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Pesquisa Agropecuária Brasileira

Print version ISSN 0100-204XOn-line version ISSN 1678-3921

Pesq. agropec. bras. vol.44 no.4 Brasília Apr. 2009

https://doi.org/10.1590/S0100-204X2009000400014 

NOTAS CIENTÍFICAS

 

Resistência de goiabeiras e araçazeiros a Meloidogyne mayaguensis

 

Resistance of guava and araça to Meloidogyne mayaguensis

 

 

Eduardo José de Almeida; Jaime Maia dos Santos; Antonio Baldo Geraldo Martins

Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, via de acesso Professor Paulo Donato Castelane, s/nº, CEP 14887-090 Jaboticabal, SP. E-mail: eduardo.almeida@posgrad.fcav.unesp.br, jmsantos@fcav.unesp.br, baldo@fcav.unesp.br

 

 


RESUMO

O objetivo deste trabalho foi identificar espécies de Myrtaceae resistentes a Meloidogyne mayaguensis. Acessos de araçazeiros e goiabeiras da Coleção de Plantas Frutíferas Nativas e Exóticas da Unesp/FCAV e acessos de araçazeiro de fragmentos de matas nativas do Nordeste do Estado de São Paulo e Triângulo Mineiro foram testados quanto à resistência ao nematódeo. As mudas receberam 4.000 ovos e juvenis de segundo estádio de M. mayaguensis por planta e foram conduzidas em casa de vegetação. Aos 150 dias, os genótipos foram avaliados quanto à resistência ao nematódeo com base no fator de reprodução. Três acessos de Psidium e um de Eugenia foram resistentes a M. mayaguensis.

Termos para indexação: doença das plantas, nematódeo, porta-enxerto.


ABSTRACT

The objective this work was to identify Myrtaceae species resistant to Meloidogyne mayaguensis. Araça and guava accessions obtained from the Collection of Native and Exotic Fruitful Plants of Unesp/FCAV, and accessions of araça plant obtained from native forest fragments located in the northeast region of the São Paulo state and the Triângulo Mineiro region, Minas Gerais state, Brazil, were tested for resistance to M. mayaguensis. The seedlings received 4,000 eggs and second stadium juveniles of M. mayaguensis each and were reared in a greenhouse. After 150 days, the genotypes were evaluated for resistance to the nematode based on the reproduction factor. Three Psidium spp. and one Eugenia accessions were resistant to M. mayaguensis.

Index terms: plant diseases, nematode, rootstocks.


 

 

O Brasil possui grandes áreas com condições edafoclimáticas favoráveis à produção comercial de goiaba (Psidium guajava L.). Esse aspecto tem relevância não apenas pelo valor nutritivo da fruta, mas também pela perspectiva que representa no incremento da produção agrícola, na ampliação da atividade industrial e no potencial de exportação (Rozane et al., 2003).

Desde o final da década de 80, severos danos à cultura causados por nematódeos-de-galhas vêm sendo relatados (Moura & Moura, 1989). O primeiro relato de Meloidogyne mayaguensis Rammah e Hirschmann, em raízes de goiabeira no Brasil, foi feito por Carneiro et al. (2001). Conforme Almeida et al. (2008), danos expressivos a diversas culturas causados por esse nematódeo já foram registrados em diversos estados do país.

No manejo integrado de nematódeos, o uso de cultivares resistentes é alternativa vantajosa e econômica quando comparado ao emprego de nematicidas. Segundo Roberts et al. (1998), resistência é o termo usado para descrever a habilidade de uma planta suprimir a reprodução ou o desenvolvimento do nematódeo. Em nematologia, o termo resistência também é frequentemente usado para se referir à capacidade da planta de suprimir a doença, especialmente impedir a formação de galhas em raízes.

Uma espécie da família Myrtaceae com resistência a M. mayaguensis pode ser usada como porta-enxerto para as variedades comerciais de goiabeira. A existência de grande número de materiais geneticamente diferentes, mas que mantêm alguma afinidade morfofisiológica, aumenta a chance de haver compatibilidade na enxertia entre diferentes espécies de Psidium (Hartman et al., 1997).

O objetivo deste trabalho foi identificar espécies de mirtáceas com resistência a M. mayaguensis, com vistas à utilização como porta-enxertos compatíveis com as variedades comerciais de goiabeira.

Os experimentos foram conduzidos no Departamento de Fitossanidade e no Setor de Propagação de Frutíferas do Departamento de Produção Vegetal da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Campus de Jaboticabal.

As mudas foram produzidas em sacos de polietileno de 11x22 cm com substrato esterilizado e mantidas em ripado com 50% de luminosidade, até o transplante para vasos de cerâmica de 10 L de capacidade contendo solo autoclavado. As mudas foram levadas para casa de vegetação, onde receberam 10 mL de inóculo por planta. O inóculo foi constituído de uma suspensão de M. mayaguensis preparada com base na técnica de Hussey & Barker (1973), a partir de raízes naturalmente infectadas. As raízes foram coletadas em um pomar de goiabeira cv. Pedro Sato, localizado em Vista Alegre do Alto, SP. A suspensão continha 400 ovos e juvenis de segundo estádio (J2) por mililitro.

A espécie de Meloidogyne foi identificada com base em caracteres morfológicos do padrão perineal e na morfologia da região labial dos machos e confirmada pelo fenótipo isoenzimático para esterase, obtido pela técnica de Esbenshade & Triantaphyllou (1990). Para a avaliação da viabilidade do inóculo, foram utilizadas mudas de tomateiro (Solanum lycopersicum L.) cv. Santa Cruz Kada, que receberam 4.000 ovos e juvenis de segundo estádio por planta.

As avaliações ocorreram de 110 a 150 dias após a inoculação. Nas avaliações, as raízes das plantas foram processadas pela técnica de Hussey & Barker (1973) e a população de ovos, juvenis e adultos foi estimada com auxílio da câmara de contagem de Peters, por meio do microscópio fotônico. Os dados obtidos constituíram a população final (Pf) e foram utilizados na determinação do fator de reprodução (FR), conforme Cook & Evans (1987), definido pela relação Pf/Pi, em que Pi é a população inicial. Plantas com FR<1 foram consideradas resistentes e aquelas com FR>1, suscetíveis.

Os acessos 1, 2, 6 de araçazeiros e o araçazeiro-boi foram resistentes ao nematódeo, com um fator de reprodução próximo de 0 (Tabela 1).

Os sistemas radiculares dos materiais resistentes tiveram densa formação de raízes e radicelas e ausência de galhas. As espécies suscetíveis apresentaram raízes pouco desenvolvidas e menor densidade de radicelas. Os acessos resistentes pertencem ao gênero Psidium, embora as espécies ainda não tenham sido identificadas, à exceção do araçazeiro-boi (Eugenia stipitata).

Os acessos denominados Pedro Sato I e Pedro Sato II são provenientes de duas plantas que se mantinham assintomáticas em um talhão altamente infestado, com plantas de goiabeiras severamente atacadas. Contudo, esses dois acessos não foram confirmados como resistentes. De forma semelhante, Maranhão et al. (2001) estudaram a reação de plantas segregantes de variedades de goiabeira (P. guajava) a M. mayaguensis e não encontraram plantas resistentes. Em outro estudo, Maranhão et al. (2003) avaliaram plantas segregantes de variedades de araçazeiro (P. guineense). Embora alguns acessos avaliados tenham mostrado moderada resistência a M. incognita e M. javanica, não houve nenhum acesso que apresentasse resistência a M. mayaguensis.

Maranhão et al. (2001) mencionaram que P. friedrichsthalianum era resistente ao nematódeo. Porém, no presente estudo, o acesso dessa espécie testado foi susceptível, com fator de reprodução de 10,03.

Carneiro et al. (2007) também encontraram fontes de resistência a M. mayaguensis em três acessos de araçazeiro da espécie P. cattleyanum Sabine. Eles mencionaram que esses acessos eram compatíveis para enxertia com goiabeira 'Paluma', portanto com possibilidade de ser usados como porta-enxerto para manejo de M. mayaguensis.

 

Agradecimentos

À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, pelo auxílio financeiro concedido; à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, pela bolsa concedida.

 

Referências

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Recebido em 6 de novembro de 2008 e aprovado em 31 de março de 2009

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