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Revista Brasileira de Fruticultura

versão impressa ISSN 0100-2945versão On-line ISSN 1806-9967

Rev. Bras. Frutic. v.28 n.1 Jaboticabal abr. 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-29452006000100001 

Pitanga

 

 

Originária do Brasil, a pitangueira (Eugenia uniflora L.), uma Dicotyledonae, Mirtaceae, cresce em regiões de clima tropical e subtropical onde é valorizada pelo seu fruto, a pitanga, uma frutinha encantadora, com sabor, beleza e colorido. A pitangueira é encontrada desde a fronteira com as Guianas até São Paulo. Sua árvore é muito ornamental e fácil de ser cultivada, tornando-a freqüente em jardins. Devido a sua adaptabilidade às mais distintas condições de solo e clima, esta frutífera foi disseminada e é atualmente encontrada nas mais variadas regiões do globo, existindo plantios comerciais na América Central, Flórida, Califórnia, China e Sul da França. No Brasil, o maior plantio racional em escala comercial, também o maior da América Latina, está instalado no município de Bonito, no Agreste Pernambucano, pela Bonito Agrícola Ltda. Estima-se que a produção anual de pitanga em escala comercial do Estado de Pernambuco esteja entre 1.300 e 1.700 ton/ano.

A pitanga é comercializada, principalmente, na forma de polpa. No entanto, o mercado principal do fruto in natura são as centrais de comercialização e redes de supermercados no Nordeste brasileiro. A pitanga também tem sido extensivamente comercializada às margens das rodovias, nas feiras livres e quitandas. Sua composição (em média 77% de polpa e 23% de semente), é rica em cálcio, fósforo, antocianinas, flavonóides, carotenóides e vitaminas C, indicando seu elevado poder antioxidante. Mais recentemente, tem sido apontado que esta frutinha também possui propriedades afrodisíacas. Devido a todos estes fatores de qualidade, a polpa da pitanga tem sido amplamente exportada para o Mercado Europeu.

A pitangueira torna-se uma pequena árvore após alguns anos de crescimento moderado, freqüentemente atingindo em torno de 8 m de altura. O tronco é freqüentemente algo tortuoso e bastante engalhado. As folhas são opostas, verde-escuras, brilhantes, ovais e inteiras. Quando novas, apresentam cor vinho. As flores são brancas, suavemente perfumadas, melíferas e abundantes em pólen. Localizam-se nas axilas das folhas e são hermafroditas. O fruto prende-se à arvoreta por meio de um pedúnculo com dois ou três centímetros de comprimento. A pitanga é uma baga de 1,5 a 3 cm de diâmetro, de bela aparência e apresentando oito sulcos longitudinais. Entre seleções de pitangueiras, notam-se diferenças quanto à forma, tamanho, cor e sabor do fruto. Sua coloração – alaranjada, vermelho – sangue ou mesmo roxa (quase preta) – torna essa fruta muito ornamental. A polpa da pitanga é macia, doce ou agridoce, cheirosa, deliciosa. Muitas variedades tendem a ser um tanto ácidas. Todavia, existem seleções muito doces.

A pitanga geralmente apresenta um só caroço, mas, às vezes, também dois. A propagação pela semente tem apresentado resultados satisfatórios. Todavia, como é desejável melhorar as variedades, aplicando a seleção às variações mais saborosas e de frutos maiores, a enxertia é indiscutivelmente o melhor meio de obtenção da muda. O sucesso com a enxertia por garfagem permite fixar as variedades. O clima adequado é o tropical e subtropical, com boa ocorrência de chuvas. A pitangueira adapta-se bem a tipos variáveis de solo, desde que apresente capacidade regular de retenção de umidade. Geralmente, a pitangueira produz duas safras por ano: uma em outubro e outra entre dezembro e janeiro.

 

Silvanda de Melo Silva
Fisiologista Pós-Colheita, Ph.D.
DCFS/CCA/UFPB, Areia-PB
silvasil@cca.ufpb.br

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