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Revista Brasileira de Fruticultura

versão impressa ISSN 0100-2945versão On-line ISSN 1806-9967

Rev. Bras. Frutic. v.27 n.1 Jaboticabal abr. 2005

https://doi.org/10.1590/S0100-29452005000100001 

Uvas sem sementes

 

 

A produção brasileira de uvas finas de mesa desenvolveu-se com base em uvas com sementes, especialmente da cultivar Itália e de suas mutações (Rubi, Benitaka e Brasil). A expansão da viticultura tropical com estas cultivares, além do abastecimento do mercado interno durante todo o ano, proporcionou ao País uma oportunidade ímpar: exportar uvas frescas nos períodos de entressafra, tanto dos países produtores do Hemisfério Norte como daqueles do Hemisfério Sul.

Na década de 1980, o Brasil conseguiu exportações em volumes razoáveis com uvas produzidas no Vale do Submédio São Francisco. Entretanto, os produtores logo perceberam que o melhor espaço no mercado internacional era ocupado por uvas sem sementes, não cultivadas nem naquela nem em outras regiões do País.

A partir de 1993, houve um grande esforço da pesquisa, chegando-se a níveis satisfatórios de produtividade com as cultivares importadas. Tal fato contribuiu para um aumento significativo das exportações de uvas brasileiras, passando de pouco mais de 8.000 toneladas em 1999 para mais de 37.600 toneladas em 2003. Porém, a produção das cultivares tradicionais sem sementes apresentava elevados custos de produção e riscos consideráveis devido à sua inconstância produtiva, sensibilidade às doenças e ao rachamento de bagas pela ocorrência de chuvas. Esta situação gerou uma forte demanda do setor produtivo sobre a Embrapa no sentido de desenvolver cultivares de uvas sem sementes, adaptadas às condições das regiões produtoras do País e com qualidade para competir no mercado externo.

Em 1997, a Embrapa Uva e Vinho iniciou o programa de melhoramento genético, visando à criação de cultivares de uva de mesa sem sementes. Seis anos depois, foram lançadas as primeiras cultivares de uvas sem sementes: BRS Morena, BRS Clara e BRS Linda. São uvas que apresentam alta fertilidade natural nas condições tropicais do Brasil e que apresentam qualidade já testada para mercado interno, podendo tornarem-se, também, opções para o mercado externo.

A BRS Morena, obtida do cruzamento entre Marroo Seedless x Centennial Seedless, é uma cultivar produtiva (20 a 25 t/ha); de vigor moderado; com cachos de tamanho médio; bagas com película preta e de espessura média; polpa incolor e firme; sabor neutro; traço de semente pequeno a médio, macio e imperceptível ao mastigar.

A BRS Clara, obtida do cruzamento entre CNPUV 154-147 x Centennial Seedless, é uma cultivar produtiva (cerca de 30 t/ha), que apresenta cacho de tamanho médio a grande (500 a 600g); baga elíptica, verde-amarelada, chegando a amarela quando exposta ao sol; polpa incolor e firme; sabor moscatel leve e agradável, e traço de semente grande, porém imperceptível à mastigação.

A BRS Linda, obtida do cruzamento entre CNPUV 154-90 x Saturn, é uma cultivar vigorosa e produtiva (mais de 30 t/ha), com cachos cheios e de tamanho médio a grande (450 a 600g); as bagas são elípticas, de coloração verde e tamanho natural de 18 x 23mm; o sabor é neutro; a polpa é incolor e firme, e o traço de semente é minúsculo.

 

Jair Costa Nachtigal
Engenheiro Agrônomo, Dr. Pesquisador Embrapa Uva e Vinho
E-mail: jair@cnpuv.embrapa.br

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