SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.24 issue2Physical and chemical characterization on the fruits of umbu-cajazeira (Spondias spp) in five ripening stages, frozen pulp and nectarEffect of CPPU and GA3 in grapes 'Itália' in Submedium São Francisco River Valley region, northeast Brazil author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Revista Brasileira de Fruticultura

Print version ISSN 0100-2945On-line version ISSN 1806-9967

Rev. Bras. Frutic. vol.24 no.2 Jaboticabal Aug. 2002

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-29452002000200014 

CONTROLE DA MATURAÇÃO DE CAQUIS 'FUYU', COM USO DE AMINOETHOXIVINILGLICINA E ÁCIDO GIBERÉLICO1

 

VALDECIR CARLOS FERRI2, MARIA MADALENA RINALDI3, ROQUE DANIELI3, LUCIANO LUCHETTA4, CESAR VALMOR ROMBALDI5

 

 

RESUMO – Avaliaram-se o efeito do controle da maturação e o comportamento pós-colheita de caquis 'Fuyu', tratados a campo com aminoethoxivinilglicina (AVG) e ácido giberélico (AG3). Utilizou-se o delineamento completamente casualizado, com quatro repetições. As pulverizações foram realizadas com AVG a 50ppm e AG3 a 30ppm, 30 dias antes da data prevista para a colheita. Após a colheita, os frutos foram armazenados em ambiente com temperatura 23±3oC e umidade relativa de 75±5% e, a cada quatro dias, foram realizadas avaliações da perda de peso, firmeza de polpa, produção de etileno e teor de clorofilas e de carotenóides. As aplicações de AG3 e de AVG permitiram retardar o momento da colheita dos frutos e auxiliaram no armazenamento dos mesmos, através da preservação da integridade física dos frutos.

Termos para indexação: regulador de crescimento, conservação, Diospyrus kaki,

 

MATURATION CONTROL OF KAKI 'FUYU' USING AMINOETHOXIVINILGLICIN ADN GIBBERELIC ACID

ABSTRACT - This paper aims to evaluating the effect of maturation control and the post-harvest behavior in relation to Kaki 'Fuyu' sprayed with aminoethoxivinilglicin (AVG) and Gibberelic acid (AG3) in the field. As to spraying, AVG at 50 ppm and AG3 at 30 ppm were used 30 days before harvest with four repeated applications at random. The fruits were stored at average temperatures of 23±3oC and relative humidity of 75±5%; weight loss, pulp firmness, ethylene production, chlorophyll and caretenoid substances were evaluated every four days. The AG3 and AVG applications permited to retard harvest and helped storing of the fruits, through the physical structure preservation of fruits.

Index terms: growth regulator, preservation, Diospyrus kaki.

 

 

INTRODUÇÃO

O caquizeiro (Diospyrus kaki, L.) é uma espécie originária da Ásia, onde é cultivada há mais de cinco séculos. Entretanto, é no Japão que este fruto tem maior importância.

A cultivar Fuyu é a principal representante da boa adaptação de seu cultivo nas Regiões Sul e Sudeste do Brasil. Seu período de colheita é de aproximadamente 30 dias, quando mais de 90% da produção é comercializada imediatamente após a colheita.

Para ampliar o período de colheita e o armazenamento deste fruto, necessita-se estabelecer novas condições de manejo na pré-colheita, na colheita e no armazenamento, tais como, o emprego de reguladores de crescimento e/ou de reguladores de vias metabólicas da maturação, permitem além do controle parcial da maturação e senescência, e reduzir os distúrbios fisiológicos nos frutos (Kende, 1993; Pech et al., 1994; Looney, 1998).

De acordo com alguns autores (Byers, 1997; Petri & Leite, 1999), a aplicação de aminoethoxivinilglicina (AVG), além de controlar a maturação, age no processo de floração, inibindo o aborto de flores, e estimula o crescimento vegetativo em caquizeiros.

Aplicações do AVG inibiram a síntese de etileno durante o armazenamento de maçãs (Dennis et al., 1983), pêssegos (Byers, 1997) e caquis (Ben-Arie & Zutkhi, 1992). Entretanto, em caquis, sua eficiência depende da cultivar, em especial da produção e de sua sensibilidade ao etileno (Autio & Bramlage, 1982).

O uso do ácido giberélico (AG3) em pulverizações pré-colheita, durante as fases de crescimento e de expansão celular de tangerinas (Barros & Rodrigues, 1994), também tem sido recomendado como forma de controle da maturação (retardando o período de colheita), de manutenção da qualidade pós-colheita (aumento da conservação) e de retardo no processo de senescência, fato que também tem sido observado para caquis (Kang et al., 1994; Perez et al., 1995; Ben-Arie et al.,1996) o que possibilita escalonar a colheita e prolongar sua oferta.

Em se tratando de uma cultura ainda em início de exploração nos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, procurou-se estudar o efeito da AVG e do AG3, no controle da maturação e no comportamento pós-colheita de caquis, cultivar Fuyu, armazenados em condições ambientais.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido em pomar comercial da cultivar Fuyu, localizado no município de Canguçu - RS, na safra 1998/99, o qual é formado por plantas com 12 anos de idade, e espaçamento de 2-3 metros.

O delineamento experimental adotado seguiu uma orientação completamente casualizada, com quatro repetições, seguindo esquema fatorial 3x5 (tratamentos a campo x período de armazenamento).

Os caquizeiros foram tratados a campo (21 de fevereiro), 30 dias antes da data prevista para a colheita dos frutos, através de pulverizações totais até gotejamento, que foram: 1 - caquizeiros pulverizados com aminoethoxivinilglicina (AVG), na dosagem de 125 g ia ha-1 (a fonte de AVG foi o produto comercial RetainÒ, a 50ppm em água, contendo 0,02% v/v de espalhante aniônico SilvetÒ; 2 - pulverização das plantas com ácido giberélico (AG3), na dosagem de 75g ia ha-1 (a fonte de AG3 foi o produto comercial ProgibbÒ, a 30ppm em água); e 3 – pulverização com água (controle).

O ponto de colheita dos caquis foi estabelecido através da firmeza da polpa (70±5 N) e da coloração da epiderme (verde-amarelada).

A partir da colheita, os caquis foram mantidos em ambiente com 23±3oC e 75±5 % de umidade relativa, e a cada quatro dias, durante 20 dias, foram submetidas às análises de: perda de massa fresca, determinada pela diferença entre a massa inicial e aquela no momento da realização das análises, expressa em porcentagem (%); firmeza de polpa, expressa em Newton (N), determinada por penetrômetro manual, munido de ponteira de oito milímetros de diâmetro, com determinações em faces opostas, na região equatorial dos frutos, após a remoção da casca; produção de etileno,determinada por cromatografia em fase gasosa, cujas temperaturas da câmara de injeção, coluna e detector foram de 80ºC, 90ºC e 200ºC, respectivamente. Utilizou-se, como padrão, uma solução de etileno a 10ppm. Para a determinação da produção de etileno, dois frutos eram acondicionadas em frascos hermeticamente fechados, durante uma hora, a 25ºC. Ao vedar-se os frascos e passado o período de acondicionamento, era coletado, com auxílio de seringas hipodérmicas, 1ml da atmosfera gasosa. A quantificação foi feita, correlacionando-se a média das alturas dos picos relativos a cada amostra, com a média das alturas dos picos obtidos da solução-padrão de etileno, a qual foi expressa em nL g-1 h-1; o teor de clorofilas e de carotenóides, determinados através das metodologias descritas por Hill et al. (1985) e Ramojaro et al. (1979), respectivamente, com resultados expressos em mg g-1 de peso fresco dos frutos.

As amostras, compostas por 12 frutos, foram padronizadas e acondicionadas em bandejas plásticas individualizadas. Os frutos destinados a avaliação do etileno foram os mesmos desde o início das leituras.

Os resultados foram submetidos à análise de variância, para a comparação de médias dos tratamentos, utilizando-se do teste de Duncan, a 5% de probabilidade. Para o estudo das variações durante a maturação, adotou-se a regressão polinomial.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

De acordo com os tratamentos, os caquis foram colhidos em 23-03 (controle), 04-04 (AVG) e 06-04 (AG3), quando a firmeza de polpa atingiu 75±5 N e a coloração da epiderme apresentava-se verde-amarelada.

O emprego da AVG e do AG3, na pré-colheita, retardou a maturação dos caquis 'Fuyu' em 12 e 14 dias, respectivamente, em relação ao tratamento-controle, com preservação da firmeza da polpa e do conteúdo de clorofila.

Durante o armazenamento, os frutos apresentaram significativa perda de massa fresca, em média 6%, a partir do 12o dia de avaliação (Figura 1). Isto já era esperado, uma vez que se estabelece um gradiente positivo de pressão de vapor entre os caquis e a atmosfera ambiente (23±3oC e 75±5% UR), além da atividade respiratória. As menores perdas foram registradas em frutos tratados com AVG e com AG3 devido, provavelmente, à menor atividade metabólica.

 

 

A firmeza da polpa dos frutos apresentou uma significativa redução em todos os tratamentos durante o armazenamento (Figura 2). Esta redução deve-se à evolução da maturação, que se caracteriza pela ação das enzimas que catalisam o processo de hidrólise dos compostos da parede celular (Kader et al., 1989).

 

 

Os caquis tratados com AVG e AG3 mantiveram maiores valores de firmeza da polpa em todas as avaliações. Mitcham et al. (1998) indicam a firmeza da polpa de 20 N como o limite inferior para o consumo de caquis ‘Fuyu’, pois valores inferiores a este comprometem a estrutura física e o paladar do fruto, indicando que os tratados com AVG podem ser armazenados por 20 dias. Para os frutos tratados com AG3, este período foi reduzido a 16 dias e, para os não tratados, a 12 dias.

Após a colheita, os frutos apresentavam uma produção de etileno média de 4,9 nL g-l h-l, indicando que eles foram colhidos já no início da fase climatérica. Durante o armazenamento, chegaram a atingir, no tratamento-controle, até 25 nL g-1 h-l de etileno (Figura 3).

 

 

Segundo Pech et al. (1994), a produção de etileno permite avaliar a velocidade da maturação. Inicialmente, não houve diferença entre os tratamentos. A partir de quatro dias de estocagem, os caquis começam a diferir, sendo que as menores liberações de etileno foram obtidas nos frutos tratados com AVG e AG3.

Embora o AVG tenha um potente efeito inibidor da síntese do etileno, neste experimento, sua eficiência foi inferior à do AG3. Em outros frutos, a exemplo da maçã, o efeito é contrário (Petri & Leite, 1999).

Em todos os tratamentos, houve redução no conteúdo de clorofilas. Entretanto, nos tratamentos com AVG e AG3, preservaram-se os maiores teores de clorofilas nos frutos (Figura 4). No caso dos frutos tratados com AG3, segundo Ben-Arie et al. (1996), estes resultados são conseqüência do efeito do ácido giberélico como inibidor de clorofilases. Já, para o AVG, embora o mecanismo ainda não seja totalmente conhecido, acredita-se que ele também atue inibindo a síntese e/ou a atividade das clorofilases.

 

 

Houve influência do AVG e do AG3 sobre o acúmulo de carotenóides nos frutos (Figura 5). Os frutos que, no momento da colheita, apresentavam níveis de carotenóides médios entre 1,56 e 2,51 mg g-1, passaram a valores médios entre 3,6 e 5,9 mg g-1. O maior acúmulo ocorreu em frutos-controle, e o menor, em frutos tratados com AG3. Na literatura, há referências que citam o efeito protetor do AG3 na degradação de clorofilas (Ben-Arie et al., 1996), mas não o efeito inibidor no acúmulo de carotenóides.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AUTIO, W.R.; BRAMLAGE, W.J. Effects of AVG on maturation, ripening, and storage of apples. Journal American Society for Horticultural Science, Alexandria, v.107, n.6, p.1074-1077, 1982.        [ Links ]

BARROS, S.A.; RODRIGUES, J.D. Efeito de fitorreguladores na maturação da fruta de tangerinas-‘Ponc㒠Citrus reticulata. In: CONGRESSO DE INICIAÇÃO CIENTIFICA, 3., 1994, Pelotas. Anais… p.355-356.        [ Links ]

BEN-ARIE, R.; SAKS, Y.; SONEGO, L.; FRANK, A. Cell wall metabolism in gibberellin-treated persimmon fruits. Plant Growth Regulators, Amsterdam, n.19, p.25-33, 1996.        [ Links ]

BEN-ARIE, R.; ZUTKHI, Y. Extending the storage life of "Fuyu" persimmon by modified-atmosphere packaging. HortScience, Alexandria, v.27, n.7, p.811-813, 1992.        [ Links ]

BYERS, R.E. Peach and nectarine fruit softening following aminoethoxy-vinylglycine sprays and dips. HortScience, Alexandria, v.32, n.1, p.86-88, 1997.        [ Links ]

DENNIS, F.G.Jr.; ARCHBOLD, D.D.; VECINO, C.O. Effects of inhibitors of ethylene synthesis or action, GA4+7 , and BA on fruit set of apple, sour cherry, and plum. Journal American Society for Horticultural Science, Alexandria, v.108, n.4, p.570-573, 1983.        [ Links ]

EBERT, G.; GROSS, J. Carotenoid changes in the peel of ripening persimmon (Diospyros kaki) cv. Triumph. Phytochemistry, Oxford,n.24, v.1, p.29-32, 1985.        [ Links ]

HILL, C.M.; PEARSON, J. A.; SMITH, AJ.; ROGERS, L.J. Inhibition of chlorophill synthesis in Hordeum vulgare by 3-amino 2,3-dehydrobenzoic acid. Biosciences Report. n.5, p.775-781, 1985.        [ Links ]

KADER, A. A.; ZAGORY, D.; KERBEL, E.L. Modified atmosphere packaging of fruits and vegetables. Critical Reviews in Food Science and Nutrition, Davis, v.28,n.1, p.1-33, 1989.        [ Links ]

KANG, I.K; SUH, S.G.; GROSS, K.C.; BYUN, J.K. N-terminal amino acid sequence of persimmon fruit b-galactosidase. Plant Physiology, Rockville, n.105, p.975-979, 1994.        [ Links ]

KENDE, H. Ethylene biosynthesis. Annual Review Plant Physiology Plant Molecular Biology, Palo Alto, v.44, p.283-307, 1993.        [ Links ]

LOONEY, N.E. Plant bioregulators in fruit production: An overawe and outlook. Journal Korean Society Horticultural Science, Seul, v.39, n.1, p.125-128, 1998.        [ Links ]

MITCHAM, J.E.; CRISOSTO, C.H.; KADER, A.A. Recommendations for maintaining postharvest quality. Davis:Department of Pomology, University of California, 1998. 120 p.        [ Links ]

PECH, J.C.; LATCHÉ, A.; BALAGUÉ, C.; BOUZAYEN, M.; LELIÈVRE, J.M. Postharvest physiology of climacteric fruits: recent development in the biosynthesis and action of ethylene. Sciencia Alim., v. 14, p. 3-14, 1994.        [ Links ]

PEREZ, A.; BEN-ARIE, R.; DINNOR, A.; GENIZI, A.; PRUSKY, D. Prevention of black spot disease in persimmon fruit by gibberellic acid and iprodione treatments. Phytopathology, St. Paul, v.85, n.2, p.221-225, 1995.        [ Links ]

PETRI, J.L.; LEITE, G.B. Efeito do AVG sobre o comportamento de frutos da macieira. In: ENCONTRO NACIONAL SOBRE FRUTICULTURA DE CLIMA TEMPERADO, 2., 1999, Fraiburgo, SC. Anais... Caçador- SC, 1999. p. 57-63.        [ Links ]

RAMOJARO, F.; BANET, E.; LORENTE, S. Carotenoids en flavedo y pulpa de pomelo. Revista Agronomica y Tecnologia de Alimentos, n.9, p.385-392, 1979.        [ Links ]

 

 

1 (Trabalho 073/2001). Recebido: 27/03/2001. Aceito para publicação: 02/05/2002. Artigo que faz parte da Tese de Doutorado do primeiro autor.
2 Engº Agrº, Doutor em Ciências Agrárias, Professor de Viticultura do CSTVE da EAFPJK - Bento Gonçalves, RS.
3 Engº Agrº, Mestre em Ciência e Tecnologia Agroindustrial
4 Bolsista CNPq, acadêmico em Agronomia na UFPel/FAEM.
5 Engº Agrº, Dr. Prof. Adjunto do Departamento de Ciência e Tecnologia Agroindustrial da UFPel/FAEM.

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License