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Revista Brasileira de Fruticultura

versão impressa ISSN 0100-2945versão On-line ISSN 1806-9967

Rev. Bras. Frutic. vol.31 no.3 Jaboticabal set. 2009

https://doi.org/10.1590/S0100-29452009000300001 

Pitaya

 

 

A pitaya é uma planta originária da América, sendo a amarela (Selenicereus) possivelmente da Colômbia ou Equador , mas a vermelha (Hylocereus) é encontrada no México e Guatemala,Costa Rica e El Salvador. As pitayas pertencem à família Cactaceae, e as espécies comerciais são principalmente duas: a de casca vermelha-Hylocereus undatus (Haw) Briton & Rose e a de casca amarela-Selenicereus megalanthus (Schum ex. Vaupel, Moran).O primeiro gênero tem outras 25 espécies, algumas muito parecidas com H. undatus. Esta é conhecida como pitaya de casca vermelha e tem polpa branca, enquanto a amarela é de casca dessa cor e polpa branco translúcida e sementes maiores.A vermelha de polpa vermelha é a H.lemairei (Hook.) Britton &Rose. A descrição básica de H. undatus (vermelho de polpa branca) é a seguinte: planta epífita, rupícula ou terrestre ramificada, com ramos trigonos, ou trialados, com pouco mais de 20 cm em média de comprimento e 5 a 7cm de diâmetro, com asas de 2,3 cm de altura, de cor verde, ou grisácea, com o envelhecer, devido à cera que a recobre, com bordos agudos, crenados e córneos. Nos talos, há aréolas, de 2 a 3 cm de diâmetro, distantes de 3 a 5 cm entre si, com espinhos de 3 a 6 cada uma, com 1 a 4 mm,subaladas com base dilatada em um bulbo.

As flores são laterais, noturnas,com 20 a 35 cm de comprimento,brancas, completas, perfumadas ao abrir a noite, quando são polinizadas por insetos.Contêm numerosos estames, tendo sido contados acima de 800 em uma só flor, arranjados em duas fileiras, ao redor do pistilo formado por 14 a 28 estiletes de cor creme.As sépalas são de cor verde-clara. O pólen é abundante e de cor amarela.

Para que ocorra a polinização cruzada ou autopolinização, é necessário que a flor se abra, o que ocorre à noite, mas sua abertura é precedida de várias etapas, ou seja:a partir das 12 horas, há um inchamento do bulbo floral e o início da deiscência das anteras.No início da noite ( após as 19 h), dá-se a abertura floral, com separação do perianto e das brácteas, estádio no qual as anteras já estão com sua máxima deiscência. Os lóbulos do estigma estendem-se, mas como há uma separação dos estames do estigma e como pode haver diferença de altura desses órgãos, isso dificulta a autopolinização.Nesse estádio, a umidade relativa baixa e a insolação podem influir na senescência da flor, o que ocorre no início da manhã seguinte.O fruto de pitaya, vermelho, desenvolve-se rapidamente, e entre 30 e 40 dias após a fecundação já está pronto para ser colhido.Como o florescimento ocorre entre dezembro e abril em nossas condições, pode haver colheita de frutos nesse período, decorrente dos sucessivos períodos de florescimento.A amarela demora até 6 meses para atingir a maturidade. A pitaya adapta-se a certas condições, tais como em regiões de temperaturas entre 18 e 26 °C, altitude entre 0 até 1.850 m sobre o nível do mar, e chuvas entre 1.200 e 1.500 mm anuais, prefere climas subúmidos, meia sombra, livres de geadas, com solos bem drenados. Entretanto, a pitaya pode adaptar-se a climas de tipos diversos, desde os tropicais aos subtropicais até aos áridos.

A colheita é feita periodicamente com os frutos no estádio de vez, pois amadurecem após a colheita e conservam-se mais.Deve ser feita pelo corte com tesoura do pedúnculo do fruto e com cuidado. Após a colheita, os frutos são lavados para limpar e classificar, o que se faz com pano e com corte dos restos florais e das escamas mais secas. A utilização da pitaya pode ser como fruta fresca, ou suco, polpa, sorvete ou musse, ou como corante de doces.Também é citado ter valor medicinal pela presença no fruto de captina, que é considerado um tônico cardíaco, bem como seu óleo tem efeito laxante, o que é eficaz no controle de gastrite e infecções dos rins.Serve também para preparo de xampu e tem efeito contra dor de cabeça.

 

Luiz Carlos Donadio
Engenheiro Agrônomo, Professor,
Unesp/FCAV, Jaboticabal-SP

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