SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.24 issue1Rootstocks for 'Tahiti' acid lime in Bebedouro region, SP, BrazilPropagation of Passiflora alata and P. edulis f. flavicarpa by cutting author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Revista Brasileira de Fruticultura

Print version ISSN 0100-2945On-line version ISSN 1806-9967

Rev. Bras. Frutic. vol.24 no.1 Jaboticabal Apr. 2002

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-29452002000100035 

PROPAGAÇÃO DE GENÓTIPOS DE PITANGUEIRA (Eugenia uniflora L.) PELO MÉTODO DE ENXERTIA DE GARFAGEM NO TOPO EM FENDA CHEIA1

 

JOÃO EMMANOEL FERNANDES BEZERRA2, ILDO ELIEZER LEDERMAN3, ERINALDO VIANA DE FREITAS4 & JOSUÉ FRANCISCO DA SILVA JÚNIOR5

 

 

RESUMO - O trabalho foi conduzido na Estação Experimental de Itambé - IPA, em Itambé - PE, com o objetivo de avaliar o pegamento da enxertia pelo processo de garfagem no topo em fenda cheia, em porta-enxertos com nove meses de idade, de dez genótipos de pitangueira usados como copa. O delineamento experimental foi o de blocos ao acaso, com três repetições e dez tratamentos (IPA-1.1; IPA-1.3; IPA-2.2; IPA-3.1; IPA-3.2; IPA-4.3; IPA-7.3; IPA-11.3; IPA-14.3 e IPA-15.1). Os genótipos comportaram-se diferentemente quanto à capacidade de pegamento de enxertia, sendo IPA-7.3; IPA-2.2; IPA-11.3; IPA-4.3; IPA-3.1; IPA-14.3; IPA-15.1 e IPA-3.2 aqueles que apresentaram a melhor combinação enxerto x porta-enxerto, com valores de pegamento da enxertia variando de 81,5 a 53,5% para o primeiro e último genótipos, respectivamente. Os genótipos IPA-1.1 e IPA-1.3 obtiveram os menores percentuais de pegamento (20,0 e 38,5%, respectivamente).

Temos para indexação: Propagação vegetativa, pitanga, Myrtaceae, enxerto.

 

PROPAGATION OF SURINAM CHERRY (Eugenia uniflora L.) GENOTYPES BY CLEFT GRAFTING

ABSTRACT- In a trial carried out at Itambé Experimental Station ¾ IPA, Pernambuco State, Brazil, ten Surinam cherry genotypes were cleft grafted on nine months old rootstocks in order to evaluate their grafting ability: IPA-1.1; IPA-1.3; IPA-2.2; IPA-3.1; IPA-3.2; IPA-4.3; IPA-7.3; IPA-11.3; IPA- 14.3 and IPA-15.1. Genotypes behaved differently in its grafting ability, in which the majority of them has shown good relationship between rootstock x grafts. Grafting percentages ranged from 81.5% to 53.5% for the highest uptaking ( IPA-7.3, IPA-2.2, IPA-11.3, IPA-4.3, IPA-3.1, IPA14.3, IPA-15.1 and IPA-3.2, respectively) and 20.0% to 38.5% for the lowest ones (IPA-1.1 and IPA-1.3, respectively).

Index terms: Vegetative propagation, Myrtaceae, graft, pitanga.

 

 

INTRODUÇÃO

O cultivo da pitangueira (Eugenia uniflora L.) no Estado de Pernambuco vem crescendo a cada ano em razão da utilização do seu fruto para o preparo de polpa e suco, bem como para a fabricação de sorvetes, refrescos, geléias, licores e vinhos (Lederman et al., 1992; Bezerra et al., 2000).

Apesar da expansão e do potencial econômico de exploração dessa cultura, a maioria dos pomares existentes é proveniente de plantas propagadas por sementes, o que tem refletido negativamente na condução dos pomares, resultando em plantas desuniformes, de baixa produtividade e dando origem a frutos de má qualidade.

A propagação vegetativa por meio da enxertia tem sido uma técnica bastante utilizada na fruticultura, garantindo a formação de pomares com populações de plantas homogêneas (Gonzaga Neto et al., 1982; Dantas et al., 1993; Lederman et al., 1997). Além disso, a enxertia possibilita a união de mais de um genótipo, combinando as características desejáveis de ambos em uma planta composta (Hartmann & Kester, 1968).

Segundo Bezerra et al. (1999), os processos de enxertia dos tipos garfagem no topo em fenda cheia e à inglesa simples, realizados em porta- enxertos com 9 e 12 meses de idade, foram os métodos mais eficientes na propagação da pitangueira, alcançando-se com esses processos 77,5% de pegamento do enxerto.

Bezerra et al. (1995, 1997) relacionaram dez clones de pitangueira com elevado potencial produtivo e boas características agronômicas, para a região da Mata Pernambucana. No entanto, sabendo-se da existência de diferenças entre os clones estudados, as quais, segundo Simão (1971), podem afetar o pegamento de enxerto, em razão da influência recíproca entre o enxerto e o porta-enxerto, procurou-se, nesse trabalho, avaliar o melhor pegamento da enxertia entre os genótipos selecionados.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O trabalho foi conduzido no período de julho de 1999 a maio de 2000, na Estação Experimental de Itambé, da Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária - IPA, localizada no Município de Itambé, na Zona da Mata Norte de Pernambuco. O clima da região, de acordo com a classificação de Köppen, é do tipo As' - tropical chuvoso quente e úmido com verão seco.

Utilizou-se o delineamento experimental de blocos ao acaso, com três repetições, dez tratamentos e 20 plantas por parcela. Os tratamentos foram constituídos dos genótipos IPA-1.1; IPA-1.3; IPA-2.2; IPA-3.1; IPA-3.2; IPA-4.3; IPA-7.3; IPA-11.3; IPA-14.3 e IPA-15.1, utilizados como enxertos.

Para a formação dos porta-enxertos, utilizaram-se sacos de polietileno pretos, perfurados de 20 x 35cm, contendo substrato de terra local e esterco de gado na proporção de 3:1. As mudas do porta-enxerto foram obtidas de sementes retiradas de frutos maduros colhidos de uma única planta.

O método de enxertia utilizado foi o de garfagem no topo em fenda cheia, realizado em porta-enxertos do genótipo IPA-2.2 com nove meses de idade e a 65cm de altura, conforme procedimentos descritos por Bezerra et al. (1999). Os garfos com 10cm de comprimento, 5mm de diâmetro e aproximadamente cinco gemas foram coletados da porção mediana de ramos anuais lignificados.

As avaliações foram feitas aos 45 dias após a realização da enxertia, observando-se, para cada tratamento, o pegamento dos enxertos que apresentavam gemas vegetativas em crescimento. Para efeito da análise estatística dos resultados, os dados foram transformados em

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

As médias de pegamento de enxertos, em relação aos genótipos, estão apresentadas na Tabela 1. Comparando-se os percentuais de pegamento, verificou-se que oito genótipos se comportaram semelhantemente (IPA-7.3; IPA-2.2; IPA-11.3; IPA-4.3; IPA-3.1; IPA-14.3; IPA-15.1 e IPA-3.2), apresentando percentuais acima de 53% de pegamento de enxerto. A maior porcentagem de pegamento de enxerto foi obtida pelo genótipo IPA-7.3 (81,5%). Esses resultados coincidem com os citados por Bezerra et. al. (1999), que alcançaram percentuais da ordem de 77,5%.

A menor percentagem de pegamento de enxerto foi para o genótipo IPA-1.1 (20,0%), que diferiu de todos os outros genótipos estudados com exceção do IPA-1.3 (38,5%). Acredita-se que os baixos percentuais encontrados para esses genótipos estejam relacionados com a qualidade dos garfos utilizados, os quais poderiam não estar suficientemente maduros (lignificados) para permitir o pegamento. Ou ainda, ao fato de os porta-enxertos usados terem sido provenientes de sementes, o que produziria uma certa variabilidade genética nos mesmos.

Outra possibilidade pode ser atribuída a uma reduzida compatibilidade entre enxerto e porta-enxerto, já que ela é função da afinidade fisiológica e anatômica. Segundo Simão (1971), a primeira diz respeito à região da enxertia, que pode tornar-se seletiva, dificultando o transporte de elementos maiores, micronutrientes e compostos orgânicos da raiz para a copa e vice-versa. A outra consiste na íntima associação dos tecidos cambiais de maneira a formarem uma conexão contínua que pode ser comprometida quando a copa e o porta-enxerto possuem células diferentes quanto ao tamanho, forma e consistência.

 

CONCLUSÕES

1. Os genótipos de pitangueira comportam-se diferentemente quanto à capacidade de pegamento de enxertia.

2. Os genótipos que apresentaram melhor pegamento de enxertia foram IPA-7.3; IPA-2.2; IPA-11.3; IPA-4.3; IPA-3.1; IPA-14.3; IPA-15.1 e IPA-3.2.

3. Os genótipos IPA-1.1 e IPA-1.3 obtiveram os menores percentuais de pegamento de enxertia.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BEZERRA, J.E.F.; SILVA JÚNIOR, J.F. da; LEDERMAN, I.E. Pitanga (Eugenia uniflora L.). Jaboticabal, SP: FUNEP, 2000. 30 p. (Série Frutas Nativas, 1).         [ Links ]

BEZERRA, J.E.F; LEDERMAN, I.E.; FREITAS, E.V. de; SANTOS, V.F. dos. Método de enxertia e idade de porta-enxerto na propagação da pitangueira (Eugenia uniflora L.). Revista Brasileira de Fruticultura, Jaboticabal, v. 21, n. 3, p. 262-265, 1999.         [ Links ]

BEZERRA, J.E.F; FREITAS, E.V. de; LEDERMAN, I.E.; DANTAS, A.P. Performance of surinam cherry (Eugenia uniflora L.) in Pernambuco, Brazil. II - Productive period 1989-1995. Acta Horticulturae, Wageningen, n. 452, p. 137-142. 1997.         [ Links ]

BEZERRA, J.E.F; LEDERMAN, I.E.; PEDROSA, A.C; DANTAS, A.P.; FREITAS, E.V. de. Performance of surinam cherry (Eugenia uniflora L.) in Pernambuco, Brazil. Acta Horticulturae, Wageningen, n. 370, p. 77-81. 1995.         [ Links ]

DANTAS, A.P.; PEDROSA, A.C.; LEDERMAN, I.E.; BEZERRA, J.E.F.; MELO NETO, M.L. de. Técnicas de enxertia na propagação da pinheira (Annona squamosa L.) em viveiro. Revista Brasileira de Fruticultura, Cruz das Almas, v. 15, n. 1, p. 235-238, 1993.         [ Links ]

GONZAGA NETO, L.; ANDERSEN, O.; PINHEIRO, R.V.R.; SILVA, F.C.C. da; CONDE, A.R. Estudos de métodos de produção de porta-enxerto e enxertia da goiabeira. III - Análises de crescimento em porta-enxertos. Revista Brasileira de Fruticultura, Cruz da Almas, v. 4, n. único, p. 59-66, 1982.         [ Links ]

HARTMANN, H.T.; KESTER, D.E. Plant propagation principles and practices. 2. ed. Englewood Cliffs, New Jersey: Prentice-Hall, 1968. 702 p.         [ Links ]

LEDERMAN, I.E.; BEZERRA, J.E.F; CALADO, G. A pitangueira em Pernambuco. Recife, PE: IPA, 1992. 20 p. (IPA. Documentos, 19).         [ Links ]

LEDERMAN, I.E.; SILVA, M.F.F. da; BEZERRA, J.E.F; SANTOS, V.F. dos. Influência da idade do porta-enxerto e do tipo de enxertia na propagação da gravioleira. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v. 32, n. 6, p. 613-615, 1997.         [ Links ]

SIMÃO, S. Manual de fruticultura. São Paulo: Ceres, 1971. 530 p.         [ Links ]

 

 

1 (Trabalho 091/2001). Recebido: 24/04/2001. Aceito para publicação: 08/02/2002.
2 Eng. Agr., M.Sc., bolsista do CNPq, Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária - IPA, Caixa Postal 1022, CEP: 50761-000, Recife, PE. E-mail: emmanoel@ipa.br
3 Eng. Agr., Ph.D., Embrapa/IPA, bolsista CNPq; E-mail: ildo@ipa.br
4 Eng. Agr., B.Sc., IPA; E-mail: ipa@ipa.br
5 Eng. Agr., M.Sc., bolsista da Fundação de Amaparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco - Facepe, IPA; E-mail: josuef@ipa.br

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License