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Revista Brasileira de Fruticultura

Print version ISSN 0100-2945

Rev. Bras. Frutic. vol.31 no.2 Jaboticabal June 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-29452009000200034 

SOLOS E NUTRIÇÃO DE PLANTAS

 

Cultivo de melão orgânico: fosfatos naturais como fontes alternativas de fósforo1

 

Natural phosphate as phosphorus source for organic melon cropping

 

 

Davi José SilvaI; Clementino Marcos Batista de FariaI; José Maria PintoI; Nivaldo Duarte CostaI; Carlos Alberto Tuão GavaI; Rita de Cássia Souza DiasI; Tâmara Cláudia de Araújo GomesII; José Lincoln Pinheiro de AraújoI

IEngenheiro Agrônomo, Pesquisador da Embrapa Semi-Árido, Caixa Postal 23, CEP 56302-970 Petrolina-PE. E.mail: davi@cpatsa.embrapa.br, clementino.faria@ig.com.br; jmpinto@cpatsa.embrapa.br, ndcosta@cpatsa.embrapa.br, gava@cpatsa.embrapa.br, ritadias@cpatsa.embrapa.br; lincoln@cpatsa.embrapa.br
IIEngenheiro Agrônomo, Pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros, Caixa Postal 44, CEP 49025-040 Aracaju-SE. E.mail: tamara@cpatc.embrapa.br

 

 


RESUMO

Com o objetivo de avaliar o efeito de fosfatos naturais no cultivo irrigado de melão orgânico, foram conduzidos dois ensaios em Petrolina-PE, sendo um em Argissolo Amarelo (PA) e outro num Argissolo Acinzentado (PAC). Foram avaliados os seguintes tratamentos: 1- testemunha (sem P); 2- 50 kg ha-1 de P2O5 na forma de superfosfato triplo (ST); 3- 100 kg ha-1 de P2O5 na forma de ST; 4- 150 kg ha-1 de P2O5 na forma de ST; 5- 100 kg ha-1 de P2O5 na forma de termofosfato; 6- 100 kg ha-1 de P2O5 na forma de fosfato natural de Gafsa, e 7- 100 kg ha-1 de P2O5 na forma de fosfato natural Fosbahia. O melão apresentou resposta semelhante às doses de P nos dois solos, cujas produtividades máximas de 26,00 t ha-1 e 25,46 t ha-1 foram obtidas com 107,6 kg ha-1 e 118,6 kg ha-1 de P2O5 no PA e PAC, respectivamente. A eficiência do termofosfato, fosfato de Gafsa e Fosbahia em relação ao ST assumiu a sequência de 86,2%, 77,1% e 71,9% no PA e 101,5%, 72,3% e 67,3% no PAC, demonstrando que o termofosfato é a fonte de fósforo mais indicada para ser usada no cultivo orgânico do melão. São necessários 843,12 kg de termofosfato para produzir 25.000 kg ha-1 de melão, o que representa 3,4% do custo de produção.

Termos para indexação: Cucumis melo, dose de fósforo, eficiência de fosfato, fertilização, irrigação, análise econômica.


ABSTRACT

Aiming to evaluate the efficiency of natural phosphates in melon organic cropping under irrigation, two experiments were carried out in Petrolina-PE, one in a Yellow Argisol (PA) and other in a Grey Argisol (PAC). The evaluated treatments were: 1 - without P, 2 - 50 kg ha-1 of P2O5 as triple super phosphate (TS), 3 - 100 kg ha-1 of P2O5 as TS, 4 - 150 kg ha-1 of P2O5 as TS, 5 - 100 kg ha-1 of P2O5 as thermo phosphate, 6 - 100 kg ha-1 of P2O5 as natural phosphate of Gafsa and 7 - 100 kg ha-1 of P2O5 as natural phosphate Fosbahia. The melon crop showed similar responses to the P application in both soils, whose maximum productivities of 26.00 t ha-1 and 25.46 t ha-1 were obtained with 107.6 kg ha-1 and 118.6 kg ha-1 of P2O5 in PA and PAC, respectively. The efficiency of thermo phosphate, phosphate of Gafsa and Fosbahia in relation to TS assumed the sequence of 86.2%, 77.1% and 71.9% in PA and 101.5%, 72.3% and 67.3% in PAC. These results suggest that thermo phosphate is the most appropriated phosphate source to be used in the melon organic cropping. It is necessary 843.12 kg of thermo phosphate to produce 25 t ha-1 of melon fruit that represent 3.4% of the production cost.

Index Terms: Cucumis melo, phosphorus level, phosphate efficiency, fertilization, irrigation, economic analysis.


 

 

INTRODUÇÃO

A produção de alimentos orgânicos aumentou consideravelmente na última década com o incremento da oferta de produtos específicos para a agricultura orgânica e com a certificação da produção, destinada a um consumidor cada vez mais exigente. Neste mesmo sentido, cresceu a demanda por tecnologias de produção orgânica. Como os fertilizantes solúveis, tratados quimicamente, não são permitidos em agricultura orgânica (Ministério...1999), os fosfatos naturais (FNs) e os fosfatos tratados termicamente são as opções para serem usadas nas adubações fosfatadas nesse sistema. Entretanto, a eficiência dos FNs depende muito de suas próprias características, incluindo sua origem, das propriedades do solo, da forma como são usados e das características da planta a ser cultivada (Chien & Menon, 1995; Novais & Smyth, 1999).

FNs de origem ígnea e metamórfica apresentam estrutura cristalina compacta, pequena superfície específica, menor presença de minerais acessórios, sendo muito pouco reativos. Por outro lado, FNs de origem sedimentar apresentam maior solubilidade devido à estrutura microcristalina pobremente consolidada e grande superfície específica (Novais et al., 2007).

Como a grande maioria dos FNs do Brasil não é de origem sedimentar, eles geralmente têm apresentado resultados de baixa eficiência agronômica (Yost et al., 1982; Oliveira et al.,1984; Goedert & Lobato, 1984; León et al., 1986; Sanzonowicz & Goedert, 1986; Sanzonowicz et al., 1987). FNs de Gafsa, da Tunísia, Arad, de Israel, Carolina do Norte, dos Estados Unidos, todos de origem sedimentar, são mais eficientes em suprir P para plantas de ciclo curto, por apresentar um teor de P2O5 solúvel em ácido cítrico igual ou superior a 30% do teor total de P2O5, assim como os termofosfatos, que apresentam resultados semelhantes aos fosfatos solúveis (Yost et al., 1982; Oliveira et al., 1984; Goedert & Lobato, 1984; Sanzonowicz et al., 1987; Braga et al., 1991; Choudhary et al., 1994).

A granulometria dos FNs também pode influir em sua eficiência (Vasconcelos et al., 1986; Chien & Menon, 1995), bem como o modo de aplicação. Motomiya et al. (2004) concluíram que a aplicação a lanço faz com que os FNs sejam mais eficientes do que a aplicação localizada.

Os solos ácidos (liberação alta de prótons - H+), pobres em fósforo, com CTC elevada (dreno alto de cálcio) e, ao mesmo tempo, com baixo poder tampão de fósforo, oferecem melhores condições para que o uso dos FNs seja mais eficiente (Chien & Menon, 1995; Novais & Smyth, 1999).

Os principais solos irrigáveis do Submédio São Francisco são os Latossolos e os Argissolos ambos de textura arenosa, com acidez leve e baixa CTC, e pobres em fósforo; os Luvissolos - de textura média, pH próximo da neutralidade e valores de CTC e teores de P médios, e os Vertissolos - de textura argilosa, reação alcalina, com alta CTC e pobres em fósforo (FAO, 1966). A capacidade máxima de adsorção de fosfato desses solos varia de 0,124 a 0,636 mg de P g-1 de solo (Pereira & Faria, 1998).

Plantas que promovem a acidificação da rizosfera por meio da liberação de prótons (excreção de íons H+) de suas raízes e que absorvem muito cálcio (dreno de Ca), são as mais eficientes para a utilização do fósforo oriundo dos FNs (Novais & Smyth, 1999). Zoysa (1999) atribuiu o decréscimo do pH na rizosfera da cultura do chá ao resultado positivo do uso do fosfato de rocha 'Eppawala', originário do Sri Lanka, em comparação com o superfosfato triplo.

O meloeiro apresenta alta exigência em cálcio. Com uma produtividade média de 31,5 t ha-1 entre oito híbridos avaliados, a cultura extraiu 80,6 kg ha-1 de Ca (Lima, 2001). No trabalho realizado por Prata (1999), o cálcio foi o nutriente absorvido e exportado em maior quantidade. Com relação à exigência em fósforo, 116 kg ha-1 de P2O5 foi a dose que proporcionou a produtividade máxima esperada (29,1 t ha-1) num Vertissolo do Submédio São Francisco (Faria et al., 1994).

Nos trabalhos de avaliação dos FNs têm sido usado o índice de eficiência agronômica (IEA) e o equivalente a superfosfato triplo (EqST) para medir sua eficiência (Sanzonowicz & Goedert, 1986; Almeida et al., 1996). Quando se dispõe de uma curva de resposta com o superfosfato triplo, é preferível usar o EqST (Goedert & Lobato, 1984), escolhendo a dose de P2O5 numa posição ascendente (Sanzonowicz & Goedert, 1986).

Este trabalho foi realizado com o objetivo de avaliar a eficiência de fosfatos naturais que possam ser usados no cultivo irrigado do melão orgânico no Submédio São Francisco.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O trabalho constituiu-se de dois experimentos com melão (Cucumis melo, L.), cv. AF 682, sendo um realizado no Campo Experimental de Bebedouro da Embrapa Semiárido, no período de setembro a novembro de 2003, e o outro no Perímetro de Irrigação Senador Nilo Coelho, no período de setembro a novembro de 2004, ambos em Petrolina-PE. O solo do primeiro local foi classificado como Argissolo Amarelo (PA), e o do segundo, como Argissolo Acinzentado (PAC), de acordo com Santos et al. (2006). Antes da implantação dos experimentos, foram coletadas amostras de solo dos referidos locais, cujas características, analisadas segundo Embrapa (1997), são apresentadas na Tabela 1. A calagem foi realizada apenas no PAC, com base nos critérios recomendados por Cavalcanti (1998) para o Estado de Pernambuco. O calcário foi aplicado na dose de 1,5 t ha-1, contendo 28,8 % de CaO, 17,4 % de Mg e PRNT de 84,3 %, seis meses antes do plantio do melão, ocasião em que se fez nova amostragem de solo e nova análise (Tabela 1).

O delineamento experimental foi em blocos ao acaso, com quatro repetições no PA e três no PAC, com os seguintes tratamentos: 1- testemunha (sem P); 2- 50 kg ha-1 de P2O5 na forma de superfosfato triplo (ST); 3- 100 kg ha-1 de P2O5 na forma de ST; 4- 150 kg ha-1 de P2O5 na forma de ST; 5- 100 kg ha-1 de P2O5 na forma de termofosfato magnesiano; 6- 100 kg ha-1 de P2O5 na forma de fosfato natural de Gafsa da Tunísia, e 7- 100 kg ha-1 de P2O5 na forma de fosfato natural Fosbahia, originário de Irecê-BA. As características desses fosfatos encontram-se na Tabela 2.

 

 

O melão foi plantado no espaçamento 2,0 m x 0,4 m, deixando-se uma planta por cova após o desbaste, em sistema de irrigação por gotejamento, com gotejadores 'on line', espaçados de 0,5m, com vazão de 2,3 L/h e pressão de serviço de 105 MPa, cuja lâmina d'água e frequência de aplicação foi calculada de acordo com a evaporação do tanque classe A e do coeficiente de cultura (kc). A área útil da parcela foi de 32 m2 (4 x 8 m) no PA e 24 m2 (4 x 6 m) no PAC. Todos os tratamentos receberam uma adubação uniforme de 2.500 dm-3 ha-1 de esterco caprino, 50 kg ha-1 de N na forma de ureia e 80 kg ha-1 de K2O na forma de sulfato de potássio. Considerando que o esterco possuía uma densidade de 0,59 kg dm-3 e continha 20,98 g kg-1 de N, 1,72 g kg-1 de P e 3,7 g kg-1 de K, ele forneceu 30,8 kg ha-1 de N, 5,8 kg ha-1 de P2O5 e 6,6 kg ha-1 de K2O. O esterco e os fosfatos foram aplicados em sulco, antes do plantio do melão. A ureia foi aplicada por fertirrigação durante as primeiras cinco semanas, após a germinação do melão. O sulfato de potássio foi aplicado em sulco, juntamente com os fosfatos no PA, e por fertirrigação, juntamente com a ureia no PAC.

A colheita foi realizada em duas etapas, em função do estádio de maturação dos frutos: aos 75 e aos 83 dias após a semeadura. As características avaliadas foram a produtividade, o peso médio de frutos (PMF) e os teores de sólidos solúveis totais (SST) do melão. Os dados foram submetidos à analise de variância, análise de contrastes e teste de médias. Ajustaram-se equações de regressão aos dados de produtividade referentes aos tratamentos da testemunha e doses de P na forma de superfosfato triplo (Snedecor & Cochran, 1971).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A resposta do melão à aplicação de fósforo na forma de ST apresentou a mesma tendência em ambos os ensaios (Figura 1) (Tabela 5). O solo PAC, que é um pouco mais arenoso que o PA, depois que recebeu calagem, ficou com as características químicas muito semelhantes às do PA (Tabela 1), o que explica a similaridade da resposta do melão a P nos dois solos. As doses necessárias para se obter as produtividades máximas esperadas, 26,00 t ha-1 e 25,46 t ha-1, foram de 107,6 kg ha-1 de P2O5 e 118,6 kg ha-1 de P2O5 no PA e PAC, respectivamente, sem considerar os 5,8 kg ha-1 de P2O5 fornecidos pelo esterco aplicado, resultando em doses próximas à dose ótima de 116 kg ha-1 de P2O5 encontrada por Faria et al. (1994) para o melão, num Vertissolo da região.

No solo PA, o termofosfato proporcionou produtividade semelhante à do ST na dose de 100 kg ha-1 de P2O5 (tratamento de referência), ao passo que os fosfatos naturais de Gafsa e Fosbahia se mostraram inferiores a este tratamento, e apesar de terem apresentado produtividades sem diferenças significativas com o termofosfato, este se mostrou superior à testemunha (sem P), enquanto aqueles foram semelhantes à testemunha (Tabela 3). No PAC, além do termofosfato, o fosfato de Gafsa também proporcionou produtividade semelhante à do ST na dose de 100 kg ha-1 de P2O5, enquanto o Fosbahia se mostrou semelhante ao Gafsa e à testemunha, mas inferior ao termofosfato.

O coeficiente de variação para produtividade foi mais alto no PAC que no PA, fazendo com que diminuísse a sensibilidade das diferenças significativas entre os tratamentos no PAC.

Para avaliar a eficiência dos fosfatos, calculouse o equivalente ao superfosfato triplo (EqSt), considerando a produtividade do melão referente ao ST na dose de 100 kg ha-1 de P2O5 como 100%. Dessa forma, os valores do EqSt para o termofosfato, fosfato de Gafsa e Fosbahia assumiram os valores na sequência de 86,2%, 77,1% e 71,9% no PA e 101,5%, 72,3% e 67,3% no PAC. Constata-se que a eficiência dos fosfatos, nos dois solos, apresenta uma relação direta com os teores de P2O5 solúveis em ácido cítrico e com a relação dos teores de P2O5 solúveis em ácido cítrico/teores totais de P2O5 (Tabela 2). Obteve-se um coeficiente de correlação significativo (r=0,998) entre os valores dos EqSt dos fosfatos naturais no PA e os teores da relação P-ácido cítrico/P-total. Oliveira et al. (1984) obtiveram uma correlação estreita entre a eficiência relativa de seis fosfatos com os seus teores de P2O5 solúveis em ácido cítrico, a 2%, no cultivo consecutivo de dois ciclos da sucessão milho-trigo-soja-trigo num Latossolo Roxo distrófico.

No PAC, o termofosfato foi tão eficiente quanto o ST, possivelmente devido à maior acidez deste solo que do PA, mesmo após a calagem (Tabela 1). A equiparação da eficiência do termofosfato à do ST foi observada em outros trabalhos em cultivos consecutivos de trigo (Knordorfer, 1978), de trigo, soja e arroz (Goedert & Lobato, 1980) e soja (Braga et al. , 1991).

O fosfato de Gafsa apresentou baixa eficiência, possivelmente, devido à acidez fraca do solo, à aplicação ter sido localizada nos sulcos de plantio e ao período de contato com o solo ter sido curto. Motomiya et al. (2004) verificaram que, quando o fosfato de Gafsa foi aplicado em sulco no cultivo de soja, num Latossolo Vermelho distrófico, mostrouse inferior ao ST, mas, quando aplicado a lanço, ele foi tão eficiente quanto o ST. Nakayama et al. (1984) observaram que, no primeiro ano de cultivo da soja, num Latossolo Roxo distrófico, o ST foi superior ao fosfato de Gafsa, mas, do segundo ano em diante até o total das quatro safras, o fosfato de Gafsa equiparou-se ao ST. De três cultivos com trigo, com exceção do primeiro, o fosfato de Gafsa foi semelhante ao ST (Knordorfer, 1978),

Embora as partículas do Fosbahia apresentem uma granulometria fina (Tabela 2), esse fosfato foi o que se mostrou menos eficiente em relação ao tratamento de referência (ST na dose de 100 kg ha-1 de P2O5), sendo que a produtividade do melão não diferiu significativamente da testemunha sem fósforo nos dois solos (Tabela 3). Trabalhos com outros fosfatos brasileiros em Araxá, Alvorada, Catalão, Patos de Minas, Abaeté e Maranhão (Dynia, 1977; Lana, 1984; Oliveira et al., 1984; Goedert & Lobato, 1984; Nakayama, 1984; Santinato et al., 1985; Braga et al., 1991) também mostraram baixa eficiência.

Quanto ao peso médio dos frutos (PMF), não houve diferença significativa entre os tratamentos no PAC, demonstrando que as diferenças ocorridas na produtividade se devem ao número de frutos (Tabela 3). No PA, o PMF referente ao tratamento com 50 kg ha-1 de P2O5 como superfosfato triplo foi significativamente superior ao da testemunha.

Em relação aos teores de sólidos solúveis totais (SST) do fruto, constata-se que, no PA, o tratamento com a maior dose de P proporcionou um valor significativamente superior ao da testemunha, enquanto no PAC o tratamento com Fosbahia apresentou valor semelhante ao da testemunha, porém inferior ao dos outros tratamentos. Esses resultados sugerem que o fósforo apresenta tendência de exercer uma influência positiva na qualidade (SST) do melão. Srinivas & Prabhakar (1984) e Brito et al. (2000) constataram influência positiva do fósforo nos teores de SST do melão.

O valor de 113,1 kg ha-1 de P2O5 corresponde à dose média de fósforo, para os dois solos, necessária para se obter a produtividade máxima esperada de melão com o ST. Essa dose foi corrigida para cada fosfato com base no teor de P2O5 total e no EqSt médio dos dois solos (Tabela 4). Os custos referentes a essas quantidades, considerando os preços de compra dos respectivos fosfatos vigentes no comércio de Petrolina, em junho de 2005, também estão representados nessa Tabela. Levando em consideração o preço do melão orgânico, de R$ 0,78/ kg, calculou-se a quantidade de melão necessária para cobrir os referidos custos para cada fosfato (Tabela 4). Embora as despesas com o fosfato de Gafsa e com o Fosbahia sejam inferiores à do termofosfato, esses dois fosfatos não proporcionaram produtividades de melão significativamente superiores à da testemunha. Assim, a fonte de P mais indicada para o cultivo orgânico do melão, para uma resposta imediata, é o termofosfato. A quantidade de melão necessária para pagar a quantia do termofosfato (843,115 kg) representa 3,4% do custo para uma produção de 25.000 kg ha-1. Por outro lado, deduz-se que há necessidade de que seja feita, posteriormente, uma avaliação a médio e longo prazos dos fosfatos de Gafsa e Fosbahia para verificar se ocorre melhoria em sua eficiência.

 

CONCLUSÕES

1 - A resposta do melão às doses de P na forma de superfosfato triplo (ST) é semelhante no Argissolo Amarelo (PA) e Argissolo Acinzentado (PAC).

2 - As produtividades máximas de melão no PA e PAC são de 26,00 t ha-1 e 25,46 t ha-1 de frutos, obtidas com 107,6 kg ha-1 de P2O5 e 118,6 kg ha-1 de P2O5, respectivamente.

3 - A eficiência do termofosfato, fosfato de Gafsa e Fosbahia em relação ao ST assume a sequência de 86,2%, 77,1% e 71,9% no PA e 101,5%, 72,3% e 67,3% no PAC, demonstrando que o termofosfato é a fonte de fósforo mais indicada para ser usada no cultivo orgânico do melão.

 

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Recebido em: 08-11-2007.
Aceito para publicação em: 27-04-2009.

 

 

1 (Trabalho 261-07). Trabalho realizado com recursos do convênio Embrapa/Banco Mundial/PRODETAB.