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Revista Brasileira de Fruticultura

Print version ISSN 0100-2945On-line version ISSN 1806-9967

Rev. Bras. Frutic. vol.23 no.3 Jaboticabal Dec. 2001

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-29452001000300054 

COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA

 

CALOGÊNESE DE TECIDO FOLIAR DE PORTA-ENXERTO DE MACIEIRA M.7 (MALUS sp.) INDUZIDA POR BAP E CPPU1

 

CARLOS ROBERTO MARTINS2, PAULO H. G. SCZEPANSKI2, PAULA SIQUEIRA BACHETTINI3, ROSILENE BARBOSA DE FRANÇA4, GERSON RENAN DE LEVES FORTES5

 

 

RESUMO - O trabalho foi conduzido com o objetivo de estudar a organogênese de macieira (Malus sp), após a obtenção de calo por meio de explantes de folhas do porta-enxerto M.7 multiplicado in vitro. O experimento foi conduzido no Laboratório de Cultura de Tecidos da Embrapa Clima Temperado, utilizando folhas com a superfície abaxial e adaxial em contato com o meio, com ou sem escarificação; associados às citocininas Benzilaminopurina (BAP) e Forchlorfenuron (CPPU) na concentração de 5mM. Utilizou-se o meio básico MS acrescido de sacarose (30 g.L-1 ), mio-inositol (100 mg.L-1) e ágar (6 g.L-1), além do regulador de crescimento Ácido Naftalenoácetico (ANA 0,5mM). Os tratamentos permaneceram por três semanas no escuro sob temperatura ambiente, o que propiciou 100% de formação de calos, sendo em seguida submetidos a fotoperíodo de 16 horas com intensidade luminosa de 20 mE.m-2.s-1 e temperatura de 25 ± 2 oC. Os explantes escarificados proporcionaram maior intensidade de calo do que a utilização de explantes intatos. Explantes escarificados com a superfície abaxial em contato com o meio proporcionaram maior intensidade de calo, independentemente de o meio conter BAP ou CPPU. O uso da escarificação, associado ao CPPU, promoveu uma maior intensidade de calo, independentemente da superfície do disco foliar. A superior regeneração de calos foi alcançada em condição de superfície abaxial do disco foliar associado ao CPPU. Portanto, o uso de explantes escarificados com a superfície abaxial em contato com o meio proporcionou aumento da intensidade de calo. O uso do explante escarificado em meio contendo CPPU proporcionou maior intensidade de calo, independentemente da superfície do disco foliar em contato com o meio.

Termos de Indexação: In Vitro, Cultura de Tecidos, Explante.

 

LEAF TISSUE CALLOGENESIS OF APPLE (Malus sp.) ROOTSTOCK CV. M.7 INDUCED BY BAP AND CPPU

ABSTRACT - This work was carried out in order to study the apple (Malus sp.) organogenesis after callus formation in M.7 apple rootstock leaf explants multiplied in vitro. The experiment was carried out in the Tissue Culture Laboratory at Embrapa Temperate Climate by using abaxial and adaxial leaves touching the culture media, with or without scarification associated with benzylaminopurine (BAP) and forchlophenuron (CPPU) at 5mM. The MS basal medium used was added to sucrose (30 gL-1), myo-inositol (100mgL-1) and agar (6gL-1). It was also added naphtalene acetic acid (NAA) at 0.5 mM. The treatments remained in darkness for three weeks under room temperature and this led to 100% callus formation and then the material was subjected to 16 hour photoperiod with light intensity of 20 mE.m-2s-1 and temperature of 25 ± 2ºC. The use of scarification associated with CPPU promoted the highest callus intensity independently of the leaf disc surface. Higher callus regeneration was achieved under abaxial surface leaf disks associated with CPPU. So, the use of scarifical explants with the abaxial surface touching the medium led to an increase in callus intensity. The use of scarification and medium containing CPPU, led to the formation of higher callus intensity independently of the leaf disk surface touching the medis.

Index terms: In vitro, Culture tissue, explant.

 

 

A calogênese em macieira já foi estudada, utilizando-se de diferentes reguladores de crescimento no meio de cultura como 2,4-D , BAP (Quorin e Peters, 1990) e TDZ (Faria, 1996). Para a cultura in vitro da macieira, a organogênese depende da origem do explante (Collet & Lê, 1987), podendo ser oriundo de pecíolo, lâmina foliar, entre outros ( Arena & Pastur, 1995). Ferradini et al. (1996) utilizaram a superfície abaxial de folhas escarificadas, em contato com o meio de cultura, e obtiveram bons resultados de calogênese com uso de BAP. Nieuwkerk et al. (1986) relatam o uso de forchlorfenuron (CPPU) na multiplicação de brotos de macieira, em concentrações bem inferiores ao BAP, sendo que Liu et al. (1994), cultivando calos de macieira cv. Fuji em meio contendo CPPU, obtiveram 60 % de regeneração.

O presente trabalho tem o objetivo de verificar o desempenho de discos foliares sob ação de CPPU e BAP, em função da superfície da lâmina foliar (abaxial e adaxial), assim como a utilização da folha intata e escarificada, na calogênese e posterior organogênese do porta-enxerto de macieira M.7.

O experimento foi desenvolvido no Laboratório de Cultura de Tecidos da Embrapa Clima Temperado, Pelotas-RS. Utilizaram-se frascos de 250 ml com 40 ml de meio, composto por sais e vitaminas de MS (Murashige & Skoog, 1962), acrescido de 30 g.L-1 de sacarose, 100 mg.L-1 de mio-inositol, 0,5 mM de ácido naftaleno acético (ANA), 5 mM de BAP ou CPPU (conforme o tratamento) e 6 g.L-1 de ágar, adicionado após a correção do pH a 5,9. Foram utilizados discos foliares da região apical do porta-enxerto de macieira M.7, provenientes de cultivo in vitro. O explantes intatos ou escarificados foram inoculados no meio de cultura com as superfícies abaxial ou adaxial em contato com estes. O material inoculado permaneceu por três semanas no escuro, sendo após mantido em sala de crescimento com intensidade luminosa de 20 mME.m-2.s-1, à temperatura de 25 ± 2ºC, com fotoperíodo de 16 horas. Ao final do período de cultivo (60 dias), avaliaram-se a percentagem e a intensidade do calo formado, onde se atribuíram notas de 1 a 4 (1- não formou calo; 2- calo pequeno; 3 ¾ calo médio; e 4 ¾ calo grande), número de brotações e gemas adventícias.

O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso, com oito repetições, seguindo um esquema fatorial 2x2x2 (folha x escarificação x citocinina). Antes de realizar a análise estatística, os dados dos parâmetros avaliados sofreram as seguintes transformações: arco-seno raiz de x/100, onde x é o valor percentual e log (x+1), sendo o x nota atribuida aos calos.

Houve 100 % de formação de calo para todos os tratamentos após três semanas de escuro. Ao contrário do citado por Faria (1996), que concluiu em seu trabalho que explantes de macieira cv. Marubakaido não foram influenciados pelo período de escuro. Sriskanparajah et al. (1994) somente conseguiram induzir calogênese, para posterior organogênese, quando explantes foram submetidos a um período de escuro. Durhan et al. (1994) alcançaram 92% de regeneração no porta-enxerto M.7A, quando os explantes foram cultivados por quatro semanas no escuro.

Observou-se que o uso da escarificação promoveu um aumento significativo da intensidade de calo em relação ao disco foliar intato (Figura 1). Este resultado está de acordo com a citação de Pierik (1990) e de Faria (1996), os quais observaram que a intensidade de calo foi maior utilizando folhas escarificadas. Segundo Pierik (1990), a superfície lesionada aumenta a possibilidade de absorção de nutrientes e reguladores, permitindo a obtenção de bons resultados na organogênese. Quando os explantes foram escarificados, a utilização do CPPU promoveu uma maior intensidade de calo (3,09) em relação ao BAP (2,28), sendo utilizada a superfície adaxial do disco foliar. Hedtrich & Hedtrich (1990), trabalhando com o mesmo tipo de explante com a superfície adaxial, verificaram que o TDZ, na concentração de 0,2 mg.L-1 (pertencente ao grupo das feniluréias, o mesmo do CPPU), e o BAP (5 mg.L-1) tiveram efeitos semelhantes na regeneração. Na superfície abaxial, entretanto, não foi verificada diferença significativa (Figura 2).

 

 

 

Este resultado demonstra que, quando se utilizam explantes escarificados na superfície abaxial, a intensidade de calo independe da citocinina utilizada (BAP e CPPU). Rusik et al. (1991), expondo explantes foliares com a superfície adaxial em contato com o meio, por um período de cinco dias de escuro, obtiveram bons resultados na formação de calos em cerejeira cv. Sumadinka.

O CPPU é mais responsivo para intensidade de calo do que o BAP quando se escarificam os explantes, não ocorrendo o mesmo com folhas intatas (Figura 3). Nezi et al. (1999) observaram que, durante o período de escuro, tanto o BAP como o CPPU induziram as maiores percentagens de formação de calos grandes na concentração de 13mM. Quando se utilizou CPPU, independentemente da superfície do disco foliar em contato com o meio de cultura, houve diferença significativa quanto à intensidade de calo quando realizada a escarificação (Figura 4). Segundo Ohyama & Oka (1982), em hipocótilo de amoreira (Morus sp.), o CPPU estimulou maior regeneração quando comparado com BA. Para Caboni et al. (1996), somente explantes com a superfície adaxial em contato com o meio mostraram regeneração.

 

 

 

A intensidade de calo é maior quando utilizada a superfície abaxial do disco foliar com a escarificação das folhas, o que não ocorre com a utilização da superfície adaxial (Figura 5). Ferradini et al. (1996) utilizaram o mesmo tipo de explantes e obtiveram bons resultados na calogênese. Segundo Bartish & Korkoroi (1997), utilizando a superfície abaxial em contato com o meio, foi mais efetiva na formação de brotos . Ao contrário de Caboni et al. (1996), em que somente explantes com a superfície adaxial em contato com o meio mostraram regeneração.

 

 

A maior percentagem de calo regenerativo foi obtido com CPPU para a superfície abaxial, quando comparado com BAP. Dantas (1999) obteve o mesmo resultado em porta-enxerto de macieira M.7, utilizando disco foliar escarificado com a superfície abaxial em contato com o meio.

Não houve resposta do BAP para esta superfície, não havendo formação de calo regenerativo. O mesmo resultado não se verificou quando a superfície adaxial do disco foliar estava em contato com o meio (Figura 6). Entretanto, com a utilização de CPPU, não apresentou diferença significativa entre ambas as superfícies do disco foliar, devido ao alto coeficiente de variação encontrado. Para as variáveis número de brotação e gemas adventícias, não se verificou diferença significativa entre os tratamentos.

 

 

O período em que transcorreu o desenvolvimento deste trabalho, não foi suficiente para ocorrer a regeneração do material.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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1 (Trabalho 103/2000). Recebido: 19/06/2000. Aceito para publicação: 20/09/2001.
2 Engº Agrº Mestrando em Fruticultura de Clima Temperado, Pós graduação em Agronomia, FAEM, UFPel, Pelotas, RS, e-mail marticar@ufpel.tche.br.
3 Bióloga mestranda em Fisiologia Vegetal, UFPel
4 Engª Agrª mestranda em Fisiologia Vegetal, UFPel
5 Engº Agrº Dr. Pesquisador Embrapa Clima Temperado cx postal 403, 96001-970, Pelotas rs e-mail gerson@cpact.embrapa.br

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