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Revista Brasileira de Fruticultura

Print version ISSN 0100-2945

Rev. Bras. Frutic. vol.32 no.2 Jaboticabal June 2010

https://doi.org/10.1590/S0100-29452010000200001 

Jabuticabeiras

 

 

Idemir CitadinI; Moeses Andrigo Danner; Simone Aparecida Zolet Sasso

IUniversidade Tecnológica Federal do Paraná / Programa de Pós-Graduação em Agronomia; idemir@utfpr.edu.br; moesesandrigo@yahoo.com.br; iosasso@ibest.com.br

 

 

A jabuticabeira (Plinia sp.) pertence à família Myrtaceae e é nativa do Centro/Sul/Sudeste do Brasil, com centro secundário de dispersão no Paraguai e Argentina. São conhecidas nove espécies, uma considerada extinta, cinco encontradas apenas em alguns sítios de pesquisa e apenas três têm dispersão natural e em cultivos no Brasil. Essas últimas são: Plinia trunciflora (Berg) Mattos (jabuticaba-de-cabinho); Plinia cauliflora (DC.) Berg (jabuticaba-paulista, ponhema ou assu); e Plinia jaboticaba (Vell.) Berg (jabuticaba-sabará), sendo esta a mais cultivada e conhecida no Brasil, principalmente nos Estados de Minas Gerais e São Paulo, que possuem alguns pomares comerciais.

As jabuticabeiras ocorrem predominantemente no Bioma Mata Atlântica. A fragmentação desse Bioma pela ação antrópica tem ocasionado redução da diversidade genética dessas espécies. Além disso, a falta de conhecimento sobre seu potencial e o consequente baixo aproveitamento comercial têm contribuído para sua erosão genética. Bancos de germoplasma de jabuticabeiras restringem-se a pequenas coleções de plantas em alguns órgãos de pesquisa. Portanto, a conservação in situ e ex situ e a caracterização dos recursos genéticos dessas espécies são pontos fundamentais nas estratégias de minorar os danos já causados e aumentar a exploração dessa fruteira em cultivos comerciais.

A jabuticaba apresenta grande potencial de comercialização, pois é muito apreciada tanto para consumo in natura como para a fabricação de geleia, bebidas fermentadas, vinagre e licores. Além disso, os frutos podem ser aproveitados pela indústria farmacêutica e alimentícia, devido a seu alto teor de substâncias antioxidantes. O uso das jabuticabeiras como planta ornamental também é indicado, pela exuberância de sua arquitetura e beleza da florada e frutificação.

A jabuticabeira está sendo testada em cultivos na Flórida (EUA) e em países das Américas Central e do Sul. No Brasil, a comercialização de frutos tem aumentado anualmente. Em 2008, foram comercializadas aproximadamente 2.000 toneladas de jabuticabas nos entrepostos da CEAGESP (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) e CEASAS (Curitiba e Belo Horizonte). Em algumas regiões do País, a comercialização é efetuada principalmente na forma in natura às margens de rodovias, por famílias carentes que coletam os frutos de plantas nativas (sistema extrativista). Dessa forma, essa atividade informal reveste-se de importância econômico-social, pois proporciona renda adicional a essas famílias durante o período de colheita. Conforme define o Código Florestal Brasileiro, essa fruteira poderá reconstituir a reserva legal da propriedade e ser explorada economicamente como alternativa de renda na agricultura familiar.

Apesar desse reconhecido potencial, a literatura é bastante limitada em número de referências a essa fruteira. Da mesma forma, a produção comercial é pequena e limitada a determinadas regiões, sendo ainda considerada uma planta frutífera de pomares caseiros.

O cultivo comercial da jabuticabeira poderá ser ampliado e conquistar mercados, desde que se desenvolva a pesquisa básica e tecnológica nessa cultura. Devem-se estimular estudos de biologia floral e molecular, modo de reprodução, caracterização de germoplasma, propagação vegetativa, conservação pós-colheita, entre outros, aliados à conservação in situ e ex situ do germoplasma. Esses trabalhos devem fomentar futuros programas de melhoramento genético, com o intuito de selecionar clones que apresentem características agronômicas superiores e também de aperfeiçoar as técnicas de cultivo, a exemplo do que é realizado para outras mirtáceas nativas do Brasil.

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