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Revista Brasileira de Fruticultura

Print version ISSN 0100-2945

Rev. Bras. Frutic. vol.32 no.3 Jaboticabal Sept. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-29452010000300001 

O cultivo do mamoeiro no Brasil

 

 

O mamoeiro (Carica papaya L.) é uma das fruteiras mais comuns em quase todos os países da América Tropical, sendo descoberto pelos espanhóis na região compreendida entre o sul do México e o norte da Nicarágua. Após a descoberta, o mamoeiro foi amplamente distribuído em várias regiões tropicais, estendendo-se a 32° de latitude norte e sul, com possível introdução no Brasil em 1587.

É considerada como uma das fruteiras mais cultivadas e consumidas nas regiões tropicais e subtropicais do mundo. Seus frutos, conhecidos como mamão ou papaya, são excelentes fontes de cálcio, pró-vitamina A e vitamina C (ácido ascórbico), por isso são amplamente utilizados em dietas alimentares.

A cultura desenvolve-se, satisfatoriamente, em locais com temperatura média anual de 25ºC, com limites entre 21ºC e 33ºC, e precipitação pluviométrica de 1.500 mm anuais bem distribuída.

Segundo a FAO (2010), a produção mundial de mamão representa 10% da produção mundial de frutas tropicais, girando em torno de 8 milhões de toneladas, das quais 39% são produzidas na América Latina e Caribe. Os principais produtores mundiais são o Brasil, México, Nigéria, Índia e Indonésia, enquanto os maiores exportadores são o México e a Malásia.

Em 2008, o Brasil produziu 1,9 milhão de toneladas em 36,5 mil hectares, com um valor da produção estimado em R$ 1 bilhão (IBGE, 2010). Também em 2008, o Brasil exportou cerca de 30 mil toneladas (7% menos que em 2007), gerando uma receita de US$ 38,6 milhões (IBRAF, 2010). A Comunidade Europeia (Holanda, Portugal, Espanha, Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Suíça) e os Estados Unidos são os principais importadores do mamão brasileiro, representando 80% e 14%, respectivamente (BRAPEX, 2010).

Quanto à produção nacional, os principais produtores são os Estados da Bahia (902 mil toneladas), Espírito Santo (630 mil toneladas), Rio Grande do Norte (106 mil toneladas) e Ceará (100 mil toneladas). No quesito exportações, o Estado do Espírito Santo responde por 50% do total.

As cultivares de mamoeiro mais exploradas no Brasil são classificadas em dois grupos: 'Solo' e 'Formosa'. As cultivares do grupo 'Solo' possuem alto potencial de endogamia, e seus frutos, de menor tamanho (≈ 0,35 a 0,70 kg), são destinados para o mercado interno e, principalmente, para o mercado externo. As principais cultivares do grupo 'Formosa' são híbridas importadas que produzem frutos de maior tamanho (>1,0 kg) que são destinados, principalmente, ao mercado interno. Os municípios de Pinheiros-ES, Prado-BA e Porto Seguro-BA são os maiores produtores de mamão do grupo 'Formosa' (principalmente o híbrido importado 'Tainung 01'), e Linhares-ES e Sooretama-ES são os maiores produtores de mamão do grupo 'Solo' (principalmente 'Golden' e 'Golden THB' para exportação e 'Sunrise Solo' para o mercado nacional).

No cultivo de mamoeiros híbridos do grupo 'Formosa', em cada plantio, o produtor necessita adquirir novas sementes, fato que eleva o custo de produção. Entretanto, ainda neste ano, o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (INCAPER) lançará ao mercado o mamoeiro 'Rubi INCAPER 511', uma cultivar do grupo 'Formosa' de polinização aberta, que permitirá aos produtores obterem suas próprias sementes. Em diversas avaliações realizadas, o mesmo apresentou produtividade e qualidade de frutos semelhantes ao principal genótipo de mamoeiro 'Formosa' cultivado no Estado, o híbrido importado 'Tainung 01', apresentando frutos com casca de coloração verde-escura, polpa vermelho-alaranjada, peso médio de 1,47 kg, polpa suave e sólidos solúveis totais de 10,2°Brix.

 

Engº Agrº, D.Sc., Luiz Augusto Lopes Serrano
Engº Agrº, D.Sc., Laercio Francisco Cattaneo
Pesquisadores do INCAPER / CRDR Nordeste, C. P. 62, 29900-970, Linhares-ES.
lalserrano@incaper.es.gov.br ; lfcattaneo@hotmail.com