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Revista Brasileira de Fruticultura

Print version ISSN 0100-2945On-line version ISSN 1806-9967

Rev. Bras. Frutic. vol.27 no.1 Jaboticabal Apr. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-29452005000100043 

COMUNICAÇÕES CIENTÍFICAS
BOTÂNICA E FISIOLOGIA

 

Estimativa da área foliar de plantas de lima ácida 'Tahiti' usando métodos não-destrutivos1

 

Leaf area estimative of young 'Tahiti' lime using non-destructive methods

 

 

Maurício Antonio Coelho FilhoI; Luiz Roberto AngelocciII; Marcos Roberto Baptista VasconcelosIII; Eugênio Ferreira CoelhoIV

IEmbrapa Mandioca e Fruticultura, Bolsista RD CNPq. Rua Embrapa s/n, Caixa Postal 007. e-mail: macoelho@cnpmf.embrapa.br
IIDepartamento de Ciências Exatas, ESALQ/USP, bolsista do CNPq. e-mail:lrangelo@esalq.usp.br
IIIEstudante de Agronomia ESALQ/USP, Departamento de Engenharia Rural. e-mail: mrbvasco@esalq.usp.br
IVEmbrapa Mandioca e Fruticultura, Bolsista do CNPq. e-mail: ecoelho@cnpmf.embrapa.br

 

 


RESUMO

O objetivo desse estudo foi avaliar métodos não-destrutivos para a determinação da área foliar de plantas jovens de lima ácida 'Tahiti'(Citrus latifolia Tan.), em campo. Foram utilizadas informações de variáveis biométricas de 28 plantas jovens (0,07 a 1,44 m2) e imagens digitais da área frontal de cada planta (silhueta de copa). Essas variáveis foram correlacionadas com medidas diretas (contagem total de folhas x área foliar média). Como resultado, foi possível estimar a área foliar total das plantas (AFT) com base na equação: AFT = 88,936 x DI - 1,4017 (R2=0,75), em que DI representa o diâmetro do caule 5 cm abaixo do ponto em que a copa foi enxertada, e a silhueta da planta em m2 (IM): AFT = 2,4951 x IM (R2=0,72). A área foliar dos ramos secundários das plantas (AFR) pode ser estimada mediante uma equação exponencial envolvendo o diâmetro do ramo (DR): AFR = 0,0144e277,02 x DR (R2=0,71). Estas metodologias podem ser utilizadas quando o interesse for por um valor médio de área foliar no pomar, não sendo indicadas quando é necessária elevada precisão, pois os erros são elevados.

Termos para indexação: biometria, silhueta da planta, Citrus latifolia Tan.


ABSTRACT

The objective of this study was to evaluate non-destructive methods of estimating total leaf area of young 'Tahiti' lime (Citrus latifolia Tan.) plants grown in the field. Information of biometrical variables of 28 young plants (0.07 to 1.44 m2) and digitized image of front area of each plant (plant silhouette) were used. These variables were correlated to the direct measurements (leaves and average leaf area counting). As a result, it was possible to estimate total plant leaf area (AFT) based upon the equation: AFT = 88.936 x DI – 1.4017 (R2=0.75), where DI stands for the trunk diameter taken 5 cm below the graft and the silhouette area in m2 (IM): AFT = 2.4951 x IM (R2=0.72). The leaf area of secondary branches (AFR) can be estimated by an exponential equation with the branch diameter (DR): AFR = 0.0144e277.02 x DR (R2=0.71). These methodologies can be used for estimation of a mean value of leaf area in the orchard and should not be indicated when high accuracy is necessary for the estimative, since the absolute mean errors are large.

Index terms: biometry, plant silhouette, Citrus latifolia Tan.


 

 

O conhecimento de métodos para determinação direta ou estimativa da área foliar tem grande importância em estudos que envolvem análise de crescimento em plantas, fotossíntese, propagação vegetativa, ataque de pragas e doenças (Lucchesi, 1984; Benincasa, 1988), taxa transpiratória ou taxa de produção associada à capacidade de crescimento, respostas fisiológicas a fatores como condução de plantas, podas, porta-enxertos, irrigação e fertilização (Bignami & Rossini, 1996).

Dentre os diferentes usos do conhecimento da área foliar de plantas, destaca-se a estimativa da transpiração, fundamental para o manejo da irrigação localizada em fruteiras. Isso porque muitos modelos climatológicos de estimativa de transpiração, que utilizam a área foliar da planta como variável de entrada, vêm demonstrando elevada concordância com a transpiração medida (Green et al., 1995; Angelocci et al.,1997; Green & Clothier, 1999; Coelho Filho et al., 2003a). Porém, um dos principais problemas para aplicação desses modelos é a dificuldade de determinação de área foliar, principalmente quando se tratam de espécies arbóreas.

Na determinação da área foliar (AF), podem ser utilizados métodos diretos e indiretos. Dentre os muitos métodos indiretos, existem os que se baseiam em medidas de radiação solar; apresentam a vantagem de não serem destrutivos, utilizando apenas a informação da fração de radiação transmitida que não sofreu atenuação pela estrutura do dossel vegetativo. Dentre os muitos aparelhos comercializados que utilizam modelos que envolvem a fração transmitida de radiação, destacam-se: sensores quânticos, LAI 2000, Demon, Ceptômetro, sensores utilizados em fotografias hemisféricas e respostas espectrais. Utilizando a fração de luz transmitida, Villa Nova et al. (2003) propuseram uma metodologia simplificada para a determinação do índice de área foliar (IAF) em plantios com coberturas contínuas, como seringal e AF, em árvores isoladas, utilizando um simples luxímetro (IAF-LUZ) com vantagem de ser um equipamento de baixo custo e de fácil manuseio. O primeiro, LAI 2000, é amplamente empregado em estudos de estimativa de AF e IAF em diferentes culturas (Sommer & Lang, 1994; Villalobos et al., 1995; Stenberg, 1996; Herbert & Fownes, 1997; Cutini et al., 1998; López-Serrano et al., 2000; Barclay & Trofmow, 2000; Coelho Filho et al., 2003b), porém as hipóteses implícitas no modelo utilizado (Welles & Cohen, 1996) o impedem de ser aplicado para estimativa de área foliar de plantas isoladas com pequeno porte.

Os métodos diretos estão relacionados às medidas tomadas diretamente na planta, sendo muito importante, para a qualidade da medida, uma amostragem representativa, que será maior ou menor em função do tamanho e tipo de planta. Várias dificuldades ocorrem na determinação de área foliar em espécies arbóreas, uma das quais é o porte da árvore e o número de folhas de plantas adultas, sendo extremamente trabalhosa, quando não impraticáveis.

A escolha do método a ser utilizado depende do objetivo do trabalho, do grau de precisão desejado, do tamanho da amostra, da morfologia das folhas, dos equipamentos disponíveis, dos custos envolvidos e do tempo que poderá ser despendido. De maneira geral, os métodos mais precisos são os destrutivos, com a desvantagem de impedirem a continuidade dos estudos na mesma planta.

Muitas técnicas indiretas têm sido propostas para determinação não-destrutiva de área foliar, principalmente em espécies arbóreas, dentre as quais, as técnicas que visam a minimizar o esforço da amostragem, como a determinação da área foliar, relacionando-a com variáveis biométricas, como o diâmetro de tronco ou de ramos em macieira (Holland, 1968; Barlow, 1969; Palmer, 1987; Angelocci & Valancogne, 1993). Essa técnica, apesar de simplificada, envolve suposições, como uniformidade na densidade foliar da copa, que podem implicar grande erro, dependendo da cultura.

Bignami & Rossini (1996) utilizaram a técnica não-destrutiva, de análise por computador, de imagens fotográficas em branco e preto de árvores de avelã, a qual permitiu a determinação da área foliar e mostrou boa correlação com a área da silhueta da cobertura, do índice de área foliar tomado em relação à projeção da copa, além de estimativa de parâmetros de tamanho da copa (altura, largura, volume), concluindo que o método pode ser utilizado, desde que ajustado.

Com a finalidade de avaliar alternativas de metodologias indiretas não-destrutivas na estimativa de área foliar em plantas jovens de lima ácida 'Tahiti' que minimizassem os esforços de uma amostragem direta, foi realizado um trabalho na área experimental de Irrigação e Drenagem da ESALQ/USP, em pomar de lima ácida 'Tahiti', espaçado em 7 x 4 m e irrigado por gotejamento.

O pomar foi plantado em junho de 2001, e os estudos foram realizados em janeiro de 2002, 7 meses após o plantio. Escolheram-se 28 plantas com portes diferenciados, com área foliar total (AFT) variando de 0,07 a 1,44 m2, nas quais foram avaliados métodos indiretos de estimativa de AFT.

Como método-padrão para testar os métodos de estimativa (indiretos), a área foliar de cada planta foi determinada diretamente, contando-se o número de folhas da mesma e amostrando-se 10% delas para a estimativa da área média das folhas. Essa média foi determinada pela medida do comprimento (C) e da maior largura (L) de cada folha dessa amostra, estimando-se a área de folha pela equação:

O coeficiente 0,72 para lima ácida 'Tahiti'foi obtido por Coelho Filho et al. (2003b). Com o resultado da área de cada folha amostrada, calculou-se a área média das folhas da amostra (AFmédia), que, multiplicada pelo número de folhas da planta, permitiu a estimativa da área foliar total (AFT).

A amostragem de 10% das folhas (AF10) foi escolhida com base em estudo preliminar envolvendo 10 plantas, avaliando-se os erros promovidos ao medir-se 2,5%, 5%, 10%, 15% e 20% das folhas, considerando-se, também, o aspecto relacionado à viabilidade de execução das medidas em um número grande de plantas, sem a perda de qualidade nas estimativas. Os erros foram calculados pelas diferenças entre a área foliar total da planta (AFT) estimada ao se utilizar cada amostragem (utilizando AFmédia) e a área foliar total (AF100), que foi calculada medindo-se todas as folhas (100%) das plantas avaliadas (C e L), sendo o AFT o somatório da AF (AF = C * L).

Os métodos indiretos utilizados basearam-se em medidas de variáveis biométricas e estudo da silhueta das plantas com uso da análise de fotografias digitais.

Foram utilizados três variáveis biométricas: medidas do diâmetro do caule, cinco centímetros abaixo (DI) e acima (DS) do ponto em que a copa foi enxertada e medida do diâmetro dos ramos adjacentes ao enxertado (DR) (ramos secundários), a cinco centímetros após a ramificação. Com as medidas, foi realizada análise de regressão entre os valores dos diâmetros dos caules e dos ramos adjacentes com a área foliar, estabelecendo-se equações que melhor explicassem as relações.

Para o estudo envolvendo imagens, foram tiradas fotos frontais de cada uma das plantas avaliadas com uma câmera fotográfica digital. A imagem digitalizada contendo uma escala (0,3 m), foi interpretada com a utilização do "software" Siarcs (Sistema Integrado para Análise de Raízes e Cobertura do Solo) (Crestana et al., 1994), obtendo-se a área de projeção frontal (silhueta) de cada planta (m2), sendo este valor correlacionado com a área foliar total da planta, e a relação representada por uma equação de estimativa.

Para a visualização da planta na foto digitalizada, foi colocado um fundo branco atrás de cada planta. As fotos foram tiradas em dias nublados, evitando-se o brilho excessivo que pudesse comprometer a qualidade, melhorando assim o contraste entre a imagem e o fundo branco (Figura 1).

O erro absoluto (EA) e erro médio absoluto (ERA) foram os índices utilizados na comparação das estimativas obtidas com cada método testado.

O erro absoluto foi calculado como:

sendo AFTi a área foliar estimada com cada um dos métodos testados, e AFPi a área foliar estimada por um método-padrão (AF 100). Como citado anteriormente, as medidas lineares de 100% das folhas das plantas (AF100) foram utilizadas como padrão para o estudo que definiu a melhor amostragem para comparações envolvendo os métodos indiretos. As medidas de 10% das folhas (AF10) foi referência no estudo envolvendo os métodos indiretos (silhueta e variáveis biométricas).

O erro médio absoluto foi calculado como:

sendo AFTi a área foliar total de uma planta estimada com base em uma metodologia indireta; AFPi a área foliar total da planta estimada pela metodologia padrão (AF10), e AFP a área foliar média das plantas estudadas, advinda da metodologia-padrão.

O método direto que envolve a contagem de folhas multiplicada por um valor médio da área foliar (AF média) representativo da planta foi o que mais se aproximou dos resultados destrutivos considerados como referência em planta de lima ácida 'Tahiti' adulta (Coelho Filho et al., 2003b). Segundo Whitworth et al. (1992), essa metodologia é mais robusta, sendo menos sensível aos erros de medidas. Por isso, esse método foi considerado padrão no presente estudo, por não ser destrutivo e apresentar rápida resposta e ainda tornar possível a determinação em muitas plantas, em função de se tratarem de plantas jovens.

Para que o cálculo da área foliar com base na contagem de folhas seja confiável, é necessário que o valor da AFmédia determinada seja próximo do real, sendo esperada maior aproximação com o aumento do número de folhas medidas. Os resultados da comparação entre a área foliar determinada a partir de um valor de AFmédia resultante de medidas lineares, em 2,5%, 5%, 10%, 15%, 20% e 100% do total de folhas das plantas, são apresentados na Tabela 1. Corroborando o comentário anterior, existiu uma tendência de aumento do erro com a diminuição do número de folhas amostradas (Figura 2a). Observa-se que o erro médio absoluto, obtido a partir do erro absoluto (EA) da Tabela 1, foi máximo (12%) quando foram realizadas medidas em apenas 2,5% das folhas (AF2,5) e mínimo (2,5%) quando 20% das folhas foram medidas (AF20).

Apesar de o erro médio absoluto ser relativamente pequeno para AF2,5, verifica-se que pode chegar até 32,9% quando se analisa apenas a planta 1 (Tabela1), refletindo nesse caso específico o pequeno número de folhas medidas (2 folhas) em função do pequeno número de folhas da planta (61 folhas). Com o aumento do número de folhas por plantas, a tendência foi de diminuição dos erros, considerando todas as amostragens. Esse resultado justifica as pequenas diferenças encontradas por Coelho Filho et al. (2003), que utilizaram uma amostragem de 2% para o cálculo da AFmédia numa planta adulta de lima ácida 'Tahiti', possuindo um total de 90.483 folhas.

Ainda na Figura 2a, verifica-se que o erro médio absoluto para AF10 foi baixo (» 4%), ficando inclusive abaixo do encontrado para AF15 (4,5%). Apesar de o valor do erro absoluto médio encontrado também estar próximo do obtido por AF5 (7,5%), este pareceu ser mais suscetível ao erro, como pode ser verificado nos valores de EA encontrados com AF5 nas plantas 1; 3; 4 e 7 (Tabela1), que são muito superiores aos do AF10. Por este motivo, optou-se por utilizar AF10 como padrão.

Os valores de AFmédia foram variáveis entre plantas, refletindo as intensas brotações e a expansão foliar ao longo do tempo. Porém, nas plantas maiores, quando existe maior percentual de folhas expandidas (>383 folhas), a tendência foi de o valor de AFmédia ficar em média próximo de 14 cm2, sendo um pouco inferior à média encontrada para plantas adultas por Coelho Filho et al. (2003b) (16 cm2). Essa variação pode refletir o maior auto-sombreamento de folhas localizadas em plantas adultas e, conseqüentemente, o maior crescimento das mesmas pela menor exposição à radiação solar.

Na Figura 2b, a relação entre a área foliar total calculada a partir do somatório da AF após medidas lineares em todas as folhas (AFT100), com a área foliar calculada com o uso da AFmédia resultante de medidas em apenas 10% das folhas (AFT10), mostra perfeita concordância, corroborando os pequenos erros para essa amostragem na Tabela 1. Verifica-se um excelente ajuste dos pontos à reta, com o coeficiente de determinação (R2 = 0,9968) indicando elevada concordância. Pelo coeficiente angular, foi observada, em média, uma leve tendência de superestimativa de AFT10 em 1,3%. Os resultados comparativos nas dez plantas asseguram que essa metodologia é adequada, como padrão, no estudo.

A Figura 3 contém os gráficos de correlação com as respectivas equações de regressão das relações entre as variáveis estudadas (diâmetro do caule e silhueta) e a área foliar das plantas. De maneira geral, todas as equações de regressão explicam ao redor de 70% da variação da variável dependente, sendo significativas ao nível de 1% de probabilidade, não sendo possível, a partir desses resultados (R2), identificar o melhor método entre os estudados.

Com relação ao estudo envolvendo diâmetro do caule (DS e DI) (Figuras 3a e 3b), verifica-se que ocorreu maior dispersão dos pontos (< R2) em relação à reta quando se utiliza o DS na estimativa da área foliar total comparado ao DI. Uma equação exponencial descreveu a relação entre os ramos secundários e a área foliar dos ramos (Figura 3c). Nesse caso, fica visível que o ajuste é menos preciso com o aumento do diâmetro do ramo. Os erros para essa relação foram maiores comparados aos encontrados para o estudo anterior (DS e DI) (Tabela 2), sendo mais indicada a utilização das medidas tomadas acima e abaixo da enxertia, em função dos melhores resultados e de ser relativamente mais fácil de realizar.

A relação entre a área da silhueta e a área foliar total (Figura 3d), obtidas a partir de imagens digitais, foi descrita por uma equação linear na qual se forçou a passagem no zero, assim como realizado por Bignami & Rossini (1996). Esse ajuste é plenamente justificável pelo fato de que, quando a silhueta é zero, a área foliar das plantas é praticamente nula. Como resultado, foi verificado um coeficiente angular ou de ajuste de 2,4951, ou seja, para o porte das plantas estudadas, a silhueta (IM) correspondeu a 40% da área foliar total da planta. É de se esperar que essa relação mude com o crescimento da planta, com a diminuição da porosidade da copa e com o conseqüente aumento da densidade de folhas (m2 de folha . m-3 de copa). Bignami & Rossini (1996) utilizaram silhuetas obtidas em imagens preto e branco em plantas jovens de avelã, verificando mudança na relação, apesar de existir uma correlação linear significativa entre imagem e AFT.

Ao se comparar a média da área foliar obtida pelas metodologias indiretas com as estimativas obtidas com AF10, observam-se erros absolutos (EA) pequenos, sendo levemente inferiores para a área foliar estimada a partir de medidas de diâmetro acima e abaixo do enxerto (1,65%). Os erros foram de 2,95% quando se estimou AF a partir da imagem digital e de 6,99% com o diâmetro de ramos secundários (Tabela 2). Ocorreu um aumento dos erros, quando se utilizou o erro médio absoluto, sendo ao redor de 20% para IM, DS e DI, e ao redor de 30% ao utilizar o DR (Tabela 2), indicando que os métodos testados são viáveis para estudos nos quais se objetiva valor médio de área foliar em um pomar. Para casos em que se exija elevada precisão, os métodos não são indicados para plantas de lima ácida 'Tahiti', pois os erros médios absolutos foram elevados (18 a 34%).

Os resultados encontrados indicam a viabilidade de estimativa de área foliar de maneira simples e rápida no campo utilizando variáveis biométricas (diâmetro de caule e ramos) ou silhueta da copa, tendo como vantagens a simplicidade na obtenção de medidas e rapidez de análise, possibilitando maior repetição de medidas e, pelo fato de não ser destrutivo, permitir o estudo temporal do crescimento da planta no campo. Este fatos podem ser aplicados em estudos comparativos, em trabalhos que não necessitem de elevada precisão dos resultados, ou no manejo de irrigação, quando se deseja um valor médio de área foliar, com a finalidade de se aplicar uma lâmina de água média representativa do pomar ou de uma região específica. Salienta-se, apenas, que as relações aqui encontradas referem-se a um estudo com plantas cuja área foliar variou de 0,07 a 1,4 m2, sendo esperado que essas relações mudem para plantas maiores e que possuam morfologia diferente.

A utilização de métodos indiretos envolvendo a transmissão da radiação solar para medida de área foliar de plantas analisadas individualmente, como realizado por Coelho Filho et al. (2003) e Villa Nova et al. (2003) em plantas adultas de citros, não pode ser aplicada em plantas pequenas de citros, pois as hipóteses básicas dos modelos não são satisfeitas. Sendo assim, até a planta atingir um tamanho apropriado para estudos envolvendo métodos fundamentados na transmissão de luz, como alternativa metodológica, é necessário viabilizar a aplicabilidade de métodos indiretos, como os aqui apresentados, ou calibração dos mesmos, para plantas possuindo densidades foliares diferenciadas, que sirvam para estimar a AFT ao longo do crescimento das plantas de lima ácida 'Tahiti'.

Quando o objetivo for um valor médio de área foliar, os métodos indiretos envolvendo medidas de diâmetro de caule e de ramos e imagem da silhueta podem ser utilizados como alternativa metodológica em plantas jovens de lima ácida 'Tahiti'.

Caso se faça necessária precisão, os métodos indiretos testados não são indicados em função de os erros médios absolutos variarem de 18 a 34%.

 

REFERÊNCIAS

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Recebido: 16/04/2004. Aceito para publicação: 21/01/2005.

 

 

1 (Trabalho 046/2004).

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