SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.29 issue1Nitrogen and potassium application on banana plant by fertirrigation and conventional fertilization-soil chemical propertiesResponse to fertilization with urea, potassium chloride and boric acid in the 'Smooth Cayenne' pineapple plants author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Revista Brasileira de Fruticultura

Print version ISSN 0100-2945On-line version ISSN 1806-9967

Rev. Bras. Frutic. vol.29 no.1 Jaboticabal Apr. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-29452007000100032 

SOLOS E NUTRIÇÃO DE PLANTAS

 

Nitrogênio e potássio via fertirrigação e adubação convencional-estado nutricional das bananeiras e produção de frutos1

 

Nitrogen and potassium aplication on banana plant by fertirrigation and conventional fertilization-nutritional status of banana plants and fruit production

 

 

Luiz Antônio Junqueira TeixeiraI; William NataleII; Antônio Lúcio Mello MartinsIII

IPesquisador do Instituto Agronômico- IAC/APTA, Cx. Postal 28, 13012-970, Campinas-SP, teixeira@iac.sp.gov.br
IIProfessor Adjunto do Depto. de Solos e Adubos-FCAV/Unesp. Bolsista do CNPq. Jaboticabal-SP, natale@fcav.unesp.br
IIIPesquisador da APTA Regional Centro Norte. Pindorama-SP, lmartins@aptaregional.sp.gov.br

 

 


RESUMO

Realizou-se um experimento em Pindorama (SP) com o objetivo de avaliar os efeitos da fertirrigação e da adubação convencional com N e K, em bananeiras, durante dois ciclos de produção. Foram avaliados crescimento, estado nutricional e produção de frutos. A adubação causou redução do ciclo de produção. Os teores foliares de N e K foram influenciados pela adubação convencional e pela fertirrigação. Nos dois ciclos de cultivo, a produção de frutos variou em função dos tratamentos. A produção de frutos (t ha 1 ano 1) obtida com a aplicação de 80% da dose de N e de K via fertirrigação foi equivalente àquela com 100% da dose via adubação convencional.

Termos para indexação: banana, análise foliar, cloreto de potássio, nitrato de amônio, Musa spp.


ABSTRACT

A field experiment was carried out in Pindorama (Sao Paulo State, Brazil) with the objective of investigating the effects of N and K application through fertirrigation and conventional fertilization on banana plants during two crop cycles. Plant growth, nutrition status and fruit production were evaluated. The fertilization caused a reduction in the productive cycle. Fertilizers applied by fertirrigation or conventional fertilization changed the N and K leaf content. The fruit production varied in function of the treatment in the two cultivated cycles. Fruit production (t ha 1 year 1) obtained with application of 80% of N and K doses by fertirrigation was comparable to fruit production with 100% of fertilizer rate applied by conventional fertlization.

Index terms: banana, foliar analysis, potassium chloride, Ammoniun nitrate, Musa spp.


 

 

INTRODUÇÃO

O Estado de São Paulo é o maior produtor nacional de bananas (IBGE, 2006); em 2005, de acordo com IEA (2006), foram colhidas cerca de 1,1 milhão de toneladas de frutos/ano, cultivadas em 54 mil ha, dos quais aproximadamente 65% se encontram no Vale do Ribeira. Destaca-se, também, a recente expansão da bananicultura para o Planalto Paulista. Áreas com cultivos tradicionais (café, pastagem, etc.) têm na fruticultura alternativa de alta rentabilidade e que traz importantes benefícios sociais, como o aumento da disponibilidade de alimentos de qualidade e a oferta de empregos. Entretanto, a sazonalidade das chuvas no Planalto Paulista torna a irrigação imprescindível para o cultivo de bananeiras nesta região. Segundo Lahav (1995), irrigação é um fator importante quando se estuda a nutrição de bananeiras. Se houver limitação no suprimento de água, a absorção de nutrientes, especialmente de N, será reduzida. A despeito de sua importância, Lahav & Turner (1983) e Lahav (1995) afirmaram que estudos relacionando irrigação e adubação em bananeira são escassos em nível mundial. Segundo Bar-Yosef (1999), irrigação e fertilização seriam os fatores passíveis de manejo mais importantes para o controle do desenvolvimento das plantas, do rendimento e da qualidade de frutos.

Fertirrigação é a prática de aplicar fertilizantes dissolvidos na água de irrigação de forma contínua ou intermitente. Além da disposição dos adubos na região de maior concentração de raízes e da possibilidade de maior fracionamento das doses, a fertirrigação possibilita aumentar a eficiência das adubações, pois os nutrientes têm as condições ideais de umidade do solo para sua absorção. Entretanto, a fertirrigação não se adapta a todos os sistemas de irrigação, visto que um dos pré-requisitos é operar com alta uniformidade de aplicação. Por isso, associa-se principalmente aos sistemas de irrigação por gotejo ou microaspersão (Yagüe, 1996). Para bananeiras, a irrigação por microaspersão é adequada às necessidades da cultura, pois, segundo Soto (1992), apresenta algumas vantagens, como a redução no molhamento de folhas, flores e frutos, pequena influência de ventos e trabalha com baixa pressão.

Hernandez (1994) afirmou que a fertirrigação no Brasil era utilizada de forma incipiente comparada ao seu potencial, destacando algumas vantagens desse sistema, como economia de mão-de-obra e energia, diminuição da compactação do solo, eficiência do uso e economia de fertilizante, controle da profundidade de aplicação, entre outras. Recentemente, Villas Bôas et al. (2005) consideraram que houve aumento da fertirrigação no Brasil e no mundo, pois a técnica se mostrou efetiva no aumento de produtividade e, conseqüentemente, no lucro obtido pelos produtores.

Na Austrália, a fertirrigação em bananeira aumentou a eficiência do uso de fertilizantes, possibilitando reduzir as doses recomendadas para aplicação convencional entre 20 e 30% (Stewart et al., 1998). As principais vantagens da fertirrigação para as condições de cultivo australianas decorrem de que a aplicação regular de fertilizantes implica que a disponibilidade dos nutrientes se mantenha mais constante ao longo do ciclo, e eventuais precipitações de alta intensidade, causadoras de erosão ou lixiviação, tenham menor impacto sobre o crescimento das plantas. Esses autores também consideram que os fertilizantes na água de irrigação são aplicados nos locais de maior absorção e prontamente acessíveis às plantas e que perdas gasosas ou por escorrimento superficial são minimizadas com a fertirrigação. Na Índia, Srinivas (1997) obteve rendimentos de frutos semelhantes (em torno de 30 t ha 1) com aplicação de 100 g de N planta-1 via fertirrigação e com 200 g de N planta-1 aplicados de forma convencional. Hagin & Tucker (1992) relataram maior aproveitamento do N por bananeiras com uréia aplicada por fertirrigação em relação à aplicação convencional na superfície do solo.

O objetivo deste trabalho foi determinar efeitos da aplicação de N e K em bananeira por meio de adubo sólido na superfície do solo e via fertirrigação.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento de campo foi estabelecido em dezembro de 2002, empregando-se delineamento experimental de blocos casualizados, com seis repetições. Os tratamentos (Tabela 1) constaram de frações da recomendação de adubação convencional de nitrogênio e potássio aplicada via fertirrigação e por meio de adubo sólido na superfície do solo. As doses de nitrogênio (350 kg de N ha 1ano 1) e de potássio (400 kg de K2O ha 1ano 1) foram calculadas seguindo-se as recomendações do Boletim 100 do Instituto Agronômico (Teixeira et al., 1997), as quais são baseadas na produtividade esperada e em atributos químicos do solo. Utilizou-se a variedade Nanicão (Grupo AAA, subgrupo Cavendish) no espaçamento de 2 x 2,5 m (2000 plantas ha 1). O manejo do bananal seguiu as recomendações técnicas para a região, destacando-se que o controle de sigatoka foi realizado de forma preventiva, com aplicações mensais de fungicidas no período de outubro a março. Outros detalhes do experimento foram apresentados por Teixeira et al. (2006).

 

 

No primeiro ciclo de cultivo, fizeram-se medidas periódicas (aproximadamente a cada 30 dias) do comprimento do pseudocaule (solo até o topo da roseta foliar) e diâmetro a 30 cm do solo, na planta-mãe. Ajustou-se a seguinte função matemática (logística) para modelar o crescimento em função do tempo e tratamentos aplicados:

Y = , onde:

X = tempo (dias);

Y e a = estimam a altura das plantas num dado tempo (X) e altura máxima, respectivamente;

b e k = constantes.

Na época da emissão da inflorescência, foram medidos o diâmetro e o comprimento do pseudocaule e contadas as folhas ativas (com mais da metade do limbo verde). Na colheita do cacho, contaram-se novamente as folhas ativas. Calculou-se o índice de durabilidade das folhas, dado pela relação:

IDF = 100 × , na qual:

IDF = índice de durabilidade foliar (%);

NFC = número de folhas ativas na época da colheita do cacho;

NFE = número de folhas ativas na época da emissão da inflorescência.

A taxa de crescimento absoluto do comprimento do pseudocaule foi estimada pela relação:

TCA = , na qual:

TCA = taxa de crescimento absoluto para o intervalo de tempo entre as medidas um e dois (cm dia-1); C1 = medida do comprimento do pseudocaule na época um (t1, em dias); C2 = medida do comprimento do pseudocaule na época dois (t2, em dias). Para o primeiro ciclo de produção, t1 coincide com o plantio e t2, com a emissão da inflorescência; no segundo ciclo, t1 foi a época da emissão da inflorescência no ciclo anterior e t2, coincidiu com a emissão no segundo ciclo.

O estado nutricional das plantas foi avaliado por meio de análise química da terceira folha, contada a partir do ápice, amostrada na época da emissão floral (Martin-Prével, 1984). As amostras foram processadas e analisadas quanto aos teores de N, P, K, Ca, Mg, B, Cu, Fe, Mn e Zn, de acordo com Bataglia et al. (1983). As relações K:N e K:Mg foram calculadas dividindo-se a concentração de K foliar pela concentração de N e Mg, respectivamente.

Os cachos foram colhidos e pesados quando os frutos da penca dois ainda apresentavam quinas, correspondendo ao grau de maturação "¾ magro" (Moreira, 1999), fazendo-se o despencamento e a contagem das pencas comercializáveis e frutos. Retirou-se uma amostra ao acaso de quatro frutos por cacho, nos quais se mediram comprimento (face convexa) e diâmetro maior. Uma das maneiras de avaliar a qualidade dos frutos, especialmente visando à sua comercialização, é medir comprimento e diâmetro, pois sua classificação baseia-se nestas dimensões (PBMH & PIF, 2006).

Os dados foram analisados empregando-se o módulo GLM do Statistical Analysis System (SAS). Para testar a significância dos efeitos dos tratamentos, empregou-se o teste F; quando foram detectados efeitos significativos, os tratamentos foram comparados por meio do teste t de Student (a = 0,05). Para os tratamentos de doses de fertilizante aplicado via fertirrigação, foram ajustadas equações de regressão.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O crescimento das plantas em função do tempo, no primeiro ciclo de cultivo, foi modelado ajustando-se funções logísticas [ Y=a/1+exp(b-kX) ] para cada tratamento (Tabela 2). A partir dos intervalos de confiança (IC 95%), calculados para o parâmetro a (altura máxima), observou-se que os tratamentos não diferiram entre si; entretanto, a época de crescimento máximo foi antecipada pela adubação.

 

 

Calculou-se a taxa de crescimento absoluto do pseudocaule (TCA), a qual reflete o vigor da planta. Os tratamentos tiveram efeito significativo na TCA (Tabela 3). Na Figura 1, são apresentadas regressões entre as doses de N e K aplicadas via fertirrigação e a TCA, indicando que a adubação determinou plantas mais vigorosas. Observou-se, também, que a dose em torno de 80% da recomendação aplicada via fertirrigação determinou TCAs semelhantes às obtidas com a aplicação de 100% da dose de N e K.

 

 

 

 

Nos dois ciclos de produção, houve tendência de diminuição do ciclo em resposta à adubação (Tabela 3). A duração do primeiro ciclo variou inversamente à dose de adubo aplicado via fertirrigação (Figura 2). Nas condições de cultivo da região, ocorre atraso no desenvolvimento das plantas com aporte insuficiente de nitrogênio. Normalmente, o aporte de N regula essa variação, ocorrendo encurtamento na duração do ciclo proporcional ao fornecimento de N, como descrito em Teixeira et al. (2002). Entretanto, os efeitos do N sobre a duração do ciclo relatados na literatura são divergentes: Lahav (1995) afirmou que incrementos no fornecimento de N causaram alongamento no ciclo, especialmente entre a emissão da inflorescência e colheita. Borges et al. (1997) observaram que doses crescentes de N prolongaram o ciclo em 'Prata-Anã'.

 

 

Na época da emissão da inflorescência, foram medidos comprimento e diâmetro do pseudocaule da planta-mãe (Tabela 3). O efeito positivo da adubação com N e K aplicada via fertirrigação no diâmetro das plantas é apresentado na Figura 3. O diâmetro do pseudocaule é uma variável importante, pois normalmente apresenta boa correlação com a produção das plantas (Soto, 1992).

 

 

Observou-se que foi possível manter boa parte das folhas vivas durante o enchimento dos cachos nos dois ciclos de cultivo, com índice de durabilidade foliar (IDF) >70% em todos os tratamentos (Tabela 3), independentemente das doses de N e K, e forma de aplicação dos fertilizantes. A manutenção de área foliar ativa por mais tempo é importante para a produção de frutos em bananeira, o que normalmente justifica o dispendioso controle de doenças foliares (Sigatoka, principalmente). Em relação à fertilidade do solo, há relatos de que o suprimento adequado de K seja fundamental para a preservação da área foliar (Hasselo, 1961; Lahav, 1972; Lahav,1995). A senescência das folhas em bananeiras, entre a época da emissão da inflorescência e a colheita dos cachos, também pode ser acelerada em condições de desequilíbrio nutricional de N e K (Teixeira et al., 2001).

Os efeitos dos tratamento sobre os teores foliares de N, K, P, Ca e Mg, nos dois ciclos de cultivo, são apresentados na Tabela 4. Observou-se que os tratamentos tiveram efeito significativo, principalmente nos teores foliares de N e K.

 

 

Segundo Lahav (1995), o nível crítico (NC) para o teor foliar de N é 26 g kg 1. No primeiro ciclo de cultivo, com exceção do tratamento sem adubação nitrogenada, os demais forneceram nitrogênio suficiente para atingir o NC. Neste ciclo, a variação no teor foliar de N foi proporcional à quantidade de nitrogênio aplicado via fertirrigação (Figura 4). De acordo com a regressão apresentada na Figura 4, para alcançar o teor foliar de N obtido com a aplicação de 350 kg ha 1 de N via solo (29,2 g kg 1), estima-se que seriam necessários cerca de 312 kg ha 1 de N aplicados por fertirrigação. O teor foliar de N, próximo ao NC, observado nas plantas sem adubação, indica que a mineralização de matéria orgânica do solo, provavelmente, supriu boa parte da necessidade de N. Para o segundo ciclo, não foi possível ajustar função matemática para modelar o efeito dose de N via fertirrigação no seu teor foliar. Estes resultados podem ter sido afetados por efeito diluição, visto que não houve diferença entre o tratamento sem N e aquele com aplicação de 1,2 vez a dose de N recomendada (Tabela 4), mesmo com teores de N abaixo do NC. Neste ciclo, a aplicação de N via solo apresentou tendência de ser mais eficiente do que por fertirrigação, pelo menos em relação ao seu efeito no teor foliar de N.

 

 

Para potássio, o efeito dos tratamentos não pode ser modelado por função matemática. Como as doses de K aumentaram concomitantemente às de N que, por sua vez, tem efeito positivo no crescimento das plantas, o efeito diluição manifestou-se fortemente. Nos dois ciclos de cultivo, na área irrigada e sem aplicação de K e N, obtiveram-se teores foliares de K que não diferiram daqueles da maior dose via fertirrigação ou via solo (Tabela 4). O NC para potássio foliar - 30 g kg 1, segundo Lahav (1995) não foi alcançado nem com a maior dose de adubo. Em trabalhos desenvolvidos nas condições de cultivo do Estado de São Paulo, observou-se que o NC para potássio não foi atingido mesmo com adubação adequada e com plantas apresentando produtividades elevadas (Teixeira et al., 2002; Damatto Jr., 2005).

Nos dois ciclos de cultivo, os teores foliares de Ca e Mg (Tabela 4) foram sempre superiores aos NC, 5,0 e 3,0 g kg-1, respectivamente, apresentados por Lahav (1995). Também não foi observado efeito negativo do fornecimento de K sobre os teores de Ca e Mg.

A relação K:N na folha-índice (Tabela 4) ficou aquém de 1,4, valor que, segundo Teixeira et al. (2001), determinaria maior durabilidade foliar devido ao equilíbrio nutricional em relação a estes nutrientes. Entretanto, observou-se que a durabilidade foliar não foi afetada, pois o IDF foi sempre superior a 70%, independentemente dos tratamentos (Tabela 3). A relação entre as concentrações foliares de K e Mg pode indicar a ocorrência de um desequilíbrio conhecido como "azul-da-bananeira". Teores de K:Mg (g kg-1) maiores que 14,7 foram associados ao "azul-da-bananeira" em Santa Catarina por Lichtemberg & Malburg (1983). Os valores de K:Mg apresentados na Tabela 4 estão abaixo do limite crítico para o "azul-da-bananeira" e também são inferiores à faixa ideal (8,1 a 11,4), sugerida por Borges & Oliveira (2000).

Nos dois ciclos de cultivo, a produção de frutos variou em função dos tratamentos (Tabela 5). No primeiro ciclo, a produção diminuiu em resposta ao aumento das doses de adubo aplicado via fertirrigação. Este comportamento, provavelmente, deveu-se ao encurtamento do período plantio-emisão em resposta ao aumento no fornecimento de N. É possível que o aporte crescente de N, ao causar redução significativa na duração do ciclo, tenha determinado que plantas ainda com reservas insuficientes de nutrientes começassem a produzir. Este comportamento é semelhante ao relatado por Teixeira et al. (2002) para bananeiras cultivadas no Planalto Paulista.

 

 

Ao final da segunda safra, quando a produção de frutos acumulada nos dois ciclos foi expressa em t ha 1 ano 1 (que é o que interessa para o produtor, visto que os custos de produção são proporcionais à área cultivada e à duração do ciclo de produção), o incremento na dose de adubo aplicado por fertirrigação apresentou efeito positivo (Tabela 5). Com a aplicação de aproximadamente 80% da dose recomendada, foi possível atingir produção equivalente a 100% da dose via adubo sólido (Figura 5). A possibilidade de reduzir a quantidade de adubo aplicado via fertirrigação, em comparação com a adubação convencional, foi citada por vários autores, como Srinivas (1997), na Índia, Stewart et al. (1998), na Austrália e Hagin & Tucker (1992), todos creditando essa redução ao possível maior aproveitamento dos fertilizantes quando aplicados junto com a irrigação.

 

 

A quantidade de pencas e de frutos por cacho responderam positivamente à adubação no segundo ciclo de produção (Tabela 5). Na Tabela 5, observa-se que os tratamentos não influenciaram significativamente na dimensão dos frutos colhidos. Independentemente da adubação, os frutos apresentaram comprimento superior a 22 cm e diâmetro maior que 32 mm, valores mínimos para classificá-los como "extra", segundo as normas do Programa Brasileiro para Modernização da Horticultura e Produção Integrada de Frutas (PBMH & PIF, 2006).

 

CONCLUSÕES

1. A adubação com N e K diminuiu o ciclo de produção.

2. A fertirrigação possibilitou reduzir a dose de N e K em relação à adubação convencional, sem prejuízo na produção de frutos.

 

REFERÊNCIAS

BAR-YOSEF, B. Advances in fertigation. In: Sparks, D.L. (Ed.). Advances in agronomy. New York: Academic Press, 1999. p.1-77.         [ Links ]

BATAGLIA, O.C.; FURLANI, A.M.C.; TEIXEIRA, J.P.F.; FURLANI, P.R.; GALLO, J.R. Métodos de análise química de plantas. Campinas: IAC, 1983. 48p. (Boletim Técnico, 78).         [ Links ]

BORGES, A.L.; OLIVEIRA, A.M.G. Nutrição, adubação e calagem. In: CORDEIRO, Z.J.M. (Ed.). Banana. produção: aspectos técnicos. Brasília: Embrapa, 2000. p. 47-59.         [ Links ]

BORGES, A.L.; SILVA, J.T.A.; OLIVEIRA, S.L. Adubação nitrogenada e potássica para bananeira cv. Prata Anã irrigada: produção e qualidade dos frutos no primeiro ciclo. Revista Brasileira de Fruticultura, Cruz das Almas, v.19, p.179-84, 1997         [ Links ]

DAMATTO JR., E.R. Efeitos da adubação com composto orgânico na fertilidade do solo, desenvolvimento, produção e qualidade de frutos de bananeira 'Prata-anã' (Musa AAB). 2005. 70f. Dissertação (Mestrado em Agronomia) – Faculdade de Ciências Agronômicas, Universidade Estadual Paulista, Botucatu, 2005.         [ Links ]

HAGIN, J.; TUCKER, B. Fertilization of dryland and irrigated soils. Berlin: Springer-Verlag, 1982. 190p.         [ Links ]

HASSELO, H.N. Premature yellowing of Lacatan bananas. Tropical Agriculture, London, v.38, p.29-34, 1961.         [ Links ]

HERNANDEZ, F.B.T. Potencialidades da fertirrigação. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO SOBRE FERTILIZANTES FLUIDOS, 1994. Piracicaba. Anais... Piracicaba: ESALQ; CENA; POTAFOS, 1994. p. 215-25.         [ Links ]

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br>. Acesso em: 12 dez. 2006.         [ Links ]

IEA. Instituto de Economia Agrícola do Estado de São Paulo. Disponível em: <http://www.iea.sp.gov.br>. Acesso em: 12 dez. 2006.         [ Links ]

LAHAV E.; TURNER, D.W. Banana nutrition. Berna: IPI, 1983. 62p. (Bulletin, 7)         [ Links ]

LAHAV, E. Banana nutrition. In: GOWEN, S. (Ed.). Bananas and plantains. London: Chapman & Hall, 1995. p.258-316.         [ Links ]

LAHAV, E. Effect of different amount of potassium on the growth of the banana. Tropical Agriculture, Guildford, v.49, p.321-35, 1972.         [ Links ]

LICHTEMBERG, L.A.; MALBURG, J.L. Controle do azul-da-bananeira pela aplicação de calcário dolomítico. Florianópolis: EMPASC, 1983. 7p. (Comunicado Técnico, 67)         [ Links ]

MARTIN-PRÉVEL, P. Bananier. In: MARTIN-PRÉVEL, P.; GAGNARD, J.; GAUTIER, P. (Ed.). L'analyse végétale dans le contrôle de l'alimentation des plantes tempérées et tropicales. Paris: Tec&Doc, 1984. p.715-51.         [ Links ]

MOREIRA, R.S. Banana: teoria e prática de cultivo. 2.ed. São Paulo: Fundação Cargill, 1999. CD-ROM         [ Links ]

PBMH & PIF - PROGRAMA BRASILEIRO PARA A MODERNIZAÇÃO DA HORTICULTURA E PRODUÇÃO INTEGRADA DE FRUTAS. Normas de classificação de banana. São Paulo: CEAGESP, 2006. 4p. (Documentos, 29)         [ Links ]

SOTO, M. Bananos: cultivo y comercialización. 2nd ed. San José: LIL, 1992. 674 p.         [ Links ]

SRINIVAS, K. Growth, yield, and quality of banana in relation to N fertigation. Tropical Agriculture, Trinidad, v.74, n.4, p.260-4, 1997.        [ Links ]

STEWART, L.; CAMPAGNOLO, D.; DANIELLS, J.; LEMIN, C.; GOEBEL, R.; PINESE, B.; PETERSON, R.; PETERSON, R.; EVANAS, D.; PATTSON, T., ARMOUR, J., GUNTHER, M . Tropical banana information kit. Nambour: Queensland Department of Primary Industries, 1998. (Serie: Agrilink)         [ Links ]

TEIXEIRA, L.A.J.; NATALE, W.; RUGGIERO, C. Alterações em alguns atributos químicos do solo decorrentes da irrigação e adubação nitrogenada e potássica em bananeira após dois ciclos de cultivo. Revista Brasileira de Fruticultura, Jaboticabal, v.23, p.684-689, 2001.         [ Links ]

TEIXEIRA, L.A.J.; NATALE, W.; RUGGIERO, C. Nitrogen and potassium fertilization of 'Nanicão' banana (Musa AAA Cavendish subgroup) under irrigated and non-irrigated conditions. Acta Horticulturae, Leuven, v.275, p.771-9, 2002.         [ Links ]

TEIXEIRA, L.A.J.; RUGGIERO, C.; NATALE, W. Manutenção de folhas ativas em bananeira-'Nanicão' por meio do manejo das adubações nitrogenada e potássica e da irrigação. Revista Brasileira de Fruticultura, Jaboticabal, v.23, p.699-703, 2001.         [ Links ]

TEIXEIRA, L.A.J.; SPIRONELLO, A.; QUAGGIO, J.A.; FURLANI, P. Banana. In: RAIJ, B. van et al. (Ed.). Recomendações de adubação e calagem para o Estado de São Paulo. 2.ed.rev. Campinas: IAC, 1997. p.131-2. (Boletim Técnico, 100)         [ Links ]

TEIXEIRA, L.A.J.; MARTINS, A.L.M.; NATALE, W.; BETTIOL NETO, J.E. Nitrogênio e potássio em bananeira via fertirrigação e adubação convencional-atributos químicos do solo. Revista Brasileira de Fruticultura, Jaboticabal, v.29, p.143-152, 2006.         [ Links ]

VILLAS BÔAS, R.L.; FERNANDES, D.M.; BOARETTO, A.E., GODOY, L.G. Fertirrigação: uso e manejo. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIA DO SOLO, 30., 2005, Recife. Anais... SBCS, 2005.         [ Links ]

YAGÜE, J.L.F. Fertirrigación. In:___ Técnicas de riego. 2nd ed. Madri: MAPA/Mundi Prensa, 1996. p.343-61.        [ Links ]

 

 

Recebido em 19-10-2006. Aceito para publicação em 13-02-2007.
Trabalho realizado com o apoio da FAPESP (Projeto 01/09976-3).

 

 

1 (Trabalho 162-2006).

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License