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Revista Brasileira de Fruticultura

Print version ISSN 0100-2945

Rev. Bras. Frutic. vol.32 no.2 Jaboticabal June 2010  Epub June 18, 2010

https://doi.org/10.1590/S0100-29452010005000060 

COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA
FITOTECNIA

 

Influência das precipitações pluviométricas em atributos físico-químicos de frutos da goiabeira 'Paluma' em diferentes estádios de maturação1

 

Influence of the precipitations pluviometrics in physical-chemical attributes of the fruits of the guajava tree 'Paluma' in different stadiums of ripening

 

 

Manoel Euzébio de SouzaI; Andréa Carvalho da SilvaII; Adilson Pacheco de SouzaIII; Adriana Aki TanakaIV; Sarita LeonelV

ILicenciado em Ciências Agrícolas, Mestrando em Horticultura, Depto. de Produção Vegetal, FCA /UNESP, Botucatu-SP, m.euzebio@fca.unesp.br
IIEngª Agrônoma, Doutoranda em Horticultura, Departamento Produção Vegetal, FCA /UNESP, Botucatu-SP, andcar@fca.unesp.br
IIIEngº Agrícola, Mestrando em Irrigação e Drenagem, DCA/FCA /UNESP, Botucatu-SP, Pacheco@fca.unesp.br
IVEngª. Agrônoma, Mestranda em Irrigação e Drenagem, DCA/FCA /UNESP, Botucatu-SP, tanak@fca.unesp.br
VProfª. Adjunto, Departamento de Produção Vegetal, FCA/UNESP, Fazenda Lageado, Botucatu-SP, CEP: 18610-000, sarinel@fca.unesp.br

 

 


RESUMO

O objetivo deste trabalho foi avaliar a influência de precipitações pluviométricas semanais acumuladas nas características físico e químicas dos frutos da goiabeira 'Paluma', em diferentes estádios de maturação. Foram analisados os atributos de peso da massa fresca, diâmetros longitudinais e equatoriais, firmeza, pH, acidez titulável, sólidos solúveis, vitamina C, açúcares redutores e açúcares redutores totais em três estádios de maturação definidos pela coloração da casca (verde-escura, verde-clara e verde-amarela). Dentre os atributos físicos e químicos, apenas a firmeza diminuiu com o aumento dos níveis de precipitações semanais para um mesmo estádio de maturação e, ainda, apresentou decréscimos entre os estádios de maturação. Os atributos físico e químicos, com exceção apenas do pH, decresceram com o aumento das precipitações semanais acumuladas e em maiores intensidades para os estádios de maturação mais avançados.

Termos para indexação: Psidium guajava, acidez, sólidos solúveis, chuvas.


ABSTRACT

The objective of this work was evaluate the influence of precipitations pluviometrics weekly accumulated in the characteristics physical and chemical of the fruits of the guajava tree 'Paluma', in different stadiums of ripening. They were analyzed the following attributes: weight fresh, equatorial and longitudinal diameters, firmness, pH, titratable acidity, soluble solids, vitamin C, sugars reductors and sugars reductors total in three stadiums of ripening defined by the color of the shell (dark green, light green and yellow green). Among the physical and chemical attributes, barely the firmness diminished with the increase of the levels of weekly precipitations for a same stadium of ripening and still, presented decreases between the stadiums of ripening. The physical and chemical attributes, with exception barely of the pH, decreased with the increase of the weekly precipitations accumulated and in bigger intensities for the biggest stadiums of ripening.

Keywords: Psidium guajava, acidity, soluble solids, rainfall.


 

 

A goiaba brasileira encontra-se em um momento especial, com a perspectiva de alavancar sua inserção na comercialização de frutas e seus derivados. As exportações de goiaba e seus produtos industrializados são ainda insipientes, o que faz a produção brasileira depender exclusivamente do mercado interno. O grande desafio, então, consiste em superar o marketing de produtos que utilizam aromatizantes e corantes artificiais para reproduzir o sabor e o aroma da fruta e dispor ao mercado in natura frutos com qualidade e vida útil pós-colheita (PIEDADE NETO et al., 2003).

O conhecimento do amadurecimento da goiaba permite compreender e aplicar técnicas visando a propiciar um adequado manejo de seu amadurecimento, possibilitando obter melhores características comerciais em termos quantitativos, qualitativos e nutricionais (BALBINO, 2003).

A qualidade da goiaba é dada principalmente por suas características químicas que variam de acordo com as cultivares, clima, solo, tratos culturais e estádio de maturação do fruto (PAIVA et al., 1997; GONZAGA NETO et al., 1997). Além desses fatores, os aspectos produtivos e qualitativos do fruto dependem das condições climáticas (HOJO et al., 2007), pois o excesso de chuvas e temperaturas elevadas durante o desenvolvimento e a maturação do fruto tornam os mesmos mais aquosos, com baixos teores de açúcares e reduzido ácido ascórbico (COSTA; COSTA, 2003).

Dentre as características que definem a qualidade do fruto de goiabeira, as com maior destaque em pesquisas, são os teores de sólidos solúveis (SS), que proporcionam melhor sabor e maior rendimento na elaboração de produtos industrializados; a acidez total titulável, (AT) que é utilizada na classificação da fruta pelo sabor; a relação SS/AT, que indica o índice de maturação da goiaba, e o pH, que tem sua importância variada conforme a finalidade (PAIVA et al., 1997; LIMA, et al., 2002). Entretanto, esses atributos apresentam variações conforme o estádio de maturação do fruto, pois suas condições na época da colheita determinam o comportamento e, consequentemente, sua qualidade final (BALBINO, 2003).

Não existe padronização e consenso quanto ao estádio de maturação ideal para a colheita da goiaba. Normalmente, são colhidas quando a polpa ainda está firme, e a coloração da casca começa a mudar de verde-escura para verde-clara ou começando a amarelecer (MANICA et al., 2000; AZZOLINI et al., 2002b).

A determinação de sua maturidade pode ser feita por vários métodos: observações visuais (cor da casca, tamanho e formato do fruto), fenológicas, fisiológicas e físico-químicas (acidez, firmeza e teor de sólidos solúveis). Isoladamente, nenhum desses métodos propicia bons resultados para a determinação do ponto de colheita e alguns, ainda, precisam de análises laboratoriais, que podem inviabilizar sua utilização. Vários trabalhos têm sido realizados nas condições edafoclimáticas brasileiras com esses indicadores do ponto de colheita do fruto, todavia a cor da casca vem sendo considerada o melhor índice para indicar o estádio de maturação (MERCADO-SILVA et al., 1998; AZZOLINI et al., 2002a; AZZOLINI et al., 2002b).

A duração do período de maturação e a qualidade da goiaba necessitam ser relacionadas com algumas variáveis meteorológicas e sistemas de manejo, com o objetivo de se obterem resultados que melhor expliquem a variabilidade dos indicadores de qualidade durante uma safra (SERRANO et al., 2007). Para Mercado-Silva et al. (1998), a redução do teor de sólidos solúveis pode ocorrer pelo excesso de água na época do enchimento do fruto, enquanto a concentração de açúcares pode ser favorecida pela escassez de água.

Dentro desse contexto, este trabalho objetivou avaliar a influência de precipitações pluviométricas nas características físico e químicas do fruto de goiabeira 'Paluma', colhido em diferentes estádios de maturação, no município de São Manuel - SP.

O trabalho foi conduzido na Fazenda Experimental São Manuel, da Faculdade de Ciências Agronômicas da UNESP, Câmpus de Botucatu-SP, localizada na latitude 22º44' S e longitude 48º34' O, com altitude média de 740 m. O clima da região, segundo Tubelis & Salibe (1989), é classificado como Cfa, e o solo é caracterizado como Latossolo Vermelho-Amarelo (CARVALHO et al., 1983).

O pomar foi constituído de goiabeiras 'Paluma' com cinco anos de idade, implantado em espaçamento de 6 x 4 m, em plantio sem irrigação. As plantas receberam podas de frutificação nos meses de julho dos anos de 2007 e 2008, com encurtamento dos ramos a 3 cm a partir da base (SERRANO et al., 2007) e retirada de 2 ramos do interior da copa, para facilitar o arejamento e a iluminação.

Os períodos de colheita estenderam-se no ciclo de 2007/08, de 07-01 a 04-04 de 2008, e no ciclo de 2008/09, de 02-02 a 14-04 de 2009. As precipitações pluviométricas ocorridas no período da colheita do segundo ciclo são apresentadas na Figura 1. Para verificar os efeitos dos volumes de precipitações nos atributos físico-químicos dos frutos, foram considerados os valores acumulados no decorrer de uma semana antes do momento da colheita. No período da colheita, do ciclo 2008/09, foram desconsideradas as duas colheitas iniciais que poderiam apresentar resultados decorrentes dos tratamentos fitossanitários entre a poda e o inicio da colheita.

Os índices de C1 a C6 indicam as datas das colheitas realizadas no ano de 2009, nos dias: 04-03, 26-02, 08-02, 12-03, 17-02 e 01-02, cujos valores acumulados de precipitações entre colheitas subsequentes foram 0; 7; 25; 50; 122 e 158 mm, respectivamente. Para verificar os efeitos entre anos, foram consideradas as colheitas realizadas no ano de 2008, nas datas de 28-03, 13-02 e 17-01, que apresentaram acúmulos semanais de precipitações de 0, 25 e 50 mm, respectivamente.

No segundo ciclo (2008/09), colheu-se fruto em três diferentes estádios de maturação, segundo a cor da casca, conforme classificação proposta por Azzolini et al., (2004 a). Fruto que apresentava coloração da casca verde-escura, verde-clara e verde-amarela, foi enquadrado nos estádios 01 (E1), 02 (E2) e 03 (E3), respectivamente. Enquanto, no primeiro ciclo, foi colhido fruto apenas no estádio de maturação E3.

Posteriormente, a cada colheita, foram avaliados a massa fresca em balança digital, os diâmetros equatorial e longitudinal com paquímetro digital (Starret 799) e a firmeza do fruto (expressa em Newtons) com texturômetro digital Stevens - LFRA Texture Analyser, com ponteira plana de 6 mm, tomando-se duas leituras na região equatorial, em lados opostos de um mesmo fruto. O pH foi obtido em extrato de frutos homogeneizados, utilizando-se do potenciômetro da marca Digimed DMPH-2, conforme técnicas recomendadas pelo IAL (1985). Os sólidos solúveis foram determinados por refratometria digital direta em ºBrix (AOAC, 1992). A acidez titulável foi expressa em porcentagem de ácido cítrico em 100 g de polpa, e determinada por titulação com solução padronizada de NaOH a 0,1N, tendo como indicador a fenolftaleína (IAL, 1985). A vitamina C foi expressa em mg de ácido ascórbico por 100g de polpa e determinada conforme AOAC (1992). Os açúcares redutores (AR) e redutores totais (ART) foram determinados com o uso do espectrofotômetro Micronal B 382, de acordo com a metodologia proposta por Somogyi e adaptada por Nelson (1944), sendo os resultados expressos em porcentagem.

Nas análises físico e químicas em cada época de colheita e estádio de maturação, para os dois ciclos produtivos, foram utilizadas cinco repetições de cinco frutos cada. Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância (Teste F) e quando houve significância, as médias foram comparadas pelo teste de Tukey (p < 0,05), e as regressões ajustadas, empregando-se o programa estatístico SAS.

Comparativamente, o fruto colhido no estádio de maturação E3 apresenta pesos superiores em, no mínimo, 7,21 e 19,26g aos estádios 02 e 01, respectivamente. Esses resultados indicam que, mesmo atingindo o ponto de colheita com coloração da casca verde-escura, o fruto pode ainda apresentar um incremento de massa. Pôde ser notada uma tendência de aumento da massa fresca do fruto nas maiores precipitações, independentemente do estádio de maturação.

Ambos os diâmetros não diferiram em função da quantidade de precipitação acumulada, porém diferenças significativas foram observadas entre os estádios de maturação, sendo os diâmetros equatoriais e longitudinais de E1 e E2 semelhantes entre si. Esses resultados confirmam a possibilidade de crescimento dos frutos colhidos no estádio 01.

A firmeza do fruto apresentou tendência inversa das demais variáveis físicas, com maiores valores verificados em E1 e redução com o aumento das precipitações, em todos os estádios de maturação. Frutos colhidos em E3 e E2 apresentaram firmezas inferiores em 58,27% e 31,62% ao verificado em E1, na ausência de precipitações, enquanto nas precipitações de 158 mm, essas reduções foram de 73,20% e 36,65%, respectivamente. Dhingra et al. (1983) consideraram goiabas como verdes, quando apresentavam firmeza acima de 85N e verde-amarelas com firmeza variando entre 55,11N e 66,3N. Os valores de firmeza encontrados em todos os estádios de maturação são semelhantes aos citados por Azzolini et al. (2004a) para goiabas Pedro Sato, todavia, em E1 e E2 os resultados deste trabalho são superiores em função das diferenças entre os frutos das duas cultivares.

Houve intensa redução da firmeza dos frutos com o aumento das precipitações, com diferenças de 34N, 30,2N e 34,8N entre 0 e 158 mm, para E1, E2 e E3, respectivamente. Essa perda de firmeza em função do estádio de amadurecimento e das precipitações podem ser creditadas às atividades das enzimas hidrolíticas, que promovem intensa solubilização das pectinas constituintes da parede celular, resultando em perda de firmeza (TUCKER, 1993; JAIN et al., 2001; AZZOLINI et al., 2004b).

Observou-se que, independentemente das precipitações, ocorreram aumentos do pH com o avanço do estádio de maturação. Os menores valores de pH foram encontrados na ausência de precipitação em E1 (3,64), e os maiores, na precipitação de 158 mm (4,06) em E2. Como E2 é caracterizado como um estádio intermediário de maturação, não foi observada uma sequência de crescimento dos valores de pH com o aumento das precipitações, como ocorreu em E1 e E3 (Figura 02a). Segundo Marteleto (1980) e Manica et al. (1998), os valores de pH superiores a 3,50 indicam a necessidade de adicionar ácidos orgânicos comestíveis no processamento dos frutos, porém podem ocorrer deteriorações de produtos industrializados com goiabas em pH acima de 4,20. Assim, os dados encontrados neste trabalho, mesmo com a influência das precipitações e dos estádios de maturação, indicam que os frutos estavam em uma faixa de pH ideal. Todavia, o pH foi a única variável química analisada que apresentou crescimento com o aumento das precipitações.

A acidez titulável, na ausência de precipitações, foi maior em E2 do que nos demais estádios (0,7512), sendo superior em 20% e 28,83% quando comparado com E1 e E3. Piveta et al. (1992) e Azzolini et al. (2004b) observaram, para as cultivares Paluma e Pedro Sato, maiores valores de acidez nos frutos colhidos nos estádios verdes que nos estádios maduros. Em todos os estádios, os níveis de AT foram reduzidos com o aumento das precipitações semanais. Contudo, as maiores perdas foram verificadas em E2 (0,2326 mg de ácido cítrico 100g-1 de polpa), e os demais estádios apresentaram reduções semelhantes (0,1294 e 0,1298 mg de ácido cítrico 100g-1 de polpa) entre 0 e 158 mm. Apesar de apresentar menores perdas, E3 apresentou, em 158 mm, níveis de AT em torno de 0,40 mg de ácido cítrico 100g-1 de polpa, valores estes inferiores aos verificados em outros trabalhos com goiabas 'Paluma', 'Pedro Sato' e 'Branca de Kumagai' (BOTELHO et al., 2002; MATTIUZ et al., 2003; AZZOLINI et al., 2004ab; RIBEIRO et al., 2005), indicando um efeito direto das precipitações pluviométricas no sabor dos frutos para consumo in natura.

Com relação aos níveis de vitamina C, verifica-se, na Figura 02 d, que, na ausência de precipitações, os maiores valores foram crescentes em função do avanço da maturação dos frutos, atingindo 53,6 mg de ácido ascórbico em 100 g de polpa. Esses resultados corroboram os valores encontrados por Azzolini et al. (2004b). Mercado-Silva et al. (1998) e Manica et al. (2000) citam que as goiabas possuem significativas quantidades de ácido ascórbico, cujas concentrações aumentam durante as etapas de maturação e diminuem posteriormente, sendo um indicativo de senescência das goiabas maduras. Esse aumento no início da maturação está associado ao aumento da síntese de intermediários metabólicos, precursores do ácido ascórbico, enquanto, a sua diminuição está ligada à oxidação de ácidos orgânicos, que, com poucas exceções, diminuem com a maturação, em decorrência do processo respiratório ou da sua conversão em açúcares, visto que se constituem excelentes reservas energéticas do fruto, através de sua oxidação via ciclo de Krebs (KAYS, 1991; MATTIUZ et al., 2003).

Dentro de um mesmo estádio de maturação, ocorreram reduções significativas dos teores de ácidos ascórbicos com o aumento das precipitações semanais, em torno de 15,8; 19,4 e 18,2 mg de ácido ascórbico em 100 g de polpa entre 0 e 158 mm, para E1, E2 e E3, respectivamente. Em geral, pela redução da acidez titulável e dos níveis de ácido ascórbico dentro de um mesmo estádio de maturação, ocasionadas pelas maiores precipitações, os menores desvios-padrão também são verificados em 122 e 158 mm.

Os atributos que compõem os teores de açúcar apresentam-se crescentes na ausência de precipitação; todavia, com o aumento dos níveis de precipitação, foram verificados níveis decrescentes desses atributos. Na ausência de precipitações semanais, os teores de açúcares redutores (Figura 2e) foram menores em E1 (6,58%) e maiores em E3 (7,51%). O mesmo comportamento pode ser observado para açúcares redutores totais (Figura 2f) e sólidos solúveis (Figura 2c). Esses resultados médios de AR e ART foram superiores aos verificados por Vila et al. (2007) em goiaba Pedro Sato. Os valores de SS de 9,94; 10,34 e 10,9 para E1, E2 e E3, constatados neste trabalho, também foram superiores aos encontrados por Azzolini et al. (2004) para goiaba Pedro Sato. Vila et al. (2007) relatam que o aumento nos teores de açúcares e sólidos solúveis podem ser decorrentes da hidrólise de amido, desidratação dos frutos e degradação de polissacarídeos da parede celular.

De modo geral, independentemente do estádio de maturação, verifica-se que o aumento das precipitações promove decréscimo nos teores de AR, ART e SS. Portanto, houve diluição desses atributos, sobretudo nos frutos do E3. Esses resultados podem ser justificados pela perda da firmeza do fruto ao longo do amadurecimento, ficando assim mais vulneráveis às condições climáticas, principalmente às precipitações pluviométricas.

As regressões polinomiais de segundo grau ajustadas nas correlações entre as variáveis químicas de goiabas 'Paluma' e as precipitações acumuladas mensais, para os estádios de maturação estudados, são apresentadas na Tabela 2. Observa-se que todas as variáveis químicas estão bem correlacionadas com os níveis de precipitação pluviométrica semanal, com coeficientes de determinação superiores a 0,76. Apenas o pH apresentou equações crescentes decorrentes da tendência apresentada na Figura 2a. Entretanto, vale ressaltar que essas equações foram geradas para precipitações pluviométricas acumuladas na semana antecedente à colheita, variando de 0 a 158 mm, pois em valores acima destes não foi possível prever o comportamento das equações. Quando o acumulo semanal das precipitações tende a zero, os valores esperados de cada variável química tendem ao coeficiente a0.

Como os tratos culturais nos ciclos agrícolas de 2007/2008 e 2008/2009 foram semelhantes, principalmente as podas de frutificação e as adubações, foi possível efetuar a comparação dos efeitos da ausência de precipitação e de precipitações semanais acumuladas de 25 e 50 mm para o estádio 03 de maturação (cor da casca verde-amarela), conforme a Tabela 3. Nos dois ciclos agrícolas avaliados, não foram observadas diferenças significativas entre os valores médios de pH, SS e AT para E3, indicando que os efeitos das precipitações nas características químicas dos frutos são independentes do ciclo agrícola de avaliação.

As precipitações pluviométricas acumuladas semanalmente promoveram decréscimos de acidez titulável, sólidos solúveis, vitamina C, açúcares redutores e açúcares redutores totais em frutos de goiabeira 'Paluma', em São Manuel-SP. Os valores variaram com os volumes de precipitação e com os estádios de maturação dos frutos.

Dentre os atributos físicos, apenas a firmeza foi influenciada, tendo seus valores reduzidos com o aumento do estádio de maturação e volumes de precipitação semanais.

 

Tabela 1

 

REFERÊNCIAS

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Recebido em: 26-05-2009.
Aceito para publicação em: 13-01-2010.

 

 

1 (Trabalho 129-09).

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