partir da população original. As plantas foram avaliadas e selecionadas com base no teor (%, v/m) e rendimento (mL por planta) de óleo essencial e teor de linalol (%) no óleo essencial. Em seguida, as mais promissoras foram cobertas por gaiolas de tela clarite que, pela ausência de polinizadores, favoreceu a autofecundação. Foram obtidas plantas das gerações S1 e S2, que foram também avaliadas, e as plantas mais promissoras foram autofecundadas. As sementes S3, das plantas S2 mais produtivas e fenotipicamente semelhantes, foram reunidas no PI 197442-S3-bulk 5 – 'Maria Bonita', que contém uma mistura das melhores linhagens.

Nos anos agrícolas 2004/2005 e 2005/2006, em ensaios de competição de linhagens e cultivares (PI 197442-S3-Bulk 3, PI 197442-S3-Bulk 5, PI 197442-S3-Bulk 8, NSL 6421-S3-Bulk 14, Genovese – testemunha, Osmin Purple), a população PI 197442-S3-bulk 5 destacou-se como a mais produtiva. Teve, na média dos anos, produtividade de 20,97 g por planta de matéria seca de folhas e inflorescências, e foi superior em 26,34% à média da cultivar comercial utilizada como testemunha (Tabela 1).

 

 

Quanto ao teor (%, v/m) de óleo essencial, a cultivar Maria Bonita teve, em média, 262,06% mais produção que a testemunha, cerca de 4,96% de óleo na média dos ambientes (Tabela 1). A extração do óleo essencial foi realizada através da hidrodestilação das folhas e inflorescências, secadas a 40ºC em estufa com circulação forçada de ar, por cinco dias. A hidrodestilação ocorreu por 160 min, com destilador de Clevenger de vidro, acoplado a um balão de vidro de fundo redondo de 3.000 mL. Uma manta foi usada como fonte de calor.

Na caracterização de acessos de manjericão, realizada por Blank et al. (2004), o acesso PI 197442 apresentou teor de óleo essencial de 2,54%, antes do programa de melhoramento. No melhoramento com manjericão tipo limão, foram obtidos teores de óleo essencial de 1,5 e 0,7%, nas cultivares Mrs. Burns e Sweet Dani, respectivamente (Morales & Simon, 1997).

Quanto ao rendimento de óleo essencial (mL por planta), a cultivar Maria Bonita apresentou rendimento médio de 1,18 mL por planta, 300,78% a mais que a cultivar comercial Genovese utilizada como testemunha, o que comprova sua alta adaptação à região de condução do programa de melhoramento. Com relação ao teor de linalol (%), a cultivar Maria Bonita apresentou comportamento estável, nos anos avaliados, e semelhante à testemunha, com média de 78,12% de linalol e óleo incolor (Tabela 1), o que deverá apresentar grande aceitação no mercado. A composição do óleo essencial foi analisada em cromatógrafo acoplado a um espectrômetro de massas (Shimadzu QP5050A). A identificação dos constituintes foi efetuada por comparação dos seus espectros de massas, com aqueles do banco de dados do equipamento (espectroteca NIST 107 e NIST 21), e por comparação dos índices de retenção, calculados por meio da co-injeção com uso de uma série homóloga de hidrocarbonetos lineares (n-C8-n-C19) com padrões e dados da literatura (Adams, 1995).

O linalol é um constituinte químico de grande valor no mercado de cosméticos e perfumaria. Tem sido largamente testado como acaricida (Prates et al., 1998), bactericida e fungicida (Belaiche et al., 1995). Na medicina tem sido aplicado, com sucesso, como sedativo (Sugawara et al., 1998) e anticonvulsivo (Elisabetsky et al., 1999). Estudos recentes realizados com a cultivar Maria Bonita apontam para a atividade antinociceptiva de seu óleo essencial (Venâncio, 2006) e, mais recentemente, foi comprovada sua potencial atividade antigiardial (Almeida et al., 2007).

O teor de geraniol (%) foi de 8,27% na média dos anos, muito acima da testemunha 'Genovese', e apresentou 8,77% de 1,8 cineol. Outra qualidade favorável à 'Maria Bonita' é sua tolerância ao estresse hídrico em relação à 'Genovese' (Vargas, 2007).

'Maria Bonita' possui comprimento médio de folha de 6,5 cm e largura de folha de 2,8 cm, largura média de copa de 45,70 cm, diâmetro médio do caule de 1,32 cm, altura média de 45,50 cm e hábito de crescimento ereto, o que, em conjunto, favorece a sua colheita, tanto manual como mecanizada. Possui cerca de 85% de umidade nas folhas e inflorescências e 80% no caule, com ciclo médio de 80 dias para o florescimento, peso de sementes médio de 1,90 g por planta e peso médio de 1.000 sementes de 0,90 g. A cultivar Maria Bonita está registrada no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) sob o número 22019.

 

Referências

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Recebido em 3 de setembro de 2007 e aprovado em 26 de novembro de 2007