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Revista Brasileira de Fruticultura

Print version ISSN 0100-2945

Rev. Bras. Frutic. vol.31 no.2 Jaboticabal June 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-29452009000200001 

A cultura da lichieira

 

 

A lichia é um fruto cuja comercialização internacional tem apresentado significativo crescimento nos últimos anos devido ao excelente sabor e aroma de sua parte comestível, o arilo. A lichieira (Litchi chinensis) é uma planta arbórea de clima subtropical, pertencente à família botânica Sapindaceae. É originária do sul da China, mais exatamente da província de Cantón, sendo considerada fruta nacional nesse País e/ou em outros, como rainha das frutas. Foi introduzida no Brasil em 1810, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, onde se adaptou perfeitamente, e hoje é amplamente cultivada no Sudeste, tanto em pomares domésticos como em comerciais.

É uma planta de crescimento lento, com copa arredondada, densa, compacta e simétrica. Seu caráter ornamental acentua-se na época da colheita, quando racimos de frutos brilhantes e vermelhos estão dispostos na periferia da árvore, com cultivos em jardins residenciais nas cidades americanas de San Diego, San Francisco e Los Angeles. A lichieira caracteriza-se pela rusticidade e por notável longevidade, havendo na China um exemplar com mais de 1.200 anos, que floresce e frutifica anualmente.

A inflorescência da lichieira é composta de várias panículas produzidas em ramos do ano, com flores pequenas, não vistosas, em geral branco-amareladas. O fruto é uma drupa de forma arredondada ou ovoide, apresentando, no seu interior, uma semente e uma parte comestível, denominada botanicamente de arilo, que compreende de 70 a 80 % da massa do fruto, de acordo com a cultivar.

A polpa da lichia apresenta um conteúdo de açúcares oscilando entre 11 e 20,6%, valor calórico de 65 calorias/100 g de polpa e entre 40 e 90 mg de vitamina C/100g de polpa. Presta-se para consumo ao natural, para a fabricação de sucos e compotas, e ainda como passa. A colheita dos frutos ocorre de novembro e janeiro, atendendo ao mercado na época das festas natalinas, quando a procura e o preço são maiores. As cultivares mais plantados no País são 'Bengal' e 'Brewster', com produtividade oscilando entre 150 a 180 kg de frutos por planta, após a estabilização da produção.

No Brasil, essa cultura ainda é pouco conhecida, provavelmente pelo alto valor do produto. Não existem estatísticas quanto à área cultivada e a produção desta cultura, mas estima-se a existência de 2.000 a 4.000 hectares instalados, sendo que o Estado de São Paulo responde por uns 60 a 70% desta área. A tendência é que essa área seja incrementada, devido aos lucros obtidos até o presente momento pelos produtores e a uma demanda em ascensão por esses frutos exóticos.

Nos últimos anos, esta fruteira vem sendo considerada como alternativa de investimento ou como fonte de diversificação de renda na propriedade. Entretanto, algumas dificuldades são notadas no seu cultivo, destacando-se a falta de programas de melhoramento da cultura, alvejando genótipos adaptados às nossas condições e com produtividade elevada; eliminação da alternância de produção de um ano para outro; desenvolvimento de técnicas de propagação promissoras e tecnologias de colheita e pós-colheita.

 

Carlos Eduardo Magalhães dos Santos
Engenheiro Agrônomo, DSc., Professor,
Universidade Federal de Viçosa, Câmpus Rio Paranaíba,
Rio Paranaíba-MG,
carlos.magalhaes@ufv.br