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Revista Brasileira de Fruticultura

Print version ISSN 0100-2945

Rev. Bras. Frutic. vol.31 no.2 Jaboticabal June 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-29452009000200002 

EDITORIAL

 

'Novo fator de impacto'

 

 

A nova classificação da CAPES para com as revistas científicas brasileiras, recentemente divulgada, além do lado meritório em que se procurou estimular a melhoria em qualidade das nossas revistas, trouxe insatisfação a vários periódicos, por acreditar não verem o seu trabalho valorizado, onde se inclui a nossa RBF. De acordo com a nova classificação, passamos para o nível B2. É importante destacar que, pela nova classificação, nenhuma revista na área de Ciências Agrárias alcançou nível A. Esse descontentamento, que é manifestado por várias revistas, também em outras áreas, motivou o encaminhamento dessa preocupação à ABEC (Associação Brasileira de Editores Científicos), para uma tomada de posição a respeito do assunto.

Nesta nova classificação, levou-se em conta, predominantemente, o índice de fator de impacto auferido pelo ISI, desconsiderando, por exemplo, que a RBF acabara de ser indexada em dezembro de 2007, não havendo, assim, dados do JCR nos dois anos precedentes.

O fator de impacto vigente, item fundamental na nova classificação, leva em consideração o número de vezes que os trabalhos de uma 'boa' revista foram utilizados na composição de outras tantas 'boas' revistas, e vice-versa, entendendo-se por 'boa' revista aquela indexada em bases de dados recomendadas, como, por exemplo, SciELO, ISI, etc., no caso mais específico da RBF,que além destas indexações, também o está em:CAB,AGRIS,AGROBASE,e acabamos de ser indexados no THE GALE GROUP.

Segundo a nossa ótica, essa nova classificação deveria considerar a natureza da revista e o público a que se destina, e não apenas o índice de impacto. Por exemplo, pouca atenção é dada quanto à forma em que os trabalhos publicados foram utilizados pelo usuário final e, no caso da Revista Brasileira de Fruticultura, pelo produtor de frutas e, em especial, pelos produtores e técnicos brasileiros, que devem ser os destinatários finais desses trabalhos.

Se definirmos o que venha ser um produtor ideal, veremos as ações que precisariam ser adotadas pelos vários segmentos envolvidos na cadeia produtiva de uma fruta. Particularmente, gosto da definição 'produtor ideal = é aquele que utilize toda informação técnica disponível, comercializa a produção e procura agregar valor ao produto'. Veremos, então, que uma boa pesquisa precisa contemplar todas as facetas da cadeia produtiva e, depois, que os meios de difusão destas informações sejam também eficientes.

Entendemos que necessitamos melhorar a difusão de informações em ciências agrárias e, como editor da RBF, temos solicitado aos autores de trabalhos científicos publicados a também escrever uma nota mais jornalística sobre o assunto, possibilitando sua divulgação, inclusive, nos meios eletrônicos. Entretanto, temos recebido baixo retorno a esses convites e com duas respostas altamente preocupantes:

  1. "Professor, não vou escrever, por não saber escrever desta forma".
  2. "Professor, não vou escrever, pois a Faculdade, Instituto de Pesquisa, etc., dão pouco valor a este tipo de divulgação".

Analisando, portanto, como ocorre a difusão de informações no Brasil, veremos que existe um enorme 'gap' entre os conhecimentos gerados pela pesquisa e aqueles utilizados pelos produtores, havendo grande volume de informações que podemos considerar literalmente 'paradas' nas bibliotecas, gavetas dos pesquisadores, etc.

Na melhoria da difusão de informações, por exemplo, é nosso pensamento que toda dissertação de Mestrado ou Tese de Doutorado em ciências agrárias e similares possa resultar na divulgação de uma nota jornalística a respeito. Além disso, podemos mencionar a existência de um grande volume de informações geradas por diferentes Instituições, que mereceriam ser tabuladas, o que seria de grande valia para as pesquisas futuras na área.

A RBF tem certeza de que, nestes 31 anos de sua existência, pela qualidade dos trabalhos realizados, pelas inúmeras variedades que estas pesquisas produziram, pela contribuição significativa na produtividade das frutas, por possibilitar o cultivo de novas opções de fruteiras, a abertura de novas linhas de pesquisas com ênfase no poder de cura das frutas, nossa Revista, com a adoção de outros critérios além do fator de impacto, com certeza seria classificada em nível diferente do B2 que a CAPES nos outorgou. Reconhecemos, porém, como mencionado acima, que temos espaço para melhorar a difusão dos nossos trabalhos.

Portanto, a adoção desta nova classificação do fator de impacto, ou seja, como o assunto está sendo utilizado pelo usuário final, inquestionavelmente, traria resultados espetaculares ao desenvolvimento brasileiro, possibilitando inclusive a avaliação meritória da importância da realização de um determinado trabalho, inibindo a ocorrência, muitas vezes exagerada, da subdivisão de um trabalho. Isso é gerado pela preocupação dos autores com o número de publicações, com grande número de autores por trabalho, que, em muitos casos, lembra 'ação entre amigos'.

Sem querer entrar novamente no mérito utilizado nos critérios da CAPES para com a nova classificação das revistas brasileiras, que por sinal foi o tema do Editorial de março de 2009, acreditamos que a adoção dessa nova forma de calcular o fator de impacto deveria ser amplamente debatida pelos cursos de pós-graduação, editores de revistas, sociedades científicas, entre outros. Fica aqui a sugestão.

 

Jaboticabal, 30 de junho de 2009.

Carlos Ruggiero
Editor Chefe