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Revista Brasileira de Fruticultura

versão impressa ISSN 0100-2945versão On-line ISSN 1806-9967

Rev. Bras. Frutic. v.29 n.3 Jaboticabal  2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-29452007000300001 

A cultura da Macadâmia

 

 

A nogueira macadâmia (Macadamia integrifolia) é uma planta arbórea de clima subtropical, pertencente à família botânica Proteaceae. É originária das províncias de New South Wales e Queensland, na Austrália, onde é encontrada em florestas naturais. O nome macadâmia foi dado em homenagem John MacAdam, que caracterizou diversas espécies de plantas no continente australiano. Apesar da origem australiana, a macadâmia teve maior desenvolvimento tecnológico no Hawai, onde se deu a criação das principais variedades e clones plantados no mundo.

No Brasil, essa cultura ainda é pouco conhecida, provavelmente pelo alto valor do produto e/ou pelo fato de este ser destinado quase que exclusivamente para exportação. Seu fruto é um folículo, composto por três partes principais: carpelo (exocarpo e mesocarpo), casca (endocarpo) e amêndoa (embrião). A amêndoa inteira é o principal produto comercial, a qual apresenta sabor refinado e bastante apreciado no mercado internacional. É consumida crua, torrada ou no preparo de bombons finos. Já as amêndoas quebradas durante o processamento ou de qualidade inferior são utilizadas para extração de óleo de excelente qualidade, utilizado principalmente na fabricação de cosméticos e indústria farmacêutica.

O primeiro relato de plantio desta espécie no Brasil data de 1931, com a introdução de algumas plantas provenientes de viveiros americanos na Fazenda Cintra, em Limeira-SP. Por volta de 1950, o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) iniciou os primeiros estudos com a cultura em nosso País e, posteriormente, foram sendo desenvolvidas bases tecnológicas para dar suporte à produção comercial, que teve início a partir da década de 80. Entretanto, o cultivo comercial foi modesto e só a partir do final da década de 90, com a estabilização econômica, a cultura consolidou-se e vem apresentando perspectivas de crescimento.

Atualmente, estima-se uma área de aproximadamente 6.000 ha plantados, com produção anual de 3.200 toneladas de noz em casca, sendo que os principais Estados produtores são: São Paulo (33%), Espírito Santo (31%) e Bahia (18%). Comparando-se a produtividade nacional com a área plantada, observa-se uma produtividade média baixa, 533 kg noz em casca/ha, valor muito aquém da capacidade produtiva da espécie. Entretanto, deve-se considerar que boa parte desses plantios são jovens, os quais ainda não atingiram a plena produção, que ocorre a partir dos doze anos. Esse elevado período juvenil é um dos principais gargalos da cultura, refletindo-se no elevado período de retorno do capital investido para a formação do pomar.

Nos últimos anos, esta fruteira vem sendo considerada como alternativa de investimento ou como fonte de diversificação de renda na propriedade. Isto, em função de o mercado externo apresentar demanda crescente pelo produto e pelo fato de as processadoras e exportadoras brasileiras encontrarem-se consolidadas neste mercado. Além disso, há um imenso mercado interno inexplorado, que pode ser fator de incremento no agronegócio nacional.

 

Leonardo Duarte Pimentel
Engenheiro Agrônomo, MSc.,
Doutorando em Fitotecnia,
Universidade Federal de Viçosa, Viçosa-MG,
agropimentel@yahoo.com.br

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