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Pesquisa Agropecuária Brasileira

On-line version ISSN 1678-3921

Pesq. agropec. bras. vol.44 no.1 Brasília Jan. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-204X2009000100004 

FITOTECNIA

 

Produção de palha e supressão de plantas daninhas por plantas de cobertura, no plantio direto do tomateiro

 

Straw yield and cover crop weed suppression in a no tillage system for processing tomato

 

 

Andréia Cristina da SilvaI; Edson Kiyoharu HirataII; Patrícia Andréa MonqueroIII

IAgência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, Caixa Postal 298, CEP 19015 970 Presidente Prudente, SP. E-mail: andreiacs@apta.sp.gov.br
IIViveiro NH, Caixa Postal 75, CEP 19160 000 Álvares Machado, SP. E-mail: edson.pesquisa@yahoo.com.br
IIIUniversidade Federal de São Carlos, Caixa Postal 153, CEP 13600 970 Araras, SP. E-mail: pamonque@cca.ufscar.br

 

 


RESUMO

O objetivo deste trabalho foi avaliar a produção de palha, a capacidade de supressão de plantas daninhas e o efeito de plantas de cobertura do solo na produtividade do tomateiro rasteiro (Lycopersicon esculentum), em plantio direto. Os tratamentos avaliados foram: Crotalaria juncea, Stizolobium aterrimum, Pennisetum glaucum, C. juncea + P. glaucum, C. juncea + S. aterrimum, P. glaucum + S. aterrimum, plantas espontâneas e sem cobertura vegetal. O delineamento experimental foi em blocos ao acaso, com quatro repetições. A produtividade do tomateiro não foi influenciada pelas culturas de cobertura. C. juncea apresentou maior competitividade que P. glaucum, quando semeados em consórcio, com maior acúmulo de matéria seca (63%). A espécie S. aterrimum apresentou desenvolvimento inicial lento e foi pouco competitiva em solos com elevada infestação de plantas daninhas. P. glaucum e C. juncea isoladas e consorciadas entre si ou com S. aterrimum produziram acima de 20 Mg ha-1 de matéria seca e reduziram a emergência e acúmulo de matéria seca de plantas daninhas, na cultura do tomateiro rasteiro.

Termos para indexação: Lycopersicon esculentum, Crotalaria juncea, Pennisetum glaucum, Stizolobium aterrimum, cobertura do solo, consórcio.


ABSTRACT

The objective of this work was to evaluate the straw yield, the weed suppression, and the effects of cover crop species on processing tomato (Lycopersicon esculentum) yield, in no tillage system. The treatments evaluated were Crotalaria juncea, Stizolobium aterrimum, Pennisetum glaucum, C. juncea + P. glaucum, C. juncea + S. aterrimum, P. glaucum + S. aterrimum, spontaneous weed cover, and bare soil. The experimental design was randomized complete blocks with four replicates. The tomato yield was not influenced by cover crops. C. juncea was more competitive than P. glaucum, when intercropped, with larger dry mass accumulation (63%). S. aterrimum had slow initial development and low competitivity with the high weed infestations. P. glaucum and C. juncea, grown alone, together, or with S. aterrimum, had dry matter yield above 20 Mg ha-1 and reduced the emergence and dry matter accumulation of weeds in the processing tomato crop.

Index terms: Lycopersicon esculentum, Crotalaria juncea, Pennisetum glaucum, Stizolobium aterrimum, soil cover, intercropping systems.


 

 

Introdução

O consórcio entre leguminosas e gramíneas propicia elevada produção de massa de matéria seca e pode conciliar proteção e adubação do solo. No entanto, o conhecimento do modo correto de uso desse sistema ainda é escasso (Oliveira et al., 2002).

A composição e a densidade populacional de uma comunidade infestante são influenciadas pelo sistema de produção de cobertura morta (Correia et al., 2006).

As plantas daninhas afetam o crescimento e o desenvolvimento da cultura do tomateiro, com redução do tamanho, peso e número de frutos (Qasem, 1992). Perdas de até 75% da produção do tomateiro rasteiro podem ser ocasionadas por plantas daninhas (Nascente et al., 2004).

Na tomaticultura industrial, os programas de agricultura sustentável constituem o centro das atenções das empresas processadoras em operação (Melo & Vilela, 2005). O sistema de plantio direto (SPD) contribui para a sustentabilidade do cultivo, por possibilitar a manutenção de altas produções, com baixo impacto sobre o solo e o meio ambiente (Amaral, 2001). Na região do Cerrado, o SPD vem sendo adotado, em razão dos benefícios que oferece. Todavia, em consequência da escassez de informações específicas sobre tomateiro para processamento, as práticas de cultivo utilizadas são, em geral, as mesmas recomendadas para o sistema de plantio convencional (Marouelli et al., 2006).

A produtividade de frutos do tomateiro tem aumentado, e a taxa de frutos podres foi minimizada com a presença da palha (Marouelli et al., 2006). O sistema plantio direto no tomateiro pode permitir o plantio na mesma área por um período maior de tempo (mais ciclos anuais), o que é de grande importância, em razão da dificuldade de se encontrarem novas áreas para cultivo dessa solanácea, principalmente nos estados que apresentam grande expansão do cultivo da cana-de-açúcar.

Alguns trabalhos têm demonstrado excelente cobertura do solo por milheto, tanto isolado (Cazetta et al., 2005; Boer et al., 2007; Torres et al., 2008) quanto em consórcio com crotalária (Cazetta et al., 2005) ou mucuna (Oliveira et al., 2002). A adubação verde pode provocar modificações na população de plantas espontâneas, em razão dos efeitos alelopáticos e da competição por luz, água, oxigênio e nutrientes, e de propiciar a supressão de algumas delas (Favero et al., 2001). Ademais, certas espécies leguminosas empregadas na adubação verde, como crotalária e mucuna-preta, constituem excelente estratégia de manejo de nematoides (Moraes et al., 2006).

Apesar de o SPD ser alternativa importante para a sustentabilidade da tomaticultura, é necessária a avaliação de alternativas de plantas de cobertura, para uso nessa cultura.

O objetivo deste trabalho foi avaliar a produção de palha, a capacidade de supressão de plantas daninhas e o efeito de plantas de cobertura do solo na produtividade do tomateiro rasteiro, em plantio direto.

 

Material e Métodos

O experimento foi instalado em campo, no Município de Álvares Machado, SP, em Argissolo Vermelho-Amarelo, com as seguintes características químicas na camada arável (0-20 cm): pHCaCl2, 6,2; matéria orgânica, 8,0 g dm-3; saturação de bases de 70%; Ca, 26 mmolc dm-3; Mg, 7 mmolc dm-3; H+Al, 16 mmolc dm-3. O teor de Presina foi 200 mg dm-3, e o de K, 4,3 mmolc dm-3. Os teores de Zn, Fe, Mn, Cu e B foram de 6, 35,5, 16,6, 19,1 e 0,13 mg dm-3, respectivamente. A análise química foi realizada de acordo com Raij et al. (2001).

Foram avaliadas as seguintes espécies para cobertura do solo: Crotalaria juncea, Stizolobium aterrimum, Pennisetum glaucum variedade BN 2, C. juncea + P. glaucum, C. juncea + S. aterrimum, P. glaucum + S. aterrimum. A produtividade de palha e a capacidade de supressão de plantas daninhas, desses tratamentos, foram avaliadas no cultivo do tomateiro cultivar Kátia BNH. Adicionalmente, foram avaliados os tratamentos com plantas espontâneas e sem cobertura vegetal. O delineamento experimental foi o de blocos ao acaso, com quatro repetições. A densidade de semeadura foi de 60 kg ha-1 de C. juncea, 30 kg ha-1 de P. glaucum e 120 kg ha-1 de S. aterrimum, tendo sido utilizada metade da quantidade de sementes de cada espécie, quando as culturas foram semeadas em consórcio, exceto S. aterrimum, para a qual foi mantida a mesma quantidade de sementes.

As culturas de cobertura foram semeadas a lanço e as sementes foram incorporadas superficialmente, em 1º/11/2007, em parcelas de 6x7,5 m. Quinze dias após a semeadura (DAS), foi avaliado o estande das culturas de cobertura e da comunidade infestante, em 1 m-2 de cada parcela. Os dados de precipitação, temperatura máxima e mínima, no decorrer do ensaio, são apresentados na Figura 1.

As espécies de cobertura, assim como a comunidade infestante emergida a partir da semeadura do ensaio, foram dessecadas aos 107 DAS, com aplicação de 1,44 kg ha-1 (e.a.) de glifosato. Para complementar a dessecação e controlar as plantas que emergiram antes do transplante das mudas de tomateiro, foi realizada uma segunda aplicação de herbicida, na mesma dosagem, 22 dias após a primeira. Para cortar a palha na linha de plantio, foi utilizado um subsolador, com uma haste e um disco de corte adaptado e, em seguida, os sulcos foram adubados com 2,1 Mg ha-1 da formulação 4-12-8, com uso de semeadora de plantio convencional, com três linhas.

O transplante das mudas do tomateiro foi realizado dois dias após a segunda dessecação (11/3/2008), em espaçamento 1,5x0,60 m. O tomateiro foi conduzido no sistema meia estaca, com estacas de aproximadamente 1,10 m, e com irrigação por gotejamento, associada à fertirrigação. A adubação de cobertura foi feita com 0,412 Mg ha-1 da formulação 12-0-12, em aplicações aos 8 e 22 dias após o transplante (DAT).

O controle químico de plantas daninhas foi o usualmente realizado pelos produtores de tomate da região. Foram feitas duas aplicações de metribuzin, cada uma com 0,24 g ha-1 (metade da dose recomendada), aos 16 e 31 DAT. Para o controle de gramíneas, foi feita uma aplicação de fluazifop-p butil (200 g ha-1), aos 38 DAT. Foi avaliado o potencial das culturas de cobertura, quanto à redução da pressão de plantas daninhas e ao auxílio em seu controle químico.

A palha resultante da dessecação das culturas de cobertura e da comunidade infestante foi amostrada com auxílio de uma moldura de 0,25 m-2, lançada aleatoriamente nas entrelinhas das parcelas. A palha foi avaliada aos 0, 88 e 158 dias (final da colheita), após a primeira dessecação, e as plantas infestantes foram amostradas aos 0, 39 e 158 dias após a primeira dessecação. Imediatamente antes da dessecação, foi avaliada a altura do dossel das plantas de cobertura.

As colheitas do tomate foram realizadas aos 107, 114 e 125 dias após o transplante. Os frutos foram pesados para determinação da produtividade.

Os dados referentes à altura do dossel das plantas de cobertura, à massa de matéria seca das plantas daninhas e à produtividade do tomateiro foram submetidos à análise de variância, e as médias foram comparadas pelo teste Tukey, a 5% de probabilidade.

Os dados de palha das culturas de cobertura foram analisados por meio de regressão não linear. Foi utilizado o modelo log logístico (Seefeldt et al., 1995).

 

Resultados e Discussão

A densidade inicial das culturas de cobertura, avaliada aos 15 DAS, acompanhou a proporção de sementes utilizada na semeadura, ou seja: C. juncea e P. glaucum apresentaram, de modo geral, metade do estande nos tratamentos consorciados, em relação ao cultivo isolado; e S. aterrimum apresentou densidade semelhante tanto no cultivo isolado como no consorciado (Tabela 1). No tratamento com plantas espontâneas, foi verificada a densidade de 2.107 plantas m-2, composta principalmente por Digitaria horizontalis (1.071 plantas m-2) e, em menor escala, Amaranthus sp. (421 plantas m-2) e Portulaca oleracea (418 plantas m-2). S. aterrimum apresentou desenvolvimento inicial lento em comparação às demais culturas de cobertura, o que permitiu expressivo acúmulo de matéria seca das plantas infestantes nos tratamentos com essa espécie. A palha resultante desse tratamento foi avaliada em conjunto com a palha das plantas espontâneas.

Quanto à altura do dossel, no momento da dessecação, observou-se que C. juncea isolada não diferiu da consorciada com P. glaucum ou S. aterrimum (Tabela 1). As menores alturas foram observadas para a comunidade infestante e S. aterrimum, com valor em torno de 63 cm. Nascimento & Mattos (2007) observaram altura de 74 cm para S. aterrimum cultivado isoladamente. Esses resultados devem ser observados em estudos desta natureza, em razão de a altura das plantas ser um componente importante na competição com as plantas daninhas.

Por ocasião da dessecação (107 dias após a semeadura), não foi observada diferença no acúmulo de matéria seca de C. juncea e P. glaucum, isolados ou consorciados entre si ou com S. aterrimum, com produção de matéria seca sempre superior a 20 Mg ha-1, o que evidencia a viabilidade do uso da consorciação de culturas para a formação de palha (Tabela 1). Os trabalhos conduzidos anteriormente diferem quanto aos resultados de acúmulo de matéria seca das plantas de cobertura. Foram verificados acúmulos de: 9,6 Mg ha-1 de P. americanum isolado, e 3,7 Mg ha-1 quando consorciado com S. aterrimum (Nascimento & Mattos, 2007); 17,2 Mg ha-1 de C. juncea (Amabile et al., 2000); 10,67 Mg ha-1 de P. glaucum isolado, e 8,46 Mg ha-1 quando em consórcio com C. juncea (Cazetta et al., 2005); 9,46 Mg ha-1 de P. americanum; e 5,33 Mg ha-1 de C. juncea (Carvalho et al., 2004). Torres et al. (2008) verificaram que o milheto e a crotalária são as coberturas de gramínea e leguminosa, respectivamente, com maior produção de fitomassa de matéria seca e acúmulo de nitrogênio. O elevados valores de massa de matéria seca, observados no presente trabalho, podem ser atribuídos à alta fertilidade do solo da área experimental (Presina em torno de 200 mg dm-3). As plantas espontâneas apresentaram o menor acúmulo de matéria seca (7,10 Mg ha-1), que não diferiu do tratamento S. aterrimum. Carvalho et al. (2004) verificaram 5,15 Mg ha-1 de acúmulo de matéria seca da vegetação espontânea.

Em relação à participação das espécies no consórcio, verificou-se que S. aterrimum apresentou o pior desempenho, com participação de 1,69, 7,36 e 17,27% da massa de matéria seca dos tratamentos consorciados com C. juncea, P. glaucum e plantas espontâneas, respectivamente (Tabela 1). O maior valor de massa de matéria seca, obtida por S. aterrimum, foi de 1,33 Mg ha-1, no tratamento com plantas espontâneas. Oliveira et al. (2002), Fontanétti et al. (2004) e Nascimento & Mattos (2007) verificaram acúmulo de matéria seca de S. aterrimum de 8,50, 3,90 e 1,09 Mg ha-1, respectivamente, o que é indicativo de que o desenvolvimento dessa espécie pode apresentar ampla variação, de acordo com as condições edafoclimáticas, locais e anos agrícolas.

A C. juncea foi a espécie mais agressiva na competição, em todos os tratamentos, e contribuiu com 62,98% da matéria seca, quando em consórcio com P. glaucum (Tabela 1). Esses dados corroboram os de Perin et al. (2004), que observaram que C. juncea contribuiu com 65% da produção total de fitomassa, quando consorciado com P. americanum, e evidenciaram o seu elevado potencial de produção, mesmo quando cultivada em consórcio com uma gramínea.

Observou-se que, antes do transplante do tomateiro, C. juncea e P. glaucum, isolados ou consorciados, exerceram excelente controle das plantas daninhas (acima de 97%) (Tabela 1). Suzuki & Alves (2006) observaram que o rápido estabelecimento e desenvolvimento de P. americanum e de C. juncea diminui a incidência de plantas daninhas. A espécie S. aterrimum apresentou o pior desempenho, sem diferenças para o tratamento com plantas infestantes, ou seja: não houve controle dessas plantas por essa espécie. Embora trabalhos relatem S. aterrimum como excelente supressora de plantas infestantes (Fernandes et al., 1999; Favero et al., 2001; Fontanétti et al., 2004; Nascimento & Mattos, 2007), no presente trabalho observou-se crescimento lento da espécie que, aliado à elevada pressão de plantas daninhas na área experimental e à elevada fertilidade do solo, não permitiu que S. aterrimum manifestasse efeito supressor. Na Tabela 2, pode ser visualizada a densidade e massa de matéria seca das espécies infestantes. Foram identificadas 20 espécies, das quais, Digitaria horizontalis foi a de maior ocorrência na área. D. horizontalis é planta anual, reproduzida por semente, e foi uma das primeiras infestantes a aparecer após o preparo do solo. Seu ciclo encerra-se antes das culturas anuais (Kissmann, 1997). Essa espécie é pouco agressiva em solos pobres, mas bastante agressiva em solos férteis, o que explica o baixo potencial competitivo de S. aterrimum com essa planta infestante, no presente trabalho.

No momento da dessecação, verificou-se que S. aterrimum apenas começava a cobrir a área. Esse resultado sugere que a semeadura dessa espécie deve ser feita com maior antecedência ao plantio direto do tomateiro.

Na Figura 2, estão apresentadas as curvas de regressão, que mostram a redução da massa de palha das plantas de coberturas do solo, no decorrer do ciclo da cultura do tomateiro. Tanto C. juncea, isolada ou consorciada com S. aterrimum ou P. glaucum, quanto P. glaucum, isolado ou consorciado com S. aterrimum, apresentaram excelente produção de palha e dinâmicas similares de decomposição da palha, com maior velocidade nos primeiros 88 dias após a dessecação. Segundo Torres et al. (2008), a maior taxa de decomposição da palha das plantas de cobertura e de liberação de nutrientes ocorre até 42 dias após a dessecação. A maior decomposição inicial pode ter ocorrido em razão da degradação das folhas, que apresentam baixa relação C/N. De acordo com Boer et al. (2007), a liberação de nutrientes apresenta duas fases distintas: a primeira ocorre de forma rápida, entre 0 e 120 dias, e é relativa à liberação dos nutrientes das folhas e dos materiais menos lignificados; a segunda é mais lenta, entre 120 e 240 dias, e é relativa à decomposição de compostos mais resistentes.

 

 

A partir de 88 dias após a dessecação até a colheita, a decomposição foi muito lenta, o que pode ser atribuído aos seguintes fatores: baixa precipitação pluvial no período (Figura 1); irrigação por gotejamento, que auxilia na persistência da palha na superfície do solo, uma vez que a palha não é molhada durante a irrigação; e fenologia das plantas no momento da dessecação (lignificadas e com muitos talos).

Os tratamentos com as culturas de cobertura não apresentaram diferenças entre si, no que se refere à produtividade do tomateiro, cuja média foi de 98,72 Mg ha-1 (Tabela 1). Esse resultado pode ser atribuído à alta fertilidade do solo e ao uso de boas práticas culturais, como irrigação por gotejamento associada à fertirrigação. As altas doses de adubo podem ter mascarado o efeito da adubação verde (aporte de nitrogênio e ciclagem dos demais nutrientes), especialmente nos tratamentos com C. juncea e S. aterrimum . Todavia, em uma agricultura de menor investimento financeiro, a adubação verde pode ser uma alternativa importante para aumentar a produtividade. Embora não tenham sido observadas diferenças significativas, verificaram-se maiores valores de produtividade nos consórcios em que C. juncea estava presente.

Durante o cultivo do tomateiro, foi observada infestação da área com plantas de P. glaucum (Tabela 2), pois, por ocasião da dessecação, houve produção de sementes dessa espécie. Timossi et al. (2007) também observaram degrana das plantas de P. glaucum no fim do ciclo, com a liberação de grande quantidade de sementes sobre o solo.

Na avaliação realizada aos 15 DAT, observou-se que as culturas isoladas ou consorciadas apresentaram excelente controle da comunidade infestante, com exceção do tratamento com S. aterrimum. Na avaliação realizada na colheita, verificou-se, novamente, maior controle proporcionado por P. glaucum e C. juncea, isolados ou consorciados entre si ou com S. aterrimum. Esses resultados indicam que essas culturas de cobertura auxiliaram efetivamente no controle químico das plantas daninhas.

 

Conclusões

1. Crotalaria juncea é mais competitiva que Pennisetum glaucum, quando semeados em consórcio.

2. P. glaucum e C. juncea, isolados ou consorciados entre si ou com Stizolobium aterrimum, reduzem a emergência e acúmulo de matéria seca de plantas daninhas, na cultura do tomateiro rasteiro.

3. S. aterrimum apresenta desenvolvimento inicial lento e pode ser pouco competitivo, em solos com elevada infestação de plantas daninhas.

 

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Recebido em 15 de outubro de 2008 e aprovado em 30 de dezembro de 2008