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Revista Brasileira de Fruticultura

Print version ISSN 0100-2945

Rev. Bras. Frutic. vol.30 no.2 Jaboticabal June 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-29452008000200003 

ARTIGOS
BIOTECNOLOGIA

 

Efeito do ácido indolbutírico e da cultivar no enraizamento de estacas lenhosas de mirtilo1

 

Effect of indolebutyric acid and cultivar on rooting of hardwood cuttings of blueberry

 

 

Doralice Lobato de Oliveira FischerI; José Carlos FachinelloII; Luís Eduardo Corrêa AntunesIII; Zeni Fonseca Pinto TomazIV; Clevison Luiz GiacobboV

IEng. Agrª. Mestre em Agronomia pelo PPGA – Fruticultura de Clima Temperado – FAEM/UFPel. - Frutplan Mudas Ltda – Cx. P. 623 – 96001-970 – Pelotas – RS - doralicefischer@yahoo.com.br
IIEng. Agrº. Dr. Prof. Titular, Bolsista do CNPq – Departamento de Fitotecnia - FAEM/UFPel. – Cx. P. 354 – 96010-900 – sala 613 – Pelotas – RS - jfachi@ufpel.tche.br
IIIEng. Agrº. Dr. Pesquisador, Bolsista do CNPq.- Embrapa Clima Temperado - Cx. P. 403 - 96001-970. – CPACT - Pelotas – RS. antunes@cpact.embrapa.br
IVEng. Agrª – Colônia Osório, 96000 000 - Pelotas - RS -fcari@yahoo.com.br
VEng Agrº. Dr. Prof. Adj. Agronomia, Universidade Federal do Pampa - UNIPAMPA, Campus de Itaqui, 97650-000, Itaqui - RS - giacobboc@unipampa.edu.br

 

 


RESUMO

Dentre os métodos de multiplicação do mirtilo, a propagação por meio de estacas é uma técnica de baixo custo, que proporciona resultados variáveis, de acordo com a cultivar e outros fatores. Objetivou-se, com este trabalho, avaliar o efeito do AIB no enraizamento de estacas lenhosas de mirtilo das cultivares Powderblue, Delite, Climax, Bluebelle e Woodard. O material vegetativo utilizado, oriundo de matrizeiro, constituiu em segmentos de ramos principais, com 15 cm de comprimento e diâmetro aproximado de 6 mm. Após o preparo das estacas, as bases das mesmas foram imersas, por 15 segundos, em uma solução com fitorregulador (AIB), nas concentrações de 0; 1.000; 2.000; 4.000 e 8.000 mg.L-1 , sendo colocadas para enraizar em areia de granulometria média, sob irrigação intermitente, por microaspersão. O delineamento experimental foi em blocos ao acaso, com quatro repetições e dez estacas por parcela. Após oito meses da instalação do experimento, avaliaram-se a porcentagem de estacas enraizadas, o número médio de raízes por estaca, o comprimento da maior raiz, o número médio de brotações e o comprimento da maior brotação. A resposta das diferentes cultivares de mirtilo ao enraizamento das estacas variou com a concentração de ácido indolbutírico (AIB). Independentemente do uso de AIB e da cultivar, na maioria dos tratamentos, a porcentagem de enraizamento foi superior a 55%.

Termos para indexação: Vaccinium sp., estaquia, fitorregulador, propagação.


ABSTRACT

Among the propagation methods of blueberry, cutting is the technique that presents low cost. However, it provides different results depending on cultivar and others factors. Thus, the objective of this research was to evaluate the IBA effect on rooting of hardwood cuttings of blueberry cultivars Powderblue, Delite, Climax, Bluebelle and Woodard. The vegetative material used (from mother nursery) was 15 cm long segment taken from main branches with approximately 6 mm diameter. After cuttings preparation, the cuttings base were immersed for 15 seconds into a phytoregulator solution (IBA) at the following concentrations: 0, 1000, 2000, 4000 or 8000 mg L-1. Cuttings were set to root into medium sand under intermittent micro-sprinkler irrigation. The experimental design used was a complete randomized block with five cultivars and five IBA concentrations, with four replications and ten cuttings per plot. The percentage of rooted cuttings, average number of roots per cuttings, length of the better-developed root, average number of shoots and length of the largest shoot were evaluated after eight months of experiment installation. The response of the blueberry cultivars to root cutting varied with the indelbutyric acid concentration. Regardless to IBA presence and cultivar, the percentage of rooting rating was higher than 55%.

Index terms: Vaccinium sp., cutting, phytoregulator, propagation.


 

 

INTRODUÇÃO

O mirtilo (Vaccinium ashei Reade) é uma espécie frutífera originária de algumas regiões da Europa e América do Norte, onde é muito apreciada por seu sabor exótico, pelo valor econômico e por seus poderes medicinais, tornando-se conhecida como "fonte da longevidade" (Madail & Santos, 2004).

A cultura do mirtilo, apesar da grande importância comercial em outros países, é ainda incipiente no Brasil, com uma área estimada em 50 ha (Rigon, 2005; Monteiro, 2006), concentrando-se em algumas regiões do Sul e Sudeste (Antunes, 2005).

Devido às atuais oportunidades de mercado, as perspectivas de cultivo do mirtilo nos países do Hemisfério Sul são bastante animadoras, especialmente devido à época de colheita coincidir com a entressafra dos maiores países produtores e consumidores. Mas, para que seja possível participar dessa oportunidade, é fundamental que se tenha, além de uma melhor organização do sistema produtivo (Santos, 2004), também a ampliação das áreas de plantio, que hoje são reduzidas.

Entre os fatores que limitam a expansão da cultura, está a dificuldade de propagação, que reduz a disponibilidade de mudas para comercialização (Hoffmann, 1994), quer seja de plantas micropropagadas, quer por enraizamento de estacas, criando alta demanda e uma oferta reduzida de mudas (Monteiro, 2004).

A propagação por estacas, ou estaquia, é um método muito importante e bastante difundido na multiplicação de plantas, apresentando grande aplicação na fruticultura (Hoffmann et al., 1994). A viabilidade de uso dessa técnica depende da capacidade de formação de raízes adventícias de cada espécie e/ou cultivar, da qualidade do sistema radicular formado e do desenvolvimento posterior da planta propagada na área de produção (Fachinello et al., 2005).

A capacidade de uma estaca emitir raízes é função de fatores endógenos e das condições ambientais proporcionadas ao enraizamento. Entre tais fatores, os fitorreguladores são de importância fundamental, destacando-se as auxinas por fazerem parte do grupo que apresenta o maior efeito na formação de raízes em estacas (Fachinello et al., 2005).

O mirtilo, quando propagado por estaca, seja lenhosa, ou seja herbácea, possibilita obter-se, dependendo da cultivar, enraizamento na ordem de 60% a 80%. Na Europa, são usados os dois métodos de propagação, enquanto, nos Estados Unidos, prefere-se utilizar estacas lenhosas para o mirtilo gigante (highbush) e herbáceas para rabbiteye. Com relação a estacas lenhosas, o diâmetro recomendado é de 6 a 7 mm, sendo que aquelas com diâmetro menor enraizam mais facilmente, entretanto têm desenvolvimento vegetativo mais lento (Bounous, 2003).

A utilização de ramos lenhosos, provenientes de plantas dormentes, é uma boa opção para a formação de mudas de mirtilo, com a vantagem de se aproveitarem os ramos eliminados na poda de inverno (Campos et al., 2005); no entanto, essa prática não é muito utilizada para a cultura do mirtilo no Brasil. Por outro lado, a utilização de ramos lenhosos na propagação de espécies, como pessegueiro, ameixeira, marmeleiro, amoreira, entre outras, tem sido amplamente difundida por muitos pesquisadores (Pasinato et al., 1998; Rufato et al., 2001; Dutra et al., 2002; Villa et al., 2003).

Diante desse contexto, este trabalho foi realizado com o objetivo de desenvolver e adaptar técnicas de propagação, por estaquia lenhosa, para produção de mudas de mirtilo com qualidade genética e sanitária.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O trabalho foi conduzido na empresa Frutplan Mudas Ltda., Pelotas-RS, no período de agosto/2005 a abril/2006. O material propagativo, oriundo de plantas-matrizes com quatro anos de idade, foram estacas lenhosas das cultivares Powderblue, Delite, Climax, Bluebelle e Woodard.

Os ramos foram coletados na segunda quinzena de agosto, no período de repouso vegetativo, pela manhã, acondicionados em baldes com água para evitar a desidratação. Em um galpão, realizou-se a segmentação em estacas de 15 cm de comprimento, com diâmetro aproximado de 6 mm, descartando-se a parte apical dos mesmos. Com o intuito de auxiliar na lixiviação dos compostos fenólicos presentes em altas concentrações nesta espécie, após a segmentação, as estacas permaneceram imersas em água, por 24 horas, sendo a água trocada três vezes, em intervalos aproximados, conforme recomendação de Fachinello et al. (1994) e Campos et al. (2005).

Com o auxílio de um canivete, foram feitas duas lesões superficiais na base das estacas que, posteriormente, foram imersas por 15 segundos em uma solução com ácido indolbutírico (AIB), nas concentrações de 0; 1.000; 2.000; 4.000 e 8.000 mg.L-1. O AIB foi dissolvido em hidróxido de potássio (KOH5N), na proporção 1 g de AIB para 1 mililitro do KOH5N, e o restante do volume, completado com água destilada. Para a concentração-testemunha, foi utilizada apenas água destilada.

O plantio foi realizado em caixas plásticas de 60 x 40 cm, com 15 cm de altura, contendo brita nº 2 no fundo, para facilitar a drenagem, e areia de granulometria média como substrato. A cada 15 dias, foram realizadas pulverizações com solução fungicida de Captan 500 PM (3 g. L-1 de água).

O material propagativo foi mantido em ambiente protegido (estufa agrícola) sob sistema automático de irrigação intermitente por microaspersão, de forma a manter a umidade relativa próxima a 90%, evitando a desidratação das estacas.

Passados quatro meses da instalação do experimento, observou-se que as estacas brotaram, mas não emitiram raiz. Após constatação de que o pH da água utilizada para irrigação estava em torno de 7,4, em 27-12-2005, este foi corrigido com Quimifol P 30® para aproximadamente 5,0, conforme recomendação de Freire (2004) e Campos et al. (2005).

Também se observou a queda de parte das folhas, após cada aplicação da solução fungicida. As folhas mais desenvolvidas, que persistiam, apresentavam coloração avermelhada, e as mais jovens, as bordas queimadas. Na segunda quinzena de dezembro, as aplicações com Captan foram suspensas, sendo adicionada uma rega por semana com adubação de K.S.C.I Phytactyl 14-40-5 (130 g.10 L-1 de água).

O experimento foi delineado segundo um arranjo fatorial de 5 x 5 (cinco cultivares e cinco concentrações de AIB), totalizando 25 tratamentos, em blocos inteiramente casualizados, com quatro repetições e 10 estacas por parcela.

Após o período de oito meses, as variáveis analisadas foram: porcentagem de estacas enraizadas, número médio das raízes mais desenvolvidas, comprimento da maior raiz, número médio de brotações e comprimento da maior brotação.

Os dados foram submetidos à análise da variância, pelo teste F, e, quando significativos, comparadas as médias pelo teste de Duncan, a de 5% de significância. Os dados expressos em porcentagem (enraizamento) foram transformados em arcoseno da raiz de x/100. O programa estatístico WinStat, versão 2.0 (Machado & Conceição, 2003), foi utilizado para as análises.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A análise de variância demonstrou que, para todas as variáveis analisadas, houve interação significativa de cultivares x concentrações de AIB.

A porcentagem de enraizamento, para a cultivar Delite, foi maior (92,5%) na concentração de 8.000 mg.L-1 (Tabela 1). Para a cultivar Powderblue, a utilização de 2.000 mg.L-1 de AIB reduziu o enraizamento (47,5%) em relação à testemunha e aos demais tratamentos com AIB, que variaram de 67,5% a 87,5%, não diferindo entre si. Nas demais cultivares (Bluebelle, Climax e Woodard), não foram verificadas diferenças significativas entre as concentrações testadas, com porcentagens médias de enraizamento de 75,5%, 82% e 66%, respectivamente. Esses resultados corroboram as informações encontradas na literatura em relação a esta espécie e ao uso de fitorreguladores na estaquia (Campos et al., 2005; Hoffmann, 1994; Fachinello et al., 2005; Costa & Costa, 2003; Wagner Júnior et al., 2004), de que há variação de resposta entre as cultivares de uma mesma espécie quanto ao padrão de enraizamento .

 

 

Com exceção da cultivar Powderblue, sob o efeito de 2.000 mg.L-1, todos os tratamentos apresentaram enraizamento superior a 55%, independentemente do uso de AIB, indicando que a estaquia lenhosa no inverno é uma técnica que apresenta viabilidade de uso para essa espécie. Aproveitando-se o material da poda de inverno, normalmente eliminado, podem-se obter dois ciclos de retirada do material vegetativo, ou seja, no verão e no inverno.

Resultados inferiores foram obtidos por Hoffmann (1994) que, avaliando a capacidade de enraizamento de estacas de mirtilo coletadas no mês de agosto e avaliadas após 90 dias, obteve uma porcentagem de enraizamento para as cultivares Powderblue e Climax de 27,01% e 27,77%, respectivamente. Esses resultados podem estar associados ao pH do substrato e da água, aos quais o autor não faz referência, e também à ausência de aporte nutricional foliar e à época de avaliação das estacas.

Conforme as recomendações de Campos et al. (2005), o pH do substrato deve ser verificado, para a formação de mudas de mirtilo a partir de estacas lenhosas, pois, em substratos com pH superior a 6,5, as estacas apresentam dificuldade de enraizamento. O aporte nutricional foliar também é necessário, devendo ser iniciado 30 dias após o plantio das estacas ou quando apresentarem folhas e brotações, uma vez que o período para formação de raízes em estacas lenhosas, dependendo da espécie, pode superar os 90 dias.

Pasinato et al. (1998), ao trabalharem com estacas lenhosas de sete cultivares de ameixeira e duas concentrações de AIB, constataram que os resultados foram bastante variáveis entre as cultivares. No entanto, não observaram influência do AIB no enraizamento com os maiores percentuais superiores a 60%, e os menores, de 6,2%.

Para as cultivares Bluebelle, Climax e Woodard, os teores endógenos de auxinas produzidos pelas gemas e folhas parecem ter sido suficientes para a desdiferenciação e a indução da divisão celular, independentemente da aplicação exógena de auxina. Estes resultados estão de acordo com Fachinello et al. (2005), pois, segundo estes autores, o teor adequado de auxina exógena, para o estímulo do enraizamento, depende da concentração existente no tecido.

Esses resultados concordam com o relato feito por Bounous (2003), ao afirmar que, apesar de ser freqüente o emprego de fitorreguladores para a promoção do enraizamento em mirtilo, há controvérsia em sua eficácia. Da mesma forma, neste trabalho, foram obtidos resultados diferenciados quanto ao uso do AIB, provando a sua eficácia e incremento na promoção do enraizamento de mirtilo para as cultivares Delite e Powderblue e, por outro lado, não sendo eficiente para as cultivares Bluebelle, Clímax e Woodard.

Com relação ao número médio de raízes por estaca (Tabela 2), a cv. Delite foi superior com a utilização de 4.000 e 8.000 mg.L-1 de AIB. Para a cv. Powderblue, 4.000 mg.L-1 apresentou-se superior às demais, diferindo somente de 2.000 mg.L-1. Para a cv. Climax, as melhores concentrações foram 1.000 e 2.000 mg.L-1, diferindo somente de 8.000 mg.L-1. Não houve efeito das concentrações de AIB para as cvs. Bluebelle e Woodard, com médias de 3,7 e 3,4 raízes por estaca. Ao trabalharem com o enraizamento de estacas herbáceas de mirtilo das cultivares Delite, Bluegem, Climax e Woodard, sob o efeito do AIB e de diferentes tipos de lesões, Wagner Júnior et al. (2004) observaram diferenças para a variável número médio de raízes apenas entre as cultivares estudadas, sem influência do AIB e das lesões.

 

 

O número de raízes por estaca é um dado muito importante no enraizamento, uma vez que o vigor das mudas de mirtilo está diretamente relacionado ao tamanho e à quantidade de raízes, conforme observações feitas por Campos et al. (2005).

O comprimento da maior raiz (Tabela 2), na cv. Delite, foi superior nas concentrações de 8.000 mg.L-1 e 4.000 mg.L-1 de AIB (6,1 e 4,5 cm, respectivamente). Para as cvs. Powderblue e Bluebelle, não houve efeito das concentrações de AIB. Para a cv. Climax, o uso do AIB aumentou o comprimento da maior raiz, diferindo da testemunha. Para a cv. Woodard, o melhor resultado foi obtido com a concentração de 2.000 mg.L-1 (5,5cm), diferindo apenas da testemunha. Esses dados corroboram as observações feitas por Costa & Costa (2003), em que o padrão de enraizamento de estacas de uma mesma espécie pode não ser o mesmo, havendo, muitas vezes, diferenças entre as cultivares.

O controle do desenvolvimento de raízes adventícias é influenciado por substâncias reguladoras de crescimento, apresentando uma concentração ótima que pode variar entre espécies, populações ou clones, com algumas promovendo e outras inibindo o processo de enraizamento. O AIB, além de possuir ação na formação de raízes adventícias, pode aumentar o número e a qualidade das raízes produzidas. No entanto, a quantidade adequada de auxina exógena depende da espécie e da concentração de auxina existente no tecido (Fachinello et al., 1994). Assim, a grande variação entre os tratamentos, para as variáveis número médio de raízes por estaca e comprimento da maior raiz, pode estar relacionada ao teor endógeno de auxina, de co-fatores e de inibidores nas estacas, e diferenças morfológicas em especial no material dormente, determinado por diferenças genéticas das cultivares.

O número médio de brotações por estaca (Tabela 3) foi maior na cultivar Delite (2,9), com a concentração de 8.000 mg.L-1. Na cultivar Powderblue, a melhor concentração foi de 1.000 mg.L-1 (2,1), diferindo das concentrações zero e 2.000 mg.L-1. Para a cultivar Bluebelle, resultados superiores (2,7) foram observados nas concentrações de 0 e 4.000 mg.L-1, diferindo apenas de 8.000 mg.L-1. Para a cultivar Climax, apenas o uso de 8.000 mg.L-1 reduziu o número de brotações e, por sua vez, na cultivar Woodard, o pior resultado foi encontrado na concentração zero, não diferindo apenas de 1.000 mg.L-1.

 

 

Diferenças entre cultivares quanto ao número de brotações, variando com as concentrações de AIB, também foram observadas por Villa et al. (2003), ao estudarem o enraizamento de estacas lenhosas de duas cultivares de amora.

O comprimento da maior brotação (Tabela 3), foi superior, na cultivar Delite, na concentração de 8.000 mg.L-1, diferindo das demais concentrações. Para a cultivar Powderblue, não houve diferença entre as concentrações. Na cultivar Bluebelle, os melhores resultados foram observados nas concentrações de 2.000 mg.L-1 e 4.000 mg.L-1 (2,1 cm), as quais diferiram apenas da concentração de 8.000 mg.L-1, que representou o menor comprimento (1,2 cm). Para a cultivar Climax, os maiores comprimentos foram obtidos com zero e 1.000 mg.L-1, (2,0 e 2,2 cm, respectivamente), não diferindo apenas de 2.000 mg.L-1. Para a cultivar Woodard, o menor resultado foi obtido com a testemunha (1,1 cm).

As variações no desenvolvimento das brotações nas estacas, entre as diferentes cultivares e concentrações de AIB, podem estar relacionadas ao enraizamento. Possivelmente, as estacas que enraizaram primeiro tenham favorecido o maior crescimento das brotações, devido à adubação semanal e à presença de nutrientes na água da irrigação, proveniente do Quimifol P 30® utilizado para regular o pH. Os pontos de crescimento radiculares são fonte de reguladores de crescimento, em especial as citocininas, que são translocadas aos pontos de crescimento na parte área, agindo na multiplicação celular (Taiz & Zeiger, 2006), o que pode explicar a relação entre brotações e o desenvolvimento do sistema radicular das estacas.

De acordo com Fachinello et al. (1994), o substrato não precisa conter nutrientes, uma vez que o enraizamento ocorre às custas da própria estaca. Entretanto, a presença de nutrientes pode favorecer o crescimento das raízes e brotações, com reflexos favoráveis à adaptação das mudas na futura área de produção (Hoffmann et al., 1995).

 

CONCLUSÕES

1-A resposta ao AIB em estacas de mirtilo é variável, conforme a cultivar. A cultivar Delite enraíza melhor com 8.000 mg.L-1 de AIB, e a cultivar Powderblue, com 1.000 mg.L-1. As cultivares Bluebelle, Climax e Woodard apresentam bom enraizamento sem o uso de AIB.

2-A propagação por estacas lenhosas é viável, obtendo-se, dependendo da cultivar, de 55,5% a 92,5% de enraizamento.

 

REFERÊNCIAS

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Recebido em: 14-05-2007. Aceito para publicação em: 17-01-2008.

 

 

1 (Trabalho 123-07).