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Revista Brasileira de Fruticultura

versão impressa ISSN 0100-2945versão On-line ISSN 1806-9967

Rev. Bras. Frutic. vol.31 no.1 Jaboticabal mar. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-29452009000100002 

EDITORIAL

 

 

Ao completar trinta anos de atividade em 2008, a Revista Brasileira de Fruticultura publicou, nos quatro números de seu volume trinta, 200 trabalhos, entre artigos e comunicações, perfazendo 1.166 páginas de informação científica.

Mais uma vez pode-se destacar a abrangência da nossa RBF, que contou com trabalhos de praticamente todos os Estados brasileiros, confirmando sua condição de Revista da integração nacional na área de fruticultura. É importante destacar que essa integração não se restringe à publicação, mas também à avaliação dos artigos submetidos, visto que a Revista tem assessores em todas as regiões do País, contribuindo ainda mais para a difusão do conhecimento e a participação no cenário da fruticultura brasileira. A qualidade dos trabalhos publicados deve-se, em grande parte, à seriedade e à dedicação desses profissionais.

Além disso, a RBF abrange as diversas especialidades da área de fruticultura, conforme demonstrado no Quadro 1. Observa-se que todas as subáreas estão contempladas, sendo este um aspecto importante que consolida a Revista Brasileira de Fruticultura como veículo de divulgação, abrigando as diferentes facetas e interesses do setor frutícola.

Outro tema a ser destacado neste Editorial e que tem chamado a atenção nos últimos tempos, é a classificação das Revistas Científicas. A iniciativa da CAPES nesse sentido é meritória e deve ser reconhecida, carecendo, porém, de reflexão e de ampla discussão do assunto.

A pesquisa no campo da fruticultura gera conhecimento que se insere em uma área aplicada por excelência, produzindo resultados para solucionar questões importantes do cotidiano do setor. Diferentemente das ciências básicas, como a física e a química, cujas informações podem contribuir para resolver questões em todo o mundo, a pesquisa em fruticultura auxilia nos problemas nacionais ou regionais. Este é um fato que não se pode deixar de levar em consideração quando se valoriza excessivamente a publicação em periódicos de circulação internacional. Isto não significa que muitas informações aqui produzidas não possam ser utilizadas em outras partes do mundo, mas essa não é a regra devido às peculiaridades. Assim, por exemplo, que interesse despertaria em países do Hemisfério Norte, um artigo publicado sobre carência de zinco em goiabeira, mesmo em inglês ? É necessário ter cautela. O idioma não expressa a qualidade do trabalho. A escolha do canal de comunicação, ou seja, de onde se deseja publicar, deve ser função do público que se quer atingir.

O importante no resultado divulgado é a sua relevância na elucidação ou prevenção de problemas na área frutícola, sendo o rigor científico com que a pesquisa é conduzida e a qualidade do trabalho publicado na Revista os fatores que levam ao sucesso.

A melhoria da qualidade científica dos artigos publicados tem sido o principal objetivo dos periódicos que buscam maior impacto no meio acadêmico e científico. Esta também é a meta da RBF, que, em 2007, foi incluída na base de dados ISI.

Com relação à classificação, a nossa RBF, como é do conhecimento de todos, recebeu B2 no Qualis-CAPES. Se servir de consolo (acredito que não), revistas tradicionais, como a Fruits (com quase 70 anos de existência) e a Acta Horticulturae, mereceram conceitos B3 e B4, respectivamente. Qual de nós não fez consultas a esses periódicos ou utilizou suas importantes contribuições na área de fruticultura? Esta classificação nos parece, para dizer o mínimo, estranha!

Isso decorre do fato de a classificação do Qualis considerar, em especial, o fator de impacto da Revista. Assim, na área de Ciências Agrárias 1, aí incluída a fruticultura, não há periódico publicado no Brasil com fator de impacto suficiente para ser considerado nível A (ou seja, internacional). Desse modo, a questão que se levanta é: será que a ciência que estamos fazendo é de qualidade tão ruim que nenhuma das nossas revistas pode ser considerada de excelência? A resposta é enfaticamente negativa. O Brasil é conhecido mundialmente por sua pujante agricultura, com destaque evidente para a fruticultura. Quem de nós já não recebeu pesquisadores ou professores estrangeiros extasiados com nossas frutas e fortemente interessados em nossas pesquisas? E alunos de pós-graduação para realizar seus cursos de aperfeiçoamento, muitos deles de outros países? O que ocorre, então, é que nossas revistas estão sendo avaliadas empregando-se critérios gerais usados nas demais áreas do conhecimento, o que por si só já é injusto, colocando as Ciências Agrárias em visível desvantagem.

Os Editores dos periódicos, por sua vez, reagem à cobrança que tem sido imposta, devido ao elevado peso do fator de impacto na classificação das Revistas. Assim, alguns têm "sugerido" que os artigos submetidos tenham certo número de citações da própria Revista e, recentes, visto que o JCR abrange apenas os dois últimos anos de publicação do periódico.

Não considerar as peculiaridades e particularidades dos diferentes campos do conhecimento na utilização do JCR para determinar o fator de impacto das Revistas é um equívoco. Daí a necessidade de revisão dos critérios adotados e reflexão sobre o assunto, ouvidas as Sociedades Científicas das várias áreas. Se isto não ocorrer, estaremos, em breve, trilhando caminhos em que a Ciência praticada não criará riqueza nem tampouco oferecerá soluções.

 

William Natale
Editor Científico

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