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Pesquisa Agropecuária Brasileira

Print version ISSN 0100-204XOn-line version ISSN 1678-3921

Pesq. agropec. bras. vol.44 no.6 Brasília June 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-204X2009000600003 

ENTOMOLOGIA

 

Seleção de atrativos alimentares e toxicidade de inseticidas para o manejo da broca-pequena-do-tomateiro

 

Selection of attractive food sources and toxicity of insecticides in tomato fruit borer management

 

 

Solange Maria de FrançaI; José Vargas de OliveiraI; Marcelo Coutinho PicançoII; Ailton Pinheiro LôboI; Ézio Marques da SilvaII; Pablo da Costa GontijoII

IUniversidade Federal Rural de Pernambuco, Departamento de Agronomia/Entomologia, Avenida Dom Manoel de Medeiros, s/nº, Dois Irmãos, CEP 52171-900 Recife, PE. E-mail: solangeufrpe@yahoo.com.br, vargasoliveira@uol.com.br, ailtonlobo@yahoo.com.br
IIUniversidade Federal de Viçosa, Departamento de Biologia Animal, Avenida P.H. Rolfs, s/nº, Campus Universitário, CEP 36570-000 Viçosa, MG. E-mail: picanco@ufv.br, eziomsilva@gmail.com, pablocgontijo@yahoo.com.br

 

 


RESUMO

O objetivo deste trabalho foi avaliar a preferência alimentar, o limiar de ingestão e efeito tóxico inseticidas associados atrativos, em adultos Neoleucinodes elegantalis. Foram testados os atrativos: melado e mel a 10%, extrato hexânico de frutos verdes de tomate a 0,4%, sacarose a 5%, suco de laranja e suco de uva a 30%, vinagre de vinho tinto a 10% e proteína hidrolisada a 5%. Com base no teste de preferência alimentar, foram selecionados os atrativos sacarose, melado, mel e suco de laranja, para determinar o limiar de concentração capaz de estimular a alimentação de adultos de N. elegantalis. Foi testado o efeito tóxico de inseticidas associados ao mel a 10%. A sacarose e o mel apresentaram o melhor resultado em relação ao número de pousos e ao tempo de pouso e de alimentação de adultos de N. elegantalis. Os inseticidas não afetaram negativamente a atração pelo alimento dos adultos de N. elegantalis. Carbaril, cartape, deltametrina, fenpropatrina, indoxacarbe, lambda-cialotrina e lufenurom provocaram 100% de mortalidade em adultos (machos + fêmeas), após 24 horas de exposição, e mostraram-se promissores para o uso em iscas tóxicas.

Termos para indexação: Neoleucinodes elegantalis, controle comportamental, iscas tóxicas, limiar de resposta.


ABSTRACT

This work aimed at evaluating the food preference, threshold of intake and toxic effect insecticides associated with attractive sources on adults Neoleucinodes elegantalis. The following attractive food sources were tested: molasses and honey at 10%, hexanic extract of green tomato fruits at 0.4%, sucrose at 5%, orange and grape juice at 30%, red wine vinegar at 10%, and hydrolyzed protein at 5% concentration. Based on the food preference test, sucrose, molasses, honey, and orange juice were selected to determine the threshold concentration capable of stimulating feeding in N. elegantalis adults. The toxic effect of insecticides added to honey at 10% was also tested. Sucrose and honey had the best results in terms of number of landings, landing time, and feeding time of adults of N. elegantalis. The insecticides did not affect negatively the attraction of N. elegantalis adults to the food sources. Carbaryl, cartap, deltamethrin, fenpropatrin, indoxacarb, lambda-cyhalothrin, and lufenuron caused 100% mortality of adults (males and females), after 24 hours of exposure, which suggests that they are promising for use in toxic baits.

Index terms: Neoleucinodes elegantalis, behavioral control, toxic baits, threshold response.


 

 

Introdução

A broca-pequena [Neoleucinodes elegantalis Guenée (Lepidoptera: Crambidae)] é uma das principais pragas da cultura do tomate no Brasil, Venezuela e Colômbia (Salas et al., 1991; Morais et al., 2007; Picanço et al., 2007). Em condições favoráveis ao crescimento populacional, infesta severamente os frutos, tornando-os impróprios para consumo e para o processamento industrial (Gravena & Benvenga, 2003; Morais et al., 2007; Picanço et al., 2007).

Os estimulantes alimentares e os semioquímicos têm sido investigados como alternativas para o manejo comportamental de diferentes pragas. As substâncias químicas que indicam a presença do alimento são, em muitos casos, compostos secundários de plantas que estimulam as células quimiorreceptoras localizadas nas sensilas gustativas dos tarsos, antenas e partes do aparelho bucal dos insetos, e que induzem, entre outras ações, a alimentação e a oviposição (Nation, 2002).

Iscas atrativas com estimulantes alimentares têm sido utilizadas para a identificação e distribuição de espécies de insetos, certificação de uma região ou país quanto à ausência de determinada espécie-praga (área livre), e em programas de erradicação de espécies-praga e de manejo integrado (Nascimento et al., 2000). Para maior persistência dos fagoestimulantes e arrestantes nas iscas atrativas, utiliza-se o amido como veículo do estimulante alimentar (Arruda-Gatti & Ventura, 2003), por exemplo, na combinação de farelos secos e inseticidas (Potts, 1999). Vários atrativos como açúcar mascavo, sacarose, proteína hidrolisada de milho, sucos de frutas e vinagre de vinho são utilizados em armadilhas, no monitoramento de insetos e, quando adicionados a inseticidas, são recomendados para o controle de pragas como as moscas-das-frutas (Nascimento et al., 2000; Gravena & Benvenga, 2003).

Iscas tóxicas com spinosad e água, açúcar outros atrativos foram efetivas no controle de moscas-das-frutas [Ceratitis capitata (Wied.) e Anastrepha fraterculus (Wied.)] (Raga & Sato, 2005). No manejo da mosca-minadora (Liriomyza spp.), tem sido recomendado o uso do inseticida cartape associado a açúcar ou proteína hidrolisada (Guimarães et al., 2005).

O uso de iscas tóxicas, que contêm inseticidas comerciais registrados para a cultura do tomateiro, aplicadas no interior cultivo e nas bordaduras, pode ser um método promissor controle adultos N. elegantalis. Esse método poderá contribuir para a redução do uso de inseticidas e gerar benefícios para o ambiente, pois não há necessidade de se fazerem aplicações em cobertura total.

O objetivo deste trabalho foi avaliar a preferência alimentar, limiar de ingestão e efeito tóxico inseticidas associados atrativo no controle adultos N. elegantalis.

 

Material e Métodos

Os insetos foram criados conforme procedimento utilizado no Laboratório de Manejo Integrado de Pragas, do Departamento de Biologia Animal, da Universidade Federal de Viçosa, MG (Souza, 2001; Badji et al., 2003). A criação e os experimentos foram realizados a 26,2±1,7°C, com umidade relativa de 75±0,7% e fotófase de 12 horas.

No estudo da atração alimentar, cada parcela experimental foi constituída de uma gaiola telada com organza (45x45x45 cm), na qual foram introduzidos cinco casais N. elegantalis com quatro a cinco dias de idade, sem alimentação por 24 horas. Os tratamentos foram constituídos por chumaços de algodão (0,33 g e 8 cm2) embebidos com 2 mL do atrativo alimentar. Os atrativos testados foram: melado e mel a 10%, extrato hexânico de frutos verdes de tomate a 0,4%, sacarose a 5%, sucos de laranja e de uva a 30%, vinagre de vinho tinto a 10% e proteína hidrolisada a 5%. Esses tratamentos foram fixados com o auxílio de alfinetes no interior das gaiolas, na parte superior, dispostos de forma equidistante. Em cada repetição, foi realizada uma nova casualização da posição dos tratamentos, no interior das gaiolas.

Os experimentos foram realizados em sala, com fotófase de 12 horas. As avaliações foram visuais. Foram avaliadas as seguintes características: número de pousos de machos, fêmeas e adultos (machos + fêmeas) no atrativo alimentar; tempo de pouso de machos, fêmeas e adultos; número de vezes em que os machos, fêmeas e adultos se alimentaram; e tempo de alimentação de machos, fêmeas e adultos. Para a visualização dos adultos no interior das gaiolas, foram utilizadas lanternas revestidas com papel celofane de cor vermelha, para se evitar uma possível interferência da luz artificial no comportamento dos insetos (Wyatt, 1997). Os experimentos foram conduzidos em delineamento de blocos ao acaso, com oito tratamentos e quatro repetições. Os resultados obtidos foram submetidos à análise de variância, e as médias dos tratamentos foram comparadas pelo teste de agrupamento de Scott & Knott (1974), a 5% de probabilidade. As análises foram processadas por meio do SAEG 5.0 (Gomes, 1992).

Com base no teste de atração alimentar, foram selecionados os atrativos sacarose, melado, mel e suco laranja, para se determinar o limiar concentração capaz estimular a alimentação adultos N. elegantalis. Foram testadas as seguintes concentrações: sacarose (5, 2,5, 0,5, 0,25, 0,05, 0,025, 0,005 e 0%); suco de laranja (30, 15, 3, 1,5, 0,3, 0,15, 0,03 e 0%); e mel e melado (10, 5, 1, 0,5, 0,1, 0,05, 0,01 e 0%). Os testes foram realizados em gaiolas de organza (45x45x45 cm), segundo o método descrito para o teste de atração alimentar. Os resultados obtidos foram submetidos à análise de variância, e foram estabelecidas correlações entre as características avaliadas que apresentaram significância (p<0,10) e as concentrações de sacarose.

Para avaliar a alteração na resposta de N. elegantalis, foram associados inseticidas à solução de mel. Esse atrativo foi usado em razão de seu desempenho. Cada parcela foi constituída de uma gaiola telada com organza (45x45x45 cm), na qual foram distribuídos 12 chumaços de algodão (0,33 g e 8 cm2) embebidos com 2 mL de solução de mel a 10% e com o inseticida. Como testemunha, foi utilizado apenas o atrativo. Os tratamentos, fixados com alfinetes na parte superior do interior das gaiolas, dispostos de forma equidistante, foram: testemunha, metomil (Lannate BR) (100 mL 100 L-1), lufenurom (Match CE) (80 mL 100 L-1), carbaril (Sevin 480 SC) (225 mL 100 L-1), deltametrina (Keshet 25 CE) (40 mL 100 L-1), clorpirifós (Lorsban 480 BR) (150 mL 100 L-1), lambda-cialotrina (Karate Zeon 50 SC) (40 mL 100 L-1), indoxacarbe (Rumo GDA) (8 g 100 L-1), cartape (Cartap BR 500) (250 g 100 L-1), rynaxapyr (Rinoxapir) (200 mL 100 L-1), malationa (Malathion 500 CE) (200 mL 100 L-1) e fenpropatrina (Danimen 300 CE) (150 mL ha-1). Esses inseticidas são registrados para o controle de N. elegantalis em tomateiro. Em cada repetição, foi realizada uma nova casualização da posição dos tratamentos no interior das gaiolas.

Em cada gaiola, foram liberados cinco casais de N. elegantalis com quatro a cinco dias de idade, mantidos sem alimento por um período de 24 horas. Os experimentos foram realizados durante a escotófase, por seis horas ininterruptas, e verificados por meio de avaliações visuais. Foram avaliadas as mesmas variáveis utilizadas no experimento de atração alimentar. O delineamento experimental foi o de blocos ao acaso, com 12 tratamentos (11 inseticidas e testemunha) e seis repetições. Os resultados foram transformados em (x + 0,5)0,5, para atender às pressuposições da ANOVA. As análises foram realizadas com o programa estatístico SAEG 5.0 (Gomes, 1992). Foi utilizada a análise de regressão, para avaliar o efeito dos inseticidas ao longo do tempo, na sobrevivência dos adultos de N. elegantalis.

A toxicidade desses inseticidas foi avaliada com o mesmo método do experimento anterior. Porém, os tratamentos (11 inseticidas e testemunha) foram individualizados em gaiolas teladas organza (45x45x45 cm). Em cada gaiola, distribuídos 12 chumaços de algodão (0,33 g 8 cm2) embebidos com 2 mL de solução de mel a 10%, e com o inseticida testado. A testemunha recebeu apenas solução de mel a 10%. Os chumaços de algodão foram fixados com alfinete, na parte superior do interior da gaiola, e dispostos de forma equidistante. Cada inseticida foi testado na dosagem recomendada pelo fabricante. Em cada gaiola, foram utilizados três casais de N. elegantalis com quatro a cinco dias de idade, mantidos sem alimento por 24 horas. Após 0,5, 1, 2, 12 e 24 horas, foi avaliada a mortalidade dos adultos. Os testes foram efetuados com 12 horas de escotófase. Para a visualização dos adultos mortos no interior das gaiolas, no escuro, foi utilizada uma lanterna revestida com papel celofane de cor vermelha (Wyatt, 1997). Os resultados obtidos foram transformados em (x + 0,5)0,5, para atender as pressuposições da ANOVA. Em seguida, foi realizado o teste de agrupamento de Scott & Knott (1974), com uso do programa estatístico SAEG 5.0 (Gomes, 1992).

 

Resultados e Discussão

O número de pousos dos machos N. elegantalis foi semelhante em sacarose, mel, melado, suco de uva, suco de laranja e proteína hidrolisada, e diferiu em vinagre de vinho e extrato hexânico de frutos de tomate (Tabela 1). Entretanto, não houve diferença estatística entre os tratamentos, em relação ao tempo de pouso e de alimentação. Para as fêmeas, sacarose e mel desencadearam maior número de pousos, e o tempo de pouso foi mais expressivo em sacarose. Quanto ao número de vezes em que se alimentaram, a resposta foi significativa em sacarose, mel, suco de laranja e melado e, quanto ao tempo de alimentação, em sacarose, mel e suco de laranja. Sacarose, mel e melado foram os mais efetivos em favorecer o número de vezes em que os machos e fêmeas se alimentaram e o tempo de alimentação das fêmeas. Considerado o total de adultos (machos e fêmeas), o número de pousos teve destaque em sacarose, mel e melado; o tempo de pouso e a alimentação destacaram-se em sacarose, mel, melado, suco de uva e de laranja; e o tempo de alimentação destacou-se em sacarose e suco de laranja.

 

 

Os adultos de N. elegantalis responderam de modo diferente aos atrativos e parâmetros avaliados, com maior destaque para sacarose e mel. Apesar de as iscas atrativas com estimulantes alimentares tornarem o manejo de pragas por manipulação do comportamento uma ferramenta eficiente e contribuírem para reduzir a quantidade e aumentar a eficiência de agrotóxicos aplicados em sistemas de produção agrícolas (Potts, 1999), poucos estudos sobre a sua utilização no manejo de lepidópteros foram desenvolvidos, com maior concentração de informações para dípteros como as moscas-das-frutas. Em relação a lepidópteros, armadilhas com soluções de melaço a 20% e de açúcar não refinado a 5, 10 ou 20% capturaram maior número de adultos de Mocis latipes (Landolt, 1995). Entre vários atrativos, as iscas de banana foram as mais eficazes na coleta de adultos de Eudocima phalonia, praga de citros e de numerosas culturas comerciais de frutas no Pacífico, África, Ásia e Austrália (Reddy et al., 2007). Entretanto, em relação ao monitoramento de moscas-das-frutas, vários atrativos têm sido utilizados com níveis variados de eficiência, em diferentes armadilhas como hidrolisados de milho, melaço de cana e sucos de frutas (Mendonça et al., 2003; Tibola et al., 2005; Guerra et al., 2007).

Para a escolha de um atrativo adequado, alguns fatores devem ser considerados, como: custo; facilidade aplicação; capacidade atração adultos, principalmente fêmeas; e tempo pouso associado à alimentação, pois quanto maior o contato dos órgãos sensoriais insetos com isca, será eficácia do inseticida. No presente trabalho, sacarose mel tiveram as melhores respostas adultos N. elegantalis quanto ao número de pousos associados à alimentação (Tabela 1). Por conseguinte, esses atrativos podem ser de grande utilidade no monitoramento e controle dessa praga.

A variação das concentrações de mel, melado e suco laranja não alterou resposta N. elegantalis a esses atrativos, e não foi possível a determinação do limiar de ingestão. No entanto, foi observada relação entre as concentrações de sacarose e a sua atratividade. A resposta de N. elegantalis a esse atrativo foi crescente até a concentração de 1% e permaneceu constante a partir desta (Figura 1).

 

 

Os açúcares são substâncias com melhor potencial de alimentação e excelentes estimulantes alimentares, a sacarose é o mais efetivo (Potts, 1999). Em alguns insetos, ocorre expansão da probóscide, quando concentração açúcar exposta às suas quimiossensilas excede valor do limiar resposta. Essa resposta pode variar acordo estágio maturação as condições fisiológicas – exemplo mosca-varejeira, Phormia regina (Amakawa, 2001) –, bem como com a aprendizagem do inseto, pois a extensão da probóscide está associada ao estímulo ao qual o inseto foi exposto, como no caso de abelhas (Scheiner, 2004). Esse comportamento também foi observado em algumas espécies de mariposas, como Spodoptera littoralis que foi capaz de associar um odor neutro (óleo de geraniol) à recompensa à sacarose (Fan et al., 1997).

A atratividade dos inseticidas, quando associados à solução de mel 10%, não diferiu estatisticamente quanto: ao número pousos machos, fêmeas e adultos no atrativo alimentar; tempo pouso adultos; vezes em que os se alimentaram; alimentação para adultos, relação testemunha (solução 10%). houve alteração na resposta atrativo, porém presença do inseticida afetou significativamente sobrevivência fêmeas, machos N. elegantalis, ao longo do tempo (Figura 2). Assim, fica demonstrado o potencial dos inseticidas testados para o manejo dessa praga com iscas tóxicas em tomateiro, pois nenhum deles apresentou efeito repelente, o que poderia interferir significativamente na resposta do inseto ao atrativo alimentar.

 

 

A mortalidade de N. elegantalis, causada pelos inseticidas, aumentou diretamente com os períodos de avaliação para machos, fêmeas e adultos (Tabela 2). Deltametrina provocou mortalidade de 66,7% após meia hora de observação. Após duas horas, os melhores resultados foram obtidos com deltametrina, lufenurom e carbaril; com 12 horas de observação, carbaril, cartape, deltametrina, indoxacarbe e lufenurom proporcionaram os melhores resultados; e, após 24 horas, destacaram-se carbaril, cartape, deltametrina, fenpropatrina, indoxacarbe, lambda-cialotrina e lufenuron.

 

 

Em relação a outros lepidópteros, Gallo et al. (2002) indicaram para o controle de mariposas algodoeiro e soja: aplicação da mistura melaço (1 L), água (10 L) inseticida metomil 21,5% (30 mL) 5 L, por 5 m linha plantas, faixas com afastamento 50 m. Iscas do cartape, nas doses 500 750 g i.a. ha-1 adicionadas a 0,5% de açúcar, foram efetivas no controle de adultos da lagarta rosada do algodoeiro, Pectinophora gossypiella (Saunders) (Papa et al., 2003).

No manejo de N. elegantalis, as aplicações de iscas tóxicas podem contribuir para a redução do uso de inseticidas, bem como beneficiar o ambiente e inimigos naturais, em comparação ao sistema convencional de aplicação de inseticidas. Além disso, há redução dos custos de produção e dos resíduos no tomate comercializado.

 

Conclusões

1. Os atrativos sacarose e mel são os mais eficientes em relação ao número de pousos alimentação, tanto para machos quanto fêmeas Neoleucinodes elegantalis.

2. O limiar de ingestão da sacarose por N. elegantalis é de 1%.

3. Os inseticidas metomil, lufenurom, carbaril, deltametrina, clorpirifós, lambda-cialotrina, indoxacarbe, cartape, rynaxapyr, malationa e fenpropatrina não alteram a atratividade, quando associados ao mel.

4. Carbaril, cartape, deltametrina, fenpropatrina, indoxacarbe, lambda-cialotrina e lufenurom, quando associados ao mel, são promissores para o manejo de N. elegantalis em iscas tóxicas.

 

Agradecimentos

À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais e ao Programa de Cooperação Acadêmica da Capes entre as Universidades Federal Rural de Pernambuco e Federal de Viçosa, pelas bolsas e recursos concedidos; aos colegas do Laboratório de Manejo Integrado de Pragas, da Universidade Federal de Viçosa, pela ajuda dispensada.

 

Referências

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Recebido em 27 de fevereiro de 2009 e aprovado em 29 de maio de 2009

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