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Revista Brasileira de Fruticultura

Print version ISSN 0100-2945

Rev. Bras. Frutic. vol.30 no.2 Jaboticabal June 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-29452008000200009 

ARTIGOS
COLHEITA E PÓS-COLHEITA

 

Conservação pós-colheita de frutos de araçá-vermelho em função do estádio de maturação e temperatura de armazenamento1

 

Post harvest preservation of red strawberry-guavas as affected by maturity stage and storage temperature

 

 

Amanda Maria Furtado DrehmerI; Cassandro Vidal Talamini do AmaranteII

IAcadêmica do Curso de Mestrado em Produção Vegetal, Bolsista da CAPES. Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV), Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Av. Luiz de Camões, 2090, Caixa Postal 281, CEP 88520-000, Lages-SC. E-mail: a8amf@cav.udesc.br. Autor para correspondência
IIPh.D., Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq, Professor do Curso de Agronomia, CAV/UDESC, Lages-SC. E-mail: amarante@cav.udesc.br

 

 


RESUMO

O presente trabalho objetivou estudar os efeitos do estádio de maturação e temperatura de armazenamento sobre a fisiologia de araçá-vermelho. Frutos colhidos nos estádios de maturação verde (coloração vermelha da epiderme < 20%) e maduro (coloração vermelha da epiderme > 50%) foram armazenados nas temperaturas de 0; 5; 10; 20 e 30ºC (UR de 85-90%) para a quantificação das taxas respiratórias e alterações na coloração da epiderme (L='lightness' e hº=ângulo 'hue'). Houve aumento substancial na taxa respiratória com o aumento na temperatura de armazenamento de 0 a 30ºC, com Q10 @ 2,7. Frutos colhidos no estádio de maturação verde apresentaram, em relação a frutos colhidos no estádio maduro, sensível redução na qualidade, caracterizada pelo menor teor de sólidos solúveis e maior acidez, porém melhor retenção de firmeza e de coloração da epiderme (com menor alteração na coloração de verde para vermelho), especialmente quando armazenados a 0ºC, e menor incidência de podridões. Frutos de araçá-vermelho devem ser colhidos no estádio maduro e imediatamente armazenados a temperaturas próximas de 0ºC, visando a prolongar a sua conservação, já que apresentam elevadas taxas respiratórias e rápido amadurecimento à temperatura ambiente (20ºC).

Termos para indexação: Psidium cattleianum Sabine, fisiologia pós-colheita, respiração, Q10, amadurecimento.


ABSTRACT

This research was carried out to study the effects of fruit maturity and storage temperature on the physiology of the red strawberry-guavas. Fruits were harvested on green maturity stages (< 20% of epidermis surface with red color) and ripe (>50% of epidermis surface with red color) stages, stored at 0, 5, 10, 20, and 30ºC (RH of 85-90%) to be assessed in terms of respiration rates and skin color alterations (L=lightness; and =hue angle). There was a substantial increase in the respiration rate with the increase of storage temperature from 0 to 30ºC, with a Q10 @ 2.7. Fruits harvested at green maturity stage showed, in comparison to fruit harvested at mature stage, quite decrease in the quality, characterized by lower soluble solids content and higher titratable acidity, but better firmness and green color retention (lower changes from green to red color), specially for fruits stored at 0ºC, and lower incidence of decay. These results show that red strawberry-guavas have high respiratory rates and accelerated ripening process at room temperatures (20ºC). Therefore, it is recommended fruit harvesting at the mature stage and its immediate storage at temperatures close to 0ºC for the best post harvest conservation.

Index terms: Psidium cattleianum Sabine, post harvest physiology, respiration, Q10, ripening.


 

 

INTRODUÇÃO

O araçá-vermelho (Psidium cattleianum Sabine) é uma espécie pertencente à família das mirtáceas, apresentando extensa área de ocorrência na costa atlântica brasileira, desde a Bahia até o nordeste do Uruguai (Marchiori & Sobral, 1997). O fruto, com sabor muito semelhante ao da goiaba, porém pouco mais ácido, apresenta potencial de exploração comercial (Tassara, 1996). Porém, uma das dificuldades encontradas para isso é a alta perecibilidade do fruto, o que lhe confere curto período de armazenamento refrigerado e pequeno tempo de vida de prateleira (Paniandy et al., 1999). Em goiaba, pertencente ao mesmo gênero (Psidium) do araçá, o problema que limita o armazenamento pós-colheita é a ocorrência de podridões e a rápida degradação do tecido da polpa (Wills et al., 1983), sendo que manejos inadequados na colheita e pós-colheita aceleram os processos de amadurecimento e senescência, afetando sensivelmente a qualidade e limitando ainda mais o período de comercialização (Azzolini et al., 2004). Dessa forma, o conhecimento da fisiologia pós-colheita do fruto é de grande importância para que se tenham subsídios técnicos que visem à ampliação do tempo de armazenamento sem, contudo, alterar suas características físicas, sensoriais e nutricionais.

O estádio de maturação em que os frutos são colhidos, determina o seu potencial de conservação pós-colheita e a qualidade quando oferecidos ao consumidor. Frutos colhidos imaturos, além da baixa qualidade sensorial, são suscetíveis à desidratação e desordens fisiológicas. Por outro lado, quando colhidos muito maduros, entram rapidamente em senescência (Wills et al., 1998). Segundo Jain et al. (2003), goiabas colhidas no estádio de transição de coloração verde-escura ao verde-clara apresentaram as melhores condições de manejo na pós-colheita, reduzindo os danos mecânicos e mantendo as melhores condições nutricionais do fruto. Em goiabas cv. Pedro Sato, a colheita no estádio de maturação com coloração verde-amarela resultou em melhor qualidade sensorial, porém com uma vida de prateleira (20ºC) de apenas dois dias, enquanto a colheita no estádio com coloração verde- escura obteve vida de prateleira de seis dias, porém os frutos apresentavam uma elevada acidez (Azzolini et al., 2004).

A elevação da temperatura tem sido identificada como o fator externo mais importante no aumento da taxa respiratória e antecipação do amadurecimento. Reações biológicas geralmente incrementam duas a três vezes com um aumento de 10ºC na temperatura do ambiente de comercialização dos frutos e hortaliças (Wills et al., 1998). A redução da temperatura resulta em redução da atividade respiratória de frutos e, invariavelmente, conduz a um aumento no período de conservação (Jacomino et al., 2001).

Este trabalho foi conduzido visando a estudar os efeitos do estádio de maturação e temperatura de armazenamento sobre a respiração e o amadurecimento de araçá-vermelho.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Os frutos de araçá-vermelho foram colhidos de plantas nativas localizadas no município de Lages-SC, em março de 2005, nos estádios de maturação verde (coloração vermelha da epiderme < 20%) e maduro (coloração vermelha da epiderme > 50%).

Em um primeiro experimento, frutos colhidos nos estádios verde e maduro foram acondicionados em embalagem plástica em pvc (600 mL) e imediatamente armazenados em câmaras BOD,nas temperaturas de 0; 5; 10; 20 e 30ºC, em umidade relativa de 85-90%. Após um período de 24h de armazenamento,foram quantificadas as taxas respiratórias dos frutos em todas as temperaturas. Foram feitas também avaliações de coloração da epiderme dos frutos armazenados nas diferentes temperaturas a cada dois dias, até o 11º dia de armazenamento.

As taxas respiratórias foram avaliadas em sistema fechado, no qual 10 frutos foram acondicionados na embalagem em pvc, durante 30 minutos, antes da coleta das amostras gasosas. As amostras de 1cm3 foram extraídas com seringa hipodérmica graduada e injetadas em um cromatógrafo a gás Varian® (modelo CP 3800), equipado com metanador, detector de ionização de chama e coluna Porapaq N (80 a 100 mesh), para a quantificação do CO2. As temperaturas do forno, do detector, do metanador e do injetor foram de 45; 120; 300 e 110ºC, respectivamente. Os fluxos de N2, H2 e ar utilizados foram de 70; 30 e 300 mL min-1, respectivamente.

A coloração da epiderme foi avaliada em duas partes dos frutos: no lado verde (correspondente ao lado do fruto menos exposto à luz na planta, portanto com maior intensidade de coloração verde) e no lado vermelho (correspondente ao lado do fruto mais exposto à luz na planta, portanto com maior intensidade de coloração vermelha), com o auxílio de um colorímetro Minolta CR 400, através da determinação dos valores de brilho (L='lightness') e ângulo 'hue' (hº).

O experimento seguiu o delineamento inteiramente casualizado, segundo um fatorial 2 x 5 (dois estádios de maturação e cinco temperaturas), com quatro repetições, cada repetição correspondendo à embalagem plástica contendo 10 frutos de araçá-vermelho.

Em um segundo experimento, frutos de araçá-vermelho colhidos nos estádios verde e maduro foram acondicionados em embalagem plástica em pvc (600 mL) e imediatamente armazenados em câmaras BOD,nas temperaturas de 0 e 20ºC, em uma umidade relativa de 85-90%. Foram feitas avaliações regulares das taxas respiratórias, como descrito anteriormente, durante períodos de 22 e 11 dias, respectivamente, para frutos armazenados nas temperaturas de 0 e 20ºC. Foram feitas também avaliações de teores de sólidos solúveis (SS), acidez titulável (AT), firmeza de polpa, coloração da epiderme e ocorrência de podridões nos frutos, após 0; 3; 6; 9 e 12 dias de armazenamento, em ambas as temperaturas. A coloração da epiderme (valores de L e hº) foi quantificada conforme descrito anteriormente. Em amostras compostas de suco extraídas dos frutos em cada repetição, foram feitas determinações do teor de SS (ºBrix), quantificado com um refratômetro manual (Abbe, Atago), e de acidez (% de ácido cítrico), através de titulometria de neutralização com NaOH (0,1 N), até pH 8,2. A firmeza de polpa foi avaliada a partir do método de aplanação, conforme metodologia descrita por Calbo & Nery (1995), utilizando um peso capaz de gerar 0,6 kgF (ou 5,886 N), colocado sobre o fruto a ser avaliado, causando uma elipse de deformação.

Para cálculo da firmeza de polpa (Fz; Pa) utilizou-se a seguinte fórmula:

Fz = P/A

onde: P = peso (N);
A = área da elipse aplanada (m2).

O experimento seguiu o delineamento inteiramente casualizado, segundo um fatorial 2 x 2 (dois estádios de maturação e duas temperaturas), com quatro repetições, cada repetição correspondendo à embalagem plástica contendo dez (para avaliações de respiração) ou cinco (para avaliações físico-químicas e de podridões) frutos de araçá-vermelho.

Os dados coletados em ambos os experimentos foram analisados estatisticamente, usando o programa SAS. As médias de tratamentos, em cada data de avaliação, foram comparadas pelo teste LSD (P<0,05). Foram realizadas análises de regressão nos dados de efeito de temperatura sobre as taxas respiratórias dos frutos.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Houve aumento linear na taxa respiratória com o aumento na temperatura de armazenamento de 0 a 30ºC (Figura 1), com Q10 @ 2,7, independentemente do estádio de maturação dos frutos. Este valor é ligeiramente superior ao observado para a respiração, na mesma faixa de temperatura (0 a 30ºC), em diversas espécies de frutos (Q10 @ 2,3) (Hardenburg et al., 1986). Altos valores de Q10 indicam grande elevação na atividade metabólica dos frutos com o incremento na temperatura, resultando em menor período de armazenamento e rápida senescência pós-colheita (Wills et al., 1998). Os frutos colhidos maduros apresentaram taxas respiratórias ligeiramente superiores, porém não diferiram significativamente em relação aos frutos colhidos verdes (Figura 1). Portanto, apesar da diferença marcante na coloração dos frutos colhidos nos dois estádios, isto não se refletiu em uma diferença marcante no estágio fisiológico dos frutos, quantificado em termos de atividade respiratória.

 

 

Ocorreu redução no valor do Q10 com o aumento na temperatura, com valores médios (calculados considerando ambos os estádios de maturação) de 3,2; 1,7 e 1,1, nas faixas de temperaturas de 0-10ºC, 10-20ºC e 20-30ºC, respectivamente. De forma geral, os valores de Q10 para a taxa respiratória de diversos frutos são de 3,0-4,0; 2,0-2,5 e 1,0-1,5, para cada incremento de temperatura nas faixas de 0-10ºC, 10-20ºC e 20-30ºC, respectivamente (Hardenburg et al., 1986). A redução no Q10 com o incremento da temperatura em frutos é resultado do aumento na demanda respiratória por O2, que não é acompanhada de um aumento, na mesma magnitude, na taxa de difusão de O2 (através dos espaços intercelulares e do meio líquido citoplasmático) para as mitocôndrias, além da redução na solubilidade do O2 no meio aquoso celular (Taiz & Zeiger, 2002).

As taxas respiratórias de araçá-vermelho, nas temperaturas de 0 e 20ºC, foram de 30-40 e 180-200 nmol de CO2 kg-1 s-1, respectivamente (Figura 1). Na temperatura de 0ºC, o araçá-vermelho apresentou taxa respiratória superior à da laranja (25,25 nmol CO2 kg-1 s-1; Ritenour, 1986), e inferiores à do morango (75,76-126,27 nmol de CO2 kg-1 s-1) e àda amora-preta (113,64-126,27 nmol de CO2 kg-1 s-1) (Hardenburg et al., 1986), e na temperatura de 20ºC apresentou taxa respiratória superior à da laranja (126,26-195,71 nmol de CO2 kg-1 s-1; Ritenour, 1986) e inferior à da amora-preta (631,31-820,71 nmol de CO2 kg-1 s-1), da framboesa (467,17-1.104,80 nmol de CO2 kg-1s-1) e à do morango (631,31-1.262,63 nmol de CO2 kg-1 s-1) (Hardenburg et al., 1986). Portanto, as taxas respiratórias do araçá- vermelho são elevadas, porém inferiores à de diversos frutos, inclusive de outras espécies de pequenos frutos, que apresentam altas taxas respiratórias e elevada perecibilidade pós-colheita.

Em frutos armazenados a 20ºC, houve uma redução substancial nas taxas respiratórias do 1º ao 8º dia em frutos colhidos no estádio maduro (de ~200 para ~50 nmol de CO2 kg-1 s-1), enquanto, em frutos colhidos no estádio verde, houve uma redução do 1º para o 3º dia (de ~170 para ~80 nmol de CO2 kg-1 s-1), seguido de um pequeno incremento até o 8º dia (90 nmol de CO2 kg-1 s-1) e posterior queda no 11º dia (para ~70 nmol de CO2 kg-1 s-1) (Figura 2).

 

 

Em frutos armazenados a 0ºC, a respiração reduziu de ~30-40 nmol de CO2 kg-1 s-1 no 1º dia para ~10-15 nmol de CO2 kg-1 s-1 no 2º dia, tanto em frutos colhidos verdes como maduros (Figura 2). Os frutos colhidos maduros, armazenados a 0ºC, apresentaram certa elevação na taxa respiratória do 2º ao 11º dia, seguida de um decréscimo, enquanto frutos colhidos verdes, armazenados a 0ºC, apresentaram elevação da respiração a partir do 15º dia (Figura 2).

Os frutos colhidos verdes, por apresentarem menores taxas respiratórias logo após o armazenamento (nas temperaturas de 0 e 20ºC),em relação aos frutos colhidos maduros (Figura 2), apresentaram também melhor conservação pós-colheita (Figuras 3 e 4).

 

 

 


 

O comportamento observado demonstra a ocorrência de climatério respiratório em frutos de araçá-vermelho. Em frutos colhidos maduros e armazenados a 20ºC, não foi possível identificar este comportamento, já que o processo de amadurecimento é mais rápido, resultando, portanto, em rápidas alterações nas taxas respiratórias. Nestes frutos, as avaliações feitas em intervalos de três dias, possivelmente, não permitiram detectar o pico de produção de CO2. Portanto, para que seja caracterizado o climatério nesses frutos, são necessárias avaliações de taxas respiratórias em intervalos mais curtos (avaliações diárias), especialmente na temperatura de 20ºC.

Os frutos armazenados a 0ºC, colhidos nos estádio de maturação verde e maduro (Figura 3), mantiveram a coloração da epiderme ao longo do período de armazenamento quando comparado às demais temperaturas. Os valores de e L foram maiores nos frutos armazenados a 0ºC, principalmente na avaliação feita do lado verde do fruto (Figura 3). Na avaliação feita no lado vermelho, os valores de mantiveram-se elevados, mostrando menor desenvolvimento da coloração vermelha ao longo do armazenamento. Nas demais temperaturas de armazenamento, houve alteração significativa nos valores de e L, mostrando que os frutos mudaram rapidamente de coloração verde para vermelho-intensa ao longo do armazenamento (Figura 3). Essa mudança de cor com a elevação da temperatura foi mais expressiva principalmente nos frutos colhidos no estádio de maturação verde (Figura 3). Os frutos armazenados a 5ºC, apesar da mudança significativa de cor ao longo do período de armazenamento, mantiveram valores maiores de hº e L comparativamente às temperaturas de 10; 20 e 30ºC (Figura 3). Alterações na cor do fruto durante o amadurecimento podem ocorrer pela perda de clorofila nos plastídios, manifestando carotenóides amarelos, alaranjados ou vermelhos, bem como em virtude do acúmulo de antocianinas nos vacúolos (Wills et al., 1998).

Nos frutos colhidos no estádio maduro, foi possível preservar a qualidade pós-colheita durante 6 e 8 dias nas temperaturas de 30 e 20ºC, respectivamente, enquanto,nos frutos colhidos no estádio verde, esse período prolongou-se para 11 dias, nas mesmas temperaturas (Figura 3). Goiabas cv. Pedro Sato colhidas nos estádios de maturação com coloração verde-escura, verde-clara e verde-amarelada apresentaram vida de prateleira (25ºC) de 6; 4 e 2 dias, respectivamente (Azzolini et al., 2004). Isto demonstra a importância da colheita dos frutos em estádio menos avançado de maturação, visando a prolongar o seu período de conservação da qualidade pós-colheita.

A acidez titulável (AT) foi sensivelmente maior em frutos colhidos no estádio de maturação verde e armazenados a 0ºC, e menor em frutos colhidos maduros e mantidos a 20ºC (Figura 4A). Na colheita e aos 12 dias de armazenamento a 0ºC, a AT foi significativamente maior em frutos colhidos verdes em relação a frutos colhidos maduros (Figura 4A). Em todos os tratamentos, frutos armazenados até seis dias apresentaram aumento na AT, possivelmente como resultado da concentração de ácidos nos tecidos devido à perda de água. O teor de SS foi muito inferior em frutos colhidos no estádio de maturação verde em relação a frutos colhidos no estádio maduro, independentemente da temperatura de armazenamento (Figura 4B). Na temperatura de 0ºC, após seis dias de armazenamento, frutos colhidos verdes apresentaram valores significativamente inferiores de SS em relação a frutos colhidos maduros (Figura 4B). Os resultados obtidos demonstram que a colheita de frutos no estádio de maturação verde resulta em menor qualidade, caracterizada pelos altos valores de AT e baixos valores de SS, especialmente após prolongados períodos de armazenamento refrigerado. A colheita de frutos maduros é recomendada quando se deseja a comercialização em um curto período de tempo de fruto de boa qualidade. Frutos colhidos verdes podem ser armazenados por longos períodos, porém apresentam baixo teor de SS e alta AT.

A firmeza de polpa foi maior nos frutos armazenados a 0ºC, especialmente em frutos colhidos no estádio de maturação verde (Figura 4C). Todavia, em ambos os estádios de maturação, a firmeza manteve-se elevada ao longo do período de armazenamento a 0ºC. Os frutos armazenados a 20ºC tiveram um declínio acentuado na firmeza de polpa (Figura 4C).

A manutenção da firmeza nos frutos de araçá-vermelho foi conseguida devido à baixa temperatura de armazenamento e não por conseqüência do estádio de maturação na colheita. Resultados semelhantes foram obtidos com goiabas cv. Pedro Sato colhidas em diferentes estádios de maturação, que apresentaram intensa perda de firmeza no decorrer do período de armazenamento a 25ºC (Azzolini et al., 2004).

A percentagem de podridão foi elevada nos frutos armazenados a 20ºC, chegando a 100% de podridão nos frutos colhidos maduros e 80% nos frutos colhidos verdes, aos 12 dias de armazenamento (Figura 4D). Essa elevada taxa de podridão possivelmente é resultado da perda de firmeza nos frutos mantidos a 20ºC, em decorrência das alterações na parede celular, na qual facilitou a penetração de fungos, bem como devido ao maior potencial de inoculo a 20ºC. Não ocorreram podridões nos frutos mantidos a 0ºC.

 

CONCLUSÕES

1-Houve aumento substancial na taxa respiratória com o aumento na temperatura de armazenamento de 0 a 30ºC, com Q10 @ 2,7.

2-O fruto colhido em estádio verde apresenta melhor conservação pós-colheita, porém sensível redução na sua qualidade, caracterizada pelo menor teor de sólidos solúveis e maior acidez em relação a fruto colhido em estádio maduro.

3-O araçá-vermelho apresenta elevada perecibilidade em condições de temperatura ambiente, sendo, portanto, recomendado o imediato armazenamento dos frutos a temperaturas próximas de 0ºC, visando a prolongar a sua conservação.

 

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq),e à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), pelo apoio financeiro a este projeto.

 

REFERÊNCIAS

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Recebido em : 17-07-2007. Aceito para publicação em: 13-02-2008.

 

 

1 (Trabalho 171-07).